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domingo

A Capela de Santo António e de Nossa Senhora das Mercês na Aldeia do Penedo (Sintra)





por João Aníbal Henriques

Sítios especiais rimam geralmente com memórias únicas e inolvidáveis. É o que acontece na Aldeia do Penedo, junto a Colares, no Concelho de Sintra. Ali, no cimo de uma penedia vincada pelo guinchar permanente do vento, cruza-se a versão pagã original dos cultos anímicos ancestrais com a mística sagrada do Cristianismo mais recente… e se o touro morre às mãos do povo, é a sua carne que alimenta o corpo e a Alma do Imperador, Senhor do Espírito Santo. Vale a pena conhecer este recanto mágico de Portugal.





Perderam-se no tempos as informações fidedignas sobre a origem da Aldeia do Penedo, em Colares. A documentação histórica, marcada pelos tempos em que o registo já era prática comum, leva-nos directamente para o Século XVI, quando no primeiro numeramento oficial realizado em Portugal, se registava um total de 34 vizinhos a residir no Penedo.

Mas este número de habitantes, indicador potencial de uma aldeia já com certo peso histórico, contradiz de sobremaneira os sinais existentes no terreno, que denotam uma origem remota e muito longínqua para a generalidade das mais antigas construções que ali encontramos.

No ciclo das construções e das reconstruções, temos então uma Aldeia do Penedo cuja principal marca surge associada à documentação mas, não só pelas evidências arqueológicas como até pela etnografia do local, tudo aponta para uma origem muito mais antiga deste local.

A Capela do Penedo, com um duplo orago dedicado a Santo António e a Nossa Senhora das Mercês, foi instituída em 1547 por Francisco Nunes Dias e sua mulher Maria dos Anjos Gonçalves. Através desta instituição, procuraram apaziguar a ira dos deuses, através de um acto de entrega simbólica de uma parte substancial dos seus haveres aos irmãozinhos mais desafortunados pela vida que habitavam naquele lugar.

Com decoração opressivamente marcada pela azulejaria polícroma representando hagiograficamente o santo lisboeta, todo o interior do templo transparece da ligeireza formal dos templos de origem chã da região saloia. O Altar Mor, com as imagens de Santo António e de Nossa Senhora das Mercês, cumpre o duplo efeito de recuperar as principais memórias religiosas do povo que frequente o templo e, em épocas festivas, de servir de cenário para a coroação imperial votiva do Império do Espírito Santo.

Anualmente, num ritual também ele perdido nas brumas do tempo, uma criança impúbere do sexo masculino era escolhida e coroada como Imperador do Penedo, recebendo as honrarias próprias de quem comanda a terra dos seus. E, sendo notoriamente um papel que todas as famílias desejavam ocupar, era simultaneamente uma honra e uma responsabilidade que se cruzavam no ritual de alimentar os pobres da região…




As raízes provavelmente proto-históricas deste ritual, assente na lide à corda de um touro no espaço público, recuperam valores que desde sempre caracterizaram a população do local. Simbolizando a força e a determinação, obviamente imprescindíveis para quem quisesse sobreviver no topo fustigado pelas intempéries de uma Serra sempre especial, o touro é o animal que contrapõe a balança da singeleza imposta pela pureza original da criança coroada imperador. Se um é forte e possante, sendo lidado por todos para que a comunidade imponha a sua vontade aos deuses, quem manda verdadeiramente, ou seja, o próprio imperador, é escolhido e coroado sempre por ser o mais jovem, o mais puro e o mais desprotegido de todos os jovens da região, simbolizando a grandeza de quem é pequeno e a enormidade dos valores e princípios que mais tarde o Cristianismo plasmará no Sermão da Montanha de Jesus Cristo.

Antes de ser morto sem se saber exactamente por quem, encoberto por um véu de mistério que só a história permite desvendar, o touro é transportado à volta da capela três vezes. Uma primeira em honra do Pai, seguindo do Filho e, por fim, em honra do Espírito-Santo. E é depois desta terceira volta, quando é benzido pelo Prior local num holocausto místico em que todos participam também, que o animal é morto e esquartejado, sendo o seu corpo cozinhado em pleno largo da capela e a refeição servida aos pobres da zona como bodo cerimonial. 




Um culto ancestral, provavelmente muito mais antigo do que a própria capela que agora ali temos e que, num registo anímico de entrega à espiritualidade, recupera de um só ensejo a marca perene do paganismo pré-histórico em linha com os valores espirituais da cristianização galopante. A caridade que dali deriva, porque os mais desprovidos da materialidade ali obtêm as proteínas da carne de que tanto necessitam para viver, encobre-se ritualisticamente para não ser “caridadezinha”, partilhando de forma relevante ensinamentos essenciais para que verdadeiramente ali se cumpra o destino maior de Portugal.

Quadro maravilhoso que sobressai do cenário idílico da Serra de Sintra, a Aldeia do Penedo e a Capela de Santo António são visita obrigatória para quem deambula pela Alma de Portugal. Ali se encontram, num cruzamento sentido, as marcas maiores que fizeram coisa enorme deste país tão pequeno.

Porque quem sabe entende.



sexta-feira

Portugal e a História da Europa


A Europa é um continente em permanente ebulição. As transformações e a mudança, marcando o devir da História, alteram permanentemente a forma e os equilíbrios dos Estados, fazendo nascer e morrer Nações. É interessante ver este vídeo e perceber que num timeline longo como é aquele que traduz os dois últimos milénios, existe uma só Nação que permanece firme nas suas fronteiras e sobrevive, contra tudo o que seria expectável, aos desafios que as mudanças dos outros parecem querer obrigá-la a fazer. Chama-se Portugal e nasceu oficialmente assim em 1143. 

