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quinta-feira

O Forte de São Pedro da Poça no Estoril




por João Aníbal Henriques

Tal como acontece com os restantes fortes e fortificações construídos na linha defensiva da Costa do Estoril, o Forte de São Pedro da Poça, situado a Poente do Vale da Poça, junto ao edifício dos antigos banhos, apresenta uma localização privilegiada num ponto no qual a importância estratégica no cruzamento de fogo com os seus congéneres se alia a uma paisagem profundamente impactante e deslumbrante.

E, infelizmente, tal como acontece com os restantes, encontra-se num estado de ruína inaceitável, com a sua importância patrimonial posta em causa pela incúria das entidades ditas competentes.




Construído depois da Restauração da Independência Nacional em 1640, numa estratégia de refortificação da entrada marítima de Lisboa, o Forte de São Pedro foi projectado pelo Arquitecto Mateus do Couto, utilizando como planta o desenho geral utilizado noutras fortificações de características semelhantes. As obras, que decorreram entre o dia 5 de Abril de 1642 e o início de 1643, compuseram o espaço a partir do estabelecimento de uma cortina de artilharia que atravessava a praia e estabelecia a protecção cruzada necessária perante qualquer desembarque tentado pelas forças Espanholas em terras de Portugal.

O pátio central, que distribuía o espaço interno de forma muito simples, cumpria a dupla função de facilitar o acesso às diversas frentes do forte, ao mesmo tempo que assumia a sua componente residencial, oferecendo um espaço ao ar livre para usufruto de quem ali morava.




Depois de vários períodos de semi-abandono, que exigiam novas obras de remodelação, o forte atingiu uma situação de pré-ruína em meados do Século XIX. Mas, durante a Guerra Civil, readquiriu uma parte da sua importância estratégica e, nesse âmbito, foi novamente remodelado de forma a adaptar-se às modernas técnicas militares desse tempo. É desse período, numa obra que muitos consideram nunca ter sido acabada, o paiol que se localizava no piso subterrâneo e a linha de fuzilaria que ligava o forte ao seu congénere da Cadaveira, do outro lado da praia.

Depois de vicissitudes diversas, que passam pela sua entrega à Santa Casa da Misericórdia e o seu posterior arrendamento à sociedade que explorava os Banhos da Poça, foi o forte transformado em casa de chá, já em 1954, por iniciativa da Junta de Turismo de Cascais e, mais tarde, na primeira discoteca Portuguesa.




Congregando em torno da sua imagem, um dos recantos oníricos dos Estoris, que para ali convergiram de forma massiva durante os agitados anos 60 do Século XX, o Forte de São Pedro foi paulatinamente perdendo as suas características militares de que agora só restam as suas duas guaritas. Na fachada virada a nascente, completamente desvirtuada pela intervenção de adaptação às funções turísticas atrás mencionadas, a bateria que cobria a praia foi substituída por uma inestética parede de vidro que se encontra actualmente emparedada e totalmente destruída por actos de vandalismo. Aberto o interior, está também ele em avançado estado de degradação, sendo virtualmente impossível perceber se existe alguma possibilidade de ser recuperado na sua formulação espacial original.

O Forte de São Pedro da Poça, no Estoril, situa-se no coração da mais antiga e pujante região de turismo de Portugal. A evidência da sua localização, perto a praia, do paredão e da entrada nobre do Estoril, faz convergir na sua direcção o olhar de todos aqueles que por ali passeiam e, mais grave ainda, o dos milhares de turistas que procuram na Região do Estoril o charme de outros tempos.


Classificado como Imóvel de Interesse Público desde 1977, o seu abandono e estado de ruína eminente é, em termos da memória de Cascais e da Identidade Municipal dos Cascalenses, um autêntico crime que lesa os interesses deste concelho. Inadmissível nos tempos em que vivemos!



quarta-feira

A Singeleza Franciscana e a Ideia do Estoril




por João Aníbal Henriques

Seguindo os princípios que nortearam a vida de São Francisco de Assis, que em 1209 fundou a Ordem Mendicante, a Regra definitiva dos Franciscanos foi aprovada pelo Papa Honório III, em 1223.

No Estoril, foi no ano de 1527 que se procedeu à instalação de um Convento Franciscano de características sui-generis, pela sua proximidade ao mar e pelo Santo de Devoção – Santo António do Estoril.




O espaço em questão, mesclado de um intenso sabor a mar, pouco conhecido da generalidade dos espaços da Ordem, é também condicionado por uma forte presença da Serra de Sintra, marcando assim o desenvolvimento de um enorme potencial de aprofundamento religioso que os frades que ali se instalavam vão aproveitar de uma forma bastante profícua.

Pertença do Dr. Luís da Maia, clérigo do hábito de São Pedro, o terreno onde veio a instalar-se o convento, possuía já uma pequena capela dedicada a São Roque, mandada construir alguns anos antes, em data não determinada, por Leonor Fernandes, moradora no Casal do Estoril. O momento em que o ilustre prelado oferece o terreno à Ordem, que o recebe pela mãos de Rodrigo de Sant’Iago, é precisamente aquele que marca o início do processo de construção do idílio conventual, para o qual se utilizaram, trazidas do derruído Convento de Enxombregas, as pedras que vieram a consolidar as suas paredes. A direcção das obras assumidas por Rodrigo de Sant’Iago foi de tal modo perene, que depressa se concluiu a construção do novo templo que, composto por uma única nave, possuía no entanto três altares, onde se prestava culto à imagem de Nossa Senhora da Boa Nova, a São Domingos e a São Francisco. Segundo a ‘Crónica Seráfica da Santa Província dos Algarves’, na qual se descrevem os edifícios da Ordem de São Francisco, existiria ainda uma imagem de Santo António ao lado da epístola, no altar-mor, que possivelmente seria datável de um momento anterior à construção do edifício.




