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quarta-feira

Vítor Adrião e os Mistérios Portugueses da Rota de Santiago





No próximo dia 5 de Maio, pelas 18 horas, a Editora Dinalivro em parceria com a Associação Portuguesa dos Amigos dos Castelos irá realizar na Sede desta Entidade a apresentação pública do livro Santiago de Compostela (Mistérios da Rota Portuguesa), de Vitor Manuel Adrião. Será um momento raro em que se falará de Portugalidade Espiritual e Tradição Hermética entrecruzadas nos fascínios e nos mistérios do caminho português para Santiago de Compostela, “espinha dorsal” da Espiritualidade Portuguesa que contagiou a restante continental.

Os caminhos da peregrinação a Santiago de Compostela foram a base principal da evolução social europeia pela interrelação espiritual, cultural e política das multivariadas culturas que neles se encontravam e acordavam peregrinar para o fim comum: o abraço da devoção ao Apóstolo de Cristo sobre o seu túmulo na capital da Galiza, acalentada pelas estrelas da estrada de Santiago.

De todos o mais antigo é o caminho português, onde aconteceu a lenda dourada de São Tiago Maior e sob a sua pessoa foi fundada a Igreja cristã com primaz em Braga, donde irradiou para toda a Península Ibérica. Os factos históricos, os acontecimentos maravilhosos, as lendas e cantigas do peregrino, os símbolos da peregrinação, o seu significado espiritual, muito hermético para poucos, só religioso para muitos, ambas as coisas para alguns, os lugares do caminho, os seus ícones e monumentos, são alguns dos tópicos abordados neste livro a apresentar exclusivamente dedicado aos mistérios da aparição, expansão e celebração da rota santiaguista portuguesa.

Itinerário religioso e cultural o caminho de Santiago de Compostela, onde não é feita distinção de raças, credos e não credos, em 1987 foi reconhecido pelo Conselho da Europa como “o primeiro itinerário cultural europeu”, cuja fama de tolerância e aceitação universal já corria pela Europa e o mundo no século XIII.

O Paço dos Arcos: Mais de Meio Milénio de História





Com mais de quinhentos anos de uma História repleta de percalços, o Palácio dos Arcos, na Vila a que deu nome, é hoje um dos mais importantes bastiões do património oeirense. Embora muito alterado, devido a vicissitudes variadas que o afectaram, mantêm incólume a solenidade que lhe foi conferida pelos anos.

Embora muito afectado na sua volumetria original, uma vez que a construção do burgo de Paço de Arcos, da via férrea e da Estrada Marginal, lhe amputaram importantes parcelas de terreno, o Palácio dos Arcos mantêm viva a memória da vasta quinta que originalmente o envolvia.

De acordo com Rogério de Oliveira Gonçalves, a Quinta de Paço de Arcos terá sido uma das mais frondosas e magnificentes da zona ribeirinha de Lisboa, nela tendo caçado ou veraneado vasto número de governantes e figuras ilustres da aristocracia lisboeta.

Pertencendo no Século XV a D. Antão Martins Homem, 2º Capitão da Vila da Praia, nesta quinta esteve por diversas vezes em caçadas o Rei Dom Afonso V, antes da construção do actual palácio. Em 1490, no entanto, o edifício já estaria concluído, tal como se comprova documentalmente.

O carácter aristocrático desta propriedade é inquestionável. A família Homem, sua original proprietária, é a mesma que a dos Pereiras que, de acordo com Rogério Gonçalves, é antiquíssima, “procedendo dos reis Godos que floresceram com sucessão continuada, do ano 700 em diante”. D. Antão Martins Homem é, aliás, filho primogénito de D. Álvaro Martins Homem que, após ter misteriosamente desaparecido o primeiro Capitão madeirense, assume aquele importante cargo, sendo um dos principais responsáveis pela colonização do Arquipélago madeirense. No documento de doação, transcrito pelo já mencionado autor, D. Álvaro é integrado na “classe dos mais nobres e poderosos da Casa dos Infantes”.

Terá sido precisamente este carácter aristocrático que lhe assegurou um papel de destaque na vida política portuguesa. Entre 1490 e 1910, o Palácio dos Arcos foi reiteradamente visitado por diversos monarcas. Desde D. Manuel I, o Venturoso, que a tradição popular garante que foi dali que avistou o embarque das naus que seguiram para a Índia; passando pela sua filha D. Maria; por um dos Filipes; pela mulher de D. João V, D. Maria Ana da Áustria; e mais recentemente por D. Fernando II, o ideólogo da Sintra romântica; por D. Luís I e sua mulher D. Maria Pia de Sabóia; até D. Manuel II, que ali pernoitou em Setembro de 1910, pouco antes da implantação da república, para assistir a experiências militares; o Palácio dos Arcos foi sendo palco de inúmeros acontecimentos importantes na História de Portugal.

De acordo com os muitos estudos que se realizaram sobre o palácio, o seu aspecto actual não deverá ser muito diferente daquilo que tinha na época da sua construção. Apesar das muitas reconstruções que sofreu, e da terrível destruição promovida pelo terramoto de 1755, o Palácio dos Arcos mantém a solenidade que lhe é conferida por mais de meio milénio de História.

Sendo dignos de menção especial o tecto riquíssimo da sala principal, e o altar barroco feito de mármore italiano dedicado a Nossa Senhora do Rosário que os seus proprietários trouxeram do Convento das Marianas de Lisboa, extinto no Século XIX, o Palácio dos Arcos possui ainda uma original arcaria de suporte da varanda da fachada principal. De acordo com alguns estudiosos, este interessante pormenor, que aliás lhe confere o nome, é ainda originário do Século XV, surgindo amiúde nas representações que se conhecem do edifício.

Apesar do peso institucional que sempre possuiu, provavelmente por se situar suficientemente próxima de Lisboa para permitir um fácil acesso, e suficientemente afastada para garantir a privacidade que os soberanos tanto desejavam, a Quinta dos Arcos e o seu Palácio são mal conhecidos da generalidade dos oeirenses.
Só recentemente, após esforços empreendidos pelo edil local, o Palácio dos Arcos passou a ser propriedade da Câmara Municipal, preparando-se agora para assumir papel de destaque na vida cultural de Oeiras e do seu Concelho.