sexta-feira

A República em Cascais (1910-2010) – O Crescimento Real





por: João Aníbal Henriques

Povoada até aí quase exclusivamente por agricultores que ocupavam a sua zona mais interior, e uns poucos pescadores assentes na faixa litoral, a Vila de Cascais assistiu passivamente a uma radical transformação social.

Se a presença no povoado de um pequeno convento da Ordem Carmelita, dedicado a Nossa Senhora da Luz, serviu de incentivo à modernização de algumas das actividades desenvolvidas no sector primário da economia, a extinção das Ordens Religiosas, com toda a problemática que a envolveu, representou o final da única instituição relevante no desenvolvimento social de Cascais. Por esse motivo, quando em 1832 o edifício do convento é vendido em hasta pública, são poucos os interessados em adquiri-lo, sendo que, em pouco mais de cinquenta anos, conheceu um elevado número de proprietários, tendo entrado na posse do Visconde do Gandarinha já após o surto de desenvolvimento encetado pelo Visconde da Luz (6) já no último quartel do Século XIX.

Foi, no entanto, o gosto pelo mar da Princesa Maria Pia de Sabóia, que no dia 5 de Outubro de 1863 chegou a Cascais para desposar o monarca Português Dom Luís I, que contribuiu de sobremaneira para a transformação do espectro social da vila. As suas origens Italianas, da Família Sabóia, misturadas com as reminiscências da Dinastia de Saxe-Coburgo-Gotha, da qual descendia, faziam dela uma das mais espontâneas admiradoras das belezas naturais, as quais cascais possuía em grande abundância…

Um novo ciclo vai dimanar para Cascais destas novidades que, em conjunto com a acção dinamizadora do Visconde da Luz, vão trazer a esta Vila o esplendor da fina-flor da sociedade da época. A chegada da Corte, noticiada pela imprensa no mês de Setembro de 1870 (7), vem marcar para sempre o devir histórico da localidade, que passa assim a usufruir do estatuto de Vila da Corte. Por este motivo, passam a afluir a Cascais em carácter de veraneio ou mesmo em esporádicos passeios dominicais, uma numerosa horda de forasteiros que entregam à povoação Cascalense um movimento que ela nunca sonhara poder vir a conhecer. É neste contexto festivo, rodeado de um fausto difícil de igualar, e em que as grandes famílias Portuguesas lutavam para se impor, que se celebravam constantemente grandes recepções e jantares, aos quais, todo aquele que pretendesse atingir o estatuto de galã social, não se poderia furtar.

Muitas vezes com prejuízo irremediável para o restante do ano, as famílias Lisboetas alugavam as modestas habitações dos pescadores da Vila, onde, de acordo com os relatos da época (8) sobreviviam sem as menores condições de higiene e comodidade, não dispensado, no entanto, a utilização dos melhores serviços de prata que possuíssem nos seus palácios na capital. Num curioso episódio descrito por Dom Tomaz de Mello Breyner, Conde de Mafra, é possível vislumbrar as pitorescas situações a que se podia assistir durante a estação estival Cascalense (9). É enquadrado neste ambiente forjado que se assiste a um progressivo aumento das actividades na Vila que para aqui atrai um cada vez maior número de visitantes.

Os anos que decorrem após 1870 são férteis na actividade de construção, aparecendo diversos chalets e palacetes que garantiam uma maior comodidade aos grandes senhores do Reino. É este o caso das obras de remodelação da Cidadela, para a estada da Família Real, bem como a construção dos Palácios dos Duques de Palmela, a “Casa da Serra” de Andrade Torrezão, e diversos palacetes pertencentes, de entre outros, a António José Marques Leal, Francisco Ribeiro Ferreira, Duques de Loulé, Eduardo Plácido, Marquês da Foz, D. António de Lencastre, Carlos Mantero, Marquês do Faial, D. Nuno d’Almada, Conde de Arnoso, D. António de Avillez, Raul Lino, Jorge O’Neill, Francisco Vilaça e os Condes de Castro Guimarães.

Paralelamente a este esforço modernizativo que obrigou a uma radical transformação da paisagem urbana do burgo, ocorreu a acção social da Duquesa de Palmela que, mercê da sua abastada posição económica, provocou uma renhida concorrência com a Rainha, promovendo recepções e jantares a um ritmo alucinante, para os quais eram convidados os maiores e mais importantes fidalgos do País. O Palácio Real da Cidadela, para além de não possuir o fausto do da Duquesa de Palmela, sofria com a depauperada situação financeira da Rainha Dona Maria Pia, que se via obrigada a grandes esforços para manter o seu esplendoroso nível de vida.

(6) A respeito da via no Convento de Nossa Senhora da Piedade e do complexo processo de que foi alvo e definiu as inúmeras modificações acontecidas no final do Século XIX ver: MENDES, Fernando Viana, “Escavações Arqueológicas Mostram Quatro Séculos de História”, Jornal A Zona, 12.02.1993; TEIXEIRA, Carlos A., “Escavações Arqueológicas em Cascais Desvendam Quatro Séculos de História”, Jornal da Costa do Sol, 13.02.1992; HENRIQUES, João Aníbal, “O Estado da Cultura ou a Cultura do Estado”, Jornal Tribuna Regional, Janeiro de 1993; BARAONA, Joaquim, “As Casa da Gandarinha em Cascais: Tudo Concertado Antes do Final do Ano”, Jornal Tribuna Regional, Setembro de 1993; TEOTÓNIO PEREIRA, Inês, “Sem Piedade”, Jornal O Independente, 15.10.1993; HENRIQUES, João Aníbal, “As Casas da Gandarinha em Cascais – A Hora da Mudança”, Jornal da Costa do Sol, 28.10.1993; HENRIQUES, João Aníbal, “Casas Abandonadas de Cascais: As Casas da Gandarinha e o Convento de Nossa Senhora da Piedade”, Jornal Tribuna Regional, Outubro de 1993; HENRIQUES, João Aníbal, “Convento de Nossa Senhora da Piedade – 400 Anos de História”, Jornal da Costa do Sol, 17.03.1994; HENRIQUES, João Aníbal, “História Rural Cascalense”, Cascais, Junta de Freguesia de Cascais, 1997.
(7) Jornal do Comércio, Domingo, 15 de Setembro de 1870: “Cascais – Os bons e pacíficos cidadãos de Cascais fizeram esplêndida recepção a El-Rei e à Rainha, que para fazerem uso de banhos no mar, chegaram àquela Vila às seis e um quarto da tarde do dia 12. Desde o princípio da Vila até à Cidadela, as janelas estavam enfeitadas com bandejas, globos de vidro, e vistosas colchas de damasco. As ruas encontravam-se cobertas de areia e de buxo”.
(8) Diário de Notícias, 28 de Agosto de 1871.
(9) “A Madame Dupias vinha a Cascais de visita a uma amiga doente, moradora numa rua estreita, pobre, suja e calçada com pedregulhos, encontrou uma titular das suas relações saindo de uma habitação modestíssima e preparando-se para entrar num coupé bonito, puxado por bela e bem arreada parelha, com um cocheiro bem fardado e um trintanário bem posto de chapéu na mau, abrindo a portinhola. Esta senhora em Lisboa vivia numa casa magnífica”.

A República em Cascais (1910-2010) – Modernização e Prosperidade no Final do Século XIX





por: João Aníbal Henriques

Paralelamente ao grande desenvolvimento social da Vila, um complexo sistema de alterações económicas vem gradualmente contribuir para modificações profundas no nível de vida da sua população.

Se o sector da construção constituiria na época uma das mais rendosas actividades profissionais, mercê do elevado número de construções e melhoramentos introduzidos na Vila (10), os serviços de apoios ao cada vez mais elevado número de habitantes e visitantes iam crescendo também. Par fazer face ao crescimento exponencial da procura, abrem na Vila de Cascais diversas padarias e fábricas de pão, que importavam o trigo e farinha necessários aos produtores instalados no vizinho Concelho de Oeiras (11).

Como complemento a esta actividade de panificação, e de acordo com a anterior tradição do Concelho, implementaram-se diversas fábricas de tratamento e conserva de peixe, que serviam de base à dieta alimentar dos veraneantes e que perduraram activas até à década de sessenta do Século seguinte (12). A actividade hortícola, até aí promovida basicamente pelos “saloios” da Várzea de Sintra, conhece também um importante crescimento nas regiões interiores do próprio Concelho, notando-se nesta época um crescimento significativo nas povoações de Alcabideche, Adroana, Manique, São Domingos de Rana, Malveira-da-Serra, de entre outras, que exportavam as suas produções para o núcleo principal do Concelho onde já desde a década de 80 do Século XIX existia um importante mercado para comercialização de produtos agrícolas.

Acompanhando este surto de desenvolvimento económico, e em linha com o que acontecia nas principais estâncias balneares Europeias, os jornais da época publicitavam cada vez mais as actividades desenvolvidas na Vila de Cascais. Em 1870, no dia 24 de Julho, o Diário de Notícias anuncia o aluguer de uma moradia em Cascais, bem como uma viagem de recreio no vapor “Lusitano” entre Lisboa e a Vila. Facto curioso nessa notícia é o de, em relação ao preço do bilhete, que ele seria o mesmo do costume, o que deixa antever a grande procura de que seria alvo esse meio de transporte.

Em 13 de Agosto de 1871, na sua folha oficial, o mesmo Diário de Notícias publicava um decreto com a concessão do caminho-de-ferro do sistema americano ao Duque de Saldanha, na Estrada Real nº 67, de Lisboa a Cascais, e no dia 28 de Setembro do mesmo ano é anunciada a inauguração da luz eléctrica.

Do ponto de vista cultural, representou um momento áureo da vida na Vila de Cascais a realização no Concelho do Congresso Internacional de Arqueologia, em 1880, que para aqui trouxe centenas de congressistas oriundos de diversas partes do Mundo. Assim, durante um breve mas significativo dia, os grandes nomes da arqueologia mundial tiveram a oportunidade de visitar os monumentos Pré-Históricos da Vila de Cascais, terminando o seu passeio, já bastante tarde, num baile de gala oferecido pela Rainha.