Ao que parece, o grande êxito que veio a enformar a existência do convento, e que lhe granjeou uma fama que trouxe a estas paragens uma série de importantes vultos da vida Nacional, ficou a dever-se à imagem da Santa Padroeira, a Senhora da Boa Nova, com os seus três palmos de altos, e com feições consideradas «gráceis e perfeitinhas». Joana Manuel, a quem havia sido instituído o Morgado do Estoril, Manuel Jorge, síndico do convento, Álvaro Martins, marinheiro de água doce e o Marquês de Castelo Rodrigo, apoiante incondicional da submissão filipina, são apenas alguns dos mais evidentes apoiantes da Causa Franciscana Estorilense, contribuindo com importâncias que, em conjunto com a exploração agrícola que os frades foram desenvolvendo nos terrenos que desciam até à praia, garantiam a possibilidade de se irem promovendo as obras de remodelação e de manutenção que permitiram ao convento subsistir e até desenvolver-se à medida em que se ia avançando para a segunda metade do século XVIII, quando o terramoto de 1755 veio pôr em causa a sua existência.




Os frades do Estoril, dedicados a uma vida de interiorização na qual o trabalho árduo das muito pouco férteis terras conventuais era, desenvolveram uma postura religiosa que em muito se afastou daquela outra que caracterizou a Ordem Carmelita instalada no Convento de Nossa Senhora da Piedade, em Cascais. Para estes últimos, a interacção com a comunidade, numa dinâmica de ensino e de aprendizagem, em que tecnicamente a sua mais-valia se ia transportando para as actividades profissionais dos cascalenses, principalmente na pesca mas também na horticultura, as portas do convento deviam estar abertas, recebendo no seu seio todos aqueles que dele necessitassem para resolver os problemas do quotidiano. Os frades estorilenses, possivelmente também como consequência da esterilidade do seu meio, onde as comunidades humanas não se haviam instalado de uma forma sistemática, mantendo um povoamento em pequenos casais e onde as únicas excepções são marcadas pelas aldeias de Alapraia e, mais a nascente, Caparide, tornaram o seu espaço no espaço eminentemente dedicado à interiorização, mantendo relações muito pouco próximas com a comunidade e alicerçando a sua dinâmica de trabalho no princípio da auto-subsistência que, aliás, era também consequência dos princípios fundamentais que norteavam a sua Regra.



Destacando-se dos demais, mais pelo seu esplendor espiritual do que propriamente pela sua maneira de funcionar em termos comunitários, Frei António de Palmela e Frei Cristóvão da Trindade, ali desenvolveram o seu percurso iniciático em direcção a Deus, mortificando a carne com a pobreza extrema e fortificando o espírito em orações e jejuns sistemáticos. A fama destes monges, de quem todos ouviam falar mais que poucos conheciam pessoalmente, acabou por garantir-lhes a recepção de muitos bens, que os habitantes das redondezas lhes ofertavam, com o objectivo de contribuírem para a vida de santidade que ali promoviam. As ofertas, no entanto, eram permanentemente redistribuídas pelos mais humildes, mantendo-se os monges de Santo António na mais pura e humilde das existências, gozando apenas da extraordinária vista que se alcançava das janelas do convento. Rocha Martins, o reputado jornalista que já mencionámos, descreve de uma forma paradigmática a envolvência do convento, a qual permite perceber quais foram as grandes transformações que o denominado progresso acabou por trazer a este lugar: «Um prado verdejava na vizinhança; a aragem suave coava-se pelo pinhal mas, por vezes, a ventania vergava o frondoso arvoredo; cresciam, na encosta virada ao mar, plantas selváticas e as águas brotavam, com a fama de milagrosas, sobretudo na parte mais baixa da serra de Santo António, a qual tinha ao sul o fortim de São Roque e a oeste o Casal do Estoril». Da mesma opinião, explicando ao mesmo tempo que a situação que caracterizava o convento em muito contribuiu para a forma como era procurado pelos mais fervorosos e dignos monges de todos os tempos em que durou a sua existência, era Frei Jerónimo de Belém que o visitou no início do século XVIII: «que o agradável da sua visita convidou em outros tempos a muitos religiosos para frequentarem nele a Escola do Céu, livres dos cuidados do Mundo que tanto embaraçavam os progressos da virtude e atrasam os espíritos mais fervorosos».

sexta-feira

Fausto Figueiredo e o Sonho do Estoril




A ALA - Academia de Letras e Artes marcou presença na cerimónia comemorativa do centenário da fundação do Estoril com a conferência "Fausto Figueiredo e o Sonho do Estoril" proferida por João Aníbal Henriques.

Esta homenagem àquele que foi o mentor do primeiro e principal destino turístico de Portugal, concretizou-se no âmbito do aniversário da ESHTE e foi coordenada pela Professora Cristina Carvalho e pelo Doutor João Miguel Henriques (CMC), tendo contado ainda com a participação de Cândida Cadavez, Cristina Pacheco, Susana Gonçalves e Manuel Ai Quintas. 

Numa época marcada pela incerteza e pela absurda decisão tomada pelo poder partidário de extinguir a marca turística ‘Estoril’ assume especial importância este evento que, de uma forma transversal e com abordagens diferenciadas, apresenta a prova cabal da excelência que caracterizou o projecto de Fausto Cardoso e Figueiredo no Estoril.





(imagens de Luís Athouguia)




terça-feira

Estoril: O Glamour Real...





por João Aníbal Henriques

Da Igreja de Santo António e do Convento Franciscano do Estoril ao glamour do Casino, vão poucos passos mas uma História longa e verdadeiramente ímpar. A estância turística do Estoril, outrora estação terminal do charmoso Sud-Express, enche-se com as fragrâncias próprias de uma localidade que sempre quis ser uma grande referência de relevo internacional. Pelas ruas do Estoril, onde reis, rainhas, príncipes e princesas se cruzavam naturalmente com escritores, pintores, cantores, actores e espiões de gabarito mundial, ecoam ainda hoje os sons e as cores do mítico James Bond ou das maiores divas do cinema americano.

