quarta-feira

O Vale Encantado da Ribeira das Vinhas em Cascais



 
Numa iniciativa inédita, o Movimento SerCascais organizou no passado Domingo mais uma das suas visitas aos recantos encantados de Cascais. Acompanhado de cerca de três dezenas de Cascalenses, que seguiram de perto as explicações da líder do Movimento SerCascais, o grupo redescobriu mais um dos segredos bem guardados desta terra tão especial.

Num trajecto curto mas muito impactante, Isabel Magalhães mostrou a impressiva paisagem que acompanha o Vale da Ribeira das Vinhas, desde o Mercado de Cascais até à Ribeira das Vinhas, explicando detalhadamente os muitos pormenores do projecto de requalificação enviado atempadamente à Autarquia.





Assente no pressuposto que a intervenção a realizar na Ribeira das Vinhas deve assumir um carácter minimalista, reduzindo ao mínimo o investimento público e rentabilizando os muitos equipamentos que ali subsistem, o projecto do Movimento SerCascais passa pela recuperação do antigo caminho pedonal, integrando-o no património edificado que ali existe, nomeadamente as azenhas, os moinhos e as estruturas agrícolas; pela criação de uma rede de hortas urbanas para serem entregues à população mais idosa das redondezas; pelo fomento do uso turístico e cultural associado ao complexo das Grutas de Alvide; e pela recriação de vários trajectos pedonais, associados à participação das escolas, associações juvenis e grupos de escuteiros que assegurem um reforço da segurança e da mobilidade ao longo daquele espaço.

Numa segunda fase, integrando neste projecto os espaços associados ao Parque Urbano das Penhas da Marmeleira, o Vale do Zangão em Murches e a Quinta do Pisão, a recuperação do Vale da Ribeira das Vinhas integrará ainda um acesso directo de Cascais ao Parque Natural e à Serra de Sintra, nomeadamente através da gestão dos acessos que ligam a Vila à Barragem do Rio da Mula.

Concretizando o projecto assinado pelo Movimento SerCascais o Parque Natural vai entrar directamente na Vila de Cascais!










sexta-feira

Morreu José Hermano Saraiva (1919-2012)




Depois de 92 anos de uma vida plena e produtiva, faleceu hoje durante a manhã, na sua casa de Setúbal, o investigador, romancista, historiador, jurista, diplomata e, sobretudo, comunicador, José Hermano Saraiva.

Nascido em Leiria no dia 3 de Outubro de 1919, José Hermano Saraiva iniciou a sua vida pública como político. Deputado à Assembleia Nacional, Procurador à Câmara Corporativa e mais tarde Ministro da Educação, tornou-se Embaixador de Portugal no Brasil entre 1972 e 1974, assumindo com grande empenho a representação do País junto daquela potência estrangeira.

Das muitas estórias que serviam de enquadramento à sua História de Portugal, sublinhava permanentemente as muitas experiências extraordinárias que viveu durante esse período dedicado à diplomacia e, sobretudo, a forma como ultrapassava as vicissitudes e dificuldades associadas à falta de meios ao seu dispor para cumprir a sua missão. Dessa época, o Professor Hermano Saraiva lembrava sempre a ocasião em que transformou o Navio Gil Eanes, ancorado ao largo do Rio de Janeiro, numa espécie de Embaixada flutuante, para resolver o problema que lhe suscitavam as precárias instalações que Portugal possuía nessa cidade.

Depois de 1974, José Hermano Saraiva dedicou-se à comunicação, tendo assumido a autoria e a apresentação de vários programas na televisão que, tendo popularizado a sua veia historiográfica, lhe granjearam o reconhecimento unânime por parte da população.

Comunicador nato, conseguia transmitir com uma alegria e um entusiasmo incomuns os vários factos e episódios que haviam constrangido a História de Portugal.

Também desse período, são os muitos livros que escreveu e publicou, com especial ensejo para a "História Concisa de Portugal" que conheceu um número perfeitamente anormal de edições em linha com a importância que ele teve na divulgação da nossa Identidade e, por conseguinte, na consolidação da Nacionalidade Portuguesa.

Foi ainda um dos mais proeminentes e ilustres académicos da ALA - Academia de Letras e Artes, fazendo parte da generalidade das academias, institutos e associações culturais Portuguesas.

O desaparecimento de José Hermano Saraiva representa uma perda inestimável para Portugal e para os Portugueses, sendo assumidamente insubstituível na forma como foi capaz de conjugar os seus ideais e interesses pessoais, com os interesses maiores de Portugal e dos Portugueses.






quarta-feira

A Villa Romana de Freiria e as Tristes Memórias Históricas de Cascais




Classificada como Imóvel de Interesse Público desde o dia 19 de Junho de 1997, através da Resolução do Conselho de Ministros nº 96/1997, a Villa Romana de Freiria  é uma das mais preciosas peças do património histórico Cascalense.