Enquadrado no esforço do Visconde da Luz em modernizar a Vila, e com a autoria de Manuel Rodrigues de Lima, construiu-se em 1869 uma sala de espectáculos em Cascais. Pelo Teatro Gil Vicente, que recebeu recentemente obras avultadas de remodelação (15) passaram os grandes nomes do espectáculo do Século XIX, como Mercedes Blasco, Laura Ferreira, Pedro Cabral, Pereira da Silva, Beatriz Rente, Rodrigo Berquó , Dom Fernando Atalaia, D. Belmira Lima, etc.

Ao contrário do que se poderia pensar, a morte de Dom Luís I, grande impulsionador da vida em Cascais, ocorrida em 1889, não representou o fim da época de esplendor. O próprio cortejo fúnebre do Rei, maravilhosamente descrito por Ramalho Ortigão nas suas “Farpas” (16), representou um dos acontecimentos sociais mais marcantes do final do Século, tendo sido acompanhado de perto por todos os grandes nomes da aristocracia Nacional.

Após a subida ao trono de Dom Carlos I, que continuou a escolher Cascais como a sua praia de banhos, e no próprio ano da morte do rei Popular, é inaugurado o transporte ferroviário para Lisboa (17). A continuidade na utilização das praias da linha como pontos fundamentais da vida social de então, marcaram decisivamente a política daquela época. No “António Maria” de 29 de Setembro de 1881 (18), esboça Bordalo Pinheiro a sua primeira nota relativamente a esta extraordinária Praia da Corte. Por esta altura era o Teatro Gil Vicente palco de inúmeras actuações, durante o dia com “matinés” infantis que serviam para entreter as crianças e as suas “nannys” enquanto os pais passeavam descontraidamente pelo Passeio Marítimo, e à noite com grandiosas actuações de música ligeira, ópera e teatro. No Jornal “GilBrás” de dia 28 de Outubro de 1899, são-nos anunciadas duas grandiosas e opulentas festas de caridade que decorreram no Teatro Gil Vicente (19).

Paralelamente, era inaugurada em Cascais uma Real Praça de Toiros, onde lidaram alguns dos melhores toureiros da época. D. António Vasco de Mello, como cavaleiro, e José Martinho Alves do Rio, como farpeador, deram assim início a uma tradição tauromáquica arreigada que se estendeu quase até à actualidade e à qual desde logo se juntou o próprio Rei Dom Carlos I. Desde essa altura, muitas foram as touradas importantes realizadas em Cascais, sendo naturais desta Vila os senhores Dom Francisco de Avillez, Alberto O’Neill, Simão da Veiga, João da Veiga, Affonso Villar, Zêa Bermudez e Estêvão Vanzeller, responsáveis pela implantação da tauromaquia como grande espectáculo artístico Nacional.

A primeira exposição fotográfica que se realizou no nosso País, e que contou com a participação de artistas como Frederico Pinto Basto, Ennes Ulrich, Francisco de Herédia e o próprio Visconde da Luz, teve lugar em Cascais no dia 13 de Outubro de 1898. Foi este evento noticiado como grande acontecimento pelo Diário de Notícias (26) que mudou radicalmente o conceito nacional relativamente à fotografia, que passou a ser vista como uma arte equiparada à pintura e à escultura, e não como uma mera actividade figurativa.

Todas estas transformações, que aconteceram durante o período compreendido entre a chegada do Visconde da Luz e o final do reinado de Dom Carlos I, tiveram profundas consequências na Vila de Cascais e nas suas gentes. Se até aí produziam essencialmente para se auto-abastecerem, sendo a exportação para a Capital um fenómeno isolado e pouco digno de nota, a chegada da Corte marcou um definitivo ponto de viragem. A criação de postos de trabalho, que inicialmente acontecia somente durante o período estival, não tardou a alargar-se ao restante tempo do ano, à medida em que a aristocracia Lisboeta aqui ia investindo a sua riqueza, sobretudo construindo casas que lhes permitiam usufruir dos banhos e da companhia Real com mais conforto e comodidade. O apoio dado directamente por Dom Carlos I aos grupos recreativos, culturais e desportivos incentivo à criação de raízes sólidas neste local.

Paulatinamente, os que inicialmente só vinham para Cascais passar curtos períodos, começaram a instalar-se definitivamente, promovendo uma autêntica revolução no tecido social da antiga vila de pescadores.

Fácil de torna perceber, desta maneira, a forma hospitaleira e a efectiva alegria com a qual os Cascalenses receberam os seus novos e ilustres moradores, bem como a harmonia social e cultural que se recriou a partir desse momento. A chegada da Corte a Cascais, e a relação íntima de Cascais com o regime Monárquico, acabou por constranger em definitivo a implementação na Vila das medidas revolucionários que os partidários do 5 de Outubro aqui quiseram promover.

(10) Ver Nota (5)
(11) MIRANDA, Jorge, “Tecnologia Tradicional e Sistemas de Moagem em Oeiras”, in Actas dos Encontros de História Local, Oeiras, câmara Municipal de Oeiras, 1992.
(12) GOES, Maria das Dores, “A Real Fábrica de Lanifícios de Cascais”, Cascais, Câmara Municipal de Cascais, 1964
(13) Diário de Notícias, 28 de Setembro de 1898, “deve ser iluminada a Cidadela de Cascais para marcar a data de aniversário do Princípe Real Dom Luís Filipe”
(14) Ver Nota (3)
(15) Jornal da Costa do Sol, Fevereiro de 1994
(16) ORTIGÃO, Ramalho, “As Farpas”, Pag. 291
(17) Jornal O Aldense
(18) GilBrás, 28 de Outubro de 1899
(19) Diário de Notícias, 14 de Outubro de 1898

A República em Cascais (1910-2010) – A Vila da Corte no Processo Revolucionário






por João Aníbal Henriques

A criação de muitos postos de trabalho, e o incentivo dado à criação e posterior promoção do sector produtivo Cascalense durante os reinados de Dom Luís I e Dom Carlos I, foram os principais factores que estiveram na base da modernização e ao rejuvenescimento social e cultural da Vila de Cascais.

Finalmente, após mais de quinhentos anos de História, Cascais sai do marasmo em que se encontrava, assistindo ao progressivo enriquecimento do seu povo. Pela primeira vez na História de Cascais, os naturais possuem as condições necessárias para se poderem desenvolver, incrementando as suas tradicionais ocupações, como a agricultura, as pescas e as indústrias conserveiras, e intentando novos investimentos em áreas de negócios mais rentáveis.

Com um quadro político desta natureza, e com a criação de extraordinários (e pouco usuais para a época) jardins e espaços públicos (o Jardim Visconde da Luz e a Parada são exemplos emblemáticos desta situação), paralelamente ao apoio que é dado aos corpos de salvamento de actividades marítimas, e a criação de novos arruamentos e meios de transporte, fácil será perceber as inúmeras dificuldades sentidas pelos propagandistas republicanos para poderem disseminar por aqui as suas ideias (21).

Segundo nos relata Ferreira de Andrade (22), o dia 1 de Fevereiro de 1908 representou o fim trágico do período de esplendor e crescimento da Vila de Cascais: “Não mais se animaram nessas tardes festivas dos últimos dias de Setembro os passeios e as praças da povoação. Um silêncio tétrico, pressago, pairava sobre a Vila. Dona Maria Pia continuava veraneando na sua vivenda no Mont’Estoril. D. Manuel II e sua mãe raras vezes se deslocavam à Cidadela (…)”.

O primeiro sinal de uma prática republicana em Cascais é-nos relatado pelo Professor Marques Guedes (23): “Um iniciado da Carbonária, que ameaçara denunciar alguns cúmplices num roubo de cartuchame, apareceu morto no fundo a alterosa falésia contra a qual as vagas se arrojavam em fúria em dias de temporal. Apresentava vestígios de para lá ter sido arremessado”.

Como vinha acontecendo desde a chegada a Cascais do Rei Dom Luís I, no já longínquo ano de 1870, as festas locais começaram a preparar-se no dia 2 de Outubro de 1910. Corridas de Toiros, torneios de tiro aos pombos e outras actividades festivas que acompanhavam as tradicionais regatas, encontravam-se em fase final de preparação quando chegaram a Cascais as primeiras notícias relativas aos motins ocorridos em Lisboa.

Acerca deste período, primorosamente descrito pelo Marquês do Lavradio nas suas “Memórias”, poucas informações existem para além de alguns apontamentos dispersos publicados no jornal “O Século”.

As diversas incongruências e incompatibilidades relatadas nessas notas de imprensa, demonstram de sobremaneira a imensa confusão que grassava no Reino e também na Vila de Cascais. Em nota publicada no dia 7 de Outubro, “O Século” afirma que desde que se iniciaram os tumultos em Lisboa que Cascais vive ansiosamente sempre à espera de notícias que rareavam na localidade. Não funcionando já os comboios, Dom Afonso, tio do Rei Dom Manuel II, percorreu por diversas vezes a Vila em automóvel, não parando nem sequer durante a noite. Em relação ao povo, o mesmo jornal afirma que se manteve cordato, não havendo conflitos, muito embora centenas de homens de Cascais e das proximidades se mantivessem armados e aguardando ordens. No seguimento desta informação, o jornal “O Século” afirma ainda que de manhã, quando Dom Afonso embarca no Yate Amélia, se despediu da Vila chorando, e dizendo que levava o bom povo de Cascais no coração. Entretanto, na Vila, aguardava-se com ansiedade o resultado da revolução. Quando às nove horas da manhã chegou a notícia da proclamação da república, Dom Fernando de Castelo-branco, administrador do Concelho, pede de imediato a sua demissão.

