quarta-feira

Culto e Ritualidade: A Arquitectura Religiosa de Cascais




por João Aníbal Henriques

A vivência religiosa de Cascais, sempre profundamente ligada à vida no mar e a todas as adversidades que dela resultam, é marcada de forma profusa pela construção de locais de culto e de momentos que salvaguardam a interdependência entre a componente humana e divina das populações. De grandes igrejas com muitos séculos, até às ermidas de diminutas dimensões que se escondem despretensiosamente por detrás das penedias, a arquitectura religiosa Cascalense carrega consigo segredos ancestrais que ajudam a perceber melhor a própria História de Portugal.




 Trajecto:

Comece o passeio na Estação de comboios de Cascais e desça a Travessa da Conceição em direcção ao mar. Vire à esquerda e passe o Hotel Albatroz encontrando a Capela de Nossa Senhora da Conceição à sua direita. Logo depois, sobranceiro à praia, está o crucifixo de Nossa Senhora da Conceição. Volte para trás e desça a Rua Frederico Arouca (antiga Rua Direita) virando na terceira travessa à esquerda até chegar ao Largo da Misericórdia. Contorne à igreja e desça a Rua da Saudade, virando à esquerda para a Rua Fernandes Thomaz e desfrutando da vista dos miradouros que vai passando. Desça a escadaria em direcção à Baía e atravesse a esplanada marítima junto à Praia dos Pescadores. Suba a Rua Marques Leal Pancada, situada à esquerda do edifício da Câmara Municipal, até ao Largo da Assunção. Contorne a igreja e siga para a Cidadela de Cascais através da porta situada no início da Avenida D. Carlos I. Saia da Cidadela em direcção à Avenida Rei Humberto II de Itália. Cerca de 30 metros depois encontrará à sua direita a Estátua do Papa João Paulo II e do outro lado da Rua o Centro Cultural de Cascais onde se situa a Capela de Nossa Senhora da Piedade. Siga essa mesma avenida em direcção a Sul e entre no portão do Parque Marechal Carmona situado à direita. A ermida fica à sua direita, logo depois da entrada e quase em frente ao museu. Atravesse o Parque Marechal Carmona e saia para o Largo Domingos d’Avillez, atravesse a Avenida da República e siga pela Avenida Vasco da Gama. Vire à direita na Avenida Emídio Navarro e siga até à Rua dos Navegantes. A Igreja encontra-se à sua direita. Contorne a igreja e siga pela Rua Latino Coelho em direcção a Sul até encontrar a Residencial Solar Dom Carlos. A Capela de Nossa Senhora da Nazaré está junto à residencial do seu lado esquerdo. 



01) Capela de Nossa Senhora da Conceição dos Inocentes

Construída por um voto formulado depois de um naufrágio ocorrido na Baía de Cascais em 1609, a ermida original foi alterada já no Século XIX quando lhe foram acrescentados os corpos laterais. Da sua história é de salientar o facto de ter escapado incólume ao terramoto de 1755 e de, por isso, se terem salvado todos os fiéis que lá estavam nesse momento a assistir à Missa. Depois desse episódio tornou-se num dos mais venerandos espaços religiosos de Cascais.




02) Crucifixo de Nossa Senhora da Conceição

Construído nas arribas junto à Praia da Conceição e ao lado da Capela de Nossa Senhora da Conceição dos Inocentes, este crucifixo marca o naufrágio acontecido nas águas da Baía de Cascais no ano de 1609. 



03) Igreja da Misericórdia

O edifício actual, do Século XVII, terá provavelmente substituído uma antiquíssima ermida consagrada pelos pescadores de Cascais. Tendo sido muito afectada pelo terramoto de 1755, foi reinaugurada em 1777 com a formulação especial que ainda apresenta. São de salientar as peças de arte sacra que apresenta. 



04) Igreja de Nossa Senhora da Assunção

É a Igreja Matriz de Cascais. Sendo muito antiga, e não se conhecendo com exactidão a sua origem, sabe-se que já existia no Século XVI. Com o terramoto de 1755 conheceu profunda ruína e as obras de recuperação deram-lhe a traça que hoje apresenta. É de salientar o importante espólio azulejar setecentista e as pinturas de Josefa d’Óbidos.




