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sexta-feira

Isabel Magalhães Candidata Independente à Câmara Municipal de Cascais






Isabel Magalhães vai ser candidata às Eleições Autárquicas de 2013 por Cascais, como cabeça de lista do movimento independente Ser Cascais, uma alternativa ao sistema de partidos vigente, que ao fim destes anos todos de domínio sobre o poder local revela-se vicioso e incapaz dar respostas adequadas aos problemas e desafios emergentes, nomeadamente no Concelho Cascalense. 

Com mais de 20 anos de intervenção cívica e política ao serviço dos Cascalenses, Isabel Magalhães tem alertado para os problemas estruturais do Concelho, sublinhando que o trabalho autárquico em Cascais deve ser muito mais do que campanhas de marketing e promoção de alguns eventos, como tem acontecido nos últimos anos naquele Município.

Esta candidatura surge de uma necessidade natural expressa pelos Cascalenses para obterem respostas aos seus problemas e pela urgência de se explorar de forma sustentável as potencialidades de Cascais, de modo a dinamizar social e economicamente o Concelho. Tal só será possível com um novo paradigma de governança, fora do actual sistema político-partidário.

Do trabalho cívico e político desempenhado por Isabel Magalhães destaca-se a Fundação Cascais, da qual foi fundadora em 1993 e presidiu até 1997. O trabalho ali desenvolvido permitiu fazer-se um levantamento inédito e aprofundado dos problemas, mas também das potencialidades, do Concelho de Cascais.

Ainda ao serviço da causa pública cascalense, foi eleita como Vereadora independente para a Câmara Municipal de Cascais, cargo que ocupou entre 1998 e 2001 com a pasta das Actividades Económicas e Turismo.

Foi ainda mandatária autárquica de Jorge Sampaio para Cascais nas eleições presidenciais de 1996.

Sem nunca deixar de intervir cívica e socialmente, Isabel Magalhães cria, em 2010, o Movimento Ser Cascais, uma plataforma independente que reúne pessoas de diferentes quadrantes sociais, políticos e culturais, cuja única preocupação é o desenvolvimento do Concelho Cascalense de forma sustentável.

O Movimento Ser Cascais, ao qual preside, tem promovido diversas iniciativas culturais e sociais, apelando sempre à participação directa dos Cascalenses nas decisões essenciais da gestão municipal.

Actualmente, Isabel Magalhães ocupa ainda vice-presidência do Conselho de Fundadores da Fundação Cascais e preside às assembleias gerais da "Sociedade Musical de Cascais" e dos Bombeiros Voluntários de Alcabideche.

Isabel Magalhães é advogada e jurisconsulta há mais de 30 anos. Tem dois filhos e três netos.

As Aldeias Rurais e o Futuro de Cascais





Apesar de serem poucos aqueles que as conhecem, as aldeias de génese rural existentes no Concelho de Cascais possuem um potencial turístico e cultural incontornável. A degradação paulatina de que têm sido alvo é completamente descabida num espaço que pretende ver sedimentada a denominada “vocação turística”, e a sua recuperação exige uma intervenção imediata e consequente. A sua atractividade, no contexto de uma urbanidade que tem vindo a perder a identidade cultural, é essencial para que Cascais possa readquirir a qualidade de vida de outros tempos.

Já vão muito longe os tempos em que se consideravam os resquícios da ruralidade portuguesa como exemplos malditos de uma actuação política que se dizia que tinha feito estagnar o País. Hoje, sobretudo nos países mais desenvolvidos, o que ainda resta de uma existência ruralizante e tradicional é aproveitado e rentabilizado turística e culturalmente.

A raiz cultural do nosso País, marcada de forma eminente pelo cunho de um tradicionalismo ligado aos trabalhos do mar e da agricultura, não pode alhear-se dessa realidade.

Contrariamente ao que parece mostrar a intervenção das entidades oficiais ligadas às Autarquias e às instituições governamentais com responsabilidades na área do Ordenamento do Território, da Cultura e do Turismo, o reconhecimento, a recuperação e a promoção dos resquícios da nossa identidade rural são actividades fundamentais para a criação de uma oferta turística que permita a Portugal enfrentar com dignidade os desafios novos que lhe surgirão ao longo dos próximos tempos.

