quinta-feira

Resquícios Antigos do Comércio em Cascais




Noutros tempos, quando a marca 'Estoril' ainda era o cartão de visita da promoção internacional de Cascais, o dinamismo comercial e hoteleiro era radicalmente diferente daquele que hoje conhecemos. Para tal contribuía o empreendedorismo dos Cascalenses, associado à constante procura da excelência do espaço público por parte das entidades municipais, mas também o dinamismo activo que caracterizava os empresários de então. 

Sobrevivem poucos daqueles que deram corpo à excelência de Cascais... mas vale a pena recordar aquelas que foram as primeiras marcas comerciais que deram forma à Nossa Terra. Porque, como disse Frei Nicolau de Oliveira há mais de 300 anos, "Cascais é a mais sadia terra que se sabe em Portugal"...

PASTELARIA A BIJOU DE CASCAIS
Rua Regimento 19, 37-39



A BARATEIRA DE CASCAIS
Avenida Valbom, nº 4



A CARAVELA DE CASCAIS
Rua Afonso Sanches, 19



A CENTRAL - CASA CALADO
Rua Regimento 19 de Infantaria, 30 e 32



A COMERCIAL
Alameda dos Combatentes da Grande Guerra, nºs 31 a 39




A TRANSMONTANA
Rua Sebastião José de Carvalho e Melo, 5 e 7



ALFAIATARIA BRASIL
Avenida Valbom, nºs 22-24-26



ALFAIATARIA CAMPOS
Largo Luiz de Camões, 55 e 57



ALFREDO ANTÓNIO DE FIGUEIREDO
Rua Dr. António Dias Pinheiro



ALFREDO CELESTINO GRAÇA
Rua do Gama, 17



ANTIGA CASA FAZ-TUDO
Rua Marques Leal Pancada, 18



ANTIGA CASA PIASSABA
Largo da Assunção, 12



ANTÓNIO BERNARDINO D'ALMEIDA & FILHO, LDA.
Rua Visconde da Luz, 9 a 15



ANTÓNIO TAVARES DA SILVA
Praça 5 de Outubro, 5 e 6




O BAR DA PRAIA DA CONCEIÇÃO





RESTAURANTE CAFÉ A MARISQUEIRA
Praça 5 de Outubro, 6



CASA CALADO
Rua regimento 19 de Infantaria, 30 e 32




CASA CHINEZA
Rua Regimento 19, nºs 37 e 39




CASA DE PASTO HILÁRIO JOSÉ DOS SANTOS
Rua da Palmeira, 24



CASA DE PASTO PARDAL
Avenida dos Combatentes da Grande Guerra, 66 a 70



CASA PÉ-LEVE
Rua Sebastião José de Carvalho e Melo, 31 e 32
Avenida Valbom, 51 e 58



CASA DOS BOLOS DE CASCAES
Rua Regimento 19, nº 5 a 9



CASA MIXTA
Praça Costa Pinto, 26



CASINO DA PRAIA
Cascais




DOMINGOS DA SILVA CARRIÇO
Rua Afonso Sanches. 1 a 5



TABACARIA POLAR
Rua Regimento 19, nºs 23 a 31



ESTABELECIMENTOS ALFREDO PAULINO
Rua dos Navegantes, 22 a 24



EUGÉNIO JOÃO CORREIA DAS NEVES
Alameda dos Combatentes da Grande Guerra



FÁBRICA DE GÊLO DE CASCAIS
Rua Alexandre Herculano, 12



FÁBRICA DE REFRIGERANTES DE JOSÉ FRANCISCO CARNEIRO
Rua Nova da Alfarrobeira, 26 e 30