Situada entre as povoações de Polima e Outeiro de Polima, na Freguesia de São Domingos de Rana, a Villa Romana de Freiria é um dos mais emblemáticos exemplares deste tipo de ocupação em todo o Mundo Romano.

Datada dos Iºs e IIºs Séculos da Era Comum, Freiria teve ocupação comprovada pelo menos desde o Calcolítico, visíveis as peças do Período Campaniforme e, sobretudo, da Idade do Bronze que ali foram encontradas. A existência de um povoado amuralhado numa dessas épocas, atestado por diversos achados avulso, aponta para uma ocupação intensiva e de grande continuidade, facto que determina a qualidade extrema dos objectos cerâmicos ali encontrados. De acordo com os arqueólogos responsáveis pelo estudo do povoado, Guilherme Cardoso e José d’Encarnação, a qualidade dessas peças denuncia uma ligação comercial aos centros onde elas eram produzidas: “Salienta-se a excelente qualidade das peças estudadas, demonstrando-se que nos encontramos perante uma população que está, efectivamente, em contacto com os melhores centros produtores de determinados objectos, mormente no que concerne aos objectos de adorno encontrados (fecho de cinturão, fíbulas, contas de colar...)”.

Já no período de ocupação romana, a Villa terá pertencido a T(itus) Curiatius Rufinus, tendo em conta a inscrição patente na sua lápide funerária dedicada à divindade pré-romana Tribunnis.

A principal peça deste período, um quadrante solar datável dos primeiros séculos da Era Cristã, complementa o enquadramento facultado pela existência de um celeiro que, a todos os níveis, só encontra paralelo num outro situado na Cidade Espanhola de Cáceres e que se encontra associado a um moinho. Para além destes, existe ainda uma domus de características excepcionais, composta por um Peristilo e Impluvium circundado de "espelhos de água" e o envolvente corredor provido de colunas. De salientar são ainda os pavimentos em mosaicos policromos que revestiam algumas da habitações e que, mercê do estado geral de abandono e incúria em que se encontra o monumento, estão agora espalhados por todo o recinto.

Na parte rural, e para além do celeiro e do moinho, existem ainda vestígios de um antigo cemitério, com área própria para incineração dos cadáveres, um complexo de termas, com banhos quentes e frios, um lagar e um forno de cozer pão. Para além disto, foi ainda encontrado um enorme conjunto de telhas que os arqueólogos consideram ter feito parte de uma estrutura coberta que ligaria as diversas partes que compõem a Villa Romana.

Nos dias que correm, e em que Cascais necessita avidamente de se afirmar no contexto de uma Europa ávida de memórias, é particularmente preocupante assistir de forma impávida à degradação galopante que tomou conta deste monumento. Em primeiro lugar porque sendo um Imóvel de Interesse Público, reconhecido pelo Estado e classificado oficialmente, deveria ser alvo de medidas concretas de protecção que salvaguardassem o seu valor e a sua importância para o conhecimento da História e da Identidade deste recanto de Portugal. Depois porque, num Concelho como o de Cascais em que a vocação é o turismo de qualidade, o potencial desta estação arqueológica se perde por completo pelo estado generalizado de evidente desconsideração a que foi votado pela Autarquia.

O desinteresse pela cultura, pela História e pelas memórias, agrava-se em Freiria pelo desrespeito que tal situação representa perante o trabalho dos arqueólogos que escavaram e estudaram este monumento, e principalmente pela dedicação de Guilherme Cardoso, que ali literalmente deixaram o seu suor, trabalho, dedicação e empenho em prol da recuperação da memória da nossa terra.

É uma pena que existam outros interesses, bem visíveis em Freiria e nos bairros clandestinos que legalmente vão envolvendo o monumento, que se vão sobrepondo aos interesses de Cascais e dos Cascalenses…






segunda-feira

Pedro Rocha dos Santos Eleito Presidente da GMIC





Pedro Rocha dos Santos, profissional de turismo e Director do Centro de Congressos do Estoril, foi eleito por unanimidade como Presidente do Capítulo Ibérico do GMIC – Green Meeting Industry Council, a primeira instituição global dedicada à indústria do turismo e dos eventos sustentados.

Neste acto, que reconhece o valor pessoal e profissional de Pedro Rocha dos Santos enquanto mentor e promotor de uma nova consciência ao nível daquela que é uma das áreas de actividade mais pujantes no Mundo actual, é também um prémio que recebe o Estoril enquanto destino sustentável de excelência, em linha com o trabalho que o novo Presidente e a sua equipa do Centro de Congressos do Estoril têm vindo a desenvolver.

Numa altura em que tantos e tão grandes desafios se colocam a Portugal e à Europa, é com entusiasmo que saudamos o Pedro Rocha dos Santos por este reconhecimento internacional e, sobretudo, pela sua coragem, determinação e empenho na defesa de um futuro para o Turismo do Estoril.

É desta forma, através da promoção de qualidade, que se dá continuidade do projecto Estoril e, em termos Nacionais, se criam as bases para que o País se possa reafirmar neste Planeta globalizado em que vivemos.