05) Capela de Nossa Senhora da Piedade

Estando actualmente desprovida de culto, a Capela de Nossa Senhora da Piedade fazia parte do antigo Convento de Nossa Senhora da Piedade, inaugurado em 1594 pelos Senhores de Cascais. Recuperada no Século XIX quando o Visconde da Gandarinha a integrou na sua casa de veraneio a Capela apresenta ainda hoje a formulação espacial original.




06) Estátua do Papa João Paulo II

Estátua evocativa da memória peregrina do Papa João Paulo II da autoria do escultor Alves André, inaugurada em 2010 pela Paróquia de Cascais. É hoje motivo de grande veneração, conhecendo um aumento exponencial do número de fiéis que a procuram. 




07) Ermida de São Sebastião

Datada provavelmente de 1628, conforme indicação do cruzeiro colocado à sua entrada, a Ermida de São Sebastião apresenta traça rústica em linha com a sua estrutura maneirista. Importantes, pelo impacto visual que produzem, são os painéis azulejares datáveis do Século XVIII com episódios da vida de São Sebastião.

 08) Capela de Nossa Senhora da Vitória

Construída dentro da Cidadela de Cascais, a capela de Nossa Senhora da Vitória data provavelmente da segunda metade do Século XVIII, de acordo com a data inscrita nos seus painéis de azulejos. A traça que apresenta, resultante das obras de recuperação promovidas depois do terramoto de 1755, é marcada pela sobriedade de estilo e pelo apelo estético do revestimento azulejar. Está ligada ao culto a Santo António depois de ali ter estado sedeado o Regimento XIX de Infantaria que lutou sob a égide do santo taumaturgo. 




09) Igreja dos Navegantes

Inaugurada em 1720 a actual Igreja de Nossa Senhora dos Navegantes conheceu grande destruição durante o grande terramoto de 1755, tendo sido recuperada somente em meados do Século XX. Tendo substituído no mesmo lugar a antiga ermida dos pescadores, teve durante muitos anos a invocação de São Pedro Gonçalves. 



10) Capela de Nossa Senhora da Nazaré

Integrada no antigo Solar dos Falcões, a Capela de Nossa Senhora da Nazaré data da primeira metade do Século XVIII. Tendo escapado quase incólume à destruição imposta pelo grande terramoto de 1755, albergou durante muitos anos o culto da paróquia, enquanto decorriam as obras de recuperação da Igreja Paroquial. De traça simples, são de realçar os painéis de azulejos em tons de azul e branco típicos da época e a evocação à Senhora da Nazaré. 

(c) HENRIQUES, João Aníbal, Levantamento Exaustivo do Património Cascalense, Cascais, Fundação Cascais, 2000.







terça-feira

Estoril: O Glamour Real...





por João Aníbal Henriques

Da Igreja de Santo António e do Convento Franciscano do Estoril ao glamour do Casino, vão poucos passos mas uma História longa e verdadeiramente ímpar. A estância turística do Estoril, outrora estação terminal do charmoso Sud-Express, enche-se com as fragrâncias próprias de uma localidade que sempre quis ser uma grande referência de relevo internacional. Pelas ruas do Estoril, onde reis, rainhas, príncipes e princesas se cruzavam naturalmente com escritores, pintores, cantores, actores e espiões de gabarito mundial, ecoam ainda hoje os sons e as cores do mítico James Bond ou das maiores divas do cinema americano.

Trajecto:

Este passeio começa na Estrada Marginal em frente à Igreja de Santo António onde poderá ver o Casal de São Roque, a Igreja e a antiga Casa Paroquial. Mais à frente, ainda na marginal, encontrará o Edifício da Estação Telefónica do Estoril em frente à bomba de gasolina. Segue através da Rua Melo e Sousa onde verá a casa Camilo Farinas e a Casa Bustorff da Silva à sua esquerda e da Rua do Algarve, onde vai encontrar a Vivenda Volubilis. Daí segue para a Avenida Dom Nuno Álvares Pereira, virando à esquerda para a Rua da Beira baixa até encontrar a Casa do Rei Karol da Roménia. Virar para a Rua de Inglaterra que deverá subir até encontrar a Villa Giralda, virando novamente à direita através da Rua da Índia até regressar à Avenida Dom Nuno Álvares Pereira. A Casa Teixeira Beltrão fica à sua esquerda. Descer a Avenida General Carmona, passando pelas Casas Vale Florido e Boavista, até à Praça Almeida Garrett, onde encontrará o edifício do antigo Casino Estoril. Descer a Avenida Clotilde e admirar à esquerda o Hotel Palácio do Estoril seguido do edifício das Arcadas do Parque. Do outro lado da Avenida Marginal, por detrás da bomba de gasolina, estão as magníficas Cocheiras santos Jorge. Subindo a Avenida Marginal no sentido Nascente encontrará à esquerda a Estação dos Correios e a Casa de São Francisco. Mesmo ao lado está a Casa de Nossa Senhora de Fátima. Siga pela Avenida Biarritz e pela Rua do Porto até ao Hotel de Inglaterra.


