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segunda-feira

Viva Cascais: Engana-me que eu Gosto!





Os partidos que neste momento governam a Câmara Municipal de Cascais, o PSD e o CDS, lançaram agora a sua campanha às eleições autárquicas deste ano. Com pompa, circunstância e muito foguetório,  na linha daquilo que têm feito na edilidade desde que tomaram conta do poder, os dois partidos tentam uma vez mais enganar os Cascalenses.

Mas desta vez é façanhuda a mentira que pretendem pregar e quase humilhante a forma como pretendem passar por entre os pingos da chuva!

Provavelmente envergonhados do trabalho que têm feito desde a saída de António Capucho, o PSD e o CDS não se apresentam ao eleitorado com uma campanha tradicional, assente na obra feita e no orgulho perante o que fizeram… pelo contrário. Mentindo aos Cascalenses, apresentam-se mascarados daquilo que não são e profundamente convencidos de que vão ser capazes de enganar toda a gente.




O LOGRO DO "MOVIMENTO"

Em primeiro lugar, chamam à coligação do PSD e do CDS (os mesmos partidos que estão coligados no Governo) ‘Movimento’! Movimento?! Mas qual movimento? Os dois partidos juntos são uma coligação partidária e não um movimento… certamente querem fingir que são o que não são e fingir que não são os mesmos que têm em mãos os destinos sombrios do nosso País!



A MENTIRA DA "NOVIDADE"

Depois, para além de chamaram ‘Movimento’ à coligação do PSD e do CDS, chamam-lhe ‘novo’! Novo?! Mas como podem chamar novo a uma coligação que foi constituída em 2001, gerada e dirigida pelo anterior presidente António Capucho que deu forma a três vitórias com maioria absoluta? Chamar ‘nova’ à coligação do PSD e do CDS é um embuste de tal maneira pueril que não passa despercebido nem ao mais distraído Cascalense!




A INJÚRIA DA "INDEPENDÊNCIA"

E por fim, como se não bastasse dizerem que a coligação entre o PSD e o CDS é um ‘movimento’ e que é ‘novo’, ainda dizem que ele é ‘independente’! Independente’! Como pode ser independente uma coligação de dois partidos que ainda por cima já estão juntos no poder há 12 anos?

INDEPENDENTES? DE QUÊ? DE QUEM?

Mentindo descaradamente aos Cascalenses, os partidos da velha e decrépita coligação Viva Cascais tentam intrujar os munícipes, sem nenhuma vergonha de o fazer. Fingem, desavergonhadamente, que são aquilo que eles sabem que os habitantes de Cascais desejam avidamente: independentes, honestos e democratas.

A sorte de Cascais é que já ninguém acredita neles!

sábado

Academia de Letras e Artes e Junta de Freguesia de Cascais Evocam a Memória de Cascais



Numa iniciativa conjunta da ALA - Academia de Letras e Artes e da Junta de Freguesia de Cascais, que contou também com o apoio da Câmara Municipal de Cascais, foram homenageadas três figuras ilustres do passado Cascalenses. O fotógrafo César Guilherme Cardoso, o poeta Fernando Tavares Rodrigues e o Empresário João Cabral da Silva, foram relembrados numa cerimónia evocativa das suas memórias e do seu contributo para a consolidação da memória colectiva do Concelho. Reforçando o testemunho de memória e de gratidão relativamente a estes três vultos da História de Cascais, a ALA e a Junta de Freguesia de Cascais inauguraram topónimos em três arruamentos da Freguesia, perpectuando assim os seus nomes na memória colectiva de Cascais.


FERNANDO TAVARES RODRIGUES




Fernando Jácome de Castro Tavares Rodrigues nasceu em Lisboa em 1954.

Licenciado em Ciências Sociais e Humanas ...pela Universidade Nova de Lisboa, e diplomado em jornalismo foi sociólogo, jornalista, poeta e escritor, tendo publicado vários livros e criado letras para alguns dos mais conceituados artistas Nacionais, nomeadamente Beca do Amaral, Kátia Guerreiro, João Veiga, Maria Germana Tânger, José Campos e Sousa, etc.

Foi membro do Conselho de Gerência da RTP e adjunto para a Comunicação Social do então Primeiro-Ministro Cavaco Silva, e relações públicas da EPAL. Fernando Tavares Rodrigues foi ainda membro do Conselho de Leitura da Bertrand Editores, dirigente da Associação Portuguesa de Escritores e Vice-Presidente da Associação Portuguesa de Poetas.

Foi também académico da ALA – Academia de Letras e Artes, com sede em Cascais, tendo vivido no Monte Estoril, onde fazia parte da direcção da Associação de Moradores.