Ribeira das Vinhas - Uma Preciosidade Extraordinária de Cascais






Cascais tem potencialidades extraordinárias que poucos conhecem mas que são essenciais para garantirmos um futuro sustentado para esta nossa terra tão especial. O Vale da Ribeira das Vinhas, que é um braço do Parque Natural que entra dentro da Vila de Cascais, é uma dessas zonas excepcionais e que, com um impacto paisagistico, ambiental patrimonial, educativo e estrutural imenso, importa desde já conhecer e potenciar.

Quando em 1995 a Fundação Cascais propôs a criação de um eco-corredor utilizando o antigo caminho rural que dá serventia à ribeira, já tinha como preocupação a criação de uma zona de descompressão verde para a Vila e, sobretudo, a possibilidade de o fazer com um esforço financeiro mínimo para o erário público. Hoje, quando atravessamos esta crise tremenda que nos foi imposta pelos partidos, redobra de importância esta nossa proposta.

É urgente que o Vale da Ribeira das Vinhas, ligado a montante à Ribeira dos Marmeleiros e ao Rio da Mula, seja imediatamente intervencionado e colocado ao serviço da qualidade de vida dos Cascalenses. É um dos mais impactantes recantos de Cascais e, acima de tudo, é um reduto de qualidade de vida que não podemos dar-nos ao luxo de não aproveitar.




domingo

Solstício de Verão 2012 com Movimento SerCascais e Academia de Letras e Artes




Numa iniciativa conjunta do Movimento SerCascais e da ALA, coordenada por Paulo Machado de Jesus e João Aníbal Henriques, mais de 100 intrépidos Cascalenses subiram a Encosta de São Saturnino em direcção à Ermida de Nossa Senhora da Peninha, na Serra de Sintra, em Cascais, num passeio ierretível através dos mitos e dos arquétipos essenciais da Humanidade.

A iniciativa, que juntou a comemoração do Solstício de Verão de 2012 com um passeio pedestre inesquecível através dos recantos mais extraordinários do Parque Natural de Sintra Cascais, transportou os participantes através dos tenpos e das eras, num processo de recuo no tempo na ordem dos milhares de anos, para partilharem um das mais impactantes vistas do Concelho de Cascais.











sexta-feira

Engº. Augusto Abreu Nunes: Uma Homenagem ao Fundador do Turismo do Estoril





Foi com emoção que Cascais recordou o Engº. Augusto Abreu Nunes, empresário Cascalense fundador da Junta de Turismo do Estoril e antigo Director da Sociedade Propaganda de Cascais.

A sua intervenção, fundamental para a criação da marca turística do Estoril, foi um dos mais importantes passos para a afirmação da vocação turística de cascais e para a consolidação do seu prestígio internacional.

O Dr. António d’Orey Capucho, antigo Presidente da Câmara Municipal de Cascais, reforçou essa afirmação salientando o valor do projecto turístico protagonizado pelo Engº. Abreu Nunes enquanto líder do turismo no Estoril, e explicando que a marca que criou é um dos mais importantes activos da região. Legado de Abreu Nunes, e consolidada por diversas gerações ao longo das últimas décadas, a marca turística do Estoril é hoje reconhecida e valorizada em todo o Mundo sendo uma peça de património que cabe à actual geração conhecer, reconhecer e defender.

Por fim, o neto do homenageado, Engº. Pedro Rocha dos Santos, profissional de reconhecido mérito no sector do turismo e Director do Movimento de Cidadania SerCascais, sublinhou a herança recebida do seu avô e a sua importância não só para a família como para a própria afirmação internacional do Concelho de Cascais. O Estoril, marca associada a um projecto de sucesso que o Engº. Abreu Nunes fomentou, é hoje a grande vocação de Cascais, sustentando a economia local e consolidando a capacidade de crescimento do Concelho e a qualidade de vida dos munícipes.

A esta cerimónia associaram-se ainda o actual Pároco de Cascais, Padre Nuno Coelho, o anterior Prior da Freguesia, Padre Raul Cassis Cardoso, o empresário António Muchaxo, o antigo Presidente da Junta de Freguesia de Cascais, Pedro Silva, para além de várias dezenas de munícipes e familiares dos homenageados.

O Engenheiro Abreu Nunes faleceu em Cascais no dia 12 de Outubro de 1966.





segunda-feira

Em Memória do Cruzeiro e do Monte Estoril





Tragicamente, depois de quase sessenta anos de uma História repleta de muitos acidentes, o edifício histórico do Centro Comercial Cruzeiro, no Monte Estoril (Concelho de Cascais) vai conhecer o seu futuro.

O projecto inicial, da autoria de Manuel António da Cruz e de João da Cruz, ditou o seu original nome, que foi consolidado pelo facto de se situar num local onde se cruzavam duas das antigas linhas de águas naturais do Monte Estoril.