O Triste Caso da Bandeira de Portugal




Depois de o presidente da república ter hasteado a Bandeira Nacional de pernas para o ar, eis que o primeiro-ministro de Portugal, num país estrangeiro onde estava a representar os interesses nacionais, o faz perante uma bandeira deturpada, obviamente diferente da oficial.

No primeiro caso, os altos dignitários que estavam na Câmara Municipal de Lisboa poderiam ter parado o que estavam a fazer e endireitado a bandeira demonstrando assim o respeito que lhes merece Portugal. No segundo, poderiam facilmente ter substituído a bandeira errada, evitando envolver a figura do chefe de estado nesta situação anormal. Mas não o fizeram.

Poderão parecer pormenores sem importância. Poderá parecer nada valer perante a situação de caos nacional em que embrulharam Portugal. Poderá parecer assunto desinteressante perante o número de desempregados e de pobreza que neste momento existem no nosso País.

Mas é profundamente significativo por demonstra bem o desrespeito a que está sujeito Portugal. 

segunda-feira

Piódão - Um Segredo Bem Guardado de Portugal



por João Aníbal Henriques

Apesar de não ser muito antiga, a aldeia de Piódão, no Concelho de Arganil, é um dos mais preciosos e extraordinários segredos que esconde Portugal, dando forma a um encantamento que não se alheia da cor escura do xisto, misturado com a brancura da cal e com o azul das portas…

Dedicada a Nossa Senhora da Conceição, padroeira da pequena Igreja Matriz muito branca, construída no Século XVII em estilo neobarroco que contrasta de forma evidente com a cor escura do resto do povoado, a aldeia assume a sua dependência relativamente aos constrangimentos da natureza que a moldaram.

O isolamento extremo em que se encontra, que ainda hoje marca de forma brutal o dia-a-dia de quem ali vive, condicionou de forma evidente a sua História, já que o povoado actual, de origem bastante recente, resultou do abandono, provavelmente devido ao muito calor que se fazia sentir no local original, da antiquíssima aldeia de “Casall de Piódam” onde tudo começou.

Dizem os locais que esse calor que fazia aumentar o número de colónias de formigas o que punha em causa a produção de mel, facto que surge associado à inacessibilidade da aldeia original e que determinou o abandono do povoado inicial e a reinstalação da comunidade no ponto onde hoje a encontramos.

Ligada também à instalação de uma Abadia da Ordem de São Bernardo, Piódão foi local sempre escolhido para refúgio e introspecção, tal como o denota o facto de ter sido ali que se esconderam os assassinos de D. Inês de Castro, que deram origem às mais importantes famílias do local.

Depois do caminho difícil que ali nos leva, é impossível conter uma expressão de admiração quando nos deparamos  com a beleza extraordinária deste recanto encantado de Portugal!














terça-feira

Vender Portugal




por João Aníbal Henriques

Intervencionado por entidades estrangeiras pela terceira vez desde 1974, Portugal atravessa hoje uma das maiores e mais graves crises da sua já longa História. Praticamente 900 anos depois da sua fundação, Portugal é um País sem ânimo, sem perspectivas e sem soberania…

O clima geral de desânimo que se abateu sobre Portugal, marcado pela inexistência de soluções que permitam aos Portugueses perspectivar uma melhoria significativa das suas condições de vida nos anos mais próximos, parece ser o oposto daquele que é propagandeado pelo Governo e pelos partidos políticos de Portugal.

Os primeiros, fingindo um optimismo do qual dependem para poderem sobreviver, vão anunciando medidas pontuais e cosméticas que vão servindo para gerar conversa e discussão, centrando o debate político naquilo que lhes interesse. Os segundos, mais ou menos comprometidos com as suas responsabilidades políticas ao longo das últimas décadas, digladiam-se em torno dos fait-divers de que se vão lembrando, ao sabor da popularidade que anseiam granjear e das minudências que lhes garantem espaço nos medeia.

Uns e outros, como se estivessem combinados, optam por não discutir o futuro de Portugal, colocando os seus interesses imediatistas (temos eleições autárquicas este ano e possivelmente eleições legislativas se o governo não se aguentar)  à frente dos interesses de Portugal e dos Portugueses.

Os empréstimos que todos juntos assinaram para pagar as dívidas contraídas depois de quase 4 décadas de desgoverno com que nos brindaram, tiveram como duas consequências dramáticas que afectam o nosso quotidiano e que põem em causa a própria sobrevivência de Portugal: a primeira é a perda total e completa da Soberania Nacional, impedindo o País de gerir os seus recursos, de recriar a sua legislação ou sequer de decidir o rumo que quer tomar para resolver os problemas com os quais se debate. A segunda, resultante da primeira, é a impossibilidade (porque não interessa aos nossos credores) de pagar o que devemos – porque eles fizeram o País viver acima das suas possibilidades –facto que eterniza a dependência completa em que nos encontramos e impede Portugal de aspirar a uma solução condigna que garanta futuro aos Portugueses.

Sem esperança, vão-se atacando tudo e todos os que ainda tê algo de seu, pois mais do que se justiça ou de respeito, o regime em vivemos pugna somente por cumprir os compromissos que assumiu. De forma submissa perdemos os salários, a empregabilidade, as poupanças, o património e o nosso tecido empresarial. De forma submissa condenamo-nos cada vez mais a um futuro de dependência crónica que nos põe à mercê dos interesses e das necessidades estrangeiras.

Por fim, como se já não bastasse o ataque terrível a nossa soberania política e económica, o Governo (com o aval e anuência da oposição) optou por concretizar a perda da nossa soberania estratégica, ou seja, por penhorar de imediato todas as áreas de actividades das quais depende a própria sobrevivência do País e dos Portugueses.

