Mostrar mensagens com a etiqueta Jerónimo de Sousa. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Jerónimo de Sousa. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira

Portugal Encavacado




Apesar as controvérsias, das discórdias, das polémicas mediáticas, das diferenças de opinião e de todo o conjunto de interesses que dão corpo a este sistema eleitoral partidarizado e pouco democrático que temos (é preciso lembrar que os Portugueses nem sequer são livres de escolher o(s) deputado(s) que os vai representar na Assembleia da República e que, à laia de embuste, são obrigados a fazer uma selecção daqueles que são escolhidos pelos partidos), existe uma conclusão óbvia, linear e inquestionável das eleições legislativas que decorreram no passado dia 4 de Outubro: o vencedor foi a coligação entre o PSD e o CDS.

Tiveram mais votos e ganharam as eleições. E, por isso, deveriam ter sido indicados pelo Presidente da República para formarem governo. Depois, com é evidente, os 230 deputados que compõem a assembleia logo decidiriam o que fazer, e arcariam com a responsabilidade da(s) sua(s) decisões perante Portugal e os portugueses.

Mas Cavaco Silva, uma vez mais estragou tudo. Quando devia simplesmente ter procedido à indigitação do vencedor das eleições para formar governo, calando-se de seguida de maneira a garantir o normal funcionamento das instituições, proferiu um discurso absurdo e completamente descontextualizado, com laivos de uma raiva que põe em causa a isenção e o distanciamento que o presidente deve ter em relação às escolhas dos portugueses.

Ao fazê-lo, Cavaco Silva condicionou de maneira inconcebível o universo partidário e gerou um sentimento de desconforto que põe em causa os interesses de Portugal. 

Agora, que o mal está feito, há uma coisa que importa sublinhar para que ninguém no futuro se venha a esquecer: Cavaco Silva é o responsável por tudo aquilo que vier a acontecer aos Portugueses. E deve ficar na história com esse ónus. Porque a decisão foi dele.

quinta-feira

O que vale o PS?




Decorreu ontem, perante a atenção dos media e dos muitos Portugueses que a ele assistiram, o segundo debate entre os dois candidatos a líderes do Partido Socialista em Portugal.

Chamam-lhe primárias, num esforço de aproximação ao modelo eleitoral americano, e teimam em transformá-las numa espécie de circo mediático no qual importam pouco as ideias e as propostas efectivas e na qual ganham força as tendências eleitorais dos votantes nacionais, entendidos como potenciais eleitores no universo das eleições que se vão alinhando no horizonte.

Cá fora, nos jornais, nas televisões e até nos transportes públicos, cruzam-se as opiniões sobre quem “ganhou o debate”, definindo-se um cenário à-priori em que um dos pretensos candidatos surge nitidamente destacado e quase “condenado” à vitória. Transversal às opiniões publicadas e aos comentários aguisados nos jornais da noite é a unanimidade em torno da não existência de conteúdos nestes debates. Quer um quer outro, ambos políticos calejados na lide da qual depende a sua sobrevivência, teimam em responder de forma insatisfatória às questão que os jornalistas lhes colocam e, quando instados a explicarem o que querem fazer, o que planeiam fazer, ou até qual é o seu projecto, fogem habilmente às questões e contornam os problemas de forma a não se comprometerem perante os Portugueses. A eles só lhes interesse ganhar as eleições no PS!...

Mas o que vale o PS? O que vale que o António Costa encoste ou que o António José Seguro se desequilibre na sua insegurança? O que interessa saber o que é que eles pretendem fazer se chegarem a ser governo (ou mesmo se pretendem fazer alguma coisa caso isso assim aconteça…) ou qual é a sua opinião acerca do estado em que se encontra Portugal? A resposta só pode ser peremptória: nada!

E nada, basicamente em linha com o facto de nada interessar também saber se Pedro Passos Coelho se mantém teimosamente na liderança do PSD, ou se o Portas consegue gerir a sua ambição sem com isso tomar decisões irrevogáveis que comprometem o futuro de Portugal e dos Portugueses. Ou sequer se a ficção se pode tornar realidade e termos um dia um governo onde existam comunistas verdadeiros que gritem a partir de São Bento as parangonas que lhes são ditadas pelo camarada Jerónimo, ou mesmo radicais de esquerda que levem alguém do Bloco de Esquerda (se ainda existir nessa altura) a um cargo com alguma espécie de poder.

Nada disso interessa nada porque importa pouco quem vai governar Portugal. Sem capacidade de decisão relativamente às suas fronteiras e ao seu território desde a assinatura do Tratado de Schengen, ao seu orçamento, ao seu corpo legislativo, à sua moeda ou sequer acerca da definição das suas políticas de saúde e/ou educação, Portugal já não é (mesmo que os políticos dos partidos teimem em dizer o contrário) um País soberano.

E, de forma efectiva, seja o Costa, o Seguro, o Coelho, o Portas, o Jerónimo ou o Louçã, o certo é que a margem de manobra de qualquer governo que venhamos a ter é muito curta e as diferenças entre qualquer destes actores serão, efectivamente, insignificantes.

O adjectivo é mesmo esse… insignificante. Tal como insignificante tem sido esta espécie de campanha eleitoral dentro do PS, tal como foi a campanha eleitoral autárquica e europeia do ano passado, e como certamente será a campanha legislativa que se aproxima. 

Não interessa nada a ninguém. Nem sequer aos Portugueses.