Faleceu em Lisboa em Fevereiro de 2006.








CÉSAR GUILHERME CARDOSO




O olhar de César Guilherme Cardoso (1920-2005) fixou mais de 60 anos da história de Cascais em milhares de fotografias. Os monarcas exilados no concelho confiaram-lhe retratos da intimidade porque era um anti-paparazzo, um fotógrafo com princípios. No âmbito da sua actividade, e a partir do seu atelier em Cascais, Césa...r Cardoso estudo afincadamente as mais moderna técnicas ligadas à fotografia, tendo reunido um valioso acervo que actualmente se encontra no Arquivo Histórico de Cascais.







JOÃO CABRAL DA SILVA




João Cabral da Silva, nascido na Freguesia de Carvide (Leiria) em 1905 e radicado em Cascais desde tenra idade, foi comerciante e empresário dinâmico da nossa terra, tendo desenvolvido longa e profícua actividade em diversas instituições sedeadas em Cascais. Diplomado em Contabilidade pelo Ateneu Comercial de Cascais, João Cabral da Silva foi Presidente do Grémio dos Comerciantes em Cascais onde fundou e explorou diversas empresas nos ramos da mediação imobiliária, seguros, papelaria e relojoaria. Na Tabacaria Cabral, no Largo Camões, fundou a primeira biblioteca pública de Cascais, tendo sido directamente responsável pela promoção das letras e das artes no nosso Concelho. Profundamente religioso, e professando a religião Católica, João Cabral da Silva assistiu à última das Aparições de Fátima, em 1917, tendo assistido ao Milagre do Sol. Como consequência deste facto, a capela da sua casa da Charneca, em Cascais, foi consagrada ao Sagrado Coração de Jesus e a Nossa Senhora de Fátima. Faleceu na Rua Direita, em Cascais, no dia 13/06/1966.




quarta-feira

Pedro Falcão e o Cascais Menino





por João Aníbal Henriques

Quando Dom Simão do Santíssimo Sacramento Pedro Cotta Falcão Aranha de Sousa e Menezes nasceu em Cascais, em Maio de 1908, a Vila atravessava um período de convulsão profunda que havia de alterar radicalmente a sua forma de ser.

As muitas crises que acompanharam o final do regime monárquico, o recente assassinato do Rei Cascalense – Dom Carlos I, e o paulatino aumento do poder e da influência de uma burguesia empreendedora e anti-aristocrática que se instalara na Parede e em Carcavelos e que criticava os laivos aristocráticos da Vila Velha e da Parada onde o escritor viria a crescer, abalaram os arquétipos de tolerância, cosmopolitismo e urbanidade que davam forma a Cascais e às suas gentes.

Filho de uma das famílias tradicionais da Vila da Corte, desde sempre ligada à História de Cascais e sobretudo ao desenvolvimento e progresso que acompanhou a chegada da Família Real, Dom Simão Aranha habituou-se desde cedo à frequência elegante dos melhores salões da terra, tendo crescido a ouvir as estória de uma História em que Cascais foi sempre personagem principal. Ao mesmo tempo, num período de crise e convulsão como foi aquele que se seguiu à revolução republicana de 1910, teve também a oportunidade de se perder livremente nos becos e vielas da Vila, fomentando relações de amizade com os muitos pescadores e trabalhadores agrícolas que nessa época ainda enchiam as ruas de Cascais. Conheceu pescadores, varinas, aguadeiros, limpa-chaminés, lavadeiras e canteiros. Ouviu os seus anseios, crescendo com os seus projectos, ideias, motivações, necessidades e, sobretudo, com os muitos sonhos que estes criaram com as expectativas que lhes impingiram para explicar a implantação do novo regime.

Para Dom Simão Aranha, os anos de meninice em Cascais misturaram o glamour da sociedade aristocrática com as necessidades práticas do dia-a-dia dos Cascalenses mais comuns, recriando um cenário onírico onde a realidade e a fantasia co-habitavam e que se tornou no principal traço que mais tarde serviu ao escritor para marcar as suas obras. A imensa confusão entre aqueles dois mundos distantes e por vezes antagónicos, observados pela criança interessada, perspicaz e curiosa que ele sempre foi, formaram uma personalidade verdadeiramente única e irrepetível. Simão Aranha circulava livremente através dos cafés e tascas de Cascais, onde sempre foi ouvido e acarinhado pelos mais humildes, ao mesmo tempo que frequentava os bailes da moda, os saraus culturais e os círculos fechados de uma aristocracia que detinha o poder.