Das águas à electricidade, às estradas, à aviação, à agricultura ou à pescas, tudo está à venda em Portugal. Passo a passo, vendidas a quem mais der independentemente disso nos colocar à mercê de interesses terceiros, vamos precisar da autorização dos Chineses, dos Brasileiros ou dos Alemães para beber um copo de água ou para acender a luz…

Porque o intuito deles – só pode ser este o seu intuito! – é matar Portugal.


Mas nós não vamos deixar...

A Portugalidade e o Interesse da Nação





Assumindo que o interesse da Nação não se esgota na democracia, e que o momento histórico verdadeiramente alvitrante em que vivemos exige uma postura determinada e determinante de todos os Portugueses para pôr fim ao estado de profunda e gravíssima crise em que vive o País, o Presidente da ALA – Professor António de Sousa Lara – abriu o ano académico apelando a todos os responsáveis pela academia para ultrapassarem o estado de neutralidade artificial e desinteressante a que se têm devotado os principais agentes culturais nacionais.

Enquanto Presidente da ALA, apela ao combate pela Portugalidade, sabendo de antemão que é importantíssimo pugnar pelos valores, princípios e memórias que são a essência do nosso País. Lutar contra os liquidadores da Pátria, ou seja, aqueles que pelos interesses que defendem acabam por deixar os interesses de Portugal e dos Portugueses para segundo plano é, para Sousa Lara, uma obrigação imperativa que resulta desta situação inédita em que nos encontramos. É preciso, através de acções concretas e projectos assentes nesses valores, que os agentes culturais condenem essas malfeitorias que têm vindo paulatinamente a aniquilar Portugal.

A ditadura das maiorias que vão ganhando eleições em momentos determinados da existência do País não pode, de acordo com o Presidente da ALA, sobrepor-se aos interesses reais da Nação. Esses, perenes e solidamente estruturados em muitos séculos de História, devem ser intocáveis.

O desafio da academia, juntando todos aqueles que amam Portugal, é desenterrar a Portugalidade. É redescobri-la e torná-la moderna. É, com isso, recuperar a Pátria. Sousa Lara explica que quando a Pátria é espezinhada como agora acontece, a Nação acorda, reage e revolta-se. Como nos mostra a História, e independentemente das vicissitudes conjunturais e eleitoralísticas, depois destes períodos de sofrimento e dor, a Nação renasce das cinzas…

Porque é fundamental garantir um futuro para Portugal.

Vídeo com a versão integral do discurso do Professor Doutor António de Sousa Lara em: http://youtu.be/RfCAAG_NpUc

Nesta cerimónia de abertura solene do ano académico de 2011/2012, tomaram posse como novos académicos da ALA – Academia de Letras e Artes: Aida de Sousa Dias, Bernardino Gonçalves Moreira, Matilde de Sousa Franco, Rodrigo Faria de Castro, Fernando de Sá Monteiro, Hermínio da Cunha Marques, Manuel Van Hoff Ribeiro e Nuno Borrego.





quarta-feira

Memória e Espiritualidade da Ordem dos Templários em Sintra e Colares por Vítor Manuel Adrião




A presença da Ordem dos Templários na Idade Média de Sintra e Colares deixou nestas o testemunho da sua passagem em monumentos, documentos, grutas e lendas que permaneceram até à actualidade quase esquecidas, cuja memória o Dr. Vitor Manuel Adrião, renomeado investigador da Tradição Mítica Portuguesa e particularmente de Sintra desde há quase 40 anos, traz a registo nesta conferência pública. Além da História Templária em Sintra e Colares, esta memória terá por pomo a espiritualidade dos Cavaleiros-Monges até hoje envoltos em cerrada neblina de mistério, e dentre outros tópicos abordar-se-ão: os Templários e os Sufis na Serra de Sintra, anacoretas e santões na Serra, grutas misteriosas, o enigma da carta de foral de Sintra, o mapa mítico de Sintra-Colares, Colares e os eremitas moçárabes, o castelo templário de Colares, Milides e Minerva, o Penedo, a Festa do Divino Espírito Santo e a ideia de V Império, D. Fernando II e a Pena, Carvalho Monteiro, a Regaleira e a demanda do Santo Graal, etc. Pela rara oportunidade para conhecer as origens sagradas de Sintra-Colares infundidas na Ordem dos Cavaleiros Pobres de Cristo e do Templo de Salomão que daqui as difundiu, esta é uma conferência a não perder.

sexta-feira

O Mito da Incivilidade em Cascais






Numa recente viagem a Londres observei algo que por lá é normal, mas que visto com atenção nos oferece pistas importantes sobre a forma como se vai degradando a nossa Portugalidade. Os passeios da cidade, contrariamente ao que acontece em Portugal e principalmente em Cascais, não possuem pilaretes de protecção contra o estacionamento abusivo. E, ao longo dos muitos passeios pedestres que por ali dei, não encontrei um único carro estacionado fora do seu lugar.

Em Cascais passa-se exactamente o contrário. Em torno dos milhares de pilaretes de protecção instalados pela autarquia; em cima de passadeiras; nas entradas das casas; nos acessos aos serviços públicos; em volta dos monumentos históricos; em espaços reservados aos bombeiros e às ambulâncias; e nos passeios mais inesperados (mesmo quando por vezes existe estacionamento disponível a três ou quatro metros de distância), os carros amontoam-se, obrigando os peões a constantes incursões para o alcatrão da estrada para contornarem esses obstáculos.