GERMANO S. TORRADO & IRMÃO LDA.
Rua Visconde da Luz, 27 a 45



J. CABRAL DA SILVA
Rua regimento 19



J. SIMÕES CARNOTO
Avenida Valbom, 6 e 8
Rua da Palmeira, 28, 30 e 32



FAZENDAS E RESTROSEIRO JAIME DANTAS
Avenida Valbom, 4



JOAQUIM MARQUES MADRUGA
Estrada da Malveira, 3




JOAQUIM SIMPLÍCIO COELHO
Rua Afonso Sanches, 25




JOSÉ AFONSO VILAR JÚNIOR
Avenida Emídio Navarro, 46



JOSÉ ESTEVAM DE OLIVEIRA & IRMÃO, LDA.
Rua da Palmeira, 7



JOSÉ QUINTELA
Rua Marques Leal Pancada, 24



MERCEARIA ESTRELA DO NORTE
Rua Sebastião José de Carvalho e Melo, 5 e 7



JÚLIO PEDRO D'ASSUNÇÃO
Rua José Elias Garcia, 7




LEITARIA TAVARES FIGUEIREDO
Largo da Assunção, 17



LISBOA EM CASCAIS
Avenida Valbom, 1 a 11





MANUEL DUARTE DAS NEVES, LDA.
Rua Visconde da Luz, 20



MANUEL PEDRO RODRIGUES
Rua Visconde da Luz, 10, 12 e 14




MERCEARIA LUTA
Rua Visconde da Luz, 13-15



MERCEARIA DO POVO
Rua dos Navegantes, 5



MERCEARIA ESTRELA DO NORTE
Estrada da Malveira, 1



MERCEARIA PEDADA
Praça Miguel Bombarda, 6, 7 e 8







MODESTO ANTÓNIO VIDAL & FILHO
Beco Esconso, nº 9



OURIVESARIA E RELOJOARIA CABRAL & GOMES, LDA.
Rua Regimento Dezanove, 44



PADARIA COSTA DO SOL
Rua Regimento Dezanove, 8 e 10




PADARIA DE FRANCISCO CAETANO
Rua da Palma, nº 44



PADARIA FLOR AVEIRENSE
Rua dos Navegantes, 78



PADARIA LUZITANA
Rua do Poço Novo, 18



PADARIA PAULINO
Rua Afonso Sanches, nº 75




PANIFICAÇÃO ESTORIL
Praça Costa Pinto, 9



PAPELARIA CARDIM
Rua Visconde da Luz, 35





PASTELARIA E PENSÃO "TREVO DOURO"
Largo da Assunção, 2 e 3



PEDRO DUARTE E Cª. LDA.
Rua regimento 19, nºs 12 a 14





PENSÃO NOVA AURORA
Rua da Palma, 14



QUINTA DA MARINHA





 RETIRO DOS PACATOS
Rua da Palma, 22



SAPATARIA DOS MODELOS
Rua Regimento 19 de Infantaria, 22



SEBASTIÃO RIBEIRO CARDOSO
Praça Costa Pinto




SOCIEDADE DE TÁXIS ATLÂNTICO
Rua dos Navegantes, 77



SOCIEDADE REVENDEDORA DE CARNES, LDA.
Praça Costa Pinto



 TABACARIA CASCAIS
Rua regimento 19, nº 53



TENDA COIMBRA
Rua Elias Garcia, 20



TIPOGRAFIA CARDIM
Rua Visconde da Luz, 33-35




TRANSPORTADORA FAIXA AMARELA
Estrada de Sintra, 25



TÁXIS RAÚL GRAVATA
Largo da Câmara



UNIÃO ELÉCTRICA CASCAENSE
Travessa Afonso Sanches, 7



VIÚVA NUNES & SANTA LDA.
Avenida Valbom 9 a 11
Rua da Palmeira, 35


quarta-feira

Os Passadiços da Cresmina em Cascais




Também se fazem coisas boas em Cascais!

As Dunas da Cresmina, situadas a Norte da Praia do Guincho, em direcção à Areia, são uma das peças mais importantes do património natural e paisagístico de Cascais. Repletas com um conjunto de espécies vegetais únicas, com peças que já são raras na natureza, as dunas possuem um enquadramento cenográfico de grande impacto, enquadrando o imenso areal do Guincho no sinuoso percurso do Vale da Foz e tendo como pano-de-fundo a Serra de Sintra e o Cabo da Roca.