No Diário de Notícias do dia 6 de Outubro de 1910, pode ler-se que José João Diniz, acompanhado pelas Filarmónicas da Parede e de Carcavelos, só nessa tarde conseguiu chegar a Cascais, percorrendo no meio do maior entusiasmo as ruas da Vila, e tomando posse do cargo de administrador provisório do Concelho, nomeado por ordem do governo provisório.

Seguindo o exemplo do que havia acontecido em Lisboa, nessa mesma tarde, aqueles que na véspera haviam aclamado Dom Manuel II e acompanhado a figura simpática do Infante Dom Afonso, assistem com emoção ao içar da bandeira bicolor da revolução triunfante, desaparecendo num ápice a popularidade que até aí granjeava a Família Real.

(21) Ver Diário de Notícias de 29.09.1904; 21.09.1904; 01.10.1908; Jornal O Dia de 02.08.1904; Ilustração Portuguesa de 03.10.1904
(22) Ver Nota (3)

A República em Cascais (1910-2010) – Consequências da Revolução Republicana





por: João Aníbal Henriques


Tal como vimos anteriormente, parece ter sido pacífica a intervenção dos Cascalenses na mudança do sistema governativo e na implantação da república. Se nos detivermos nas notícias publicadas pelos jornais “Diário de Notícias” e “O Século”, a massa popular ter-se-á mantido pacatamente armada, esperando notícias da revolta Lisboeta. No entanto, para além de não nos referirem a origem sócio-cultural da gente que mencionam, tão pouco nos informam sobre a sua origem geográfica. Seriam Cascalenses ou habitantes que vieram para a Vila oriundos de outros locais?

O facto de “O Século”, na sua edição de dia 07 de Outubro, ter relatado a forma fácil como o Infante Dom Afonso terá percorrido as ruas da Vila, quem sabe tentando suster a vaga revolucionária que o Rei Dom Manuel II, seu sobrinho, não tinha a capacidade de deter, demonstra-nos a fraca iniciativa e apoio do povo de Cascais que, para além de não deter o Infante nas suas manobras, continua a acompanhá-lo sempre ao longo das suas deambulações e está com ele até ao embarque final.

Nessa altura, quando ele entra no Yate Real Amélia, e em contradição com as notícias sobre as expectativas que pairariam sobre o povo de Cascais, o mesmo jornal refere a mágoa com a qual o Infante entra no barco e se despede dos seus amigos de Cascais que leva consigo no coração. Já no “Diário de Notícias”, o relato da demissão de Dom Fernando Castelo-branco do seu cargo de Administrador Concelhio é seguida da descrição do longo passeio deste pela Vila antes de a abandonar, na companhia do Infante, não tendo nesse percurso sido admoestado por quaisquer acções populares.

Nas “Memórias” do Marquês do Lavradio, veraneante de Cascais e amigo íntimo do Rei Dom Carlos I, o mesmo nos fornece informações contraditórias relativamente aos relatos publicados nos jornais. Dever-se-á isto à natural dificuldade de comunicações, próprias de qualquer processo revolucionário, ou à natureza manobrante dos órgãos de comunicação social afectos ao novo regime?

Provado parece, agora que se passaram já cem anos desde a revolução de Outubro de 1910, que as guarnições armadas sitiadas na Fortaleza de Nossa Senhora da Luz, acompanharam as mudanças políticas revolucionárias. A guarnição de infantaria da Cidadela, segundo informações do Jornal “O Século”, estaria ausente quando lá chegou o Infante Dom Afonso, na madrugada do dia 5 de Outubro, acompanhado por vários populares que o pretendiam defender. Acerca deste regimento, no entanto, não existem mais notícias, pressupondo-se que estaria em Lisboa apoiando o esforço revolucionário.

Em relação às populações dos arredores da Vila, para além daquelas marcadamente rurais, situadas na zona Norte e Poente, parece também provado o apoio e o conluio que deram à revolução as populações da Parede, Carcavelos e São Domingos de Rana. Para esse facto terá contribuído o isolamento destes locais em relação ao pólo central da Vila, não usufruindo directamente dos benefícios que resultaram da instalação da Corte nem das regalias comerciais que enriqueceram os muitos pequenos produtores agrícolas e hortícolas que exportavam para Cascais o produto do seu trabalho.

A inauguração da linha-férrea, bem como o enorme afluxo populacional que ela trouxe a essas zonas do Concelho, no princípio do Século XX como hoje, contribuiu para a sua descaracterização e para o acentuar das assimetrias sócio-económicas relativamente às zonas desenvolvidas e cosmopolitas do espaço onde estava a Corte. Para juntar a tudo isto, essas zonas tinham vindo a ser alvo de diversos problemas de índole político-administrativo tendo, sucessivamente, feito parte de diversas reformas municipais (24) que as afastaram do interesse dos responsáveis pelo poder local.

Ainda não devidamente estudada, mas decerto repleta de interesse político, está a proliferação de associações civis de carácter local em todas estas povoações do interior. O afastamento a que tinham sido votadas, terão sido os factores essenciais no aparecimento de diversas associações, clubes e grupos locais, que terão servido de base à propaganda revolucionária republicana e que aí terá encontrado a abertura cultural essencial ao desenvolvimento dos novos ideais. É este o caso de instituições como a Associação de Educação Popular do Zambujal, Grupo de Alentejanos Residentes em Tires, Grupo de Instrução Popular da Amoreira, Grupo Sportivo de Carcavelos, Sociedade de Educação Social de São João do Estoril, que terão sido fundados como forma de fazer frente às necessidades culturais, recreativas e educativas das populações do interior.

As associações similares do litoral, pelo contrário, possuem características bastante diferentes, servindo essencialmente para fazer frente às necessidades práticas do dia-a-dia. É este o caso das associações e grupos cénicos dos bombeiros, do Clube Naval de Cascais, do Grupo de Salvamento Marítimo, do Sporting Clube de Cascais, etc.

quarta-feira

As Joaninhas da Paulinha: Os Sabores da História de Cascais





É um esforço titânico de recuperação das memórias mais ancestrais da gastronomia Cascalense, aquele que está a ser feito por Paula Brito Nunes, proprietária do “Restaurante Paulinha” em Cascais.

Perdida no meio das memórias mais antigas desta localidade excepcional, onde as estórias pessoais das senhoras velhinhas se cruzam com os restos das indicações das mais conceituadas cozinhas locais, encontrou a receita ancestral das “Joaninhas de Cascais”.

Longas e em cor amarelada, contrariando a ideia do corpo redondo e encarnado com pintas pretas do insecto simpático que usa o mesmo nome, as “Joaninhas de Cascais” são uma iguaria preparada a partir de amêndoa granulada, ovos e açúcar que não deixa ninguém indiferente.

A aposta na doçaria histórica de Cascais, num projecto mais vasto que procura recriar as memórias antigas de Cascais a partir dos ingredientes, das técnicas e dos sabores que deliciaram os nossos avós, representa um importante contributo para a recuperação da identidade municipal, fomentando as memórias que se associam às emoções da experiência de qualquer coisa verdadeiramente excepcional.

As “Joaninhas de Cascais” estão disponíveis no Restaurante Paulinha, situado na Rua Alexandre Herculano, nº 72, mesmo no centro de Cascais. O telefone de contacto é o 214865932.




sexta-feira

O Peso de uma Missa: Pormenores de Fé na Renovada Paróquia de Cascais





Numa época em que a degradação de princípios e valores se tornou num hábito, e em que o ter se impõe ao ser, são raros mas fundamentais os pequenos gestos, os projectos mais singelos e as ideias que incentivam a comunidade a sentir e a conhecer os mais arreigados princípios que a compõem.

E é isto mesmo que tem vindo a acontecer na Paróquia de Nossa Senhora da Assunção, em Cascais, desde a chegada do novo Prior. Desde que o Padre Nuno Coelho assumiu os destinos da Paróquia Cascalense, muitas têm sido as inovações e os projectos desenvolvidos, denotando uma pouco usual dedicação e um empenhamento único em prol da comunidade e das diversas instituições que trabalham na Vila.

Os resultados, já bem evidentes no quotidiano da Paróquia, passam por uma redobrada dinâmica comunitária em torno da Igreja e pelo aumento exponencial do número de fiéis que assistem à Missa e que dessa forma usufruem de um alimento espiritual que os fortalece no seu dia-a-dia.

Mas, mais importante ainda, tem sido a forma como o Padre Nuno tem conseguido chegar aos mais novos. Como não acontecia há já muitos anos, crianças e jovens acorrem à Igreja, encontrando ali a atenção, o carinho e o suporte existencial que lhes confere segurança nas decisões que os encaminharão no devir da vida.

Depois de um mês de Maio pleno de Baptismos e de Primeiras Comunhões, a Paróquia tomou a iniciativa de distribuir junto das crianças o livro "O Peso de uma Missa", da autoria de Josephine Nobisso e Katalín Szegedi.

Podiam tê-lo feito de forma simples, entregando a cada criança um exemplar do conto, o que já de si teria sido obra de extraordinário mérito; podiam tê-los enviado às catequistas que os entregariam posteriormente aos seus alunos, e isso seria motivo de aplauso…

Mas nada disso aconteceu. Foi o próprio Padre Nuno Coelho que, com dedicação extrema, assinou e dedicou cada exemplar, e se dirigiu à comunidade educativa para os entregar pessoalmente a cada criança.

Parece coisa simples e pouco significante. Mas não é. Ao proceder dessa forma, o Padre Nuno Coelho garantiu que para cada criança a Primeira Comunhão ficará para sempre associada a uma emoção e a uma memória. Garante ainda que recordarão até ao final dos seus dias a imagem do Pároco Cascalense, humilde no seu contacto com os Paroquianos. Assegura, o que é mais importante ainda, que o significado mais profundo daquele Sacramento perdurará para sempre no plano mais íntimo das almas deles…

A cada uma das crianças de Cascais o Padre Nuno dirigiu um “até já”… um “vemo-nos no Domingo”… num apelo de coração que não deixou ninguém indiferente…

Cascais precisava disto há já muito tempo!...





quarta-feira

Cascais Pur02 Inaugura Parque Urbano da Ribeira dos Mochos





Numa iniciativa conjunta da Câmara Municipal de Cascais e das suas agências municipais Cascais Natura, EMAC, Cascais Atlântico e Cascais Energia, foi totalmente requalificado e remodelado o Vale da Ribeira dos Mochos, entre o Bairro do Rosário e Cascais, transformando uma área de cerca de 41 mil metros quadrados num local de expressiva beleza e qualidade ambiental.