Especialmente gravoso é o passeio situado em frente ao Tribunal de Cascais, junto à Papelaria Xandré, no Largo da Misericórdia, na Rua Tenente Valadim, no Largo do Prior ou mesmo nas ruelas apertadas do casco velho da vila…

Este fenómeno, transversal à sociedade portuguesa mas demasiadamente visível em Cascais, mostra bem como têm sido destruídos os valores principais que sempre orientaram a nossa sociedade, e como o sistema educativo que nos obrigam a ter está a apagar por completo todos os resquícios de cidadania e de civilidade que herdámos ao longo de 900 anos de História.

Já nem se pede que os cidadãos alarves que vivem desta maneira consigam pensar no seu semelhante e percebam que a sua forma de vida trás implicações graves à mobilidade dos demais. Isso seria pedir muito a uma sociedade assente nos muitos direitos consagrados numa lei que nada prevê em termos das consequentes responsabilidades de quem deles usufrui. Pede-se somente que pensem em si próprios, e que percebam que amanhã, por acidente, por doença ou por uma outra situação qualquer, serão eles quem terá mobilidade reduzida e precisará de circular em Cascais utilizando cadeira de rodas ou muletas.

Fica o desafio: pegue numa cadeira de rodas; coloque-se no lugar de um cidadão que se debata com este problema; e tente ir ao Tribunal de Cascais, à esquadra da PSP, à Santa Casa da Misericórdia, à Câmara Municipal, à estação ou a qualquer outro local da vila. É impossível faze-lo.

Não existindo educação, a resolução do problema exige a aplicação da força. Multas, coimas, reboques, bloqueadores, mão firme e penas pesadas para quem não tem a capacidade de respeitar os demais.

Se nas cidades civilizadas isso é possível, porque razão não conseguimos fazer isso em Cascais?








Dário Vidal Expõe em Macedo de Cavaleiros




Reciclar foi o mote e o tema da mais recente exposição de Dário Vidal. Numa altura em que a sustentabilidade se tornou fulcro da vida humana, e em que a esperança relativamente ao futuro radica na capacidade de o Homem reconfigurar a sua relação com o planeta, Dário Vidal levou ao Centro Cultural de Macedo de Cavaleiros um conjunto espantoso de novas propostas. Segundo o artista “(…) temos de reconhecer que há objectos, para alguns tornados desnecessários, que ainda podem ter uma nova vida, recriados em assemblage, com formas específicas, associados a certos estilos de arte”. Com a opinião partilhada por Beraldino Pinto, Presidente da Câmara Municipal de Macedo de Cavaleiros, a mostra levou ao interior do País o que de melhor Portugal produz ao nível da arte contemporânea. Para além de membro da Academia de Letras e Artes, o currículo de Dário Vidal regista a realização de diversas exposições tanto individuais como colectivas, e o Prémio de Pintura da Fundação Marquês de Pombal. A sua obra está presente em diversas instituições, das quais se destacam o Museu Nacional do Paço dos Duques, em Guimarães, o Museu da Água e a Colecção Berardo em Lisboa.



terça-feira

Memórias do Portugal Respeitado (Texto de Luís Soares de Oliveira)




Corria o ano da graça de 1962. A Embaixada de Portugal em Washington recebe pela mala diplomática um cheque de 3 milhões de dólares (em termos actuais algo parecido com € 50 milhões) com instruções para o encaminhar ao State Department para pagamento da primeira tranche do empréstimo feito pelos EUA a Portugal, ao abrigo do Plano Marshall.

O embaixador incumbiu-me – ao tempo era eu primeiro secretário da Embaixada – dessa missão.

Aberto o expediente, estabeleci contacto telefónico com a desk portuguesa, pedi para ser recebido e, solicitado, disse ao que ia. O colega americano ficou algo perturbado e, contra o costume, pediu tempo para responder. Recebeu-me nessa tarde, no final do expediente. Disse-me que certamente havia um mal entendido da parte do governo português. Nada havia ficado estabelecido quanto ao pagamento do empréstimo e não seria aquele o momento adequado para criar precedentes ou estabelecer doutrina na matéria. Aconselhou a devolver o cheque a Lisboa, sugerindo que o mesmo fosse depositado numa conta a abrir para o efeito num Banco português, até que algo fosse decidido sobre o destino a dar a tal dinheiro. De qualquer maneira, o dinheiro ficaria em Portugal. Não estava previsto o seu regresso aos EUA.

Transmiti imediatamente esta posição a Lisboa, pensando que a notícia seria bem recebida, sobretudo num altura em que o Tesouro Português estava a braços com os custos da guerra em África. Pensei mal. A resposta veio imediata e chispava lume. Não posso garantir a esta distância a exactidão dos termos mas era algo do tipo: "Pague já e exija recibo". Voltei à desk e comuniquei a posição de Lisboa.

Lançada estava a confusão no Foggy Bottom: - não havia precedentes, nunca ninguém tinha pago empréstimos do Plano Marshall; muitos consideravam que empréstimo, no caso, era mera descrição; nem o State Department, nem qualquer outro órgão federal, estava autorizado a receber verbas provenientes de amortizações deste tipo. O colega americano ainda balbuciou uma sugestão de alteração da posição de Lisboa mas fiz-lhe ver que não era alternativa a considerar. A decisão do governo português era irrevogável.

Reuniram-se então os cérebros da task force que estabelecia as práticas a seguir em casos sem precedentes e concluíram que o Secretário de Estado - ao tempo Dean Rusk - teria que pedir autorização ao Congresso para receber o pagamento português. E assim foi feito. Quando o pedido chegou ao Congresso atingiu implicitamente as mesas dos correspondentes dos meios de comunicação e fez manchete nos principais jornais. "Portugal, o país mais pequeno da Europa, faz questão de pagar o empréstimo do Plano Marshall"; "Salazar não quer ficar a dever ao tio Sam" e outros títulos do mesmo teor anunciavam aos leitores americanos que na Europa havia um país – Portugal – que respeitava os seus compromissos.

