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quarta-feira

"O Meu Pecado" - Romance de Celeste Cortez Através das Memórias de um Outro Portugal





Quando a nossa memória colectiva, misturada com a História e as estórias, se juntam num enredo ficcionado que contorna o tempo, subvertendo os tempos e trazendo para a actualidade os sentimentos, as sensações e a sensibilidade de eras e lugares que marcaram o dia-a-dia de Portugal e dos Portugueses, criam-se as condições para um romance marcante e inesquecível que nos conduz para uma realidade verdadeiramente diferente.

Neste seu romance “O Meu Pecado” é precisamente isto que a escritora Celeste Cortez faz. No estilo irrepreensível a que já nos habituou, utilizando uma linguagem simples que reforça o interesse na história e na caracterização dos personagens, a autora contrasta a singularidade linguística com a profundidade e complexidade dos sentimentos e sensações que utiliza para construir o fio condutor da narrativa.  

O leitor, que literalmente embarca nas deambulações de Ritinha pelos diversos cenários de um Portugal ultramarino, rapidamente se perde no interessante cruzamento dos narradores que vão dando forma à história destes encontros e desencontros que são, afinal, o grande pecado da vida contemporânea…

O romance “O Meu Pecado” faz parte da plurifacetada obra de Celeste Cortez, que compreende também o romance “Mãe Preta” e uma produção poética digna de referência no panorama cultural do nosso Portugal.




segunda-feira

"Breve Tratado dos Dias" de Carlos Antero Ferreira




Foi publicamente apresentado o novo livro de poesia “Breve Tratado dos Dias” da autoria do poeta Carlos Antero Ferreira. A cerimónia, presidida por António de Sousa Lara, contou com a apresentação do jornalista Nicolau Santos e a declamação de alguns poemas pelas vozes de Celeste Cortez e Jorge Viegas.

A obra, recriada em torno dos paradigmas mais profundos de um espírito grande e empreendedor como só Antero Ferreira consegue ter, surpreende a cada vírgula e a cada verso, num exercício de sublimidade que só a maturidade moderna do poeta explica.

Antero Ferreira, homens das letras e das artes com um currículo profissional verdadeiramente extraordinário, mantém neste livro uma dinâmica intervencionista que parece não ser a de um homem que carrega consigo uma vida inteira de projectos concretizados e de conquistas que Portugal tarda em reconhecer. Mas, por outro lado, deixa antever uma enorme capacidade com muito para explorar ainda, no campo das mais modernas e actuais linhas de pensamento, mostrando que a idade, conjugada com a sabedoria de sempre, conduziu o poeta através de portas ainda vedadas à maior parte dos seres viventes.

Foi com a capacidade de ser rir de si próprio, numa postura erudita e simultaneamente bem-disposta, que Carlos Antero Ferreira brindou a assistência que esteve no Estoril para este lançamento. E ninguém saiu defraudado da mesma. Surpresa, erudição e genialidade, cruzaram-se nestas páginas e àquela mesa onde a beleza e a vida assumem o caminho felizmente longo que o autor ainda vai percorrer.