Envolvendo uma importante linha de água - a Ribeira dos Mochos - o novo parque urbano será inaugurado no próximo dia 05 de Junho no âmbito de mais uma edição do Cascais Pur02, a grande festa do ambiente do Concelho, dotando a região Poente de Cascais de um equipamento de referência em termos da promoção ecológica e da biodiversidade.

Incluindo um parque de merendas, um parque infantil, uma pista de aventura e uma pista ecológica, o Parque Urbano da Ribeira dos Mochos vai ser um dos pilares fundamentais na requalificação ambiental de Cascais e um importante contributo para o fomento da qualidade de vida dos Cascalenses.

A bem de Cascais!





sexta-feira

Monte Estoril - Uma Estória da História de Cascais






Situada estratégicamente junto ao litoral cascalense, a povoação do Monte Estoril é certamente um dos locais que merece um maior cuidado de observação e análise. A sua importância, mais do que pelo enorme e valioso espólio arquitectónico e cultural que possui, vem-lhe da sua situação actual, misto de um cenário abandonado e destruído, onde a podridão, em conjunto com a actual putrefacta acção do Homem, tem vindo a promover o desenvolvimento de um caótico centro de consumo e distribuição de estupefacientes.

A situação actual do Monte Estoril, agravada por um desconhecimento paulatino relativamente às suas origens, é assim de perfeito desentendimento histórico, sociológico, cultural ou mesmo comercial, uma vez que, neste outrora rico e característico interstício da nossa linha de costa, é possível encontrar uma incompreensível mistura de novas edificações, inseridas numa arquitectura moderna e incaracterística, com velhos e esplenderosos edifícios de finais do século passado, excelentemente bam conservados e mantidos e que, por seu turno, possuem nas vizinhamças semi-destruídos restos do Monte Estoril de outrora, com as suas paredes enventradas e de onde se pode observar as muitas seringas e demais apetrechos que ali são deixados para as noites seguintes de prazer. Os interesses de todos aqueles que por ali habitam ou simplesmente passam, estão assim em confronto permanente, tornando também este espaço, outrora conhecido pela sua vivência comunitária, num sítio sem memória, sem passado, sem presente e sem perspectivas de futuro.

Para abordar de forma congruente o Monte Estoril de hoje, após vários períodos mais ou menos prolongados de incúria e destruição exacerbada, interessa fundamentar as observações que pretendemos em três perspectivas diferentes, afinal de contas as únicas que o tornaram naquilo que hoje representa: o local; a história; e as suas gentes.

Em primeiro lugar, este sítio é o resultado de um processo recíproco de interacção entre o Homem, o meio e a história que, em conjunto, fundaram uma povoação em que o caos aparente se transforma em harmonia, e em que o sentido inerente à sua disposição, embora dixando transparecer o êxito das acçãoes que ali foram levadas a efeito, depressa se transforma em acaso e insucesso, factores onde assenta, com raízes profundas o sucesso de outrora.



O Monte Estoril é, acima de tudo, uma mistura quase incompreensível de um cosmopolitismo lusitano com um aparente portuguesismo estrangeirado, conjugados com uma acção de reciprocidade aparentemente caótica, mas que mais não é do que o cume da montanha do paradoxo. Contradição, paradoxo e acaso são assim as principais formas que orientaram a criação deste outrora considerado “paraíso terrestre”, incompreensível à mente humana da actualidade sempre muito sujeita às pressões quotidianas da vida moderna, mas plena de sentido quando observada pelos eternos românticos do fim do século XIX. O sentido do Monte Estoril, bem presente em todos aqueles que daqui se consideram, muito embora possam ter nascido no ponto mais nórdico da Europa ou no extremo sul da Oceania, está assim patente e escondido; patente para quem o não procurar, perdendo-se no seio das ruelas ladeadas de jardins; e escondido, de todos os olhares atentos que por ali procurem observar algo de mais vigoroso e rico.

Torna-se assim difícil, perante esta pequena introdução, mencionar aquilo que foi, que é e que poderia vir a ser o Monte Estoril, uma vez que não existe um só, mas muitos, de acordo com a perspectiva de quem o observa. Tal como Cascais e as pequenas aldeias saloias que compõem o seu concelho, este pequeno aglomerado populacional vale por aquilo que representa, um símbolo da Portugalidade e uma ideia de algo que consegue existir para além de tudo aquilo que o Homem possa imaginar.

Dizia em tempos que já lá vão o sábio Santo Agostinho (1), que o tempo já não existe. O passado, segundo o próprio, não o podemos observar pois já passou, tendo deixado de existir; o futuro, ainda não veio, pelo que não existe também; e o presente pela fugacidade que o caracteriza, ainda não é presente quando nele pensamos porque ainda não veio, e já é passado quando esse momento passa, não podendo assim existir também. O mesmo se passa com o Monte Estoril, patente na mente de quem o imaginou, mas diferente daqueles que o programaram. O Monte Estoril é assim algo que não existe, existindo eternamente, fruto do pensamento dos Homens, da vontade dos Deuses, e adaptado aquilo que cada um dele espera.

A recuperação do Monte Estoril, mais do que um exercício de reordenamento urbanístico, tal como se fará noutras aldeolas do concelho de Cascais, é sobretudo a requalificação da conjugação daqueles três factores: o local, a sua história, e as suas gentes. A programada substituição da população Monte Estorilense por escritórios e serviços, tal como foi defenido no Plano Director Municipal de Cascais, é retirar deste espaço grande parte da sua marginalidade, mas é também retirar deste espaço priviligiado uma vivência característica e sã, que sempre norteou a actuação das populações que aqui habitaram. Se, pela mesma razão, se efectivarem estas ideias expressas pela edilidade cascalense, mais um passo terá sido dado para acabar com tudo aquilo que historicamente representa Cascais.

Se tal assunto, numa primeira análise, parece não interessar muito para o desenvolvimento harmonioso da Área Metropolitana de Lisboa e do próprio País, imaginemos a actuação análoga de muitas outras cãmaras municipais, sem qualquer espécie de representatividade efectiva, transformando Portugal num espaço turístico sem qualquer espécie de atractivo, e de onde estão ausentes todas as características da Portugalidade.

O Monte estoril de outros tempos oferecia o sol e o mar, conjugando tais factores com a beleza da sua paisagem e com o resplandecente movimento social que apresentava. O Monte Estoril de hoje não pode oferecer o seu sol que, como sabemos, está estragado pelas consequências nocivas de muitas décadas de utilização de aerossóis sobre a camada de ozono; o Monte Estoril de hoje não pode oferecer a praia, pois as águas do seu mar estão poluídas e mal-cheirosas, fruto de muitos anos de caos urbanístico e de uma construção desregrada que continua a aumentar; o Monte Estoril de hoje não pode apresentar a paisagem como atractivo principal, pois o abandono em que se encontra, fruto da especulação imobiliária e da incúria de muitos anos, o transformaram num subúrbio descaracterizado e perigoso da vila de Cascais; e por fim, e se calhar é esta a perincipal doença que apresenta, o Monte Estoril de hoje não pode já apregoar a cordialidade e simpatia que carcterizava os seus habitantes, pois muitos já faleceram e, aqueles que ainda ali habitam, têm de se precaver contra a incerteza de encontros fortuitos e maléficos com personagens altamente marginais que por ali deambulam.

Vamos criar um Monte Estoril novo mas velho ao mesmo tempo! Vamos contribuir para a recriação de Cascais e de Portugal! Vamos ser, ao mesmo tempo, membros e interventores na governação deste concelho, deixando administrar aqueles que verdadeiramente sejam cascalenses e portugueses, venham eles de onde vierem!...



Para o Paraíso Natural do Monte Estoril...

As abordagens que têm sido levadas a efeito sobre o Monte Estoril, sejam elas de cariz turístico, cultural ou mesmo social, possuem até hoje um elemento comum: o facto de assentarem, em exclusivo, sobre a dicotomia entre o património edificado e as pessoas que ali desenvolveram as suas actividades.

De facto, se atendermos ao Monte estoril de hoje, depressa nos aperceberemos de que essa relação recíproca entre as edificações e as pessoas que as utilizaram são a peça-chave para a compreensão daquilo que foi esta pequena povoação, outrora connhecida como a Côte d' Azur Portuguesa. No entanto, e porque de uma perspectiva geral pretendemos tratar, difícil seria deixar de abordar a temática directamente relacionada com o meio envolvente que, como se usa hoje dizer, diz respeito a todos, cabendo a todos um papel único na sua salvaguarda.

O meio ambiente do Monte estoril, pelo menos aquele que hoje encontramos, nada tem a ver com o outro que foi encontrado por José Jorge de Andrade Torresão, o primeiro dos grandes construtores dos chalés de veraneio do Monte. Segundo Branca Gontha Colaço e Maria Archer (2), numa das mais sentidas obras escritas sobre os concelhos de Cascais e Oeiras, e que, à laia de permeioaconselhamos vivamente a leitura e a reflexão sobre os assuntos focados, revelam ter sido o território actualmente ocupado pela povoação em questão, completamente deserto, apenas ornado de vastas manchas verdes de pinheiros que, inclusivamente, acabaram por influenciar a própria toponímia antiga do sítio, que se chamou, durante muitos anos, simplesmente Pinhal da Andreza: «Solidão absoluta. Nem casa nem choupana, Pã vagueava no seu domínio como um verdadeiro deus. Não se ouvia balido de ovelha nem flauta de pastor. O mar inundava, com seu canto majestoso, a solidão magnífica. Os pinheirais gemiam em uníssono as saudades dos temporais».