Anos mais tarde conheci o Dr. Aureliano Felismino, Director-Geral perpétuo da Contabilidade Pública durante o salazarismo (e autor de umas famosas circulares conhecidas ao tempo por "Ordenações Felismínicas" as quais produziam mais efeito do que os decretos do governo). Aproveitei para lhe perguntar por que razão fizemos tanta questão de pagar o empréstimo que mais ninguém pagou. Respondeu-me empertigado: - "Um país pequeno só tem uma maneira de se fazer respeitar – é nada dever a quem quer que seja".

Lembrei-me desta gente e destas máximas quando há dias vi na televisão o nosso Presidente da República a ser enxovalhado pública e grosseiramente pelo seu congénere checo a propósito de dívidas acumuladas.

Eu ainda me lembro de tais coisas, mas a grande maioria dos Portugueses de hoje nem esse consolo tem.

Estoril, 18 de Abril de 2010

Luís Soares de Oliveira

quinta-feira

Investigador Português Vítor Adrião Homenageado no Brasil





O investigador Português Vítor Manuel Adrião, Presidente da Comunidade Teúrgica Portuguesa e autor de dezenas de publicações sobre a História de Portugal, foi homenageado pela Editora Madras, no Brasil, e pelas Ordens Unidas Religiosas, Militares e Maçónicas do Templo de São João de Jerusalém, Rodes e Malta. A cerimónia, que foi antecedida por uma conferência proferida pelo historiador Português, foi um importante contributo para a promoção e explicação dos principais alicerces da Identidade Nacional, consolidando assim as próprias bases da existência política do Brasil. Reconhecido em terras de Vera Cruz pelo seu profundo saber sobre a Portugalidade, Vítor Adrião continua assim a cumprir o seu projecto de levar longe a mensagem, os valores e os princípios subjacentes à própria existência de Portugal.



quarta-feira

Pedro Silva: Uma Nova Cara para a Velha Vila de Cascais





Doze anos depois de ali ter entrado pela última vez, ainda nos tempos da saudosa Presidente Eglantina Ventinhas, estive novamente na sede da Junta de Freguesia de Cascais para efectuar uma visita muito especial.

O convite, formulado de forma inesperada pelo Presidente Pedro Silva, era extensível a um passeio por tudo aquilo que foram os últimos oito anos daquele importante órgão autárquico.

Recordo-me bem, até porque participei directamente em alguns desses projectos, do carácter dinâmico e inovador do mandato autárquico da antiga professora e de ter pensado, na última vez que ali estive com ela, como deveria ser difícil conseguir inovar e até manter e consolidar, um projecto como aquele que, em laivos de grande motivação e muito empenhamento, havia alterado por completo a face de Cascais.

Agora, depois de um novo périplo pela freguesia acompanhado pelo actual presidente, é visível o esforço feito para manter, melhorar e incrementar ainda mais os projectos mais emblemáticos da Presidente Eglantina. Este facto, pouco comum em democracia, merece especial atenção porque, para além disso, Pedro Silva conseguiu desenvolver novas ideias, novos projectos e uma dinâmica muito própria ao seu trabalho.

Dos espaços verdes ao ambiente, com passagem eficaz pelo apoio social, pelo acompanhamento geriátrico, pela infância e pela toponímia que reforça os laços com a população local, muitas foram as áreas onde Pedro Silva conseguiu cumprir de forma extraorrinária os principais objectivos do seu mandato.

Doze anos depois, Cascais conseguiu atingir uma dupla vitória: consolidar o que de bom tinha sido feito, com um projecto fantástico que lhe trouxe nova alma e um espírito actualizado.

É com expectativa que, depois de tudo isto, esperamos para ver o que o futuro nos reserva!






domingo

Heróis por Portugal





por: João Aníbal Henriques

Contrariando uma época insólita que Portugal está atravessar, na qual a tónica Nacional (ao contrário do que sempre aconteceu na História Nacional) é colocada no Ter e não, como sempre foi, no Ser, partiram esta semana para a China os atletas que vão representar o País nos Jogos Paraolímpicos.

A comitiva Portuguesa, ao contrário do que aconteceu com muitos dos participaram na comitiva dos Jogos Olímpicos, parte cheia de pretensões e com aspiração elevada em termos de resultados.

A expectativa, mais do que nos rankings mundiais, nos quais, assim mesmo, os atletas Portugueses estão genericamente bem (e muito bem) classificados, centra-se quase em exclusivo no esforço extremo, na dedicação absoluta e no brio que todos (atletas, treinadores e acompanhantes) levam consigo. O motivo para tal, uma vez mais dando lições de desportivismo aos que já chegaram, é simples de perceber: deram tudo o que podiam e estão convictos de que farão o seu melhor quando começarem a competir. E isso, no que ao desporto Nacional concerne, é por si só uma vitória expressiva e extraordinária para o País.

Tal como nos Jogos Olímpicos, nos Paraolímpicos só participam os melhores. Estar colocado a esse nível, e ter a oportunidade de ali competir, é por si só sinónimo de uma qualidade que dignifica o atleta e Portugal. Os resultados, que ainda para mais estes atletas estão habituados a alcançar, são de somenos importância face ao orgulho que Portugal sente em ter esta gente a assumir a responsabilidade e o desafio de representar a Nação.