Trajecto:

Este passeio começa na Estrada Marginal em frente à Igreja de Santo António onde poderá ver o Casal de São Roque, a Igreja e a antiga Casa Paroquial. Mais à frente, ainda na marginal, encontrará o Edifício da Estação Telefónica do Estoril em frente à bomba de gasolina. Segue através da Rua Melo e Sousa onde verá a casa Camilo Farinas e a Casa Bustorff da Silva à sua esquerda e da Rua do Algarve, onde vai encontrar a Vivenda Volubilis. Daí segue para a Avenida Dom Nuno Álvares Pereira, virando à esquerda para a Rua da Beira baixa até encontrar a Casa do Rei Karol da Roménia. Virar para a Rua de Inglaterra que deverá subir até encontrar a Villa Giralda, virando novamente à direita através da Rua da Índia até regressar à Avenida Dom Nuno Álvares Pereira. A Casa Teixeira Beltrão fica à sua esquerda. Descer a Avenida General Carmona, passando pelas Casas Vale Florido e Boavista, até à Praça Almeida Garrett, onde encontrará o edifício do antigo Casino Estoril. Descer a Avenida Clotilde e admirar à esquerda o Hotel Palácio do Estoril seguido do edifício das Arcadas do Parque. Do outro lado da Avenida Marginal, por detrás da bomba de gasolina, estão as magníficas Cocheiras santos Jorge. Subindo a Avenida Marginal no sentido Nascente encontrará à esquerda a Estação dos Correios e a Casa de São Francisco. Mesmo ao lado está a Casa de Nossa Senhora de Fátima. Siga pela Avenida Biarritz e pela Rua do Porto até ao Hotel de Inglaterra.


 01) Casal de São Roque / Palacete Schroter / Tamariz

Construído sobre o antigo Forte de São Roque, que defendia o areal do Juncal de eventuais desembarques inimigos, o Palacete Schröter foi construído no início do Século XX pelo Conselheiro Driesel Schröter. A escolha de espécies exóticas para o seu jardim, nomeadamente o tamarindo, acabou por influenciar de forma decisiva a toponímica local, tendo a praia passado a designar-se como Tamariz. Depois de vendido, o palacete foi adaptado a casa-de-chá que assumiu o mesmo nome e impôs o Tamariz nos hábitos requintados da sociedade Estorilense. 




02) Igreja de Santo António

Construída no mesmo lugar onde em 1527 se encontrava uma pequena ermida de madeira dedicada a São Roque, a Igreja de Santo António do Estoril é um edifício datado do início do Século XVIII e esteve associada ao antigo Convento Franciscano de Santo António. Depois de ter sido arrasada durante o terramoto de 1755 foi rapidamente reconstruída com a traça que hoje apresenta, tendo sido novamente destruída por um incêndio em 1927 que obrigou a nova remodelação. Teve grande importância na vida política Portuguesa do início do Século XX devido à acção do seu primeiro Prior Monsenhor António José Moita. 






03) Casa Paroquial

A Casa Paroquial que está associada à Igreja de Santo António do Estoril foi edificada em meados do Século XIX por José Viana da Silva Carvalho, o proprietário original do Estabelecimento de banhos do Estoril. Depois, por intervenção do Prior do Estoril, Monsenhor António José Moita, foi readaptada para Casa Paroquial e foi sede de diversas instituições de apoio e intervenção social do Estoril. 





04) Edifício da Estação Telefónica do Estoril

Apesar de ser uma das primeiras obras de traço assumidamente modernista que o Arquitecto Adelino Nunes assinou no Estoril, o Edifício da Estação Telefónica do Estoril, edificado em 1933, é um extraordinário exemplo da forma como a nova concepção dos espaços se adapta com rigor às condições dos terrenos e à paisagem envolvente. Construído de forma linear e com um só andar térreo, o edifício evidencia-se pelo apelo ao movimento conseguido através da utilização cruzada de diversos corpos arquitectónicos, imaginado por dar continuidade à linha imposta pela Avenida Marginal e pela linha férrea envolvente. 





05) Casa Camilo Farinhas

Construída em 1930 por Camilo Farinhas, utiliza um projecto do Engenheiro Jacinto Reis Bettencourt em que a inovação assenta na utilização de uma ampla varanda para promover os valores estéticos tradicionais da denominada Arquitectura Portuguesa. A Casa Camilo Farinhas, que marca a charneira entre o tradicionalismo do projecto original de Martinet e as novas tendências modernistas no Estoril, é um dos últimos exemplos daquilo que haviam sido as propostas urbanísticas da Sociedade Estoril Plage. 





06) Casa Bustorff da Silva / Casal Branco

A casa de António Júdice Bustorff da Silva foi edificada em 1923 utilizando os valores urbanísticos e arquitectónicas da denominada Casa Portuguesa. A volumetria simples, que contrasta de forma evidente com a generalidade das casas construídas nessa época no Estoril, promove uma marca revivalista através da utilização de um modelos construtivo de génese ruralizante ainda com laivos do movimento romântico que o precedeu. 





07) Vivenda Volubilis

Marcando a paisagem envolvente através do impacto que consegue impor devido ao seu posicionamento no topo da colina que marca o início do Alto Estoril, a Vivenda Volubilis é um exemplo expressivo da arquitectura de cenário que dá forma à fácies urbana dos Estoris. Pensada para traduzir os ideias de beleza e força, traduzidos nos seus traços firmes de inspiração clássica, é uma casa de finais da década de 30 do Século XX que traça a forma desse período de afirmação da região. 