Com a primeira pedra lançada em 1947, em pleno período de crise provocado pelo pós Segunda Guerra Mundial, a construção do edifício sofreu vários reveses, tendo sido Fausto de Figueiredo, o fundador do moderno Estoril, uma das personalidades que mais o atacou temendo que o mesmo pudesse vir a condicionar o sucesso do seu próprio projecto urbanístico.

No entanto, depois da inauguração, em 1951, a Revista Portuguesa de Turismo consagra-lhe um enorme e muito elogioso artigo, no qual o considera um dos mais arrojados e interessantes projectos do Portugal moderno. No dizer da revista, foi “um dos melhores da Europa” de então…

Foi, de facto, o primeiro centro comercial Português e apesar do estado de abandono profundo em que ficou desde finais da década de setenta do Século XX, manteve sempre a sua importância na definição das memórias e da Identidade Cultural daquela localidade.

Recentemente, depois de se ter entaipado o edifício, pretensamente para evitar acidentes que resultassem da queda de pedaços de cantaria que se soltassem dos rebordos superiores do imóvel, surgiu finalmente o novo projecto para o edifício que se pretende que venha a ocupar este lugar.

Mas, contrariando a vontade dos Monte Estorilenses; subvertendo a importância e o valor do Cruzeiro na consolidação da Identidade Local; esquecendo que a própria envolvência do Monte Estoril é uma preciosidade que importa valorizar; e sobretudo que existe uma História repleta de muitas estórias que transformam este lugar num dos mais significantes para a História de Cascais; o projecto em curso (que as imagens que juntamos traduzem muito bem) opta por construir um edifício de traça pós-moderna, sem qualquer espécie de ligação estética ao velhinho Cruzeiro, numa atitude de total desrespeito pela memória do Monte Estoril.

Parece que é esta a sina, novamente, do património, das memórias e da Identidade de Cascais!






Capotira - Romance de Roberto C.P. Júnior





As marcas perenes do destino são as principais linhas que dão forma ao mais recente romance da autoria de Roberto C.P. Júnior.

Intitulado “Capotira” o novo livro que agora é apresentado, situa-se no alvorecer do Século XIX e traduz de forma exímia a relação entre a fidalguia Portuguesa chegada ao Brasil num momento difícil da História da nação, e os índios Brasileiros. A troca de culturas, assente em saberes ancestrais que o próprio destino se encarrega de fomentar, dá origem a uma sociedade diferente, única e irrepetível, na qual o mundo das evidências e das reflexões assume papel principal.

Como diz Caroline Derschner, que prefaciou esta obra, “na época que precedeu a sucessiva predominância do homem dito civilizado sobre a nação indígena brasileira, aqui ricamente detalhada, as raízes de alguns dos nossos costumes e crenças mais remotos vêm à tona e, pelo olhar acurado do escritor e pesquisador Roberto C.P. Júnior, nos deixam uma pergunta no ar: quais fenómenos são capazes de reger a vida dos homens, orquestrando as trilhas pelas quais todos caminhamos, não importando de maneira nenhuma a época, etnia raça ou grupo social em que nos encontramos?”…

O autor, Roberto C.P. Júnior é investigador e escritor com uma vasta obra publicada. É também académico da ALA – Academia de Letras e Artes.

Uma obra a não perder!

quinta-feira

O "Caos Urbano" por António de Sousa Lara





Com o País envolto numa crise profunda e com consequências imprevisíveis, assume especial importância a publicação do livro “Caos Urbano”, com coordenação do Presidente da ALA, Professor Doutor António de Sousa Lara, cuja apresentação decorreu no IESM – Instituto e Estudos Superiores Militares.

Dando conta dos factores de turbulência e instabilidade que surgem associados aos cenários de crise, esta obra analisa de forma exaustiva diversos casos que têm afectado as sociedades contemporâneas, apontando pistas que permitem interpretar, compreender e lidar com a situação difícil que Portugal atravessa.

Esta obra colectiva que contou com o prefácio do General Pinto Ramalho, teve ainda a participação de Carlos Carreira, Heitor Romana, José Antunes Fernandes, Pedro Clemente, Pedro Ferreira da Silva, Rogério Jóia e Teresa Almeida e Silva.

Mais do que um estudo, este livro traz-nos as pistas que se afiguram essenciais para responder aos novos desafios que o futuro se prepara para nos trazer.





Memórias de Cascais na Época Medieval




por João Aníbal Henriques

Sendo certo que é geralmente difícil conhecer em profundidade as raízes medievais de uma terra ou lugar, o certo é que, naquelas em que a importância estratégica se apresenta, as menções diversas em documentação de vários géneros e a sua ligação aos mais importantes episódios da História Nacional, acabam por nos oferecer caminhos e pistas que facilitam esse reconhecimento e a compreensão dessa realidade. É esse o caso da Vila e do Concelho de Cascais.