 01) Casal de São Roque / Palacete Schroter / Tamariz

Construído sobre o antigo Forte de São Roque, que defendia o areal do Juncal de eventuais desembarques inimigos, o Palacete Schröter foi construído no início do Século XX pelo Conselheiro Driesel Schröter. A escolha de espécies exóticas para o seu jardim, nomeadamente o tamarindo, acabou por influenciar de forma decisiva a toponímica local, tendo a praia passado a designar-se como Tamariz. Depois de vendido, o palacete foi adaptado a casa-de-chá que assumiu o mesmo nome e impôs o Tamariz nos hábitos requintados da sociedade Estorilense. 




02) Igreja de Santo António

Construída no mesmo lugar onde em 1527 se encontrava uma pequena ermida de madeira dedicada a São Roque, a Igreja de Santo António do Estoril é um edifício datado do início do Século XVIII e esteve associada ao antigo Convento Franciscano de Santo António. Depois de ter sido arrasada durante o terramoto de 1755 foi rapidamente reconstruída com a traça que hoje apresenta, tendo sido novamente destruída por um incêndio em 1927 que obrigou a nova remodelação. Teve grande importância na vida política Portuguesa do início do Século XX devido à acção do seu primeiro Prior Monsenhor António José Moita. 






03) Casa Paroquial

A Casa Paroquial que está associada à Igreja de Santo António do Estoril foi edificada em meados do Século XIX por José Viana da Silva Carvalho, o proprietário original do Estabelecimento de banhos do Estoril. Depois, por intervenção do Prior do Estoril, Monsenhor António José Moita, foi readaptada para Casa Paroquial e foi sede de diversas instituições de apoio e intervenção social do Estoril. 





04) Edifício da Estação Telefónica do Estoril

Apesar de ser uma das primeiras obras de traço assumidamente modernista que o Arquitecto Adelino Nunes assinou no Estoril, o Edifício da Estação Telefónica do Estoril, edificado em 1933, é um extraordinário exemplo da forma como a nova concepção dos espaços se adapta com rigor às condições dos terrenos e à paisagem envolvente. Construído de forma linear e com um só andar térreo, o edifício evidencia-se pelo apelo ao movimento conseguido através da utilização cruzada de diversos corpos arquitectónicos, imaginado por dar continuidade à linha imposta pela Avenida Marginal e pela linha férrea envolvente. 





05) Casa Camilo Farinhas

Construída em 1930 por Camilo Farinhas, utiliza um projecto do Engenheiro Jacinto Reis Bettencourt em que a inovação assenta na utilização de uma ampla varanda para promover os valores estéticos tradicionais da denominada Arquitectura Portuguesa. A Casa Camilo Farinhas, que marca a charneira entre o tradicionalismo do projecto original de Martinet e as novas tendências modernistas no Estoril, é um dos últimos exemplos daquilo que haviam sido as propostas urbanísticas da Sociedade Estoril Plage. 





06) Casa Bustorff da Silva / Casal Branco

A casa de António Júdice Bustorff da Silva foi edificada em 1923 utilizando os valores urbanísticos e arquitectónicas da denominada Casa Portuguesa. A volumetria simples, que contrasta de forma evidente com a generalidade das casas construídas nessa época no Estoril, promove uma marca revivalista através da utilização de um modelos construtivo de génese ruralizante ainda com laivos do movimento romântico que o precedeu. 





07) Vivenda Volubilis

Marcando a paisagem envolvente através do impacto que consegue impor devido ao seu posicionamento no topo da colina que marca o início do Alto Estoril, a Vivenda Volubilis é um exemplo expressivo da arquitectura de cenário que dá forma à fácies urbana dos Estoris. Pensada para traduzir os ideias de beleza e força, traduzidos nos seus traços firmes de inspiração clássica, é uma casa de finais da década de 30 do Século XX que traça a forma desse período de afirmação da região. 