Durante a Guerra Civil de Espanha, na qual participou como voluntário, somou ao seu currículo diversas condecorações e distinções. Mais do que ao perfil militar que verdadeiramente não tinha, atribuiu-as à intervenção divina. Depois de vários dos aviões que pilotava terem sido abatidos em pleno voo, e de mesmo assim ter escapado sempre incólume e saído de cena como um herói que sempre achou que não era, Simão Aranha desenvolveu uma relação estranha com a vida. Cada minuto, cada centímetro de paisagem, cada palavra e cada recanto tornaram-se preciosidades que importava preservar. Em linha com a sua personalidade bem vincada, abandonou desde logo os estudos de direito e cursou belas artes, promovendo o belo e suspirando a cada momento pela poesia que o quotidiano permanente lhe fazia viver.

Em termos estéticos, a grande marca da sua vida é Cascais. A sua terra, as suas gentes, os seus recantos e pormenores, as suas vozes, sonhos e aspirações tornam-se desde logo motivo central de toda a sua obra. Pelo ‘Palco da Vida’, como designava os seus livros, fez passar as estórias de uma História que ia desaparecendo à medida em que iam morrendo as personagens que compunham o Cascais da sua infância. Queria eternizá-los, atribuir-lhes laivos quase divinos, e com eles reconstruir aquele Cascais Menino que lhe transbordava na Alma.

Assinando sempre com o pseudónimo Pedro Falcão, escreveu peças de teatro, poesia, romances e livros de História. Ousou desafiar as memórias tradicionais da Vila e publicou obras onde a fantasia e a realidade se misturavam numa espécie de cadinho místico e sensual. Deslumbrou quem o leu, e deixou para trás um rasto de saudade que tocou de forma profunda quem teve o privilégio de o conhecer. Mas, assumindo frontalmente o seu sonho, teve também a coragem de criticar as vaidades, atacar as injustiças e defender um Cascais que também considerava seu. Foi amado e odiado pela forma como teve a coragem de viver, e legou à sua terra um testemunho inolvidável de tudo aquilo que ela foi e sentiu durante os noventa anos em que aqui viveu.

Para além de historiador, que ele dizia não ser; de etnógrafo e sociólogo que achava que não era; do romancista que não pretendia ser; e do poeta, que ele considerava que não tinha qualidade para ser, Pedro Falcão foi sobretudo uma personalidade ímpar numa terra sem igual. A genialidade da sua Alma, o amor à terra que o viu nascer, e a humildade de alguém que se sentia sempre aquém das ideias que da sua imaginação fértil brotavam permanentemente, traçaram o perfil de um marco na História de Cascais que transformará em definitivo as memórias que as futuras gerações criarão sobre esta vila diferente.

Já no final da sua vida, quando preparava o romance “Os Valares”, composto por várias camadas de história, estórias e por muitos dos desejos e sonhos que ele próprio construiu para a sua terra, ousou publicar um projecto de reconversão da vila que ele tanto amava. Muniu-se de arquitectos e engenheiros e sonhou um Cascais com a Ribeira das Vinhas aberta e navegável. Imaginou barquinhos à vela a atravessar a vila e crianças de Cascais a aprender a navegar ali mesmo no centro da localidade. Suspirou um quadro idílico onde os esforços se uniam em torno de um grande projecto que transformasse Cascais numa aguarela maravilhosa onde os matizes de cores se misturavam com os sonhos de cada um dos que por ali andavam… morreu com a utopia de um Cascais diferente… do seu Cascais de menino!

A sua mulher e companheira de muitas décadas, Yan Rub, dizia que a História de Pedro Falcão não começava no princípio e terminava no fim e não tinha data fixas ou rotas certas. Era a obra de um menino que conversava com outro menino, perdidos ambos na sensibilidade que só a pureza de espírito mais profunda pode conceber.



E tinha razão. A obra de Pedro Falcão é uma herança valiosíssima que perdurará ao longo de muitas gerações de Cascalenses. Mas é sobretudo um suspiro de menino, que despertará a alma de criança dos que ainda estão para nascer e que durante muitas décadas com ele correrão livremente e de pés descalços por entre um Cascais intuído, sonhado e sentido num palco da vida onde tudo pode acontecer.

Dez anos passados sobre a sua morte, urge recuperar a memória de Pedro Falcão. Não porque o escritor necessite dos tributos, das honrarias e das cerimónias que desenvolveremos em sua memória, mas sim porque Cascais e os Cascalenses precisam dele.

Dom Simão do Santíssimo Sacramento Pedro Cotta Falcão Aranha de Sousa e Menezes - Pedro Falcão [1908-2000]