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segunda-feira

Uma Guerra na Europa?





Sublinhando a semelhança profunda que existe entre a Europa actual e a Europa que existia em 1913, quando parecia óbvio a todos os países que jamais voltaria a haver um conflito de larga escala em território Europeu, o ex-líder do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker veio a público alta os parceiros comunitários para o agravamento exponencial das tensões internas devido ao aprofundar da crise.

Esta posição, impensável há apenas 2 ou 3 anos, está a tornar-se numa espécie de cenário comum à maior parte dos analistas políticos que, estabelecendo paralelos pragmáticos entre o clima de gravíssima crise em que vivemos com o que se passou nos momentos imediatamente anteriores à eclosão da I e da II Guerra Mundial, cada vez mais consideram plausível que o desfecho final desta situação seja um conflito globalizado com repercussões negativíssimas para os cidadãos.

A guerra e a fome, resultantes da incapacidade que os vários estados têm demonstrado para resolver os problemas com que se debatem, parecem ser o cenário mais provável a curto prazo.

Em países como a Grécia ou a Itália, e mesmo em Espanha, Portugal e até na própria Alemanha, o clima de crise tem incentivado o renascimento de ressentimentos que todos julgavam que estariam enterrados para sempre. As posições anti-Alemãs, assentem nos mesmos pressupostos que fizeram despoletar os dois grandes conflitos bélicos do Século XX, são a consequência imediata deste federalismo centralista para o qual a Europa está a caminhar.

Será que ainda falta alguma coisa para que se comece a inverter este processo?

quarta-feira

Manuel Alegre, as Estrelas Independentes e a Verdadeira Democracia




O verdadeiro turbilhão político que actualmente se vive em Itália, a braços com um processo eleitoral pouco tradicional e a possibilidade de os resultados virem a complicar ainda mais a já de si complicada vida política na Europa Federada em que nos meteram, levou a que o histórico socialista Manuel Alegre, antigo candidato ao cargo de presidente da república, tenha concluído publicamente que a situação actual é “o início da implosão do sistema político tal como ele existe”.

Esta análise, óbvia no sentido em que se torna fácil perceber que os resultados eleitorais naquele País assentam num processo profunda e assumidamente demagógico que procura contornar a enorme falta de credibilidade dos partidos políticos tradicionais, esbarra, no entanto, nas conclusões que Alegre retira deste facto. Diz ele,  que estes resultados são “uma rebelião contra a democracia”.

E errou. Errou profundamente, porque se o que está a acontecer em Itália é a prova mais evidente de que a democracia partidária não é a solução para os problemas da Europa nem dos países que a compõem, a reacção da população ajuda a perceber que o sistema que temos não os represente e que, por isso, qualquer solução alternativa é considerada melhor do que aquilo que actualmente temos.

Mas Manuel Alegre não percebeu, possivelmente devido à incapacidade que tem de ver para além do sistema partidário em que viveu toda a sua vida, que o resultado do que está a passar-se em Itália será exactamente o reforço da democracia. Apesar do expectável fim dos partidos políticos tradicionais, a nova dinâmica independente que está a nascer, e que já vive nas expectativas e nos projectos de vida dos Europeus, resultará inevitavelmente no reforço da representatividade popular e, por consequência, no reforço da verdadeira democracia.

O vínculo cada vez mais forte dos independentes, independentes dos partidos políticos tradicionais, dos interesses que esses partidos representam e, sobretudo, da lógica organizada de controle efectivo do Estado contra a vontade, o interesse e as dinâmicas da população, resultará num novo paradigma político que dará forma a uma nova Europa certamente unida mas não federada e assente no reforço identitário das nações que a compõem.

Por isso, as cinco estrelas independentes que despertaram os Italianos e aterrorizaram a Europa, mais não são do que um primeiro passo no sentido de um verdadeira democracia. Livre e Independente!

sexta-feira

O Euro, a China e o Futuro de Portugal




Foi hoje tornado público em Portugal, que o “sucesso” da oferta de dívida pública que o estado português colocou esta semana se ficou a dever ao facto de a China ter aceite participar mediante a abertura do capital da GALP aos empresários chineses.

Teoricamente pouco relevante, basicamente porque já todos sabíamos que era intento do actual primeiro-ministro ir ao Oriente buscar algum apoio a este nível, é no entanto um dos mais importantes dados dos últimos tempos se o integrarmos no contexto europeu.

Incapaz de responder aos muitos desafios que vão surgindo no horizonte, a Europa percebeu finalmente que não será fácil recriar-se em torno de uma federação pacificamente aceite pelos países da periferia e, acima de tudo, entendeu que toda a estratégia desenvolvida pelos países ditos mais desenvolvidos de investir nos PIGS de forma a conseguir controlá-los daqui a algum tempo, está definitivamente comprometida.