08) Casa Rei Karol da Roménia

Construída originalmente para Octávio Pinto da Rocha, que em 1928 requisitou ao Arquitecto Jorge Segurado uma habitação em estilo neo-clássico, foi mais tarde residência do Rei Karol da Roménia e adaptada por diversas vezes para se aproximar do ideal apalaçado que hoje apresenta. Apesar de bastante desfigurada com a alteração que lhe foi imposta para criação de um moderno condomínio, guarda ainda as memórias da sua antiga função real. 




09) Villa Giralda

Marcada ainda hoje pelas memórias muito vivas do exílio da Família Real Espanhola em Portugal, a Villa Giralda foi a sua residência oficial durante quase três décadas. Com uma vista privilegiada sobre o Estoril, foi no seu jardim que por acidente o actual Rei Juan Carlos disparou e matou o seu irmão o Infante Dom Alfonso. Com os seus muros baixos e a fachada aberta para a Rua de Inglaterra, a Villa Giralda é hoje a melhor imagem do cosmopolitismo real que deu forma à organização social do Estoril sobretudo no período que se seguiu às duas guerras mundiais.  




10) Casa Teixeira Beltrão

Projectada pelo Arquitecto Carlos Ramos e edificado em 1923 para Luís Teixeira Beltrão, o edifício, hoje abandonado, apresenta reminiscências dos laivos neo-árabes do período romântico que a antecedeu. A escadaria da entrada, monumentalizando uma fachada volumetricamente pouco interessante, recria um ambiente apalaçado que se afirma perante o portuguesismo das casas envolventes. 




11) Casa Vale Florido

Com projecto do Arquitecto Cristino da Silva e construída em 1939, a Casa Vale Florido é um dos melhores exemplos da arquitectura modernista no Estoril. Inserida num lote perpendicular ao estacionamento em forma de meia-lua que serve de cenário à fachada principal do Casino Estoril, foi alvo de grande controvérsia no momento da sua construção por ter sido apresentada como um contra-ponto ao modelo da dita “Casa Portuguesa” que nessa altura imperava na região. 




12) Casa Boavida

Tal como a anterior, a Casa Boavida segue os cânones construtivos da arquitectura modernista tendo sido edificada na década de 40 com projecto do Arquitecto Cristino da Silva. Tendo feito evoluir os conceitos originais desse movimento de vanguarda, o arquitecto utiliza nesta casa alguns dos principais traços que o aproximam da estética nacionalista como são os arcos e as pérgolas. 




13) Antigo Casino Estoril

Apesar de ter sido inaugurado somente em Agosto de 1931 o edifício do antigo Casino Estoril foi construído depois da adaptação do projecto original do Arquitecto Silva Júnior. A reformulação das ideias originais constantes do projecto urbanístico de Martinet e sobretudo o contributo dos Arquitectos Raoul Jorde e Pardal Monteiro, foram essenciais para o assumir das suas linhas modernistas que acabaram por ser percursoras de um vasto movimento arquitectónico que teve grande influência na História da Arquitectura em Portugal. 




14) Hotel Palácio Estoril

Inaugurado no dia 31 de Agosto de 1930, com uma cerimónia plena de pompa em que até o Presidente da República esteve presente, o edifício do Hotel Palácio do Estoril integra-se no original Plano de Urbanização do Estoril que Fausto de Figueiredo encomendou ao arquitecto Francês Henry Martinet. Utilizando valores estéticos neo-clássicos, em que se misturam alguns laivos do antigo romantismo com as novas orientações do modernismo, é o mais conceituado estabelecimento hoteleiro por onde passaram as principais figuras dos mundos da política, da moda, do espectáculo, das artes e das letras de todo o Mundo. 




15) Arcadas do Parque

Datadas de 1915 e inseridas no projecto assinado pelo Arquitecto Francês Henry Martinet para a Sociedade Estoril Plage, o edifício das Arcadas do Parque cumpre o propósito definido pelo promotor Fausto Cardoso de Figueiredo de criar um ambiente de grande conforto urbano, sempre com um cunho de base familiar, na sua nova estância balnear. Fechando o espaço, as arcadas definem os traços principais da arquitectura de fachada que há-de transformar-se na imagem de marca dos Estoris. 





16) Cocheiras Santos Jorge

Propriedade da Família Santos Jorge, que teve enorme influência na criação dos Estoris, as Cocheiras Santos Jorge foram projectadas pelo Arquitecto Norte Júnior em 1916, tendo feito parte da antiga casa de família que entretanto foi demolida. Utilizando um estilo eclético mas marcado de forma vincada por um revivalismo de orientação neo-romântica, é um expressivo exemplo da arquitectura de cenário que constrange a imagem promocional dos Estoris. 




17) Edifício dos Correios do Estoril

Sendo assumidamente a grande referência da arquitectura modernista do Estoril, o edifício dos Correios do Estoril foi edificado em 1936 sobre um projecto assinado pelo Arquitecto Adelino Nunes. Utilizando uma planta em V que lhe permite rentabilizar a forma do lote onde se insere, e apostando no destaque conferido à estrutura cilíndrica da fachada, o edifício marca o ponto de viragem no desenvolvimento urbano do Estoril representando o assumir do modernismo como principal traço da construção da cosmopolita estância balnear. 




18) Casa de São Francisco

Seguindo a linha orientadora do modernismo Estorilense, basicamente assente nos projectos do Arquitecto Adelino Nunes, António Varela projecta em 1936 uma casa de habitação destinada ao Engenheiro António Cortez de Lobão. A regularidade das fachadas, contrariada neste caso por uma inusitada entrada lateral, é contrariada pelos baixos-relevos que a decoram e lhe conferem algum movimento. É, para todos os efeitos, um dos mais relevantes exemplos de arquitectura modernista no Estoril. 