Estudar o Monte Estoril de hoje, pensando demoradamente sobre a razão de ser dos diversos chalés de diferentes características inexplicavelmente salpicando as antigas matas de pinheirais e ocupando progressivamente as apetecíveis colinas, é sobretudo um esforço de reconstituição daquilo que foi este mesmo território antes de possuir as actuais edificações. Como tal, qualquer estudo que se faça sobre a arquitectura e o urbanismo do Monte Estoril terá de possuir, a suportá-lo, uma abordagem mais alargada que permita perceber, em termos de colocação e divisão do espaço, qual a lógica subjacente ao desenvolvimento que se efectivou durante a última décadado século XIX. Como é óbvio, daqueles que primeiro chegaram a este sítio, encontraram uma disponibilidade total de ocupação do espaço, disponibilidade essa patente devido ao total alheamento dos construtores face ao enquadramento do conjunto edificado, uma vez que o mesmo não existia; alheamento ainda face a possíveis sujeições legais, pois não existiam parâmetros rígidos nem definidosque orientassem os projectos (quando existiam os projectos); e alheamento, afinal de contaspois o facto de o terreno não estar ainda muito utilizado, permitia a escolha precisa do local para criar a nova habitação, bem como a forma através da qual se desenvolveriam os arruamentos e os jardins que a iriam circundar. Actualmente, quando alguém escolhe um terreno para edificar uma habitação, tem obrigatóriamente de ter em conta as casas construídas em redor, tal como os acessos e o seu estado, e a forma como o quintal se poderá articular com a edificação e com a rua, de modo a promover as necessidades da família ocupante e de melhor cumprir os objectivos para que foi criada. Tal facto, ao contrário do que sucedeu no Monte estoril, ajudou a criar na actualidade uma certa monotonia de valores estéticos, facto que podemos observar nos novos bairros recentemente construídos, bem como nas vedações em tapume metálico que abundam em quase todos os quintais cascalenses. A rua assume aqui uma função de mera passagem deixando de marcar significativamente o carácter do local, facto que é acentuado pela cada vez maior necessidade de privacidade, que vai alterar toda a estratégia das relações de vizinhanças e, assim, reestruturar a concretização histórica do povoado.

No Monte Estoril, a ausência de construções foi motivo sobejamente suficiente para afastar dos primeiros edificadores todos e quaisquer receios de falta de privacidade, facto facilmente contemplável através dos muretes de baixa altura que circundavam as habitações. Por outro lado, a própria vivência social da época, fruto do enriquecimento abrasileirado de muitos burgueses lisboetas, criava a necessidade de promover a sociabilidade, facto que condicionou de modo perene as próprias características das ruas que tinham como principal função a de facilitar o acesso às novas edificações, mostrando, ao mesmo tempo, o esplendor de todas aquelas que ficavam na vizinhança.

As características das casas, bem como os pormenores que rodeiam a sua arquitectura, assumem assim um papel de verdadeiros documentos no que diz respeito à compreensão daquilo que foi a estrutura mental e social que esteve na origem do Monte Estoril. Os pequenos espanta-fantasmas, de ferro forjado e de formas arrojadas, muitas vezes aliados a janelas de águas-furtadas conjugadas com telhados de duas águas muito inclinados acentuando acentuando o seu carácter nórdico, mais não são do que características para serem admiradas do exterior, tanto mais que representavam a possibilidade de estas grandes famílias burguesas lisboetas usufruírem dos lucros que obtinham com as suas práticas comerciais e, assim, demonstrarem a aristocracia cascalense, que continuava a veranear em Cascais sem qualquer espécie de condições, que o seu poderio económico lhe permitia usufruir de excelentes condições de férias, muito embora não fossem bem recebidos nas praias da moda frequentadas pela Família Real e pela generalidade dos membros da corte.

Cascais mantinha nessa altura, praticamente todas as velhas estruturas que possuía muito antes de ser o local escolhido para o fim da época estival da corte. As casas, deterioradas por muitos anos de uso, e pelo completo desajustamento face às novas necessidades, só muito dificilmente se adaptavam às novas necessidades, sendo por isso bastante complicado, à grande aristocracia portuguesa, poder desenvolver umas férias na praia mantendo o estilo de vida que possuíam na capital. Pelo contrário, no Monte Estoril, a nova burguesia enriquecida, dada a facilidade que possuía na construção dos seus chalés, podia facilmente impor-se pela moda, aproximando-se assim daqueles que até aí tinham conseguido manter a supremacia do relacionamento da alta-sociedade portuguesa. Ramalho Ortigão, numa das suas mais conhecidas obras dedicadas ao acto de veranear, não deixa de acentuar que embora Cascais fosse a mais importante praia da Estremadura, possuindo até o palácio real, não deixava de sofrer com a falta de desenvolvimento urbano que a caracterizava (3): «Como povoação, Cascais é a mais importante das praias da Estremadura. É cabeça de concelho. O número dos seus fogos é de cerca de 1.700 - exactamente o mesmo número que existia há cem anos, o que prova que Cascais, se não tem prosperado, também não tem decaído durante o curso do último século». Tal facto é ainda acentuado pela estagnação que caracterizava os preços pedidos pelas habitações na vila de Cascais: «[...] A renda das casas, que se alugam com mobília e louça durante os meses de temporada de banhos, com quanto não seja absolutamente elevada, é ainda pouco menos do que o preço porque as mesmas casas se venderiam, se alguém as comprasse, há quinze anos» (4).

O contraste entre a velha aristocracia portuguesa, desde sempre acompanhando a corte e possuidora de genes que se ligavam directamente a vários episódios importantes da História de Portugal, estava patente em muitas ocasiões em longo deste verão, sendo de salientaro peso que tal diferença teve na forma como foi edificada a nova estância balnear do Monte estoril, e esta, em época subsequente, na mais jovem Estoril. É ainda Ramalho Ortigão que, nas suas “Praias Portuguesas”, muito ao estilo da literatura Nacional da época, melhor descreve esta disfuncionalidade social, responsável por episódios caricatos, divinamente relatados por Ferreira de Andrade na sua “Vila da Corte” (5) e que, pela sua importância na compreensão da ambiência e do enquadramento paisagístico do Monte Estoril, não hesitamos em transcrever: «As senhoras da burguesia destoam neste meio e não fazem bem em sujeitar-se ao contraste desse confronto, a não ser que não tenhamlevado as suas jóias, que não ponham senão vestidos velhos, que usem o mais simples dos penteados e que sejam despretenciosas e boas, - no qual caso todas as mulheres, qualquer que seja o seu nascimento e a sua categoria, são igualmente elegantes e distintas».

Esta necessidade de mostrar aquilo que possuíam, valorizando assim a posição recentemente assumida em desprimor daquilo que eram as bases sólidas da aristocracia de então, demonstra de sobremaneira as tentativas sucessivas que esta classe social desenvolveu com o intuito de se aproximar da elite social do País. Esses esforços, verificáveis quotidianamente através dos ornamentos e das jóias que procuravam ostentar, jóias essas que, na grande maioria dos casos não eram acessíveis à maior parte dos membros da aristocracia depauperada, causavam assim reacções cada vez maiores de encerramento dentro dos diversos grupos, que se protegiam desta forma das investidas cada vez mais audaciosas que eram promovidas pela burguesia.

Em termos mais simbólicos, era nas casas que se podiam encontrar os maiores vestígios da transformação social verificada em Portugal naquela época, sendo que, de entre todas as povoações deste País, o Monte Estoril é, com toda a certeza, aquela que maiores potencialidades de demonstração possui. as suas edificações, ornamentadas excessiva e excentricamente, promoviam o aparecimento de uma ambiência nova, facto que causou grandes transtornos à elite social vigente. As casas do Monte Estoril, principalmente aquelas que foram construídas com intuitos puramente de veraneio, são assim a face visível de uma terrível luta fratricida, que, que culminou em Cascais na tomada de poder por parte das forças revolucionárias republicanas, fruto de um exacerbado ódio criado no seio de uma dicotomia que separava o Monte de Cascais, e depois do Estoril e das restantes povoações da costa litoral deste concelho. Em relação a esta luta, é ainda Ramalho Ortigão quem na obra citada, melhor descreve a forma como se procurava a todo o custo, furar as apertadas teias da modernidade social, servindo-se de um saber instituído, mas também utilizando os estratagemas que derivavam na recente ascensão financeira do grupo: «Os homens novos que quiserem fazer o que se chama a entrada no mundo, a investtidura social, devem procurar esta praia para abrir a brecha, para penetrar na praça. Aconselhar-lhes-emos nesse caso que não emitem os homens que acompanham essas senhoras e são seus pares. Não, caro leitor inexperiente e amigo! Se quiseres ser recebido nesta sociedade portuguesa - em que se pegam os touros, em que se toca a guitarra, em que se dança o fado - não toques o fado, não pegues os touros, não bebas, não fumes, não deites para trás o chapéu dando-lhe um piparote na aba. Tudo isso fazem os fidalgos, mas tu, burguês, nunca parecerás um fidalgo se o fizeres. Parecerás apenas um moço de cavalariça e nenhuma dessas senhoras consentirá em que lhe apertes a mão. Não tenhas também muito espírito, nem maneiras muito acentuadas, nem opiniões muito expressivas. Sê o mais que possas fácil, complacente, obscuro, nulo. Vai à missa, lê o teu ripanço, está de joelhos na igreja, confessa-te uma ou duas vezes, veste-te como um padre ou como um saloio, dá-te um ligeiro ar idiota, inofensivo, pascácio. Terás um sucesso infalível. As senhoras receber-te-ão com agrado, como um auxiliar que não que não compromete, como um passivo, como um neutro. Apresentar-te-ão, rindo, às suas amigas. Pedir-te-ão os pequenos serviços suaves que se encarregam aos procuradores e aos capelães: que chegues uma cadeira, que vás buscar as luvas, o lenço ou o chapéu de sol que esqueceu, que acompanhes esta, que vás chamar aquela, que deites no correio uma carta para aqueloutra, etc.; terás uma incumbência de responsabilidade nos pic-nics, nos passeios em burro, nas soirées de subscrição; serás o ponto ou o contra-regra, o comparsaou o criado que traz a carta nas representações de salão. Converter-te-ás finalmente num personagem que será lembrado, requerido, utilizado. No ano seguinte àqueleem que por estes meios te ouveres introduzido na sociedade, poderás então tocar guitarra, enrolar nos dedos, em pleno clube, diante das senhoras, um pestilento cigarro de papel, arrojar o chapéu da testa para a nuca com o piparote fadista, e falar o calão - porque terás tomado posse, e principiarás a exercer o teu lugar de janota nacional, encartado e inamovível».