Neste caso específico, existem variadíssimas razões para que tal aconteça. Em primeiro lugar porque, como acontece na generalidade dos casos análogos, o Castelo Medieval de Cascais teve certamente a sua origem em estruturas defensivas anteriores, muito possivelmente durante o domínio Árabe da Península Ibérica (711-1147) facto que lhe conferiu uma História longa no tempo e um assentamento humano que, prolongando-se ao longo de muitas gerações, deixa evidentemente vestígios das suas actividades. Depois, e tal como nos comprova a arqueologia, porque a generalidade destes espaços, e Cascais não foi excepção, viram-se ocupados por construções de outras origens que, principalmente em épocas de paz prolongada, iam subvertendo a sua original componente defensiva e militar, num uso de índole habitacional e doméstico. Ou seja. Reconfigurando-se o seu miolo, as estruturas defensivas originais perpectuaram-se no seio da estrutura urbana posterior e, dessa maneira, permitiram a conservação de muitos dos seus vestígios e de muitas postas sobre a forma como se organizavam anteriormente.

Cascais, de forma especial, pela proximidade ao mar e pela sua posição estratégica na guarda de Lisboa, necessitou de permanentes e profundas intervenções de manutenção e adaptação, pelo que o devir histórico das suas muralhas de foi permanentemente readaptando ao longo do tempo.

Por todas estas razões, o que muitas vezes nos resta em termos informativos relativamente a estes espaços, é uma amálgama de vestígios diversificados que não nos permite esmiuçar de forma profunda e rigorosa as origens reais e o momento do seu surgimento.

Por último, importa sublinhar que os testemunhos que subsistem dessas épocas são normalmente subvertidos por exageros, falta de isenção e, sobretudo, pela necessidade de adequação a interesses específicos que conjunturalmente afectavam a terra, as entidades oficiais, ou mesmo o próprio autor dessas palavras. A documentação, enformando desse desígnio, deverá ser, por isso, perscrutada com especial atenção, retirando delas as pistas que permitirão reinterpretar as palavras que contêm à luz do que hoje conhecemos sobre a realidade dessa época.

Em termos pictográficos, profusamente utilizados para tentar compreender a forma como Cascais existiu e evoluiu ao longo dos tempos, verifica-se ser muito difícil, devido a imprecisões diversas que a documentação apresenta, discernir aí a visão concreta sobre a realidade local. As plantas e imagens, desenhadas à mão por gente que por vezes tinha pouco apetência para as artes plásticas, condicionada pelo facto de não serem raros os casos de calques efectuados sobre outros decalques já de si portadores de diversas deficiências, tornam-se instrumento incapazes de nos apontar os dados pelos quais tanto ansiamos.

Em resumo, e salvo a possibilidade de uma eventual descoberta fortuita de nova documentação esquecida num qualquer arquivo, é praticamente impossível definir com total exactidão os contornos do que foi Cascais durante a época Medieval.

Ponto de honra é, no entanto, a certeza absoluta de que Cascais foi terra de importância extraordinária na definição do Portugal moderno. A comprová-lo, para além da relevância estratégica da sua posição de controlo da entrada na barra do Tejo e, por isso, enquanto guarda avançada de Lisboa, está a sua posse, durante este período por gente da primeira linha de fidalgos essenciais para a Casa Real. Gomes Lourenço de Avelar e, mais tarde, Henrique Manuel de Vilhena, foram ambos figuras excelsas de um Portugal ainda em afirmação no contexto de uma Europa envolvida em precariedade e, por tudo isso, são provas cabais do interesse que a Coroa dedicava a esta pequena Vila plantada junto ao mar.

A tudo isso não será estranho, até porque daí derivaram os muitos sucessos que nasceram da crise de 1383-1385, o facto de as Guerras com Castela terem aumentado a importância da Vila, tornando-a ponto fulcral na estratégica defensiva do Reino de Portugal.

As guarnições de soldados que acorreram à Vila, principalmente depois de Dom Pedro I lhe ter concedido a independência relativamente a Sintra, povoaram de forma permanente a outrora insignificante vilória, suscitando interesses complementares, ao nível do comércio e dos serviços, que condicionaram de sobremaneira a História recente de Cascais.

Cascais é, desta maneira, peça incontornável na medievalidade Portuguesa, assumindo papel de grande relevo na reformulação da pirâmide político-social Nacional. Nessa altura, como hoje, conhecer as origens da Identidade Cascalense, é perceber como é que a gestão das potencialidades deste tipo de territórios pode ser essencial na definição daquilo que somos, do que sentimos, do que fazemos e do que pensamos.


terça-feira

A Importância de Cascais na Idade Média




Por João Aníbal Henriques

Situada estrategicamente a poucos quilómetros de Lisboa e controlando a entrada da sua barra, a Vila de Cascais assumiu sempre um papel preponderante na defesa da capital. Durante a Idade Média, sobretudo como consequência das constantes e imprevisíveis contendas que desde cedo opuseram Castelhanos e Portugueses, tornou-se com o seu castelo na verdadeira guarda avançada de Lisboa.