19) Casa de Nossa Senhora de Fátima

Datada de 1921, a Casa de Nossa Senhora de Fátima utiliza o modelo de implantação definido pelo Arquitecto Norte Júnior, repescando os valores mais tradicionais da Casa Portuguesa e apostando nos painéis de azulejos como elemento diferenciador. Foi construída pela Companhia de Crédito Edificadora Portuguesa, responsável pela promoção urbana do Estoril. 




20) Hotel da Inglaterra

Seguindo as orientações estéticas constantes no original projecto de Martinet, o edifício onde actualmente funciona o Hotel de Inglaterra foi construído em 1916 para Alexandre Nunes de Sequeira. Apesar de bastante alterado em 1917 para ser adaptado às funções hoteleiras, mantém incólumes os valores arquitectónicos definidos no projecto assinado pelo Arquitecto Silva Júnior. 

(c) HENRIQUES, João Aníbal, Levantamento Exaustivo do Património Cascalense, Cascais, Fundação Cascais, 2000













sexta-feira

A Propaganda do Estoril





As publicações de propaganda editadas pelo Estado através da Sociedade de Propaganda de Portugal, são unânimes na forma como a imensidão da capacidade de oferta do Estoril abre o leque das possibilidades a esta terra. 

Em 1935-40, Nuno Catharino Cardoso sublinha que a heterogeneidade daqueles que habitam no Estoril, respondendo de forma conveniente aos desejos dos muitos visitantes que nessa altura transformavam a Praia do Tamariz num dos mais significantes destinos de férias em Portugal (nunca é demais relembrar, agora que se comemoraram os cinquenta anos da invenção do biquini, que em Portugal só no Tamariz se podiam ver as senhoras com esse novo modelos de fato-de-banho e que de todo o País chegavam “turistas” que tinham como único objectivo vir ver as estrangeiras que ousavam gozar o Sol Estorilense com essa diminuta indumentária) implicava a existência de diversos tipos de oferta. 




Depois de elogiar o cosmopolitismo do Estoril, onde as nacionalidades se cruzavam de uma forma que a Europa só nessa altura começava a conhecer, o autor sublinha a grandiosidade e a modernidade dos edifícios Estorilenses, a beleza do seu parque e as arcarias que lhe forneciam um toque de glamour e simultaneamente de conforto que quase as transformava numa extensão das casas das suas gentes, Catharino Cardoso não hesita em considerar a pluralidade da oferta turística Estorilense como a principal base qualificadora do seu posicionamento: “Com hotéis de primeira ordem, tais como o Hotel Palácio Estoril e de todas as classes e com cómodas pensões, os Estoris devido ao seu clima privilegiado em que predominam magníficas temperaturas de Inverno e verão, tão benignas que até permitem que se tomem todo o ano banhos de mar e de sol, clima maravilhoso que dá mais de três mil horas de sol por ano, estão justamente destinadas a um grande e justo futuro entre todas as estâncias portuguesas”. 

E mais à frente, quando descreve os complementos da oferta do Estoril, também sublinha a existência de encantos naturais que se conjugam com os desportos que ali se praticam, referindo o golfe, o ténis e a natação com as áreas com mais interesse.




Os Queques da Linha e as Tias do Estoril



por João Aníbal Henriques

Um dos mais ilustrativos exemplos da forma como as casas e os espaço influenciam de forma concreta as pessoas é o edifício Luís Vergani, situado na Rua de Nice, no Estoril, onde desde há mais de meio século funciona a conhecida e reconhecida Pastelaria Garrett. Tendo ali funcionado originalmente o Hotel Paris, faz parte do conjunto de edificações que serviam de apoio aos Banhos do Viana e que, depois de terem sido substituídos pelas modernas unidades hoteleiras, acabaram por readaptar as suas funções e por manter-se activas no seio da nova dinâmica urbana da povoação.




O prédio, que ainda hoje se encontra figurativamente próximo daquilo que era naquela época, trás consigo as memórias vividas de um tempo em que o Estoril ainda não era elegante e em que surgia sempre relacionado com as enfermidades que buscavam a cura através dos banhos. A ocupação do mesmo pela pastelaria, que desde há muito tempo assumiu o seu carácter de pedra basilar da melhor sociedade Estorilense, centra em si próprio o cerne da História moderna do Estoril. Aos fins-de-semana, logo pela manhã para o pequeno-almoço e ao final da tarde para o chá, a Pastelaria Garrett enche-se de Estorilenses que ali vão para verem e serem vistos, trocando os cumprimentos que tantas vezes condicionam os equilíbrios políticos e sociais da região e mesmo de Portugal. Há muitas décadas atrás, ainda antes do seu bolo-rei ter ganho a fama que faz com que actualmente, na quadra de Natal, seja comum ver na Rua de Nice filas de muitas centenas de metros de gente que pacientemente aguarda a sua vez para adquirir aquela que é considerada como uma das melhores iguarias de Portugal, eram os queques ainda quentes que faziam as delícias de quem andava por lá. Os queques, bonitos e amarelos que saíam dos seus fornos, eram comidos ao pequeno-almoço pelos filhos das melhores famílias do local e que normalmente antecediam a entrada no comboio que os levava ao liceu, ao trabalho ou à empresa situada em Lisboa. Eram, desta forma, os queques da linha, adoptando um designativo que ganhou força social e que passou a descrever também os meninos bem comportados e bem penteados que do Estoril chegavam a Lisboa através da linha do caminho de ferro… Os queques da linha, de bons modos e boas maneiras, são o repositório integral e total da genialidade de Fausto de Figueiredo, conjugando a linha de comboio, as acessibilidades a Lisboa e a própria formulação urbana e especial da estância com a criação de uma sociedade nova e moderna que suportasse o nascimento de um novo Portugal.