A constante luta travada entre os membros da burguesia endinheirada portuguesa e a velha e empobrecida aristocracia de cepa, tiveram o seu pontomais fulgurante na velhíssima vila de Cascais, que assistiu, em poucos anos, a uma radical transformação urbanística. Para responder à chegada da corte, muitos houveram que resolveram escolher Cascais para estância de veraneio, e esses, quando possuíam as posses necessárias para tal efeito, não hesitavam em construir as casas ao estilomais arrojado de então, servindo-se dessa construção e do seu esplendor para alicerçar a sua posição no espectro social nacional. É esse o caso, por exemplo do Palácio dos Duques de Palmela, construído de caordo com elevados parâmetros de qualidade e subordinado à experiência de arquitecto requintado e muito escolhido, com o intuito de fazer frente a uma ostentação que a coroa e a rainha dificilmente conseguiram suportar no seu mal-acabado palácio real adaptado da velha fortaleza de Cascais.

O Monte Estoril, em momento subsequente vai servir de resposta desta nova classe burguesa ao atrevimento social da aristocracia, utilizando para tal os recursos que possuia em maior quantidade: dinheiro, ideias inovadoras e espaço livre.

Foi sobretudo a conjugação deste capital imediato com a liberdade espacial que caracterizava o velho Pinhal da Andreza, que condicionou o aparecimento de uma povoação baseada em novos parâmetros urbanísticos, onde as dificuldades geográficas naturais, de acordo com o projecto de Carlos Anjos, se tornariam um incentivo essencial para a criação de uma ambiência que não existia em mais nenhuma parte do mundo. A construção do lago, e do aqueduto que traria a água da sua quinta de Vale de Cavalos, serve assim de exemplo para demonstrar quão importante era, para a época em questão, a ostentação da superioridade burguesa nacional, dispondo de verbas de valor e de força empreendedora, conseguindo tornar um desinteressante pedaço de terra, em mais um quase celestial povoado cascalense. O cuidado posto neste empreendimento foi de tal ordem, que o próprio Carlos Anjos previu com todo o cuidado o enquadramento necessário à criação de um ambiente novo, preservando as espécies vegetais de maior valor e misturando-lhes os vestígios de outras espécies exóticas trazidas de diversas partes do mundo O ponto a que chegou esse projecto foi tão profundo que o seu mentor previu ainda a cobertura das ruas com areia, como forma de promover a beleza e limpeza do sítio, bem como as aves que vagueariam por entre as ramagens viçosas e fulgurantes das espécies para aqui transportadas. O constante chilrear de pássaros mais ou menos conhecidos, misturado com o esplendor vegetal, completaria assim o conjunto fornecido pelas diversas edificações que possuiam também elas características que as tornavam únicas em todo o País.

A complementar estes aspectos urbanísticos a Sociedade do Monte Estoril, no mesmo projecto, proibiu a construção de muros de grandes dimensões, complementando tais directivas com a obrigatoriedade da recolha de pedras das praias Monte Estorilenses para a sua construção. As copas das árvores, tocando-se sob o azul do céu, em conjunto com os muros rústicos de pedra natural, promoveriam assim a tal envolvência espacial que a burguesia necessitava para transformar a sua estância de veraneio num local onde a qualidade de vida fosse, de facto, altamente apetecível.

Se no Monte Estoril foi possível criar uma povoação com estas bases, e que de facto se tornou única no mundo, tal se ficou a dever, em primeira análise ao envolvimento natural que lhe esteve na origem, sendo que a completa liberdade espacial, mesclada com as dificuldades geográficas que existiam em grande quantidade, promoveria neste sítio o nascimento de uma simbologia dinâmica e definitiva, transformando o Monte em algo de único que o devir histórico cascalense não tem conseguido preservar.








NOTAS:


(1) AGOSTINHO, Santo, Confissões de Santo Agostinho, Porto, Livraria Apostulado da Imprensa, Junho de 1984, pp. 303-304.

(2) COLAÇO, Branca de Gonta e ARCHER, Maria, Memórias da Linha de Cascais, Lisboa, [S/N], 1943.

(3) ORTIGÃO, Ramalho, As Praias de Portugal, Lisboa, Livraria Clássica Editora, 1943.

(4) Ob. Cit.

(5) ANDRADE, Ferreira de, Cascais - Vila da Corte, Cascais, Câmara Municipal de Cascais, 1964.

As Aldeias Rurais e o Futuro de Cascais





Apesar de serem poucos aqueles que as conhecem, as aldeias de génese rural existentes no Concelho de Cascais possuem um potencial turístico e cultural incontornável. A degradação paulatina de que têm sido alvo é completamente descabida num espaço que pretende ver sedimentada a denominada “vocação turística”, e a sua recuperação exige uma intervenção imediata e consequente. A sua atractividade, no contexto de uma urbanidade que tem vindo a perder a identidade cultural, é essencial para que Cascais possa readquirir a qualidade de vida de outros tempos.

Já vão muito longe os tempos em que se consideravam os resquícios da ruralidade portuguesa como exemplos malditos de uma actuação política que se dizia que tinha feito estagnar o País. Hoje, sobretudo nos países mais desenvolvidos, o que ainda resta de uma existência ruralizante e tradicional é aproveitado e rentabilizado turística e culturalmente.

A raiz cultural do nosso País, marcada de forma eminente pelo cunho de um tradicionalismo ligado aos trabalhos do mar e da agricultura, não pode alhear-se dessa realidade.

Contrariamente ao que parece mostrar a intervenção das entidades oficiais ligadas às Autarquias e às instituições governamentais com responsabilidades na área do Ordenamento do Território, da Cultura e do Turismo, o reconhecimento, a recuperação e a promoção dos resquícios da nossa identidade rural são actividades fundamentais para a criação de uma oferta turística que permita a Portugal enfrentar com dignidade os desafios novos que lhe surgirão ao longo dos próximos tempos.

De facto, impedido de produzir em termos agrícolas, incapaz de produzir industrialmente, e marcado em permanência pelo jugo implacável do desemprego, restam poucas saídas para que Portugal possa sustentar-se económica e financeiramente de forma condigna. O sector do turismo, principalmente num Concelho como o de Cascais, transformou-se no fulcro de todo o desenvolvimento, dele dependendo o comércio, os serviços e mesmo a gestão urbana do território.

Aldeias antigas como as da Charneca, Birre, Areia, Torre, Malveira da Serra, Janes, Zambujeiro, Atrozela, Alcabideche, Cabreiro, Murches, Livramento, Adroana, Pau Gordo, Galiza, Murtal, Caparide, Zambujal, Tires, Mato Cheirinhos, Trajouce, Conceição da Abóboda, Polima, Rana ou Rebelva, são apenas alguns exemplos de povoações que possuem ainda bem vivas as memórias de uma ruralidade que alicerçou toda a nossa História municipal. Possuem também, ainda com elevado potencial turístico que se encontra em risco eminente de desaparecer, restos únicos de habitações, fontes, chafarizes, portais, moinhos, fornos de pão e de cal, para além de um enorme manancial de lendas e de histórias locais, que noutros países e concelhos são atractivo turístico essencial e incontornável.

Em Cascais, perdidos nas faldas confusas de um alárvico e permanente apelo às novas construções, os resquícios existentes desta ruralidade perdida estão votados ao abandono e ao esquecimento. Exemplares únicos de casais saloios e rurais, com estruturas construtivas integráveis naquilo que é costume designar como “arquitectura chã”, vão sendo substituídos por prédios de concepção duvidosa e de assumida negação da tradicionalidade local.

Com o desaparecimento destes vestígios, e com a consequente fragilização da nossa Identidade Municipal, fica também posta em causa a vocação turística de Cascais e a possibilidade de voltarmos a ser o destino de excepção de outros tempos.

O turista moderno, culto e bem preparado, já não quer chegar a Cascais para passar cinco ou seis dias estirado ao sol. Hoje, numa lógica de bem-estar social e cultural, o ambiente envolvente, a tradicionalidade, o tipicismo, e a aprendizagem social, são partes importantes na promoção turística dos destinos europeus.

O Concelho de Cascais, apesar de todas as vicissitudes por que tem passado, possui as condições necessárias para encetar os esforços que tornarão possível este desiderato, sempre na certeza de que apostar na tradicionalidade daquilo que resta das nossas aldeias rurais, é garantir o futuro do turismo, do comércio e dos serviços, e o emprego e a estabilidade social dos munícipes cascalenses.

Nas aldeias rurais cascalenses, mais do que num sol e numa praia totalmente envolvidos em betão, reside grande parte do potencial que alicerçará a nossa vocação, oferecendo a todos um futuro socialmente saudável e economicamente sustentado.





segunda-feira

Raquel Henriques Expõe "Duas Faces" em Setúbal





São duas faces de uma mesma obra, misturando estilos, cores e temas que deixam perplexo quem a visitar... A primeira exposição individual de Raquel Henriques, a decorrer no Clube Militar de Oficiais de Setúbal, situado em plena Praça do Bocage,representa o culminar de um período de experiências plásticas, cromáticas e artísticas. A pintora, gerindo gostos e emoções, apresenta uma obra onde se vê e sente todo um percurso de vida rico em experiências, lugares e paisagens. A não perder!





terça-feira

Memórias do Portugal Respeitado (Texto de Luís Soares de Oliveira)




Corria o ano da graça de 1962. A Embaixada de Portugal em Washington recebe pela mala diplomática um cheque de 3 milhões de dólares (em termos actuais algo parecido com € 50 milhões) com instruções para o encaminhar ao State Department para pagamento da primeira tranche do empréstimo feito pelos EUA a Portugal, ao abrigo do Plano Marshall.

