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sexta-feira

O Palacete de Santa Catarina / Museu da Farmácia




por João Aníbal Henriques

Construído em 1862 por José Pedro Colares Pereira, o Palacete de Santa Catarina, situado no largo com o mesmo nome junto de um dos mais extraordinários miradouros de Lisboa, é hoje o Museu da Farmácia, onde possível conhecer o percurso e a história das farmácias em Portugal.

O imóvel, que se encontra em excelente estado de conservação, foi vendido no final do Século XIX a industrial Alfredo da Silva, fundador da CUF, que o deixou em herança ao seu genro D. Manuel da Silva.


Com uma localização privilegiada num dos recantos com mais impacto visual da Cidade de Lisboa, o Miradouro de Santa Catarina, o palacete ocupa o espaço onde outrora se encontrava a Igreja Paroquial de Santa Catarina que ruiu com o terramoto de 1755.





terça-feira

Jorge de Mello (1921-2013)




Na mesma semana em que o Presidente herdeiro da Venezuela Nicolás Maduro, decretou a diabolização do lucro, depois de ter antecipado o Natal e criado o dia nacional de veneração ao falecido presidente Hugo Chavez, e de assim ter condenado em definitivo a economia no seu País a regredir para níveis de penúria que vão afectar os venezuelanos durante muitos anos, morreu em Portugal o industrial Jorge de Mello (1921-2013).

Neto do fundador da CUF Alfredo da Silva, a morte de Jorge de Mello marca o fim de uma era em Portugal. Mais do que empresário, empreendedor e visionário empenhado, Jorge de Mello era um industrial que acreditava que era possível fazer, não se compadecendo com a mediocridade que quase sempre o envolveu.

Entre 1966 e 1975, enquanto líder do Grupo CUF, foi responsável pela criação de dezenas de empresas e pela política de expansão internacional que levou o nome de Portugal aos quatro cantos do Mundo. Nesse período, com mais de 100.000 funcionários a seu cargo, a política social da sua empresa impunha-se ao próprio Estado. Quando em Portugal ainda não se falava de segurança social, cuidados de saúde e de tantos outros “direitos” que hoje consideramos adquiridos e inquestionáveis, já o Grupo CUF os oferecia aos seus funcionários, fruto da capacidade de visão de Jorge de Mello.

Depois de ter perdido tudo durante a revolução de 1974, e de ter sido obrigado a refugiar-se no Brasil, Jorge de Mello regressou a Portugal nos anos oitenta. Sem meias-palavras ou ressentimentos, recomeçou praticamente do zero, e foi capaz de construir de raiz um novo império empresarial que novamente se tornou responsável por uma percentagem significativa da riqueza nacional.

Quando a crise internacional constrange de forma dramática os horizontes deste País, e no estrangeiro vão retomando forma as expressões mais inaceitáveis de perversão política, a figura de Jorge de Mello vem provar que as dificuldades que atravessamos não são resultado dos problemas conjunturais de que tanto se fala, mas sim da falta de homens como ele, que sejam capazes de acreditar no futuro e de concretizar.

À data da sua morte, com 92, Portugal deve-lhe pelo menos 5% do PIB…