Mostrar mensagens com a etiqueta Estoril Plage. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Estoril Plage. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira

Fausto Figueiredo e o Sonho do Estoril




A ALA - Academia de Letras e Artes marcou presença na cerimónia comemorativa do centenário da fundação do Estoril com a conferência "Fausto Figueiredo e o Sonho do Estoril" proferida por João Aníbal Henriques.

Esta homenagem àquele que foi o mentor do primeiro e principal destino turístico de Portugal, concretizou-se no âmbito do aniversário da ESHTE e foi coordenada pela Professora Cristina Carvalho e pelo Doutor João Miguel Henriques (CMC), tendo contado ainda com a participação de Cândida Cadavez, Cristina Pacheco, Susana Gonçalves e Manuel Ai Quintas. 

Numa época marcada pela incerteza e pela absurda decisão tomada pelo poder partidário de extinguir a marca turística ‘Estoril’ assume especial importância este evento que, de uma forma transversal e com abordagens diferenciadas, apresenta a prova cabal da excelência que caracterizou o projecto de Fausto Cardoso e Figueiredo no Estoril.





(imagens de Luís Athouguia)




A Propaganda do Estoril





As publicações de propaganda editadas pelo Estado através da Sociedade de Propaganda de Portugal, são unânimes na forma como a imensidão da capacidade de oferta do Estoril abre o leque das possibilidades a esta terra. 

Em 1935-40, Nuno Catharino Cardoso sublinha que a heterogeneidade daqueles que habitam no Estoril, respondendo de forma conveniente aos desejos dos muitos visitantes que nessa altura transformavam a Praia do Tamariz num dos mais significantes destinos de férias em Portugal (nunca é demais relembrar, agora que se comemoraram os cinquenta anos da invenção do biquini, que em Portugal só no Tamariz se podiam ver as senhoras com esse novo modelos de fato-de-banho e que de todo o País chegavam “turistas” que tinham como único objectivo vir ver as estrangeiras que ousavam gozar o Sol Estorilense com essa diminuta indumentária) implicava a existência de diversos tipos de oferta. 




Depois de elogiar o cosmopolitismo do Estoril, onde as nacionalidades se cruzavam de uma forma que a Europa só nessa altura começava a conhecer, o autor sublinha a grandiosidade e a modernidade dos edifícios Estorilenses, a beleza do seu parque e as arcarias que lhe forneciam um toque de glamour e simultaneamente de conforto que quase as transformava numa extensão das casas das suas gentes, Catharino Cardoso não hesita em considerar a pluralidade da oferta turística Estorilense como a principal base qualificadora do seu posicionamento: “Com hotéis de primeira ordem, tais como o Hotel Palácio Estoril e de todas as classes e com cómodas pensões, os Estoris devido ao seu clima privilegiado em que predominam magníficas temperaturas de Inverno e verão, tão benignas que até permitem que se tomem todo o ano banhos de mar e de sol, clima maravilhoso que dá mais de três mil horas de sol por ano, estão justamente destinadas a um grande e justo futuro entre todas as estâncias portuguesas”. 

E mais à frente, quando descreve os complementos da oferta do Estoril, também sublinha a existência de encantos naturais que se conjugam com os desportos que ali se praticam, referindo o golfe, o ténis e a natação com as áreas com mais interesse.




Os Queques da Linha e as Tias do Estoril



por João Aníbal Henriques

Um dos mais ilustrativos exemplos da forma como as casas e os espaço influenciam de forma concreta as pessoas é o edifício Luís Vergani, situado na Rua de Nice, no Estoril, onde desde há mais de meio século funciona a conhecida e reconhecida Pastelaria Garrett. Tendo ali funcionado originalmente o Hotel Paris, faz parte do conjunto de edificações que serviam de apoio aos Banhos do Viana e que, depois de terem sido substituídos pelas modernas unidades hoteleiras, acabaram por readaptar as suas funções e por manter-se activas no seio da nova dinâmica urbana da povoação.