Ou seja, com a entrada da China no capital da GALP existem três constatações que deveremos reter: a primeira é a de que existem alternativas ao domínio que a Alemanha e a França pretendiam desenvolver sobre nós como contrapartida à “ajuda” que nos dariam para resolver o problema do défice que temos com eles; em segundo lugar, que o Euro que nos impingiram como sendo essencial para desenvolver Portugal só serve para consolidar o poderio federalista desses países, colocando em causa a soberania dos países a que eles chamam “periféricos”; e em terceiro lugar, para desespero da generalidade dos eurocratas, comprova-nos que sem este Euro, numa Europa de estados soberanos e livres de pactos e tratados que Franceses e Alemães nos impuseram, ficam eles próprios incapazes de responder economicamente às economias emergentes.

Resumindo e concluindo: estão a mentir aos Portugueses. A Europa que nos venderam enquanto protectora e sinónimo de transparência, rigor e lealdade no relacionamento entre os estados, é exactamente o contrário disso.

O caminho de Portugal, colocado na cabeça de uma Europa voltada ao Atlântico e estrategicamente posicionado como porta de entrada de todas estas economias novas e verdadeiramente mais transparentes, deve ser em direcção à assumpção da sua soberania Nacional.

Com esse rumo, encontraremos certamente mais oportunidades de crescimento e afirmação do que no contexto de uma Europa federada que vai, efectivamente, espezinhar e destruir os interesses dos Portugueses.

segunda-feira

O Mito do Euro e a Federação da Europa




Notícias recentemente divulgadas pelas maiores agências noticiosas europeias, dão conta de que a moeda única europeia – o Euro – tem vinte por cento de possibilidades de sobreviver aos dez próximos anos. Isto, como é evidente, se mantiver a sua actual dinâmica organizativa e se assentar a sua existência numa Europa composta por uma união de Estados-Nação livres e politicamente independentes.

Tal como existe, o Euro tem servido basicamente para nivelar a Europa. Fê-lo utilizando a bitola de quem o idealizou e pagou, ou seja, a Alemanha e a França, que pretendiam assim alargar o espectro da sua soberania junto dos países mais carenciados e menos desenvolvidos. Nesse esforço, ambos os países investiram biliões de Euros, emprestando quantias inimagináveis aos restantes, fazendo depender a entrada na união monetária de duras e inflexíveis medidas de controle orçamental a que os restantes países estavam pouco habituados ou que nem sequer tinham capacidade administrativa para poder aplicar. Criaram-se assim dois grupos nesta Europa surpreendente: os que pagam e mandam e os que recebem os fundos comunitários e que têm de cumprir rigorosamente as ordens dos restantes. Neste segundo grupo, de uma forma de tal maneira assumida que deu origem ao designativo PIGS, com o qual a imprensa dos que mandam se refere aos restantes, estão a Espanha, a Irlanda, a Grécia e… Portugal.

Chegados a este momento, e com o actual modelo do Euro esgotado, restam duas saídas para a Europa da moeda única. Pode manter-se tudo tal como está, e a união monetária sucumbirá inexoravelmente nos próximos tempos com o descalabro social e político que se adivinha. Neste caso a Alemanha e a França deverão assumir o prejuízo inerente à perda de todo o investimento que fizeram e esquecer a ideia de que um dia os PIGS lhes pagarão com juros todo o dinheiro até aqui injectado. Ou então, como alternativa, pode proceder-se a uma revisão profunda da existência da União Europeia, introduzindo alterações que garantam a estabilidade e a manutenção do Euro. Nesta segunda opção, que passa pela efectiva federação da Europa, os estados perdem totalmente a sua autonomia, e subordinam-se política, económica e socialmente à vontade, à dinâmica, à iniciativa e às decisões tomadas pelos importantes.

As notícias que atrás mencionamos são a prova viva de que é esse o caminho já escolhido pela Alemanha e pela França para o futuro do velho continente, e que a Europa das Nações, muitas delas, como Portugal, com quase 900 anos de História, vai ser pura e simplesmente aniquilada.

Os políticos que nos meteram nesta embrulhada, e que continuam hoje (quase todos) à frente dos destinos desta ainda Nação, vêm com bons olhos esta irracionalidade, pois as metas económicas e financeiras são para eles o único caminho possível em direcção à prosperidade.

Mas enganam-se fatalmente. A Europa a que Alemães e Franceses chamam PIGS, é um continente assente em comunidades arreigadas à sua História, a cultural fortes e a usos e costumes que não são compatíveis com uma federação.

Ao levarem Portugal por este caminho, mentindo aos Portugueses a quem se diz que é o único possível dadas as circunstâncias a que chegámos, estão a condenar o nosso País a um processo longo, conturbado e cruel de caos sócio-cultural em que, como já aconteceu noutros momentos da nossa História (e acontece ainda hoje em comunidades autonómicas incluídas à força no estado espanhol), Portugueses lutarão contra Portugueses num esforço que culminará indubitavelmente na definição de uma nova soberania.

Actualmente existem ainda soluções alternativas para Portugal. O eixo com África, com a América do Sul e com a Ásia, complementado com a situação geo-estrategicamente única do País, fornecem-nos as ferramentas necessárias para tirar esta Nação da cauda da Europa e a recolocar na linha da frente. Assim haja vontade, discernimento e capacidade para o fazer.

Agora, em relação ao Euro, por favor não nos federem!