A construção das muralhas do Castelo de Cascais, com uma origem que se perde nas brumas do tempo, deveram-se certamente a necessidades concretas de defesa. Quer tenham a sua origem durante o período Árabe, como alguns defendem, ou já em plena Nacionalidade, como querem outros, o certo é que o investimento associado à sua construção ficou certamente ligado aos muitos episódios de ataques cerrados que o povoado sofreu no dealbar da sua História.

Ponto assente, no entanto, é o de que as principais alterações por ela sofridas, e que lhe conferiram os limites físicos que hoje conhecemos razoavelmente, se deram algures entre o reinado de Dom Pedro I, que elevou Cascais a Vila, e o reinado de Dom Fernando, traduzindo e comprovando a importância que teriam no contexto da político externa Portuguesa de então.

A importância do Castelo Medieval de Cascais, de acordo com a documentação existente, centrar-se-á basicamente neste período, tendo em conta não só o volume das obras que conheceu, como também os muitos episódios relatados nas crónicas que nos transmitem o que foram as comummente designadas “Guerras com Castela”. Estas guerras, como nos refere o Professor Joaquim Veríssimo Serrão no primeiro volume da sua “História de Portugal”, fruto da vontade de Dom Fernando, tiveram por seu turno uma importância extraordinária na definição da História de Portugal.

Testemunho fundamental para a realização deste empreendimento é sem dúvida o de Fernão Lopes, que na sua “Crónica de Dom Fernando” nos refere o esforço deste rei para alcançar as tão apetecidas vitórias militares sobre o País vizinho. Para além de Fernão Lopes, há ainda a salientar o volume publicado pelo Instituto Nacional de Investigação Científica (I.N.I.C.) acerca das “Cortes Portuguesas no Reinado de Dom Fernando”, transcrevendo as actas das cortes ocorridas entre 1367 e 1383, que nos tornam possível obter um vislumbre bastante interessante sobre a realidade temporal de então.




Utilizaremos ainda, para definir a unidade cronológica que se associa à análise da importância de Cascais nesta época, a versão original das cartas de doação da Vila de Cascais, primeiro a Gomes Lourenço de Avelar, e mais tarde a Henrique Manuel de Vilhena, transcritas no primeiro volume da “Chancelaria de Dom Fernando”, e que nos mostram quão importante podem ser para a realidade do reino, as movimentações políticas dos senhores que detinham o poder numa singela e supostamente insignificante vilória da costa marítima.

Assim, na Carta de Doação do Senhorio de Cascais a Gomes Lourenço de Aveçar, datada de dia 8 de Abril de 1370, El-Rei Dom Fernando, nesta altura residindo em Santarém, estabelece o Concelho de Cascais, demarcando-lhe os seus limites e dando-lhe jurisdição própria “Per ssy alta e baixa”. Nesta carta, a primeira que nos menciona a existência de um castelo, o monarca confia-o a Gomes Lourenço de Avelar, “seu leal vassallo”, que passa a ter os poderes de governador da praça e de autoridade suprema do novel concelho, assistido pelos juízes e vereadores.

Segundo Ferreira de Andrade, após todos os problemas que acompanharam a subida de Cascais à condição de Vila, esta carta representa já a doação de uma povoação com um grau de importância bastante grande: “Cascais alcançou a sua autonomia devido certamente à importância e à propriedade que já desfrutava nesta altura, importância que em parte lhe advinha do seu porto e do tráfego comercial que se operava através dele com o País e com o estrangeiro”.

A importância militar de Cascais aparece-nos também bastante referenciada em todos os restantes autores que estudaram este problema. Segundo Branca de Gontha Colaço e Maria Archer, autoras da mítica obra “Memórias da Linha de Cascaes”, a entrega do Castelo de Cascais a Gomes Lourenço de Avelar foi consequência directa de uma necessidade muito específica: “No reinado de Dom Fernando foi o Castelo de Cascais entregue ao “fronteiro” Gomes Lourenço de Avelar, decerto em missão de o defender contra os piratas e de proteger a Cidade de Lisboa”.

De facto, para todos aqueles que se debruçaram com mais cuidado sobre a posição geográfica da Vila de Cascais, torna-se fácil compreender quão importante para o reino seria esta povoação. Como José d’Encarnação nos referiu em 1989, Cascais era a guarda avançada de Lisboa, e como tal merecia, de facto, uma protecção que lhe permitisse sobreviver e controlar eventuais investidas que fossem levadas a cabo contra a capital. É nesta data que Cascais passa a ser considerada a “Sentinela de Lisboa”.

Assim, podemos considerar como principal ponto da importância de Cascais a sua posição estratégico-militar, que serviu de motor à sua autonomia, e na qual o papel do seu castelo, que nessa altura já marcava de forma perene a sua paisagem, foi decerto bastante importante.