O embaixador incumbiu-me – ao tempo era eu primeiro secretário da Embaixada – dessa missão.

Aberto o expediente, estabeleci contacto telefónico com a desk portuguesa, pedi para ser recebido e, solicitado, disse ao que ia. O colega americano ficou algo perturbado e, contra o costume, pediu tempo para responder. Recebeu-me nessa tarde, no final do expediente. Disse-me que certamente havia um mal entendido da parte do governo português. Nada havia ficado estabelecido quanto ao pagamento do empréstimo e não seria aquele o momento adequado para criar precedentes ou estabelecer doutrina na matéria. Aconselhou a devolver o cheque a Lisboa, sugerindo que o mesmo fosse depositado numa conta a abrir para o efeito num Banco português, até que algo fosse decidido sobre o destino a dar a tal dinheiro. De qualquer maneira, o dinheiro ficaria em Portugal. Não estava previsto o seu regresso aos EUA.

Transmiti imediatamente esta posição a Lisboa, pensando que a notícia seria bem recebida, sobretudo num altura em que o Tesouro Português estava a braços com os custos da guerra em África. Pensei mal. A resposta veio imediata e chispava lume. Não posso garantir a esta distância a exactidão dos termos mas era algo do tipo: "Pague já e exija recibo". Voltei à desk e comuniquei a posição de Lisboa.

Lançada estava a confusão no Foggy Bottom: - não havia precedentes, nunca ninguém tinha pago empréstimos do Plano Marshall; muitos consideravam que empréstimo, no caso, era mera descrição; nem o State Department, nem qualquer outro órgão federal, estava autorizado a receber verbas provenientes de amortizações deste tipo. O colega americano ainda balbuciou uma sugestão de alteração da posição de Lisboa mas fiz-lhe ver que não era alternativa a considerar. A decisão do governo português era irrevogável.

Reuniram-se então os cérebros da task force que estabelecia as práticas a seguir em casos sem precedentes e concluíram que o Secretário de Estado - ao tempo Dean Rusk - teria que pedir autorização ao Congresso para receber o pagamento português. E assim foi feito. Quando o pedido chegou ao Congresso atingiu implicitamente as mesas dos correspondentes dos meios de comunicação e fez manchete nos principais jornais. "Portugal, o país mais pequeno da Europa, faz questão de pagar o empréstimo do Plano Marshall"; "Salazar não quer ficar a dever ao tio Sam" e outros títulos do mesmo teor anunciavam aos leitores americanos que na Europa havia um país – Portugal – que respeitava os seus compromissos.

Anos mais tarde conheci o Dr. Aureliano Felismino, Director-Geral perpétuo da Contabilidade Pública durante o salazarismo (e autor de umas famosas circulares conhecidas ao tempo por "Ordenações Felismínicas" as quais produziam mais efeito do que os decretos do governo). Aproveitei para lhe perguntar por que razão fizemos tanta questão de pagar o empréstimo que mais ninguém pagou. Respondeu-me empertigado: - "Um país pequeno só tem uma maneira de se fazer respeitar – é nada dever a quem quer que seja".

Lembrei-me desta gente e destas máximas quando há dias vi na televisão o nosso Presidente da República a ser enxovalhado pública e grosseiramente pelo seu congénere checo a propósito de dívidas acumuladas.

Eu ainda me lembro de tais coisas, mas a grande maioria dos Portugueses de hoje nem esse consolo tem.

Estoril, 18 de Abril de 2010

Luís Soares de Oliveira

quinta-feira

Investigador Português Vítor Adrião Homenageado no Brasil





O investigador Português Vítor Manuel Adrião, Presidente da Comunidade Teúrgica Portuguesa e autor de dezenas de publicações sobre a História de Portugal, foi homenageado pela Editora Madras, no Brasil, e pelas Ordens Unidas Religiosas, Militares e Maçónicas do Templo de São João de Jerusalém, Rodes e Malta. A cerimónia, que foi antecedida por uma conferência proferida pelo historiador Português, foi um importante contributo para a promoção e explicação dos principais alicerces da Identidade Nacional, consolidando assim as próprias bases da existência política do Brasil. Reconhecido em terras de Vera Cruz pelo seu profundo saber sobre a Portugalidade, Vítor Adrião continua assim a cumprir o seu projecto de levar longe a mensagem, os valores e os princípios subjacentes à própria existência de Portugal.



segunda-feira

Abu Zaid Abd-Ar Rhaman Ibne Mucane: O Início de uma Longa História em Alcabideche (Cascais)





Existe em Alcabideche, a escassos metros de conhecido Cascaishopping, um monumento que a muitos passa despercebido.

Composto por uma laje comemorativa com uma citação política e por duas grandes pedras colocadas na vertical, teve em tempos um idílico cenário campestre do qual sobressaíam dois dos mais antigos moinhos de vento penisulares.

O monumento, dedicado ao grande poeta Árabe Ibne Mucane, natural de Alcabideche, marca no tempo um dos mais interessante, pujantes e mal conhecidos períodos da nossa História comum: os Séculos X e XII da nossa era, e a ocupação Árabe da Península Ibérica.

Mas quem foi Abu Zaid Abd-Ar Rhaman Ibne Mucane?

Segundo as fontes, e tomando em linha de conta o que actualmente se conhece da História desta região, Ibne Mucane terá sido, o primeiro autor a cantar os moinhos de vento da Europa.

Como do conhecimento geral, quer pela tecnologia empregue, quer quer pelos recursos que eram necessários para a sua construção, quer ainda pela extrema importância que têm em termos do incentivo à produção, os moinhos de vento traduzem de sobremaneira o estado de desenvolvimento de uma regão.

A importância de Ibne Mucane está assim intimamente ligada à introdução de uma série de inovações técnicas e de novos conhecimentos na estrutura produtiva de génese rural do extremo ocidental da Península Ibérica, que a partir da chegada dos ocupantes Árabes veio influenciar de sobremaneira a vida futura de toda a Europa medieval.

Em termos práticos e imediatistas, os versos de Ibne Mucane têm, no entanto, um outro significado. Se por um lado são eles os primeiros a cantar a introdução dos moinhos de vento em solo Europeu, com todo o desenvolvimento que lhe está implícito, por outro, traduzem também a realidade político-social que se fazia sentir na zona mais rural do actual Concelho de Cascais.

A falta gritante de água e uma importante componente cerealífera na produção agrícola do concelho estão bem patentes nas palavras de Ibne Mucane:


Ó tu que vives em Alcabideche
Oxalá nunca te faltem
Nem grãos para semear,
Nem cebolas, nem abóboras.
Se és um homem de decisão
precisas de um moinho
que funcione com as nuvens
sem necessidade de regatos.


Para além desta referência directa à falta de água, que deve ter sido uma das mais prementes preocupações constante a todos os agricultores de Alcabideche, Ibne Mucane refere ainda outros problema com que se debatiam os habitantes desta zona interior do actual Município de Cascais:

A minha terra é boa... mas o mal
é que se o ano é bom, nunca dá mais do que
vinte carregos, vinte e tal de cereais.
E quanto mais promete e mais cuidados
eu lhe dispenso em sonhos mais me iludo
porque então, javalis dos despovoados
surgem famintos, e devastam tudo!


Assim, muito embora a terra não fosse de facto de muito má qualidade, os javalis que existiam nas redondezas contribuíam para a destruição das colheitas e para o consequente empobrecimento da população.

Ibne Mucane, embora possua, com o intuito de preservar a sua memória, um monumento na terra que o viu crescer, para além de uma escola com o seu nome, não é de facto um poeta conhecido, nem para os naturais de Cascais nem para todos aqueles que se interessam pelo estudo de um passado histórico que urge preservar e que nos fornece pistas essenciais para a definição da nossa memória colectiva.

Os seu versos, para além de traduzirem toda uma realidade que se encontra subjacente a um período mal conhecido em termos historiográficos, conseguem ainda trazer dados novos para a compreenão da importância real que teve a civilização Árabe no crescimento e no desenvolvimento da Europa Medieval.

Quando se fala em Árabes, pensa-se naturalmente nos topónimos iniciados com AL, esquecendo-se tantas vezes a tecnologia, os usos e costumes, e a maneira inovadora de pensar, que contribuiu decisivamente para a criação de duas maneiras distintas de encarar a existência.

Ibne Mucane, acima de tudo, merece ser lembrado como um natural de Alcabideche, que deixou atrás de si, as condições necessárias para a compreensão do período em que viveu, e cumpre a Cascais e aos seus actuais ocupantes, a tarefa de não deixar cair no esquecimento toda a essência do seu contributo.


sexta-feira

João Aníbal Veiga Henriques [1942-2010]





Conheci-o no dia 14 de Junho de 1971.

Ele não assistiu ao parto porque não teve coragem para isso, mas imagino-o lá fora, no corredor, a fumar várias dezenas de cigarros ao longo daquelas três horas, roído de nervos, mas com a confiança que a sua fé especial e colossal lhe assegurava.

Percebi de imediato que era alguém especial quando me pegou ao colo. É certo que o fez sem a segurança e a firmeza de outros colos pelos quais já tinha passado. Mas afinal eu era o primeiro filho e possivelmente o primeiro recém-nascido que lhe era colocado nos braços. Pegou-me com um Amor de tal forma intenso e incondicional que transcendia largamente a sua enorme estatura e tudo aquilo que conheci na vida daí em diante.