Os comportamentos dos “meninos da linha”, apelidados de “queques” pelos que noutras partes da região de Lisboa os viam chegar de comboio sempre aprumados e muito bem-educados, nascem precisamente da capacidade que aquele empreendedor, através da sua Sociedade Estoril Plage, teve de promover os relacionamentos através da conjugação de diversos factores associados ao seu espaço.




Como facilmente se verificará ainda hoje, e que infelizmente a história mais recente de Cascais tão tristemente comprovou, teria sido mais lógico e financeiramente significante que Fausto de Figueiredo urbanizasse o Estoril a partir da linha de comboio e da estação. Os terrenos que reservou para jardins e a largura das avenidas que os abraçam, fechando os relvados numa espécie de espaço particular pensado à semelhança de uma casa ou de um lar de família, poderiam ter sido enchidos com lotes de construção que renderiam muitos milhares de contos a qualquer promotor imobiliário. Mas Fausto de Figueiredo, tal como os seus visionários e sonhadores antecessores haviam ousado fazer no Monte Estoril, teve a capacidade genial se alargar o seu horizonte temporal e de vislumbrar no futuro os frutos da sua planificação no presente. Os jardins do casino e o conforto urbano que ofereciam, associado à proximidade da estação e na facilidade de acessos a Lisboa, promovem a vida ao ar e as caminhadas. Nada mais natural, para os capitalistas ricos que viviam nos lotes urbanos que envolviam o Estoril, do que saírem de casa a pé em direcção à estação. Nas caminhadas matinais que os levavam aos queques da Garrett e depois ao comboio que em pouco mais de vinte e cinco minutos os levava a Lisboa, depressa se foram conhecendo, reconhecendo e estreitando laços de amizade e vizinhança transformando uma povoação completamente nova, construída de raiz para gente sem raízes comuns que pudessem partilhar e que suportassem a criação de vínculos de uma identidade sã, num Estoril onde quase todos são uma família constituída artificialmente pelo promotor, mas sólida nos vínculos que no seu seio vão criando.

Os jardins do casino, confortáveis, elegantes e apetecíveis numa terra onde são raros os dias de chuva e para os quais o frio nunca vem, são o local onde naturalmente passeiam as senhoras e os filhos dos capitalistas que trabalham em Lisboa e que, não trabalhando elas, ali gastam as suas tardes entretendo os filhos e partilhando também elas um queque e um chá na vistosa Pastelaria Garrett. As crianças crescem em conjunto, partilhando diariamente aqueles jardins que sendo públicos quase parecem ser uma extensão da casa deles, e no qual desenvolvem laços onde a filiação conta menos do que as amizades que se vão impondo de forma sã.




Nasce assim um Portugal moderno, atractivo e simpático, onde a cidadania e a identidade surgem bem vincadas e em que os costumes se assumem que devem ser diferentes. As crianças, pulando e rindo em brincadeiras pueris por entre as palmeiras, os tamarindos e as demais espécies exóticas que enchiam o Estoril, vão ouvindo a partilhando as conversas das mães no seu dia-a-dia despreocupado. Nas festas de aniversário, nos jantares de amigos, nos bancos do Colégio João de Deus e mais tarde dos Salesianos, vão consolidando os laços de família e recriando uma nova forma de viver em comunidade. Mas passa pela cabeça a alguém cuspir para o chão ou dizer palavrões dentro da sua própria casa? É evidente que não. E o Estoril, com os seus espaços urbanos excepcionais, é como se fosse a casa de cada um deles, que se vão habituando a um comportamento tendencialmente diferente daquele que caracterizava a juventude noutras zonas de Portugal. E se as mães, em conversas longas ou em torno de um queque e um chá, se vão demorando por ali, partilhando com as crianças o processo natural do seu crescimento e dessa forma criando afinidades, como hão-de-ser chamadas pelos mais novos? Senhoras donas? A gente que está tão próxima? Que é a mãe do meu melhor amigo e que me viu crescer? Aquela senhora que mantém sempre aberta a porta de casa para que a criançada Estorilense por ali se espraie partilhando brincadeiras e o mistério agradável desta vida suave? É evidente que não. Não o sendo em ternos sanguíneos, são-no efectivamente por proximidade afectiva… são as tias do Estoril que, como os meninos da linha, darão fama a uma terra que se constrói através de um processo sociologicamente muito especial e o tornarão num espaço que, visto de fora, é diferente, agradável, sempre certinho e muito bem educado…




E é novamente Ramalho Ortigão, nas mesmas “Praias de Portugal” que atrás citámos que explica como vai ser o Estoril, cerca de cinquenta anos antes de Fausto Figueiredo ter começado a sonhar com uma estância balnear excepcional, e de os meninos da linha, com a sua muito própria de ser e de estar, terem começado a encher os jardins com as suas brincadeiras infantis: “O sindicato de Cascais propõe-se transformar o lindo arrabalde do Estoril, onde junto da praia há uma rica nascente de água termal, em vila de banhos e de águas no moderno tipo elegante de Wiesbaden, de Trouville ou de San Sebastian. (…) Desde que se decidiu para todos os efeitos que isto é um alegre desfazer de feira, que depois de nós pode vir o dilúvio quando for servido, porque a gente vai acabar com o resto que há para perder o mais velozmente que se possa, - desde que esta decisão se tomou por acordo geral e a contento do maior número – o Estoril-les-Bains, tornou-se para nós uma necessidade social. A meia horas de Lisboa, por um caminho-de-ferro de luxo na margem do Tejo, Estoril-les-Bains com o seu grande estabelecimento de banhos, com o seu casino, com as suas salas de ópera e de concertos, com as suas roletas, com os seus pavilhões enigmáticos, com os seus cottages misteriosos, e com os seus camarões permanentes em gabinete reservado, é um imprescindível complemento da civilização que felizmente desfrutamos.”

terça-feira

A Excelência Turística do Estoril





O Estoril, cadinho de memória e de memórias, misturando estórias com a História e sonhos de muitas gentes que por ali ousaram imaginar um local diferente, é largamente superior à coisa física que lhe dá forma e, dessa maneira, obriga a que quem quer que seja que o queira conhecer a perder-se nas emoções e na capacidade de o sentir, pois só dessa forma consegue aproximar o que dele apreende daquilo que ele efectivamente vai sendo. 