Por outro lado, não é de menosprezar o facto de Cascais ter sido confiada a Gomes Lourenço de Avelar. Este homem, que a História nos lega com os epítetos de “O Formoso”, “O Fiel”, “O Defensor” e “O Corajoso”, é apesar de tudo mal conhecido em termos historiográficos, existindo poucos dados concretos sobre a sua vida e obra. Sabe-se, no entanto, que praticou actos de coragem em Ciudade Rodrigo, ao serviço de El-Rei de Portugal Dom Fernando. Segundo Isabel Nery, João Aníbal Henriques e Ricardo Pimentel, no seu trabalho “Cascais Evoluções Históricas”, de 1989, a posição que Cascais conquista em 1870 deve-a sobretudo ao seu primeiro Senhor: “Importante para a nossa vila foi a doação (do castelo e lugar de Cascais) a 8 de Abril de 1870, ao fidalgo Gomes Lourenço de Avelar, pelos seus altos feitos na Cidade Rodrigo. É isto que trás a Cascais jurisdição própria e a confirmação dos seus limites”.

Por tudo isto, tendo o primeiro Senhor de Cascais recebido esta honraria como consequência dos altos feitos militares e da fama que granjeou ao serviço do Rei e da Pátria, dificilmente poderíamos admitir que Dom Fernando lhe entregasse um castelo e uma povoação de reduzida importância. Por consequência, e tendo em atenção as constantes lutas que ocorreram durante este mandato, não é difícil de antever que o Rei tivesse escolhido para zelar por este ponto estratégico da defesa de Lisboa, alguém comprovadamente qualificado para essa função.

Em favor da lealdade que unia Gomes Lourenço de Avelar ao monarca Dom Fernando, vem o episídio que nos narra Ferreira de Andrade na sua obra “Cascais Vila da Corte”: “Em 1372, Henrique de Castela caminha sobre Lisboa e Gomes Lourenço de Avelar acorre à cidade para socorrer o Rei, que logo lhe ordena «tornar para onde estava e se fizesse bem prestes com as gentes que tinha e podesse ter (…)».

Logo de seguida, em 1373, segundo o cronista Fernão Lopes, no capítulo LXXVII da sua “Crónica de Dom Fernando”, cascais é atacada por Dom Afonso, Conde de Grigon e filho bastardo de D. Henrique de Castela, com quatrocentas lanças, facto que devastou quase completamente a pequena vilória: “Em esto foi o conde Dom Affonso, filho delRei Dom Henrrique, com quatro çentas lanças sobren huum logar cercado, que chamom Cascaaes, que he mujto jumto com o mar, çinquo legoas da cidade; e as poucas gentes delle, que o deffemder nom podiam, deromlho logo sem outra pelleia que hi ouvesse, e elles prenderom os que quiserom, e roubarom o logar de muj gramde roubo, e tornaromse com elle para a cidade (…)”.

No entanto, não é Cascais a única povoação visada pelos ataques Castelhanos. Muitas outras sofreram os horrores da invasão, que foi deveras humilhante, segundo o grande cronista. A salientar, o facto de entre todas as povoações devastadas ter sido Cascais a única cujo acontecimento é expressa e minuciosamente relatado na crónica. Segundo Fernando Castello-Branco, este relato deve-se a uma circunstância fundamental: “… entre todos estes ataques, apenas de um Fernão Lopes dá certos pormenores e indica o nome do lugar. Esta relevância não se pode explicar pela maior repercussão da investida, pois teve o mesmo aspecto e finalidade do que as outras que foram feitas a povoados cujos nomes ignoramos. Por isso supomos que esta referência especial se deve ao facto de ter sido Cascais o mais importante dos povoados vítimas dos latrocínios dos castelhanos, hipótese que o montante da força utilizada na invasão – 400 lanças – e o facto de ser dirigida pelo próprio filho do Rei de Castela, vêm corroborar”.

Logo após esta invasão, cascais vai ver-se pela primeira a braços com um problema sucessório. Gomes Lourenço de Avelar, no próprio ano de 1873, após ter-se recusado a dar um filho como refém nas pazes entre Dom Fernando e Henrique II de Castela, teve os seus bens confiscados e doados ao segundo senhor, Henrique Manuel de Vilhena, futuro Conde de Seia e outro dos validos do Rei Português.

Muito embora as opiniões sejam contraditórias, sobretudo no que concerne à capacidade deste novo Senhor de Cascais, o certo é que ele era, de facto, tido em grande conta por El-Rei Dom Fernando. Por um lado podemos comprová-lo através dos títulos que ele recebe do monarca. Por outro, temos a comprová-lo a sua presença em grande parte das reuniões de Corte desse reinado, e também no seu papel activo ao lado do Rei nas negociações que, umas após outras, se fizeram acerca do casamento da Infanta Dona Beatriz, herdeira legítima do trono Português.