Os passadiços de madeira que foram construídos no local, em 2011, pela Câmara Municipal de Cascais, para além de servirem para preservar o conjunto dunar, sempre sensível ao pisoteamento e à actividade humana, permitem ao público um usufruto confortável do espaço. Devidamente inseridos na paisagem e até reforçando a sua beleza natural, são hoje um importante contributo para a oferta turística da Costa do Estoril.

Depois de um período de alguma incúria, durante o qual vários troços se foram degradando, foi recentemente efectuada uma nova intervenção que, prolongando o passadiço Sul até junto da extrema do parque de campismo, reforça a atractividade do local, tocando vários tipos de ecossistemas que passam a ser observáveis pelos passeantes.

Pena é que da estrutura original a edilidade tenha optado por abandonar definitivamente o troço que passava junto à mãe-de-água da Cresmina, num dos passadiços mais utilizados durante a primeira fase do projecto, uma vez que essa peça do património Cascalense faz parte da estrutura arqueológica dos Casais Velhos, do período romano, apresentando um conjunto de potencialidades culturais e turísticas que enriquecia o espaço.




O património histórico é, aliás, o elemento que falta neste projecto. A identificação das espécies vegetais que se podem observar no local e os painéis que explicam o contexto espacial e a fauna que por ali subsiste, estão bem preparados e cumprem o seu duplo objectivo de explicar e ensinar quem por ali anda, faltando somente (pelo menos) uma alusão à História da Cresmina que, sendo desconhecida da maioria do Cascalenses, tem uma importância extraordinária na definição da Identidade de Cascais.

Apesar de tudo, tem nota muito positiva esta recente intervenção, que devolve aos Cascalenses um dos recantos encantados da Nossa Terra. 





terça-feira

Tendências Demográficas no Cascais Medieval




por João Aníbal Henriques

O primeiro numeramento de Cascais data de 19 de Setembro de 1527. Sendo já posterior à época medieval, da qual não existem registos efectivos acerca do que se passava neste concelho, vamos tomar como base desta análise a curva demográfica de Cascais durante este período da baixa Idade Média e a partir daí comparar teoricamente as tendências das principais cidades Portuguesas e Europeias, assumindo, desta forma, alguma linearidade nos comportamentos demográficos da velha vila de pescadores.

Assim, à excepção de Toulouse, a tendência mais evidente da demografia urbana europeia é a de um aumento sustentado do contingente populacional. Assim acontece com as principais cidades da Europa de então, tendência que se confirma em Portugal com os dados que temos relativos à cidades de Lisboa ou de Lagos. Da mesma forma, encontra-se uma tendência generalizada para um período de recessão nos finais do Século XIII e inícios dos Século XIV que, com um carácter fulgurante em cidades como Florença, em Itália, atingiu de forma medíocre as restantes cidades europeias com dados conhecidos. Segundo Carlo Cipolla, a crise que afectou a Europa nessa época não passou de uma rectificação natural da demografia urbana, respondendo de forma directa ao excesso populacional acumulado em determinadas regiões, ainda sem o suporte essencial em termos de salubridade e saúde pública e pouco preparadas para sustentar esse crescimento.

Por esse motivo, muitas foram as cidades e/ou pequenos aglomerados populacionais que viram bastante reduzido o seu contingente populacional durante este período, provocando um surto de mortandade que acompanhou o recrudescimento de diversas epidemias e doenças.




Zonas pouco apetrechadas em termos urbanísticos, como era o caso da Vila de Cascais durante esse período, sofreram assim as consequências nocivas da sua impreparação, facto que conduz a um intervalo de tempo que se caracteriza por uma imensa razia em termos do número de habitantes, obviamente com repercussões directas a várias níveis da organização social dessas terras. Será possivelmente esta a explicação que nos permite perceber o reduzidíssimo número de Cascalenses que existiam nessa época e que Oliveira Marques aponta num dos seus artigos sobre Cascais: ”É provável que em meados de trezentos, para mais com as consequências da peste negra, o número de habitantes da jovem vila não fosse além dos duzentos ou trezentos, se é que os atingia sequer. E no termos correspondentemente”.