08) Casa Rei Karol da Roménia

Construída originalmente para Octávio Pinto da Rocha, que em 1928 requisitou ao Arquitecto Jorge Segurado uma habitação em estilo neo-clássico, foi mais tarde residência do Rei Karol da Roménia e adaptada por diversas vezes para se aproximar do ideal apalaçado que hoje apresenta. Apesar de bastante desfigurada com a alteração que lhe foi imposta para criação de um moderno condomínio, guarda ainda as memórias da sua antiga função real. 




09) Villa Giralda

Marcada ainda hoje pelas memórias muito vivas do exílio da Família Real Espanhola em Portugal, a Villa Giralda foi a sua residência oficial durante quase três décadas. Com uma vista privilegiada sobre o Estoril, foi no seu jardim que por acidente o actual Rei Juan Carlos disparou e matou o seu irmão o Infante Dom Alfonso. Com os seus muros baixos e a fachada aberta para a Rua de Inglaterra, a Villa Giralda é hoje a melhor imagem do cosmopolitismo real que deu forma à organização social do Estoril sobretudo no período que se seguiu às duas guerras mundiais.  




10) Casa Teixeira Beltrão

Projectada pelo Arquitecto Carlos Ramos e edificado em 1923 para Luís Teixeira Beltrão, o edifício, hoje abandonado, apresenta reminiscências dos laivos neo-árabes do período romântico que a antecedeu. A escadaria da entrada, monumentalizando uma fachada volumetricamente pouco interessante, recria um ambiente apalaçado que se afirma perante o portuguesismo das casas envolventes. 




11) Casa Vale Florido

Com projecto do Arquitecto Cristino da Silva e construída em 1939, a Casa Vale Florido é um dos melhores exemplos da arquitectura modernista no Estoril. Inserida num lote perpendicular ao estacionamento em forma de meia-lua que serve de cenário à fachada principal do Casino Estoril, foi alvo de grande controvérsia no momento da sua construção por ter sido apresentada como um contra-ponto ao modelo da dita “Casa Portuguesa” que nessa altura imperava na região. 




12) Casa Boavida

Tal como a anterior, a Casa Boavida segue os cânones construtivos da arquitectura modernista tendo sido edificada na década de 40 com projecto do Arquitecto Cristino da Silva. Tendo feito evoluir os conceitos originais desse movimento de vanguarda, o arquitecto utiliza nesta casa alguns dos principais traços que o aproximam da estética nacionalista como são os arcos e as pérgolas. 




13) Antigo Casino Estoril

Apesar de ter sido inaugurado somente em Agosto de 1931 o edifício do antigo Casino Estoril foi construído depois da adaptação do projecto original do Arquitecto Silva Júnior. A reformulação das ideias originais constantes do projecto urbanístico de Martinet e sobretudo o contributo dos Arquitectos Raoul Jorde e Pardal Monteiro, foram essenciais para o assumir das suas linhas modernistas que acabaram por ser percursoras de um vasto movimento arquitectónico que teve grande influência na História da Arquitectura em Portugal. 




14) Hotel Palácio Estoril

Inaugurado no dia 31 de Agosto de 1930, com uma cerimónia plena de pompa em que até o Presidente da República esteve presente, o edifício do Hotel Palácio do Estoril integra-se no original Plano de Urbanização do Estoril que Fausto de Figueiredo encomendou ao arquitecto Francês Henry Martinet. Utilizando valores estéticos neo-clássicos, em que se misturam alguns laivos do antigo romantismo com as novas orientações do modernismo, é o mais conceituado estabelecimento hoteleiro por onde passaram as principais figuras dos mundos da política, da moda, do espectáculo, das artes e das letras de todo o Mundo. 




15) Arcadas do Parque

Datadas de 1915 e inseridas no projecto assinado pelo Arquitecto Francês Henry Martinet para a Sociedade Estoril Plage, o edifício das Arcadas do Parque cumpre o propósito definido pelo promotor Fausto Cardoso de Figueiredo de criar um ambiente de grande conforto urbano, sempre com um cunho de base familiar, na sua nova estância balnear. Fechando o espaço, as arcadas definem os traços principais da arquitectura de fachada que há-de transformar-se na imagem de marca dos Estoris. 