De facto, impedido de produzir em termos agrícolas, incapaz de produzir industrialmente, e marcado em permanência pelo jugo implacável do desemprego, restam poucas saídas para que Portugal possa sustentar-se económica e financeiramente de forma condigna. O sector do turismo, principalmente num Concelho como o de Cascais, transformou-se no fulcro de todo o desenvolvimento, dele dependendo o comércio, os serviços e mesmo a gestão urbana do território.

Aldeias antigas como as da Charneca, Birre, Areia, Torre, Malveira da Serra, Janes, Zambujeiro, Atrozela, Alcabideche, Cabreiro, Murches, Livramento, Adroana, Pau Gordo, Galiza, Murtal, Caparide, Zambujal, Tires, Mato Cheirinhos, Trajouce, Conceição da Abóboda, Polima, Rana ou Rebelva, são apenas alguns exemplos de povoações que possuem ainda bem vivas as memórias de uma ruralidade que alicerçou toda a nossa História municipal. Possuem também, ainda com elevado potencial turístico que se encontra em risco eminente de desaparecer, restos únicos de habitações, fontes, chafarizes, portais, moinhos, fornos de pão e de cal, para além de um enorme manancial de lendas e de histórias locais, que noutros países e concelhos são atractivo turístico essencial e incontornável.

Em Cascais, perdidos nas faldas confusas de um alárvico e permanente apelo às novas construções, os resquícios existentes desta ruralidade perdida estão votados ao abandono e ao esquecimento. Exemplares únicos de casais saloios e rurais, com estruturas construtivas integráveis naquilo que é costume designar como “arquitectura chã”, vão sendo substituídos por prédios de concepção duvidosa e de assumida negação da tradicionalidade local.

Com o desaparecimento destes vestígios, e com a consequente fragilização da nossa Identidade Municipal, fica também posta em causa a vocação turística de Cascais e a possibilidade de voltarmos a ser o destino de excepção de outros tempos.

O turista moderno, culto e bem preparado, já não quer chegar a Cascais para passar cinco ou seis dias estirado ao sol. Hoje, numa lógica de bem-estar social e cultural, o ambiente envolvente, a tradicionalidade, o tipicismo, e a aprendizagem social, são partes importantes na promoção turística dos destinos europeus.

O Concelho de Cascais, apesar de todas as vicissitudes por que tem passado, possui as condições necessárias para encetar os esforços que tornarão possível este desiderato, sempre na certeza de que apostar na tradicionalidade daquilo que resta das nossas aldeias rurais, é garantir o futuro do turismo, do comércio e dos serviços, e o emprego e a estabilidade social dos munícipes cascalenses.

Nas aldeias rurais cascalenses, mais do que num sol e numa praia totalmente envolvidos em betão, reside grande parte do potencial que alicerçará a nossa vocação, oferecendo a todos um futuro socialmente saudável e economicamente sustentado.





domingo

Joaquim Baraona Homenageado na Toponímia de Cascais




Num acto de profunda justiça e de grande significado para o Concelho, a Câmara Municipal e a Junta de Freguesia de Cascais homenagearam o Comendador Joaquim Baraona através da atribuição do seu nome a uma das mais emblemáticas artérias da Vila. Antigo Provedor da Santa Casa da Misericórdia, instituição à frente da qual imaginou, planeou e concretizou um programa inovador e muito ambicioso nas áreas do apoio social e da saúde, Joaquim Baraona foi ainda figura de enorme importância nas áreas do empreendedorismo, turismo, diplomacia, associativismo, cultura e política, dinamizando inúmeras instituições em Portugal e no estrangeiro. Na actualidade, e mantendo o dinamismo e a vitalidade de sempre, o Comendador Baraona continua a ser uma das mais activas e empenhadas personalidades em várias instituições, academias, associações e colectividades de Cascais, à frente das quais muito tem contribuído para fomentar o bom-nome do Concelho e do País e para consolidar a qualidade de vida de todos aqueles que por aqui habitam ou trabalham. Com a atribuição deste topónimo, que será testemunho perene da importância que Joaquim Baraona teve e tem para Cascais, fica resposta a justiça que a revolução de 1974, por motivos que estão muito longe da nobreza das ideias daqueles que sonharam com a alteração do regime, havia posto em causa.




quarta-feira

A ‘Com-Cascais’ e uma Última Oportunidade para a Comunidade Cascalense


O início do Século XXI, com as novas tecnologias a incrementarem de forma abissal as capacidades interventivas do Homem sobre o meio envolvente, quase tudo pareciam novas oportunidades para dotar Portugal de instrumentos e de medidas estruturantes que garantissem uma entrada pujante numa era de sucesso e prosperidade que fosse, simultaneamente, sinónimo de qualidade de vida para as populações.