As histórias de vida; os percalços do dia-a-dia; as vicissitudes do destino; e as dificuldades que acompanham a preparação e a competição, foram inexoravelmente maiores para estes atletas do que para a maioria de nós. E eles, contrariando o destino e as curvas inóspitas da vida, ultrapassaram-se a si próprios e conquistaram batalhas que para a generalidade dos Portugueses parecem impossíveis de alcançar.

Por outro lado, na sua vida profissional, é notório o sucesso que caracteriza a vida de quase todos. De médicos a arquitectos, passando por profissões física e intelectualmente exigentes e desgastantes, os atletas paraolímpicos Portugueses formam uma equipa de qualidade incontornável, na qual a dedicação e o esforço (no caso deles duplicado pelos problemas que enfrentam) são marca perene que consolida ainda mais as conquistas que lograram alcançar.

O terem ido a Pequim e o estarem lá; tudo aquilo que isso significa em termos de investimento pessoal de cada um deles; e a postura honrada, confiante e plena de brio com que lá estão; são motivos de sobra para o grande orgulho que Portugal sente.

Apesar de desconsiderados face aos primeiros, nos quais deviam estar integrados, os Jogos Paraolímpicos são necessariamente o supra-sumo do desporto Mundial! Porque como nos outros, estão lá os melhores, os mais esforçados, e aqueles que, com o seu trabalho e espírito superaram a condição Humana à qual todos estamos sujeitos e os obstáculos que a vida lhe trouxe.

Ao fazerem isso, assumem condição de heróis, como acontecia com os cidadãos da Grécia antiga que triunfavam nas Olimpíadas…

Merecem, por tudo isso, o apoio, o tributo e a gratidão de Portugal.


sábado

Cascais em Mudança...






por: João Aníbal Henriques

Em Cascais já nada é como dantes…

A frase, repetida de forma permanente e insistente em todos os becos e vielas da Vila, quase sempre associada à negatividade de um dia-a-dia emaranhado na crise e nas dificuldades que afectam transversalmente quase todos os sectores de actividade, tem sido apanágio permanente de Cascais ao longo dos últimos anos, deixando no ar a forma natural e automática como o devir social consegue avaliar a actuação dos organismos responsáveis pela gestão do município.

No entanto, e contrariando uma tendência que se iniciou com o princípio da década de 90 do Século XX, a frase voltou agora a Cascais com uma nova pujança e um sentido diferente…

É verdade! Em 2008, nos mesmos becos, vielas e lojinhas de bairro; por parte de comerciantes, empresários, e profissionais liberais; nos balcões dos cafés e até nos corredores inóspitos das grandes superfícies; voltou a ouvir-se de forma insistente e permanente a célebre frase: já nada é como dantes…

Mas neste ano especial, e com um Verão nem sequer muito quente; com um clima geral de crise e insatisfação de âmbito Nacional e internacional; e com um sentimento de insegurança e de impunidade que grassa de forma dramática em Portugal; em Cascais parece que tudo voltou a mudar. Há animação nas ruas; há restaurantes cheios; há exposições, debates, colóquios e cursos livres cheios de participantes; há passeios pedestres e autocarros, bicicletas, e trotinetes a encher a ciclovia; há concertos de Verão, e fogo de artifício no ar.

Em Junho, no Dia 13, a Procissão de Santo António voltou a encher as ruas da Vila, e em Agosto, no dia 29, foi Nossa Senhora dos Navegantes que, como há três Séculos atrás, encheu de devoção as traineiras e demais embarcações cascalenses, que se apinharam de gente que, com os andores, foi ao mar.

E por todo o lado sente-se Cascais a acordar da letargia perigosa e da crise profunda que estava a atravessar.

É claro que o fulgor da construção inusitada continua a fazer-se sentir. Durante muito anos, enquanto os projectos anteriormente aprovados não se esgotarem, continuaremos a ver aparecer os mamarrachos que enriqueceram uns e destruíram a fácies de um espaço sem igual. Também é verdade que a descaracterização ainda impera, num Concelho dicotomicamente marcado por um litoral profundamente cosmopolita e activo, e por um interior terceiro mundista onde quase tudo é de génese ilegal. Sendo também verdade que o novo hospital aguarda desde 1974 a cerimónia de inauguração.

Mas do outro lado da moeda, as bibliotecas nascem, pela primeira vez, no interior do Concelho e as escolas, juntas de freguesia e centros de saúde vão sendo alvo de acções de requalificação como nunca existiram em Cascais.

É uma mudança geracional, e serão necessárias mais duas décadas para que se concretize totalmente. Mas o lançamento das sementes está a ser feito, e Cascais vai-se alterando.

Mesmo quem não é de Cascais e se habituou a visitar a Vila ao longo dos últimos anos para participar nas acções que persistentemente continuaram a concretizar-se, percebeu neste ano a diferença. É qualquer coisa no ar que se transmite ao sorriso dos locais, um misto de alegria e satisfação que deixa antever o conforto de aqui morar. É um glamour inexplicável que os turistas sentem e que os faz apreciar o tempo que aqui vão estar. É qualquer coisa que já não se sentia há mais de 18 anos, e que agora obriga a repetir a frase…

Em Cascais, uma vez mais, nada é como dantes!

segunda-feira

Sporting, Benfica e Porto: O Futebol e o Estado Português





por: João Aníbal Henriques

Por ser considerado um jogo “de risco elevado” a Polícia de Segurança Pública destacou cerda de 590 agentes para acompanharem o jogo de futebol entre o Benfica e o Futebol Clube do Porto.

A festa, como lhe chamam os apreciadores, poderia ser estragada pela intempestivos ataques de fúria dos adeptos que, para além de colocarem em risco a sua própria segurança, ainda ameaçavam a segurança dos transeuntes, dos restantes espectadores e de todos os locais que faziam parte do percurso que as claques utilizariam até chegar ao estádio.