16) Cocheiras Santos Jorge

Propriedade da Família Santos Jorge, que teve enorme influência na criação dos Estoris, as Cocheiras Santos Jorge foram projectadas pelo Arquitecto Norte Júnior em 1916, tendo feito parte da antiga casa de família que entretanto foi demolida. Utilizando um estilo eclético mas marcado de forma vincada por um revivalismo de orientação neo-romântica, é um expressivo exemplo da arquitectura de cenário que constrange a imagem promocional dos Estoris. 




17) Edifício dos Correios do Estoril

Sendo assumidamente a grande referência da arquitectura modernista do Estoril, o edifício dos Correios do Estoril foi edificado em 1936 sobre um projecto assinado pelo Arquitecto Adelino Nunes. Utilizando uma planta em V que lhe permite rentabilizar a forma do lote onde se insere, e apostando no destaque conferido à estrutura cilíndrica da fachada, o edifício marca o ponto de viragem no desenvolvimento urbano do Estoril representando o assumir do modernismo como principal traço da construção da cosmopolita estância balnear. 




18) Casa de São Francisco

Seguindo a linha orientadora do modernismo Estorilense, basicamente assente nos projectos do Arquitecto Adelino Nunes, António Varela projecta em 1936 uma casa de habitação destinada ao Engenheiro António Cortez de Lobão. A regularidade das fachadas, contrariada neste caso por uma inusitada entrada lateral, é contrariada pelos baixos-relevos que a decoram e lhe conferem algum movimento. É, para todos os efeitos, um dos mais relevantes exemplos de arquitectura modernista no Estoril. 




19) Casa de Nossa Senhora de Fátima

Datada de 1921, a Casa de Nossa Senhora de Fátima utiliza o modelo de implantação definido pelo Arquitecto Norte Júnior, repescando os valores mais tradicionais da Casa Portuguesa e apostando nos painéis de azulejos como elemento diferenciador. Foi construída pela Companhia de Crédito Edificadora Portuguesa, responsável pela promoção urbana do Estoril. 




20) Hotel da Inglaterra

Seguindo as orientações estéticas constantes no original projecto de Martinet, o edifício onde actualmente funciona o Hotel de Inglaterra foi construído em 1916 para Alexandre Nunes de Sequeira. Apesar de bastante alterado em 1917 para ser adaptado às funções hoteleiras, mantém incólumes os valores arquitectónicos definidos no projecto assinado pelo Arquitecto Silva Júnior. 

(c) HENRIQUES, João Aníbal, Levantamento Exaustivo do Património Cascalense, Cascais, Fundação Cascais, 2000













quinta-feira

Pelas Casas de Cascais...



Os contornos sinuosos das ruas, marcados aqui e ali pelas formas esbeltas do casario, contrastam com a indescritível recorte das falésias e as sempre deslumbrantes cores do areal. As casas, espelhando a alma dos seus construtores e proprietários, contam sempre uma história, tornando mais marcante uma visita a Cascais. Nesta Vila de Reis e de Pescadores, a arquitectura deixa subentendidas várias formas de estar, de viver e de sentir, motivando uma variedade que não deixa indiferente quem a opta por visitar. 



Trajecto:


Comece na Estação de comboios de Cascais e siga através da Avenida Valbom até encontrar à sua direita a Villa Pérgola. Continue a descer a avenida até encontrar o Jardim Visconde da Luz. Contorne o jardim e suba a Avenida Visconde da Luz deixando à sua esquerda a Casa Pinto Basto até encontrar o edifício da EDP. Siga pelo arruamento que fica à sua esquerda e que continua a chamar-se Avenida Visconde da Luz e encontre o antigo hospital dos mareantes e a Ermida de Nossa Senhora da Conceição de Porto Seguro no cimo da rua à esquerda. Siga pela Rua Padre José Maria Loureiro até à Avenida do Ultramar e vire à direita até encontrar o edifício dos SMAS. Continue pela Avenida 25 de Abril, passando o Hotel Cidadela e virando à esquerda na Rua Freitas Reis. Contorne o muro da escola primária e encontrará à sua direita, no entroncamento com a Travessa dos Bem Lembrados, a antiga fábrica de conservas. Siga pela Travessa dos Bem Lembrados e vire à direita para a Rua João Luís de Moura, que terá de subir até chegar à Rua dos Bem Lembrados. Quando aí chegar vire à esquerda e siga em direcção à Avenida Emídio Navarro. A Casa do Sol está na esquina entre os dois arruamentos. Imediatamente a seguir, na Avenida Emídio Navarro, está à sua esquerda a Casa de Sant’Anna. Continue a descer a mesma avenida e, fazendo esquina com a Rua Guilherme Gomes Fernandes, vai encontrar o Chalet Ficalho. Siga pela Rua Guilherme Gomes Fernandes e encontrará à sua esquerda a Casa de Nossa Senhora da Conceição. Em frente, no entroncamento com a Rua José Inácio Roquete, está o monumento que marca a antiga Parada de Cascais e o jardim onde o antigo clube existia. Siga pela Rua Freitas Reis no sentido ascendente e vire à direita para a Rua Gago Coutinho continuando sempre em frente até chegar à Avenida Vasco da Gama. Aí vire à direita e vai encontrar a Escola Dom Luís alguns metros abaixo no seu lado direito. Continuando pela Avenida Vasco da Gama até ao fim, encontrará a Casa Sommer que é o último edifício desse arruamento à esquerda de frente para o jardim. Vira à esquerda através do Largo da Assunção em direcção à Rua Marques Leal Pancada que deverá descer e encontrará a antiga porta do Castelo de Cascais à sua direita. Um pouco mais abaixo, já no Largo 5 de Outubro, situa-se o Palácio dos Condes da Guarda, onde actualmente funciona a Câmara Municipal de Cascais. Do lado oposto da praça, construído num promontório rochoso virado ao mar, está o Palacete Seixas e à sua frente a Casa Maria Amália Vaz de Carvalho (onde funciona a Villa Albatroz). Suba a escadaria em pedra que divide estas duas casas e dá início à Rua Fernandes Thomaz e vire à Direita para a Rua da Saudade. Encontrará à sua direita a Casa de Mircea Eliade e em frente, encostado às traseiras da Igreja da Misericórdia, o edifício do antigo Hospital.




01) Estação de Cascais

Quando foi inaugurada a linha-férrea que ligou Cascais a Pedrouços, no dia 30 de Setembro de 1889, alterou-se radicalmente a face da velha vila piscatória. A proximidade à capital e a facilidade de acesso acabou por trazer um novo equilíbrio social que marcou o período de ouro da existência de Cascais. A estação, construída no mesmo local onde existiu a antiga Igreja da Ressurreição de Cristo, destruída pelo terramoto de 1755, é um dos exemplares mais notáveis da arquitectura pública da década de 50 do Século XX.



02) Avenida Valbom

A artéria que liga a Estação de Comboios de Cascais ao Jardim Visconde da Luz foi um dos projectos mais extraordinários incluídos no plano de modernização de Cascais que o Visconde da Luz criou em finais do Século XIX para preparar a Vila para receber a Família Real e a Corte. Pensada de forma a criar uma entrada digna em Cascais, foi inaugurada com a pompa e circunstância que a Vila da Corte exigia.




03) Villa Pérgola

Depois da chegada da Família Real e da Corte a Cascais, muitos foram os aristocratas lisboetas que se sentiram obrigados ter uma casa de veraneio neste aprazível recanto. A Villa Pérgola, edificada no final do Século XIX, é um dos exemplares emblemáticos desse período, aproveitando o fluxo de visitantes que a condição Real conferia à Vila de Cascais.




04) Jardim Visconde da Luz

O Jardim Visconde da Luz, na sua apresentação actual, foi inaugurado em 1984 depois da grandes destruição imposta pelas cheias do ano anterior. O local, onde originalmente se situava a Fábrica de Conservas de Cascais, foi projectado pelo Visconde da Luz de forma a dotar a vila das condições necessárias para receber o Rei Dom Luís I e a Corte durante o período estival. É de salientar, por ter feito parte do projecto original, a fonte romântica situada na parede virada para a Rua Visconde da Luz, a Fonte Filipina situada no centro da praça e a estátua em honra dos Combatentes da Grande Guerra.




05) Casa Pinto Basto

Situada sensivelmente a meio da Rua Visconde da Luz, por detrás do jardim com o mesmo nome, a Casa Pinto Basto é um dos melhores exemplares da arquitectura tradicional Cascalense. Embora não se conheça a sua origem, é provavelmente uma das mais antigas edificações da vila, antecedendo a chegada da corte no Século XIX e o fulgor construtivo que se lhe seguiu. Mantendo a sua características rurais, deverá ter feito parte da estrutura agrícola de Cascais dos Séculos XVIII e e do início do XIX.