Cascais, centrado num território municipal marcado pela diversidade, parecia entrar nos novos tempos com o ensejo das grandes mudanças… Uma nova câmara municipal e um novo presidente, davam o mote enquadrante para um Concelho que se debatia com uma profundíssima crise. A sociedade civil, o empresariado, e até as escolas do Concelho pareciam condenadas a recuperar algum do seu fôlego antigo, retemperando a sua essência com um período de crescimento sustentado que surgisse como sinónimo de um devir quotidiano de qualidade e, esse, como cadinho de Identidade e de Cidadania.

No entanto, e sobretudo devido ao acumular de um desiquilíbrio que caracterizou o Concelho durante muito tempo, as coisas demoraram a acontecer em Cascais. A crise profunda não se inverteu de imediato, e o novo poder político não conseguiu impor o seu carácter activo e proficiente de modo a conseguir reanimar de imediato a Alma local. Os vícios de vários anos de profundo desprezo pela realidade municipal, pareciam ter-se imposto de forma inexorável a Cascais e aos cascalenses, deixando no ar poucas esperanças de uma inversão neste quadro de mal-estar e de desânimo que os munícipes sentiam.

No interior do Concelho, onde a lacuna identitária mais se fazia sentir, continuou o processo da legalização generalizada dos bairros clandestinos (com a sigla airosa mas pouco verdadeira de AUGIS), que não só dava suporte às ilegalidade cometidas durante várias décadas, como ainda promovia a prática continuada do mau planeamento e da péssima construção, gerando consequências negativas que hão-de fazer-se sentir durante várias gerações. Sob a tutela dos instrumentos municipais de gestão do território, e acoitadas nas teóricas "necessidades sociais" daqueles que haviam vendido (e comprado) percelas de terrenos não loteados, foi impossível contrariar as vicissitudes que o passado havia imposto.

Em termos das infra-estruturas, por seu turno, foi dificílimo conseguir impor um novo ritmo verdadeiramente consequente para inverter o caos instalado e para dar resposta aos novos desafios que Cascais se preparava para enfrentar.

Durante a primeira metade da primeira década deste novo Século e Milénio, Cascais manteve o seu alinhamento pelo que de pior existia na Área Metropolitana de Lisboa, e assumindo cada vez mais a vocação imposta de subúrbio, com prejuízos evidentes para o que ainda restava da famigerada Identidade Municipal.

Apesar deste quadro negro, e do tom agoirento ainda usual para lembrar as vicissitudes daquele que será (quando mais não seja pela mística que o envolve) um dos espaços mais significativos de Portugal, 2008 arranca com os primeiros sinais de uma mudança estruturante pela qual ansiavam todos os Cascalenses.

Terminadas que estão as acessibilidades do novo hospital, e finalizadas as obras que permitiram a inauguração dos novos centros de saúde, parece finalmente estar a chegar ao fim o período de 35 anos de provações extraordinárias pelas quais Cascais passou na área da saúde; na área da cultura, com uma rede extraordinária de boas bibliotecas, e uma coordenação da oferta cultural vigorosa e totalmente adaptada às necessidades municipais, Cascais ficou dotado das condições necessárias à criação de vínculos comunitários que se afiguram essenciais para o bem-estar e qualidade de vida das populações; na área do turismo, e apesar das inúmeras vicissitudes governamentais que colocaram em causa a existência da marca ‘Estoril’ e mais de 80 anos de trabalho empenhado na promoção externa da região, começam agora a surgir os frutos de todo o trabalho que foi feito, visíveis no aparecimento de empresas dinâmicas capazes de trazer a Cascais um posicionamento único no panorama Nacional, mas também bons hotéis, restaurantes e equipamentos de apoio que dotam todo o espaço municipal das condições essenciais para vingar numa Europa onde a concorrência impera; por fim, em termos da Identidade Municipal, foi criada uma instituição designada ‘Com-Cascais’ que, assertivamente gerada a partir de uma parceria público-privada, vai tentar complementar tudo o que atrás foi descrito com medidas práticas e eficazes que devolvam a Cascais o glamour de outros tempos.