Aparece-nos assim, relatado na mesma crónica de Fernão Lopes, desta vez no Capítulo XCVI, o casamento da Infante Dona Beatriz de Portugal com Dom Fradarique, filho do Rei de Castela, primeiro consórcio a que assiste Henrique Manuel de Vilhena. Aqui, após a descrição das condições em que o casamento acontece, diz-nos Fernão Lopes o seguinte: “Em outro dia todollos senhores, e gentes que hi eram, a que esto compria de fazer fazerom preitto e memagem nas maãos de Dom Frei Alvoro Gonçallvez, prior do espital, Damrrique Manuel de Vilhena, senhor de Cascaaes, curadores da discta iffamte, e em maãos do dicto Fernan Perez, que morremdo do dito Rdei, e por Rei o dito seu marido, avendo com ella comprido aquel honesto jumtamento que se faz entre os casados”.

Também nas Cortes de Leiria de 1376, se menciona o dito Senhor de Cascais, Dom Henrique Manuel de Vilhena, como um dos que, em conjunto com Frei Álvaro Gonçalves, Prior do Hospital, serve de curador dado à dita Infanta por Dom Fernando. De salientar ainda a autoridade que possuía para juramentar o consórcio e testemunhar a união: “Primeiramente o Ifante dom Joham e o Arcebispo e bispos e condes e meestres Ricos homens e caualeiros fidalgos e Alcaydes dos castellos e fortalezas. e. procuradores dos Concelhos das Cidades e villas e logares do dicto Reyno de Portugall. e do Algarue, e os conçellos per ssy e por aquelles que depôs elles veerem Jurarom e fezerom prometymento e managem. A nosa. Senhora A Jfante dona Beatriz filha primeyra e herdeira de nosso. Senhor El Rey dom Fernando e da Raynha dona Leonor sua molher em pessoa e em maãos de dom frei aluaro gonçaluez priol do hospital e d anrrique Manuel de. Vilhena ssenhor de Cascaaes Curadores dados aa discta Jfante poor o dicto Senhor Rey Aos quaes deu. Poder. A Autoridade pea Receber. A dicta jura e preyto e managem que depois dos dias da vida do dicto senhor Rey nom leixando filho. Barom lydemhoque a ajam por sa Senhora naturall e por Raynha e por herdeyra dos dictos Reynos de Portugall. e do Algarue a dicta Jfante dona Beatriz”.

Posteriormente, é também Fernão Lopes que nos vai relatar o novo enlace matrimonial entre a Infanta Dona Beatriz e outro dos filhos de Dom Henrique II de Castela, o Infante Dom Henrique. Também neste episódio, que nos aparece com o número CXVV, podemos assistir à actuação de Henrique Manuel de Vilhena, que continua a ser um dos mais importantes servidores de Dom Fernando: “ Despois dest no mês seguimte degosto, chegarom aa cidade de Soria Dom Affonso, bispo da Guarda, e Hemrrique Manuel de Vilhena, senhor de Cascaaes, e o doutor Gil Dossem, e Rui Louremço a elRei de Castela, que segundo os trautos que amtrelle e el-Rei Dom Fernando seu senhor avia, que el devia de fazer cortes ataa primeiro dia de Setembro, nas quaaes todollos senhores, e fidallgos, e cidades, villas de seu reino aviam de fazer managem, para guardarem aquelles trautos na maneira que forom devisados, e que prouguesse aa sua real alteza de o mandar assim fazer”.

Henrique Manuel de Vilhena aparece-nos assim como uma das pessoas mais importantes do Reino durante o reinado de Dom Fernando, sendo mesmo, juntamente com o Prior do Hospital da primeira vez, e com o Bispo da Guarda da segunda, nomeado curados da Infanta Dona Beatriz, que como Dom Fernando tinha consciência, era a herdeira do trono Português.

Todos estes factos vêm ao encontro da teoria segundo a qual este segundo Senhor de Cascais seria, de facto, um dos homens de confiança do monarca, a quem dificilmente seria concedido o senhoria de uma povoação e de um castelo de menor importância.

Neste sentido vem ainda o desenrolar da História depois da morte de Dom Fernando. Assim, segundo A.H. de Oliveira Marques, Henrique Manuel de Vilhena acabou por perder o senhorio de Cascais a favor do filho de Gomes Lourenço de Avellar: “O Conde de Seia, porém, tergiversou nos acontecimento de 1383-1385, apoiando primeiro Dona Beatriz e o Rei de Castela, depois Dom João I de Portugal e depois, novamente, o Rei de Castela. Perdeu, por isso também ele, o senhorio de Cascais, doado ao filho do primeiro senhor, de nome Sancho Gomes de Avelar (…)”.

A ligação que Henrique Manuel de Vilhena possuía aos juramentos que tinha feito durante o reinado de Dom Fernando, demonstram bem quão fortes seriam as suas ligações ao poder Régio, e consequentemente a importância que teria o seu senhorio para o desenvolvimento da História de Portugal.

O Castelo Medieval de Cascais pode assim ser considerado como um dos pontos, senão vitais, pelo menos muito importantes para defensão do reino, servindo, como já antes havíamos referido, de “Sentinela Avançada de Lisboa” e importante porto comercial durante toda a Idade Média.