Esta situação, comum nos dias que correm, coloca-nos dois problemas graves que põem em causa o próprio equilíbrio social Português: em primeiro lugar, e dado tratar-se de uma competição desportiva, anulam de imediato tudo aquilo que de positivo o desporto e a competição deveriam promover. A convivência, o fair-play, a animação e a descontracção, dão lugar a autênticas batalhas campais e a sinais de selvajaria que são intoleráveis num Estado de Direito. São, por isso, intoleráveis. Em segundo lugar, e num momento em que (infelizmente) Portugal tem vindo a atravessar um período negro devido à onda de criminalidade que tem vindo a grassar, obviamente relacionada com a inexistência de meios policiais suficientes para darem conta do recado, parece absurdo que 590 agentes tenham sido destacados para darem conta da falta de civismo num jogo de futebol. E isso é, obviamente, intolerável.

Sem nada contra o futebol, que poderá ser, de forma óbvia e evidente, um entretenimento saudável para quem o apreciar, parece-nos totalmente inconcebível que o Estado permita a existência de claques organizadas em torno de valores não desportivos, e que, pela sua prática, obrigam à utilização de contigentes polícias desta envergadura para as controlar. Intolerável e inaceitável é ainda o facto de, para além de se auto-mutilarem e de, dessa maneira, destruírem a substância positiva que o futebol deveria promover, procederem da mesma forma perante o espaço público que atravessam para chegar aos estádios, o mobiliário urbano que pertence a todos os Portugueses, e os incautos concidadãos que tenham a infelicidade de com eles se cruzarem ao longo do trajecto.

Quem procede dessa forma, seja de que clube for; seja qual for a sua região de origem; Nacionalidade; tom de pele ou língua utilizada; deve ser preso. Pura e simplesmente. É para isso que, todos os meses e com aumentos exponenciais ao longo dos últimos anos, todos nós, cidadãos cumpridores, pagamos ao Estado. Para zelar pela ordem pública e pela segurança dos cidadãos.

Mas isso não se faz através da utilização de 590 agentes para acompanharem um jogo. Sobretudo se esses agentes são necessários para garantir o cumprimento das suas missões noutros espaços, áreas, regiões e actividades.

E para compreender esta lógicas e as prioridades policiais do passado fim-de-semana, só existem duas possibilidades: ou temos 590 agentes a mais nas forças de segurança Portuguesas (que não nos parece) e então vale mais despedi-los e com o dinheiro que se poupa investir noutras formas de garantir segurança; ou foram retirados a áreas onde fazem falta, e isso, mais do que qualquer outra coisa, é profundamente injusto para todos os cidadãos pagantes que ficaram impedidos de usufruir desse serviço.

Para concluir, o futebol é (tem de ser) uma festa. O futebol tem de ser fruído em segurança total e absoluta, e deverá acontecer dentro dos parâmetros da Lei.

Se assim não for, a única solução é proibi-lo. Interditar as claques que o não saibam ser; interditar os estádios que não possuam meios que permitam garantir esse princípio; extinguir os clubes que não sejam capazes de controlar as claques que conspurcam o seu nome e destroem a imagem de Portugal.

É que, conforme se vê nas notícias que permanentemente preenchem a comunicação social Nacional, o futebol é o único sector de actividade onde não falta dinheiro. E não faltando dinheiro, falta com toda a certeza vontade e coragem para pôr na ordem aquilo que em seu torno se passa.


terça-feira

Portugal e o Desporto





Por: João Aníbal Henriques

Foi em clima de apoteose, quase uma semana depois da onda de descalabro e de revolta que se instalou no País quando Naide Gomes perdeu a possibilidade de sair medalhada de Pequim, que a comitiva Olímpica Portuguesa chegou a Lisboa.

As declarações do Presidente do Comité Olímpico (o mesmo que dias antes havia assumido pessoalmente o completo falhanço e o abandono daquele organismo) impavam de orgulho pelos “melhores resultados de sempre alcançados em jogos olímpicos”…

De imediato, quando questionado sobre o anúncio do abandono feito em Pequim, o responsável apressa-se a dizer que é o seu enorme amor à causa que o impeliu ao anúncio irreflectido que fez. E que, para além de os resultados extraordinários alcançados o terem obrigado a repensar a decisão, eram também eles suficientes para que dali resultasse uma possível recandidatura ao cargo nas eleições que se avizinham.

As televisões e demais órgãos de comunicação social que ouviam o dito senhor, registando as palavras e a satisfação latente por tudo o que foi feito na China, nada mais conseguiram fazer do que aquilo que de facto fizeram… silêncio absoluto sobre o assunto!... e nem sequer acusaram o espanto que deveria resultar deste episódio.

Mas, se pensarmos bem, que mais haveria para dizer? Nada, como é evidente…

É que, desde o princípio, quando o desastrado Secretário de Estado adjectivou como débil a participação Portuguesa nos jogos, nos quais o Estado, ao longo dos últimos quatro anos investiu cerca de 14 milhões de Euros que pertencem a todos os Portugueses, todo o processo ficou marcado pela incoerência e pelo absurdo, não sendo possível agora sequer vacilar perante mais este episódio caricato da Portugalidade.

O desporto, na sua essência, e os Jogos Olímpicos em particular, são o apelo mais sublime a alguns dos valores que a sociedade ocidental, de essência humanista, procura implantar. O desapego aos resultados, e a tónica colocada no esforço, na determinação, na pujança, no brio, no respeito pelo próximo, e na honra em participar, deveriam ser (de forma inquestionável) as principais linhas balizadoras da participação de Portugal neste importante evento Mundial.