07) Ermida de Nossa Senhora da Conceição de Porto Seguro

Originalmente integrada na antiga Gafaria de Cascais, espécie de centro hospitalar de acolhimento de doentes leprosos, a Ermida de Nossa Senhora da Conceição de Porto Seguro é um edifício do início do Século XVII. Situada nos arrabaldes da vila, num lugar chamado Vista Alegre, oferecia apoio espiritual aos doentes que eram afastados do resto da sociedade.




08) Antigo Hospital dos Condes de Castro Guimarães de Cascais

O edifício original foi inaugurado em 1940, depois de ter sido construído de raiz com o apoio de uma verba legada pelos Condes de Castro Guimarães, num terreno oferecido à Santa Casa da Misericórdia de Cascais por Henrique Marques Leal Pancada. Em 1973-1974 foi totalmente reformulado e reequipado pelo Provedor Joaquim Baraona, adquirindo a forma que hoje apresenta. Deixou de funcionar em Março de 2010. 

09) Fábrica das Conservas de Cascais

Sendo um dos poucos exemplares de arquitectura industrial que subsistem na Vila de Cascais, a antiga Fábrica de Conservas foi construída pelo Engº. Abreu Nunes no início do Século XX e perpetua a memória da ligação ancestral que esta terra possuía com a indústria conserveira. O seu proprietário, empreendedor de destaque no Cascais de então, foi também um dos primeiros promotores turísticos da região e o grande responsável pela criação da então Junta de Turismo da Costa do Estoril.



10) Casa do Sol / Bem Lembrados

Tendo sido originalmente um anexo da Casa de Sant’Anna, a Casa do Sol contou com a traça do Arquitecto Raul Lino e foi construída na década de 40 do Século XX. Foi também, até à sua morte no ano 2000, a residência do grande escritor Cascalense Pedro Falcão (D. Simão do Santíssimo Sacramento Pedro Cotta Falcão de Menezes), que ali produziu algumas das suas mais importantes obras literárias e artísticas.



11) Casa de Sant’Anna

Construída em 1931 por D. Ana Maria Burnay Soares Cardoso Aranha, a Casa de Sant’Anna é um dos melhores e mais representativos projectos do Mestre Raul Lino na Vila de Cascais. Inserindo-se na tipologia da denominada “Casa Portuguesa”, foi edificada por José Vilar (Mestre Tapisso) e integra grande parte dos valores estéticos que dão forma à corrente construtiva daquela época. São de salientar os beirados tradicionais, os cortes dos telhados, os terraços, as janelas e os alpendres.



12) Chalet Ficalho

Construída em 1897, com projecto do Arquitecto Manuel Ferreira dos Santos, Chalet Ficalho é uma interessante construção de matiz romântica que utiliza os valores estéticos do movimento romântico Português. Integrando um aspecto acastelado, com os seus muros e paredes forrados a pedra solta, o Chalet Ficalho foi construído por António Máximo da Costa e Silva para a sua filha D. Helena Mello da Costa que, sofrendo de problemas respiratórios, foi aconselhada pelos médicos a vir a banhos para Cascais.


 

13) Casal de Nossa Senhora da Conceição

Inserida no denominado ‘Estilo Português’, o Casal de Nossa Senhora da Conceição foi construído entre 1917 e 1920 por D. Francisco Lobo de Almeida Mello e Castro de Avillez. Situada defronte da antiga parada, foi projectada pelo conceituado Arquitecto Guilherme Gomes e construída pelo Mestre Alfredo de Figueiredo.




14) Parada

Inaugurado em 15 de Outubro de 1879 pelo próprio Rei Dom Carlos, o Sporting Clube da Parada depressa se tornou no grande espaço de referência na sociedade aristocrática do Portugal de então. Pelos seus pavilhões, onde os finais de tarde eram passados em torno dos modernos jogos da moda, como o foot-ball, tennis e soft-ball, circulavam as mais importantes figuras do reino. Até à Implantação da República, o Clube da Parada viu crescer o seu prestígio, ao ponto de Ramalho Ortigão referir que era preciso ser-se visto na Parada para se poder ser alguém em Portugal. Em Outubro de 1888, foi também nos relvados defronte da Parada que se realizou o primeiro jogo de futebol em Portugal, organizado pelos irmãos Pinto Basto.