Esta premissa, tanto mais importante quanto sabemos que hoje a exigência associada ao turismo pressupõe que se conjuguem as emoções e as memórias com o lazer mais puro e o descanso que noutros tempos se buscava, torna-se numa das mais básicas condições para requalificar o turismo do Estoril, pois é ela que enquadra a oferta tradicional do Sol e do mar num pacote de férias mais amplo que, pelo seu carácter irrepetível, permite ao Estoril assumir-se como destino de excelência no Mundo actual. 


Mensagem de S.A.R., o Senhor Dom Duarte, Duque de Bragança no 1º de Dezembro de 2012




Portugueses:
Estamos a viver mais um 1º de Dezembro, o dia em que se afirmou a vontade de independência nacional e os portugueses disseram “Nós somos livres e o nosso Rei é livre”. Para nós, o 1º de Dezembro aconteceu uma vez e o 1º de Dezembro acontecerá sempre.
Mas hoje, vivemos um 1º de Dezembro diferente.
Cada vez mais portugueses enfrentam a angústia de não saber como cumprir os seus compromissos financeiros, e mesmo como irão pagar as despesas básicas das suas famílias.
A todos eles, quero manifestar a minha solidariedade.
Hoje, atingimos aquele limite em que Portugal tem uma economia em recessão e se esgotou a capacidade do Estado se financiar. Os sucessivos aumentos de impostos já não contribuem significativamente para aumentar a receita do Estado, porque as famílias e as empresas já não conseguem o suficiente para os comportar.
Hoje, tal como em 1640, mas devido à irresponsabilidade de alguns governantes da III República, a nossa política depende da vontade de estrangeiros. A população tem dado provas de grande civismo. Por isso, a todos os que se manifestam de forma cívica em favor de um Portugal mais justo e mais independente, quero manifestar o meu apoio.
Na crise presente, é justo que peçamos contas a quem nos colocou nesta situação de pré-falência e que se tentem recuperar fundos fraudulentamente desviados . Apoio os que pedem a criminalização por actos públicos de gestão danosa.
O princípio do estado de direito democrático é a base da nossa ordem pública. E esse princípio baseia-se na dignidade da pessoa humana e na afirmação de que o cidadão deve estar ao serviço do Estado e o Estado ao serviço da pessoa.
Mas, hoje, existem muitos privilegiados a beneficiar das chamadas “gorduras de Estado”. Muitos fornecimentos, contratações, parcerias público privadas e ajustes directos deveriam ser reavaliados à luz do interesse público, tal como revelado por auditorias do Tribunal de Contas.
Por isso, a todos os que exigem que o Estado respeite o direito, eu digo: a Instituição Real está convosco.
No estado democrático, os partidos políticos têm uma missão essencial a desempenhar. Mas seria útil que as pessoas de boa vontade se unam aqueles partidos que melhor defendam os seus ideais, para que melhor possam servir o País.
No entanto o exercício da cidadania não se limita à actividade partidária.
São, felizmente, muitas as Associações Cívicas que têm mobilizado as boas vontades com acções eficazes de solidariedade e caridade. São fundamentais para um futuro melhor. Deixemo-las trabalhar, em vez de perder tempo com críticas e insultos que nada ajudam a minorar o sofrimento de quem delas precisa.
Por seu lado a Causa Real e as dezenas de associações reunidas na Plataforma Activa da Sociedade Civil, criam sinergias entre milhares de pessoas dedicadas a implementar soluções para os problemas nacionais.
Quero declarar-lhes o meu pleno empenho nas causas que defendem. Não esqueço que, nas redes sociais, muitos defendem a Instituição Real. E lanço um apelo para que passem do virtual ao real, colaborando com a Causa e que mais associações e pessoas se juntem a quem trabalha no campo cívico e humanitário com eficácia e generosidade.
Uma das razões que comprometem o nosso futuro é a baixa natalidade. O Estado português não favorece fiscalmente as famílias que têm filhos, não toma medidas eficazes que ajudem as mães solteiras, não facilita a adopção de crianças.
Perante o já chamado “inverno demográfico” da falta de natalidade, para mim, que acredito no direito à vida, é difícil aceitar que o Estado, com o dinheiro dos nossos impostos, subsidie o “aborto a pedido”.
Após mais de noventa mil “vítimas legais” em Portugal nos últimos cinco anos , é altura de percebermos que a lei actual é insustentável !
“ Uma Nação que mata os seus filhos não tem futuro “ disse a Madre Teresa de Calcutá .
Peço que se lembrem que sem renovação das gerações, o Estado não conseguirá honrar os compromissos financeiros, em particular as reformas de quem descontou para a Segurança Social.
Há muitos anos que venho denunciando o nosso modelo errado de “desenvolvimento sem progresso”, sem uma visão global do futuro.
Por todo o País, tenho encontrado exemplos de pequenos e grandes empresários de sucesso, alguns reconhecidos internacionalmente.
A burocracia estatal e a lentidão da justiça têm provocado graves entraves a quem quer produzir. Temos que exigir mais ao Estado. Mais responsabilidade, mais respeito pelos governados que o sustentam, e, acima de tudo, mais dignidade.
Precisamos urgentemente de um Estado moderno e eficiente, que assegure a nossa soberania e a ordem interna, garantindo a oferta de bens públicos em sectores essenciais e a regulação e estímulo à actividade económica nos restantes, de forma a propiciar o crescimento das empresas e a oferta de emprego, Precisamos de um Estado que seja o primeiro a dar o exemplo, pagando a tempo e horas, bem como assegurando que os investimentos e gastos públicos sejam racionais.
O Estado moderno não se pode substituir ao sector privado na criação de riqueza e não pode ceder à tentação de intervir em tudo.
O Estado social moderno deve dar apoio aos mais desfavorecidos. Quanto menores forem os desperdícios, maior será a proporção da riqueza que chegará a quem precisa.
Para isso, não podemos ter uma sociedade toda subsidiada; não podemos ter um sector empresarial subsídio-dependente.
Como representante e chefe da Casa Real Portuguesa, é esta a reforma de Estado que preconizo. Um Estado que siga e imponha o direito, um Estado que apoie os mais desfavorecidos, um Estado eficaz,, um Estado que fomente o desenvolvimento, um Estado que olhe o futuro, um Estado de e para todos os portugueses.
Se as monarquias democráticas actuais existem e têm um papel fundamental é porque nelas o exemplo vem de cima.
Importa prestar atenção à clara demonstração das nossas verdadeiras capacidades que é dada pelo sucesso que os portugueses obtêm no estrangeiro !
Sem qualquer ajuda do Estado, e no cumprimento dos desígnios da Instituição Real, eu e minha mulher Isabel temo-nos deslocado a países da Europa e da Lusofonia para promover Portugal.
Foi assim no Grão–Ducado do Luxemburgo onde 25% da população activa é portuguesa.