Portugal, como o infeliz Secretário de Estado terá pensado mas não terá conseguido dizer de forma aceitável, não pode ter a veleidade de entrar nestes eventos com o objectivo único de ganhar. De facto, e infelizmente, temos uma política educativa e desportiva miserável, marcada por um sistema onde não existem condições para que os Portugueses mais aptos possam profissionalizar-se. Temos falta de infra-estruturas, de meios humanos e técnicos, de saber e de capacidade organizativa… Não temos, por outro lado, dinheiro suficiente para transformar a participação nuns jogos destes num mega desígnio Nacional, nem tão pouco temos a possibilidade de massificar nos próximos anos (pelo menos enquanto se continuarem a fazer sentir as consequências de uma revolução de mote ainda pouco definido – e ainda temos muitos anos de sofrimento pela frente até isso acontecer…) a prática do desporto de qualidade nas nossas escolas.

Desta forma, e como a generalidade dos Portugueses não tem acesso à educação desportiva, são muito poucos aqueles que usufruem da possibilidade de serem identificados como potenciais campeões e de, com essa identificação, poderem ser alvo de um investimento estatal que dê frutos para o País.

Dependemos, por isso, única e exclusivamente da sorte (como tem acontecido amiúde ao longo da nossa História), e das capacidades extraordinárias de uns tantos que, pese embora as dificuldades inenarráveis com que se deparam no seu devir quotidiano, conseguem transcender-se e treinar, rentabilizando as enormes potencialidades que possuem e afirmando-se nas suas áreas desportivas de eleição. Felizmente para Portugal, que já se sabe que não conta, não contou nem certamente contará ao longo dos próximos anos com governantes capazes de governar, são muito e bons os exemplos de campeões que conseguiram afirmar-se dessa forma e que levaram bem longe o nome, o valor e a essência de Portugal.

A todos eles o País deve estar grato pela missão impossível que cumpriram.

Em desideratos desta monta, quando a afirmação Nacional é essencial, devemos ter a dignidade e a força de assumir os desafios e de, com o apoio inequívoco de todos, contribuir para que o brio, a responsabilidade, a perseverança, e o trabalho daqueles que vão aos jogos representar o País seja sinónimo de orgulho para Portugal.

Não precisamos de responsáveis titubeantes que prometem medalhas e negoceiam apoios financeiros com Governos poucos aptos a compreender os desígnios Nacionais; não necessitamos de desportistas que fazem o favor a Portugal de ir aos jogos pelos 1500,00 € que o Estado lhes paga por mês para se prepararem; não queremos atletas que assumem debilidades que não possuem e que colocam em costas alheias as razões dos seus desaires…

Mas necessitamos avidamente de Portugueses com orgulho de representarem Portugal, com a capacidade de assumirem quem são e o que fazem; e com vontade de chegar ao fim de cabeça erguida sabendo que deram o melhor pelo País. Nesses, nós que ficamos por cá, encontramos sempre, e independentemente do lugar que ocuparam no pódio, motivo de orgulho e de reconhecimento. Desses, no meio de uma plêiade de heróis, destacam-se uns tantos que se transcendem e ao próprio País e que trazem consigo as cobiçadas medalhas que os responsáveis tantos desejam.

Vamos ver agora o que acontecerá com o grupo de heróis que representará Portugal nos Jogos Para Olímpicos…

quinta-feira

O Estado "Débil" de Portugal...





por: João Aníbal Henriques

A menos de uma semana do início de mais uma edição dos Jogos Olímpicos, vem a público um representante do Governo Português dizer que “os jogos são uma tremenda aventura para um País débil como Portugal”.

A inóspita afirmação, que todos julgam ter sido feita com a melhor das intenções, enaltecendo o valor dos atletas Portugueses que, como se sabe, têm poucas ou nenhumas condições para prepararem a sua participação em eventos desta dimensão, representa um lapso linguístico que, para além de indesculpável do ponto de vista da responsabilidade do Estado, mostra bem a despreparação, o desentendimento e a total incapacidade que o sistema político Português possui para conhecer e compreender Portugal.

É que, apesar de “débil”, foi o Estado Português quem investiu muito dinheiro público para viabilizar esta participação Nacional; é que, por outro lado, foi o Estado Português que avalizou a qualidade dos nossos atletas, concedendo-lhes esses apoios; e das duas uma… ou esse Estado é incompetente, porque avaliou mal os atletas e, apesar das suas “debilidades” acabou por apoiar indevidamente a sua pretensão de viajar até Pequim à nossa conta; ou esse Estado é incompetente, porque tendo percebido que o nosso País é “débil” na área do desporto, mesmo assim deu-se ao luxo de gastar o dinheiro de que avidamente precisamos em Portugal só para que um grupelho de gente fosse passear ao Oriente…

Mas a verdade, e essa é inquestionável, é que todos sabemos que o desporto Português (goste-se ou não) está muito longe de poder ser considerado débil, e que os nosso atletas, na precariedade de condições que o Estado lhes oferece, têm levado bem longe o nome e a pujança de um País extraordinário que é Portugal.

A menos de uma semana do início das Olimpíadas, que muitos atletas Nacionais vão enfrentar depois de anos de preparação exaustiva e investindo a própria vida na expectativa de alcançar bons resultados, vem um representante do Estado falar de um País que não existe para além das paredes sombrias da Secretaria de Estado onde o acomodaram.

Portugal é muito mais forte; muito mais sólido; muito mais estruturado; muito maior de que este secretário de estado pode imaginar.

Nos últimos 850 anos, no meio das maiores vicissitudes e de verdadeiras “debilidades” Portugal soube impor-se no Mundo. Só que não sabe disto é o Estado que, conjunturalmente, dizem que nos governa…