Na carta régia de 1385 de Dom João I, o despovoamento de Cascais torna-se evidente, sentindo o monarca que chegou à altura de incentivar o mesmo. É também nesta mesma carta que o rei levanta o problema do Castelo de Cascais, sublinhando a sua importância na estratégia de defesa de Lisboa. Sê-lo-á em termos meramente militares e políticos ou também em termos económicos e estratégicos?...

No que concerne à densidade populacional nas freguesias cascalenses, é notório e muito evidente a enorme discrepância existente entre aos espaços rurais e urbanos. Esta dualidade surge bem expressa nos números que traduzem, por exemplo, a realidade na Freguesia de Cascais, que sobressai com 10,5 habitantes por km2, em contraste com os cerca de 4,3 habitantes por km2 em espaços como Carcavelos e São Domingos de Rana. Na primeira temos uma realidade marcantemente urbanizada, recriando-se em torno do conjunto habitacional coeso que enche o seu espaço amuralhado, e nas segundas surge a realidade de âmbito rural, com as explorações agrícolas e o minifúndio a imporem a sua realidade.

Embora pouco importante para a determinação daquilo que foi Cascais durante este período, é certo que este quadro nos permite supor um povoamento da vila de Cascais muito anterior àquele que supostamente surge na documentação oficial, precedendo-a e alterando os dados efectivas recolhidos em época posterior. Fazendo o exercício de completar os dados inexistentes de Cascais com aqueles que caracterizam as restantes cidades de Portugal e as principais tendências nos espaços urbanos europeus, parece lícito supor que a continuidade da linha demográfica na vila se encaixa no fluxo corrente que caracteriza a Europa anteriormente.

Prova ainda mais contundente deste pressuposto é a que nos oferece o Professor Oliveira Marques no estudo atrás mencionado e que nos diz que: “O número de besteiros do conto, de cerca de 1422, atribuía ao Concelho de Cascais 20 besteiros, cifra igual na comarca da Estremadura, à de Sintra e à do Soure e próxima à de Alenquer e à de Óbidos”. Este mesmo número está confirmado no número de besteiro existentes no Algarve, em linha com o que se passa em espaços pujantes demograficamente como Castro Marim, Albufeira e Aljezur.

segunda-feira

O Príncipe-Real Dom Luís Filipe de Bragança




O Príncipe-Real Dom Luís Filipe, Luís Filipe Maria Carlos Amélio Fernando Victor Manuel António Lourenço Miguel Rafael Gabriel Gonzaga Xavier Francisco de Assis Bento de Bragança Orleães Sabóia e Saxe-Coburgo-Gotha de nome completo, era filho do Rei Dom Carlos I e da Rainha Dona Amélia de Orleães.

Nasceu em Lisboa, no dia 21 de Março de 1887 e completaria hoje o seu 129º aniversário.

Com uma educação esmerada, para a qual contribuíram o ensejo dos seus pais e avós mas sobretudo, a influência muito marcante do seu perceptor Mouzinho de Albuquerque, o Príncipe Dom Luís Filipe era também um apaixonado pela fotografia e pelo mar.

Com pouca experiência política, o príncipe governou de forma interina durante uma deslocação de seu pai ao estrangeiro e, em 1807, encabeçou uma longa e muito impactante visita às colónias africanas de Portugal, onde procurou sublinhar o interesse da Coroa na defesa daqueles territórios.

Antes de morrer assassinado pela Carbonária no dia 1 de Fevereiro de 1908, conseguiu ainda cobrir-se de glória e de alcançar o estatuto de herói ao disparar o seu revólver contra os assassinos tentando defender o seu pai e Rei. Diz-se mesmo que o príncipe repetia amiúde que defenderia sempre o pai e que só sobre o seu cadáver conseguiriam atacá-lo.

Morreu cedo demais. Para grande infelicidade de Portugal.