Na Galiza, encontrei um vivo interesse pela língua portuguesa e pelas relações económicas e culturais connosco. A tão interessante e antiga fala de lá também é conhecida como “o português da Galiza”. Em Roma, tivemos ocasião de homenagear personalidades das Casas Reais europeias empenhadas em acções de solidariedade. E nos Estados Unidos convivemos novamente com a dinâmica comunidade portuguesa de Nova Jersey e Nova York.
Tive, ainda, a oportunidade de escutar do Sr. Presidente da República de Cabo Verde, palavras de encorajamento para que a CPLP possa evoluir politicamente no sentido de uma Confederação, ou de uma União, aproximando as nações irmanadas pela língua de Camões.
Encontrei a mesma disposição entre os governantes de vários países da CPLP, incluindo o Brasil.
Cada dia são mais os que perfilham a visão de que, juntos, os países de língua portuguesa podem e devem construir um destino comum que será melhor do que o que actualmente se configura em separado.
Neste 1º de Dezembro, aproxima-se a data em que celebramos o Natal. Não deixemos que esta data seja desvirtuada publicamente por apelos ao consumismo.
Façamos desta data um estímulo à nossa tradição de solidariedade e caridade, apoiando as instituições que organizadamente trabalham nesse sentido, como eu e a minha Família procuramos fazer.
Há mais de um século que a minha Família se encontra impedida de exercer a missão que desempenhou desde que Afonso Henriques foi aclamado “Rex Portugalorum“, Rei dos Portugueses.
No passado 5 de Outubro tive ocasião de me dirigir aos portugueses, celebrando a independência alcançada nesse dia de 1143, com o Tratado de Zamora.
Precisamos de regressar a esse nosso futuro. De agir como sempre soubemos fazer após os desastres do passado: regenerando Portugal mas em bases mais sólidas, aprendendo com os erros cometidos.
Apelo aos portugueses para que se unem e actuem noutro projecto, para um Portugal melhor.
Apelo aos jovens, nomeadamente os que se ausentaram, e a todos, lá como aqui, para que continuem a acreditar em Portugal.
Para essa nova etapa da História, aqui declaro que eu e a minha família estamos disponíveis e dispostos a servir Portugal nos cargos para que os portugueses nos desejarem.
Viva Portugal !

segunda-feira

Espionagem e Contra-Espionagem em Terras do Estoril





Num dia tenebroso em plena Segunda Guerra Mundial, quando pela Europa se morria aos milhares, no Estoril mantinha-se a calidez de outros tempos. 

Dias de sol e mar, onde a Praia do Tamariz se transformava em passarelle para os melhores e mais ousados fatos-de-banho daqueles tempos… fingia-se que a guerra não existia e que toda aquela gente que por ali deambulava não era espiões e contra-espiões; que não tinham sido enviados pelos nazis e pelos aliados para tentarem perceber o que é que por ali se passava. E não se percebia nada. Não se sabia quem pertencia a cada lado e ali, lado a lado no casino, partilhando as moedas que iam enchendo as máquinas da sorte e as bebidas que tal como se tudo fosse uma festa iam rodando, todos fingiam não perceber o que se passava. Nem quando no Hotel Atlântico surgiu hasteada a bandeira Alemã. Todos fingiram não ver esse acto ultrajante e as coisas continuaram como dantes.




Também o escritor Inglês Ian Fleming esteve hospedado no Hotel Palácio. 

Diz-se que também ele era espião ao serviço dos aliados, mas na prática ninguém sabe se ele o era de facto e, sendo, que lado da guerra é que servia. O certo é que ele encontrou no Estoril um cenário improvável de continuado e completo fingimento. Nada era aquilo que parecia ser a folia imperava nos sorrisos permanentes, nos courts de ténis, nas piscinas, no casino, nos átrios dos hotéis e no golfe… como se não fosse nada e não morressem lá fora, logo ali do outro lado da fronteira, milhares de pessoas quotidianamente. E nasceu James Bond. O espião improvável, campeão do glamour e envolto nos enredos que Hollywood se habituou a explorar. 





Mas esse cenário era o dia-a-dia do Estoril. De um Estoril onde tudo era possível e no qual a lógica de outros locais não imperava.