O prédio, que ainda hoje se encontra figurativamente próximo daquilo que era naquela época, trás consigo as memórias vividas de um tempo em que o Estoril ainda não era elegante e em que surgia sempre relacionado com as enfermidades que buscavam a cura através dos banhos. A ocupação do mesmo pela pastelaria, que desde há muito tempo assumiu o seu carácter de pedra basilar da melhor sociedade Estorilense, centra em si próprio o cerne da História moderna do Estoril. Aos fins-de-semana, logo pela manhã para o pequeno-almoço e ao final da tarde para o chá, a Pastelaria Garrett enche-se de Estorilenses que ali vão para verem e serem vistos, trocando os cumprimentos que tantas vezes condicionam os equilíbrios políticos e sociais da região e mesmo de Portugal. Há muitas décadas atrás, ainda antes do seu bolo-rei ter ganho a fama que faz com que actualmente, na quadra de Natal, seja comum ver na Rua de Nice filas de muitas centenas de metros de gente que pacientemente aguarda a sua vez para adquirir aquela que é considerada como uma das melhores iguarias de Portugal, eram os queques ainda quentes que faziam as delícias de quem andava por lá. Os queques, bonitos e amarelos que saíam dos seus fornos, eram comidos ao pequeno-almoço pelos filhos das melhores famílias do local e que normalmente antecediam a entrada no comboio que os levava ao liceu, ao trabalho ou à empresa situada em Lisboa. Eram, desta forma, os queques da linha, adoptando um designativo que ganhou força social e que passou a descrever também os meninos bem comportados e bem penteados que do Estoril chegavam a Lisboa através da linha do caminho de ferro… Os queques da linha, de bons modos e boas maneiras, são o repositório integral e total da genialidade de Fausto de Figueiredo, conjugando a linha de comboio, as acessibilidades a Lisboa e a própria formulação urbana e especial da estância com a criação de uma sociedade nova e moderna que suportasse o nascimento de um novo Portugal.

Os comportamentos dos “meninos da linha”, apelidados de “queques” pelos que noutras partes da região de Lisboa os viam chegar de comboio sempre aprumados e muito bem-educados, nascem precisamente da capacidade que aquele empreendedor, através da sua Sociedade Estoril Plage, teve de promover os relacionamentos através da conjugação de diversos factores associados ao seu espaço.




Como facilmente se verificará ainda hoje, e que infelizmente a história mais recente de Cascais tão tristemente comprovou, teria sido mais lógico e financeiramente significante que Fausto de Figueiredo urbanizasse o Estoril a partir da linha de comboio e da estação. Os terrenos que reservou para jardins e a largura das avenidas que os abraçam, fechando os relvados numa espécie de espaço particular pensado à semelhança de uma casa ou de um lar de família, poderiam ter sido enchidos com lotes de construção que renderiam muitos milhares de contos a qualquer promotor imobiliário. Mas Fausto de Figueiredo, tal como os seus visionários e sonhadores antecessores haviam ousado fazer no Monte Estoril, teve a capacidade genial se alargar o seu horizonte temporal e de vislumbrar no futuro os frutos da sua planificação no presente. Os jardins do casino e o conforto urbano que ofereciam, associado à proximidade da estação e na facilidade de acessos a Lisboa, promovem a vida ao ar e as caminhadas. Nada mais natural, para os capitalistas ricos que viviam nos lotes urbanos que envolviam o Estoril, do que saírem de casa a pé em direcção à estação. Nas caminhadas matinais que os levavam aos queques da Garrett e depois ao comboio que em pouco mais de vinte e cinco minutos os levava a Lisboa, depressa se foram conhecendo, reconhecendo e estreitando laços de amizade e vizinhança transformando uma povoação completamente nova, construída de raiz para gente sem raízes comuns que pudessem partilhar e que suportassem a criação de vínculos de uma identidade sã, num Estoril onde quase todos são uma família constituída artificialmente pelo promotor, mas sólida nos vínculos que no seu seio vão criando.

Os jardins do casino, confortáveis, elegantes e apetecíveis numa terra onde são raros os dias de chuva e para os quais o frio nunca vem, são o local onde naturalmente passeiam as senhoras e os filhos dos capitalistas que trabalham em Lisboa e que, não trabalhando elas, ali gastam as suas tardes entretendo os filhos e partilhando também elas um queque e um chá na vistosa Pastelaria Garrett. As crianças crescem em conjunto, partilhando diariamente aqueles jardins que sendo públicos quase parecem ser uma extensão da casa deles, e no qual desenvolvem laços onde a filiação conta menos do que as amizades que se vão impondo de forma sã.