15) Escola Dom Luís I

Seguindo o projecto-tipo de Arnaldo Redondo Adães Bermudez, a Escola Dom Luís I foi construída no princípio do Século XX utilizando uma estrutura mista que assentava em duas salas de aulas complementadas com dois espaços residenciais para professores. Foi inaugurada em Outubro de 1903 com a presença da Família Real, tendo funcionado como escola até ao final do século.



16) Casa Sommer

Conjugando referências ecléticas que misturam o apogeu do estilo romântico com um neoclassicismo determinante na evolução da estrutura urbana de Cascais, o imóvel adquiriu o nome do seu primeiro proprietário – Henrique de Sommer – e foi construído em finais do Século XIX. Integrado no movimento de instalação da corte em Cascais, acompanhando o estio da Família real durante os reinados de Dom Luís I e de Dom Carlos I, a Casa Sommer é um excelente exemplo da denominada ‘Arquitectura de Cenário’ que acompanhava a construção de veraneio.




17) Castelo de Cascais

Quando em 1364 Cascais recebeu a sua Carta de Foral atribuída pelo Rei Dom Pedro, já a Vila possuía um castelo antiquíssimo que lendariamente remontava ao período da dominação árabe. Apesar de quase completamente destruído com o terramoto de 1755, subsistem ainda hoje alguns troços de muralha e a porta principal, junto à qual, durante muitas gerações, se reuniam os homens-bons do Concelho, para tomarem em conjunto as principais decisões de que a terra necessitava.



18) Palácio dos Condes da Guarda

Embora bastante modificado, sobretudo depois das obras que o readaptaram para nele funcionar a Câmara Municipal de Cascais, o Palácio dos Condes da Guarda é uma das mais antigas edificações da Vila de Cascais. Construído provavelmente no final do Século XVII, conforme o atestam os magníficos painéis de azulejos que o decoram, o palácio resistiu à destruição que resultou do terramoto de 1755 e mantém incólume a sua formulação tipológica ancestral. Por ocasião da assinatura da “Convenção de Sintra” que põe fim às Invasões Napoleónicas de Portugal do início do Século XIX, foi utilizado como quartel-general do Almirante Inglês Cotton.


19) Palacete Seixas

Construída na década de 20 do século passado, com projecto assinado pelo Arquitecto Norte Júnior, o Palacete Seixas é uma moradia de aspecto acastelado que determina, de forma evidente, a paisagem marítima de Cascais. Propriedade de Henrique Maufroy de Seixas, um aristocrata apaixonado pelo mar, foi deixada em testamento ao Ministério da Marinha que ali instalou a Capitania do Porto de Cascais. Ao longo dos anos foi sujeita a várias obras de remodelação e ampliação que lhe conferiram o aspecto que hoje apresenta.



20) Casa Maria Amália Vaz de Carvalho

Mandada construir pelos terceiros Duques de Palmela, a casa que originalmente se designava “Casa de D. Pedro”, foi oferecida à escritora Maria Amália Vaz de Carvalho como tributo de homenagem pela sua obra historiográfica e genealógica sobre o Duque de Palmela Dom Pedro de Sousa Holstein. Depois da sua morte a propriedade passou para as mãos do seu irmão, Dr. Luiz Vaz de Carvalho Crespo, que ali viveu até à sua morte.




21) Casa Mircea Eliade

Situada no cimo da Rua da Saudade, nas traseiras da Igreja da Misericórdia, a Casa de Mircea Eliade é tipologicamente um excelente exemplo da forma como evoluiu a habitação em Cascais. Sendo originalmente uma modesta casa de pescadores, foi-lhe posteriormente construído um primeiro andar que, aproveitando a sua situação privilegiado em relação ao mar, lhe confere um toque aristocrático adaptado às novas necessidades. Nesta casa viveu o escritor e investigador romeno Mircea Eliade entre 1940 e 1944.




22) Antigo Hospital da Misericórdia

Quando em 1587 foi criado o Hospital dos Mareantes, já a Misericórdia de Cascais existia há praticamente 30 anos, desenvolvendo um trabalho profícuo a favor dos pobres e desprotegidos da sociedade. A atribuição deste hospital, efectuada pelo Rei Filipe I, serviu para reforçar a capacidade de intervenção daquela instituição e é, na prática, o primeiro estabelecimento médico existente no actual Concelho de Cascais. 

HENRIQUES, João Aníbal, Levantamento Exaustivo do Património de Cascais, Cascais, Fundação Cascais, 2000.