A primeira grande memória que tenho dele, ganha depois de horas a fio a tentar aprender a andar de bicicleta numa ruela sem saída que existia em frente de nossa casa, é a da sua mão a amparar-me o pescoço. Correu quilómetros atrás de quilómetros gritando insistentemente para eu não desistir. E conseguiu. No final do dia, quando ele já estava estafado, lá aprendi a equilibrar-me. Percebi então a sua insistência e a magia que surge associada aos pequenos momentos que dão forma à vida. Aprendi não só a andar de bicicleta mas também a gozar cada momento, cada instante, cada milímetro de paisagem e cada laivo de sabor que a vida nos oferece.

Tinha pouco mais de dois anos nessa altura, mas daí em diante fez-se luz na minha mente, e eu senti no mais profundo pedacinho da minha Alma a sorte que tinha em poder crescer com ele. Nesse mesmo dia, com a desfaçatez que só as crianças podem ter mas também com a certeza absoluta que acerca disso carrego até hoje, chamei-o à sala e expliquei-lhe que não podia continuar a chamar-lhe a mesma coisa que todas as outras crianças chamavam aos seus pais. Comuniquei-lhe, sem lhe dar sequer a possibilidade de contrapor o que quer que fosse, que a partir desse dia lhe chamaria ‘Zito’. Porque queria que ele tivesse um nome só dele e sobretudo queria que esse mesmo nome estivesse à altura da figura extraordinária que eu pressentia.

O Zito acompanhou-me desde então para desespero de alguns familiares e perante as críticas de quase todos. Como era possível que deixassem a criança chamar-lhe isso? Mas ele ouvia sempre o seu novo nome com um sorriso nos lábios, e entendia, possivelmente daquela forma profunda e sentida que o nosso exíguo cérebro não consegue abarcar, o amor radical que eu lhe associava. O Zito levou-me à escola no primeiro dia; o Zito levou-me a passear numa velha traineira de pesca pelas águas revoltas do Cabo Raso; o Zito levou-me a trepar os montes e as escarpas da Serra de Sintra, sempre a ouvir as histórias e as lendas que ele pesquisava para me transmitir; o Zito ensinou-me a rastejas nas grutas e nos subterrâneos mais enigmáticos; foi ele quem me ensinou a distinguir as rochas e os cristais, e a perceber como crescem as árvores e as plantas; foi ele que me mostrou as marés e me ensinou até onde nos pode levar o oceano; o Zito levou-me a quase todos os sítios especiais que conheci até hoje.

Anos mais tarde, depois de um acidente grave que me obrigou a dormir ininterruptamente durante mais de uma semana, foi a mão dele a primeira coisa que senti quando despertei. Diziam-lhe que as possibilidades eram poucas; que ele devia ir descansar; que não valia a pena. Mas ele sabia que valia e esteve ali, dia e noite durante todo aquele tempo. E foi o calor da sua mão, e novamente aquela entrega extraordinária com que ele vivia a relação com todos aqueles que o rodeavam, que me trouxeram de volta à vida.

Extasiei-me anos a fio com a sua habilidade. Com cada um dos traços de todos os esboços que fazia antes de se abalançar na pintura de mais um quadro ou na escultura de uma nova peça. Guardei-os a todos como as mais preciosas obras de arte que este Mundo jamais conheceu. E inchei de orgulho quando, em 1980, foi o seu ‘Camões’ que encabeçou as cerimónias de inauguração do largo com o mesmo nome no coração da nossa terra.

Faz agora precisamente dez anos, em Março de 2000, fizemos juntos a nossa última peregrinação a pé até Fátima. Já adulto, procurou gastar cada segundo para perceber até que ponto tinha germinado a sua semente. Falámos do Universo estonteantemente grande e da infinitude sublime da matéria. Perdemo-nos algures naquela linha ténue de fronteira onde a realidade se confunde com a imaginação, e na qual florescem os sonhos que condicionam o devir da vida. Explicou-me com muito cuidado qual é a importância que a matéria tem no nosso crescimento, e a diferença que existe entre aquilo que somos, o que criamos e a essência sagrada que verdadeiramente nos impulsiona na vida. Partilhámos silêncios profundos e longos, e ladainhas que nos ajudaram a transpor as dificuldades sentidas num caminho difícil.

A partir daí já só conseguimos viajar de carro. Mas continuámos a percorrer Portugal de lés-a-lés. Estivemos na Estrela ainda há pouco tempo, e atravessámos juntos toda a vastidão da planície do Alentejo. Com ele penei os quase 50ºC do Fundão e os contrastes frescos da Gardunha. Deliciámo-nos com os petiscos únicos da vetusta Braga e com as sopas únicas do muito nosso Ribatejo. Subimos e descemos os montes e vales da Beira, e partilhámos do deleite das gentes de Cabrum e Água d’Alte, ao mesmo tempo que explorávamos os segredos para sempre perdidos da Cardiga e do tesouro de alma que os Templários morreram a defender.

Para a Primavera que agora vai chegar planeáramos uma última peregrinação… íamos finalmente a Santiago de Compostela depois de anos a fio de mapas, roteiros, pesquisas e muito estudo sobre o assunto. Disse-me há algumas semanas atrás, com semblante profundamente triste, que achava que já não conseguiria ir a pé comigo desta vez. Talvez já só conseguisse acompanhar-me no carro de apoio.

Já não teve tempo. Partiu de forma rápida no final do último mês de Janeiro. Enquanto eu estiver vivo, ele estará vivo também. Em cada decisão, em cada pensamento, em cada conversa, em cada página escrita, em cada projecto, em cada ideia. Porque as coisas que sei fazer são obra dele.

Era o meu pai. Tinha 67 anos.

segunda-feira

José Carlos Santanita Eleito Escanção do Ano





O escanção José Carlos Santanita foi galardoado com o título de "Escanção do Ano" pela Revista de Vinhos e recebeu o respectivo prémio concedido pelo Comendador Rui Nabeiro.

A cerimónia de entrega deste importante galardão, que marca de forma perene o reconhecimento da entrega de José Santanita àquele que é um dos mais importantes sectores empresariais Portugueses, aconteceu na Praça de Touros do Campo Pequeno, durante um jantar que reuniu cerca de 900 pessoas.

José Carlos Santanita está desde tenra idade no mundo da hotelaria e da restauração. Começou chefe de sala em várias unidades hoteleiras e restaurantes de grande qualidade no Alentejo e, mais tarde, tornou-se no primeiro escanção da Herdade do Esporão (Reguengos de Monsaraz), local onde também deu formação à equipa de Enoturismo.

José Santanita é bem conhecido pelo seu dom da palavra e pela enorme capacidade em transmitir conhecimento. Consegue entusiasmar plateias com o seu discurso e com os seus ensinamentos, que têm sempre como objectivo último permitir que cada um retire o máximo de prazer de um copo de vinho...

Actualmente e com o apoio de Sílvia Cardoso, José Santanita dá forma a um projecto aromático e saboroso na Adega das Mouras, em Arraiolos. A Wine Academy Portugal, empresa que tem a Educação Vínica como instrumento principal, dedica-se à promoção Nacional e internacional dos melhores vinhos Portugueses.

Este galardão, que se afigura de extraordinária importância por reconhecer o esforço, a dedicação e a qualidade que José Carlos Santanita empresta ao seu trabalho, é também um marco no reconhecimento da enologia e da gastronomia como instrumentos de suporte à requalificação do Turismo de Portugal, na senda da criação de uma oferta que conjugue os aromas, os sabores e as cores que dão forma à eno-gastronomia com tudo o mais que o nosso País tem para oferecer.

Os nossos sinceros parabéns ao José Carlos Santanita!

quinta-feira

A Quinta da Machada e o Plano de Pormenor da Cava do Viriato (Viseu)



Imagens da Quinta da Machada, na Cava do Viriato, em Viseu, captadas entre 1993 e 1997. Especial relevo para os imóveis designados como 'Casa Henrique Felgar' (Século XVIII) e 'Casa do Lago' (Século XVI), ambos integrados no perímetro de protecção daquele imóvel classificado e eles próprios registados no Inventário Nacional de Património efectuado pelo DGEMN (Direcção Geral de Edifício e Monumentos Nacionais). A 'Casa Henrique Felgar' está registada com o número PT021823280052 e a 'Casa do Lago' com o número PT021823280051 (ver informações detalhadas em www.monumentos.pt). Apesar do seu evidente interesse, e da sua participação em factos essenciais para a História de Viseu e de Portugal, ambos os imóveis estão em risco devido à falta de conhecimento e atenção que caracterizou a preparação do 'Plano de Pormenor da Cava do Viriato', assinado pelo Arqtº. Gonçalo Byrne para a Sociedade Polis Viseu. Ficam as memórias de um País que desperdiça a sua Identidade, despreza a Cidadania e cujo património está em risco de desaparecer...


sexta-feira

Vítor Adrião: A Ressureição de Portugal




Como resultado da segunda edição do "Curso Livre de Introdução à Portugalidade", que decorreu na ALA - Academia de Letras e Artes com o apoio da TOW - Travel Our Way, foi apresentado publicamente o livro "A Ressureição de Portugal" da autoria do investigador Vítor Manuel Adrião.

A cerimónia, em que participou o edil de Cascais António Capucho, foi presidida por António de Sousa Lara que sublinhou o interesse da obra no contexto de um Portugal abatido por uma onda de pessimismo que nada tem a haver com o carácter expressivo da História Pátria.

Na sua intervenção, o autor Vítor Adrião explicou o contexto em que decorreu esta segunda edição do curso, sublinhando que a presente obra é um testemunho da perenidade de uma Nação possuidora de um forte cunho sagrado e que, por isso, está condenada a ser pujante.

Contrariando todos aqueles que se tem dedicado a criticar, esfoliar e denegrir Portugal, esta "Ressureição de Portugal" é um testemunho franco, sapiente, sentido e sagrado da Alma deste País.

Mais uma obra-prima de Vítor Manuel Adrião, comprovando uma vez mais que, apesar das críticas e das polémicas em que o tentam envolver, é com toda a certeza um dos maiores vultos da Portugalidade no tempo actual.