E apesar de não parecer, é precisamente na ‘Com-Cascais’ que se centram as grandes transformações e prioridades que possibilitarão ao município rentabilizar as muitas medidas tomadas noutras áreas. Um Concelho como este, pleno de História e de estórias, com disparidades enormes entre um interior de génese rural e de um litoral cosmopolita, necessita avidamente de um pólo aglutinador da sua Identidade.

Como não existe corpo sem cabeça, será da forma como a nova instituição conseguir contrariar o ritmo degradatório que tem vindo a caracterizar os núcleos urbanos consolidados da Vila de Cascais e dos Estoris, sobretudo na sua faceta comercial mais tradicional, que depende o sucesso do projecto global de requalificação que este executivo tem vindo a empreender.

A ‘Com-Cascais’, com um papel ainda pouco definido junto daqueles que são responsáveis pelo quotidiano nestes espaços tão importantes, não deve nem pode sobrepor-se às responsabilidades, obrigações e competências que pertencem às entidades públicas e privadas que lhe dão corpo. Segurança, limpeza, iluminação, conservação, estratégia comercial e urbanismo, são áreas que devem manter-se no círculo de competências da Autarquia, do empresariado e da polícia. A não ser assim, e sabendo de antemão que todas e quaisquer medidas avulso tomadas nestas áreas resultarão em absolutamente nada em termos da requalificação dos espaços onde se pretende intervir, correremos o risco de ver a ‘Com-Cascais’ completamente subjugada face aos problemas de muitas décadas de conformismo que levaram a Vila de Cascais e os Estoris à situação em que actualmente estão.

A ‘Com-Cascais’, que em traços aprofundados e sem designação oficial caracterizámos anteriormente (ver: “Urbanismo & Comércio”, Cascais, Fundação Cascais, 2003) é o pólo aglutinador que permitirá recriar globalmente um plano que dê rosto a estes espaços.

Sem competências específicas nas áreas mencionadas, mas com capacidade de gerar consensos entre as diversas entidades teoricamente competentes para gerir os espaços, a ‘Com-Cascais’ vem ocupar um espaço de que Cascais necessita avidamente para que se recupere o património, se dinamize comercialmente, e se garanta segurança e conforto urbano naqueles que são os espaços de partilha e de excelência de uma comunidade que está a reaprender a ser Cascalense.

A interdependência dos diversos intervenientes, numa espécie de triângulo de ninguém, colocava o património, o urbanismo, o comércio e a animação em patamares onde a comunicação não existia. Com a criação da nova instituição, e a geração de mecanismos de interligação entre os diversos intervenientes, ficam criadas as condições para que se feche o ciclo negativo que Cascais tem vindo a viver.

Assim haja vontade, discernimento, bom-senso e força por parte de todos os intervenientes…

Cascais...




por: João Aníbal Henriques


Cascais é um lugar especial…

Desde o princípio dos tempos, quando os primeiros homens chegaram à Europa, que o espaço hoje ocupado pela Vila e Concelho de Cascais assumiram um papel decisivo na fixação das comunidades humanas.

Este facto, comprovado pelas evidência arqueológicas, tem a haver não só com as condições naturais únicas que o lugar possui, e que vão de um micro-clima privilegiado, a uma paisagem extraordinária, e um conjunto de férteis campos onde não falta nem água, nem alimentos, nem animais, mas também com uma espécie de magia inebriante que surge como consequência do bem-estar que o Homem sente quando aqui se instala.

O fenómeno de atractividade de Cascais sobre as pessoas, que hoje todos conhecem e reconhecem, é assim transversal no tempo e no espaço, pois o Concelho foi paulatinamente assistindo à consolidação da sua comunidade humana. Por outro lado, e num fenómeno também hoje bem visível, a origem daqueles que escolhem Cascais para se instalar, é o mais diversa possível.

Cascais, no seu cosmopolitismo, é um dos Concelhos portugueses com melhores condições para atrair visitantes e se transformar num dos mais importantes pólos turísticos da Europa.