Nasce assim um Portugal moderno, atractivo e simpático, onde a cidadania e a identidade surgem bem vincadas e em que os costumes se assumem que devem ser diferentes. As crianças, pulando e rindo em brincadeiras pueris por entre as palmeiras, os tamarindos e as demais espécies exóticas que enchiam o Estoril, vão ouvindo a partilhando as conversas das mães no seu dia-a-dia despreocupado. Nas festas de aniversário, nos jantares de amigos, nos bancos do Colégio João de Deus e mais tarde dos Salesianos, vão consolidando os laços de família e recriando uma nova forma de viver em comunidade. Mas passa pela cabeça a alguém cuspir para o chão ou dizer palavrões dentro da sua própria casa? É evidente que não. E o Estoril, com os seus espaços urbanos excepcionais, é como se fosse a casa de cada um deles, que se vão habituando a um comportamento tendencialmente diferente daquele que caracterizava a juventude noutras zonas de Portugal. E se as mães, em conversas longas ou em torno de um queque e um chá, se vão demorando por ali, partilhando com as crianças o processo natural do seu crescimento e dessa forma criando afinidades, como hão-de-ser chamadas pelos mais novos? Senhoras donas? A gente que está tão próxima? Que é a mãe do meu melhor amigo e que me viu crescer? Aquela senhora que mantém sempre aberta a porta de casa para que a criançada Estorilense por ali se espraie partilhando brincadeiras e o mistério agradável desta vida suave? É evidente que não. Não o sendo em ternos sanguíneos, são-no efectivamente por proximidade afectiva… são as tias do Estoril que, como os meninos da linha, darão fama a uma terra que se constrói através de um processo sociologicamente muito especial e o tornarão num espaço que, visto de fora, é diferente, agradável, sempre certinho e muito bem educado…




E é novamente Ramalho Ortigão, nas mesmas “Praias de Portugal” que atrás citámos que explica como vai ser o Estoril, cerca de cinquenta anos antes de Fausto Figueiredo ter começado a sonhar com uma estância balnear excepcional, e de os meninos da linha, com a sua muito própria de ser e de estar, terem começado a encher os jardins com as suas brincadeiras infantis: “O sindicato de Cascais propõe-se transformar o lindo arrabalde do Estoril, onde junto da praia há uma rica nascente de água termal, em vila de banhos e de águas no moderno tipo elegante de Wiesbaden, de Trouville ou de San Sebastian. (…) Desde que se decidiu para todos os efeitos que isto é um alegre desfazer de feira, que depois de nós pode vir o dilúvio quando for servido, porque a gente vai acabar com o resto que há para perder o mais velozmente que se possa, - desde que esta decisão se tomou por acordo geral e a contento do maior número – o Estoril-les-Bains, tornou-se para nós uma necessidade social. A meia horas de Lisboa, por um caminho-de-ferro de luxo na margem do Tejo, Estoril-les-Bains com o seu grande estabelecimento de banhos, com o seu casino, com as suas salas de ópera e de concertos, com as suas roletas, com os seus pavilhões enigmáticos, com os seus cottages misteriosos, e com os seus camarões permanentes em gabinete reservado, é um imprescindível complemento da civilização que felizmente desfrutamos.”

quarta-feira

Academia de Letras e Artes Discutiu o Futuro do Turismo do Estoril




Numa iniciativa da ALA - Academia de Letras e Artes, decorreu ontem a segunda edição das "Tertúlias do Monte", desta vez subordinada ao tema "O Futuro do Turismo do Estoril". A iniciativa, que contou com Pedro Rocha dos Santos (Director do Centro de Congressos do Estoril) como moderador, teve como painel interventivo quatro grandes figuras do turismo na região: António Aguiar (Director Hoteleiro), Bernardo Rodo (Especialista em Marketing), Linda Pereira (Professional Congress Organizer) e Pedro Garcia (Hoteleiro e Administrador da Estoril Plage - sociedade que gere o Hotel Palácio, o Golfe do Estoril, as Termas do Estoril e a Marina de Cascais). Para além da definição das grandes linhas orientadoras do futuro da Costa do Estoril, esta sessão permitiu perceber que estão reunidas todas as condições para transformar o Estoril numa das mais prestigiadas estâncias turísticas da Europa. Existindo um conjunto de excelentes infra-estruturas, designadamente ao nível da hotelaria, da restauração e dos equipamentos, falta agora gerar um quadro político que defina estrategicamente aquilo que será o futuro da região, de forma a garantir que existe a confiança necessária para que operadores, promotores e investidores se sintam confortáveis em colaborar neste desiderato. De facto, com mais esta iniciativa da Academia de Letras e Artes, ficou bem sublinhado o enorme potencial ainda por explorar que Cascais e a Costa do Estoril terão de ser capazes de potencializar num futuro muito próximo. A bem de Cascais e dos Cascalenses...