Tem tudo aquilo que é necessário para atrair os visitantes; tem um carisma difícil de definir; e tem sobretudo um enquadramento de paz e de segurança que, nos dias que correm, é condição essencial na escolha do destino de férias de qualquer família que preze a sua integridade e a dos seus.

Por isso, reunidas que estão as condições para que tal aconteça, só falta uma coisa: mostrar lá fora que Cascais é o espaço que todos (apesar de muitos deles ainda não o saberem) querem conhecer.


segunda-feira

O Palácio dos Condes da Guarda


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por João Aníbal Henriques
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Apesar de ser uma das mais antigas edificações da Vila de Cascais, e uma das poucas construções que sobreviveram ao terramoto de 1755, os actuais Paços do Concelho, só muito recentemente adquiriram o aspecto que hoje tão bem conhecemos.

Quando o Almirante Cotton, representante do Exército Inglês, pernoitou no Palácio dos Condes da Guarda, dificilmente imaginaria as muitas transformações e adaptações que aquele espaço sofreria ao longo dos Séculos seguintes.

De facto, no início do Século XIX, quando a Convenção de Sintra – por mero acaso assinada em Cascais – decorria no local onde hoje funciona a Estalagem Solar Dom Carlos, a Vila ainda não perspectivava o fulgor que a caracterizaria após 1870, quando Dom Luís adapta a Cidadela a palácio de veraneio.

Edifício de planta rectangular, assente em sólida silharia calcária, o Palácio dos Condes da Guarda integra as dimensões e as orientações que genericamente caracterizam o estilo commumente designado como Arquitectura Portuguesa. O seu telhado de quatro águas é, aliás, semelhante a todos os outros que defendiam as restantes habitações da zona ribeirinha da Vila das intempéries invernosas e do calor do estio. O único aspecto que diferencia este prédio dos circunvizinhos, é o vasto conjunto azulejar que o envolve, utilizando as cores amarelo, vermelho e roxo, considerados por Ferreira de Andrade, como os melhores desta arte bem portuguesa.

São Sebastião, Santo António, São Miguel, São Mateus, São marcos, São Jerónimo, São Lucas e São João, são as figuras representadas na fachada, e que integram um conjunto de azulejos mais vasto que se prolonga pelo interior. Na escadaria principal, um alabardeiro vestido de roxo e o painel com as armas da vila, fecham o conjunto, contribuindo com o as suas cores para preencher e decorar o modesto enquadramento arquitectónico do conjunto.

Em Abril de 1918 é anunciada a venda em hasta pública do conjunto de azulejos do Palácio dos Condes da Guarda, e Gustavo de Matos Sequeira, numa das suas obras sobre o terramoto de Lisboa mencionada por Ferreira de Andrade, refere que eles constituem a nota mais pitoresca de toda a povoação.

Para salvar o edifício e os preciosos azulejos, a edilidade adquire-o nessa data, transformando-o na actual Câmara Municipal.

É desta época já bastante recente que datam as modernas e radicais alterações que modificaram por completo o aspecto geral do edifício. À ala sul foi acrescentado um novo trecho que completou a remodelação integral que sofreu toda a Avenida Dom Carlos, e que culminou com a criação da actual esplanada junto ao mar.

No final do Século XIX, quando Cascais se transformou na praia da corte, o edifício foi adaptado a habitação de veraneio, utilizada durante várias décadas pelos Condes da Guarda. O seu ar aristocrático desde cedo contrastou com a modéstia das pobres casas utilizadas pelas mais altas figuras da corte, que se sujeitavam às mais humildes condições somente pelo prazer de acompanharem os monarcas nas semanas finais do verão.

Tendo conseguido sobreviver às terríveis consequências do terramoto, e às variadas vicissitudes políticas dos tempos, nomeadamente a utilização no período das invasões francesas, a posterior adaptação a casa de veraneio e finalmente à investida republicana, o Palácio dos Condes da Guarda resguarda aquelas que são, por excelência, as mais importantes memórias urbanas de Cascais. Mal conhecido da generalidade dos cascalenses, e permanentemente absorvido pela inadmissível utilização como parque de estacionamento da Câmara Municipal, que não tem percebido o real valor cénico, patrimonial, histórico, artístico e cultural do edifício, o Palácio dos Condes da Guarda merecia um papel de maior...