Cascais
surge ao público associada quase sempre a uma ideia de conservadorismo que não
corresponde à realidade. Em vários sectores de actividade, desde a ciência, à
tecnologia, à pintura, escultura e literatura, passando pelo empreendedorismo e
até pela política, Cascais foi sempre terra de vanguarda e contribuiu de forma
decisiva para o nascimento e consolidação de ideias inovadoras que ajudaram a
transformar e a fazer evoluir Portugal e o próprio Mundo. Um destes exemplos
prende-se com o surpreendente rol de “Casas Clandestinas” existente neste
concelho. De facto, desde a sua fundação em 1921, que o Partido Comunista
Português utiliza o respeito pela liberdade que aqui encontra para dar corpo às
suas iniciativas e projectos. Em
Novembro de 1943, contra quase tudo o que é expectável, realiza-se no Monte
Estoril o primeiro congresso do partido depois de ter sido remetido à
clandestinidade, no qual o líder Álvaro Cunhal, em plena II Guerra Mundial, vem
defender a unidade da Nação Portuguesa na luta pelo pão, pela liberdade e pela
independência. E alguns anos depois, já em 1957, é em Cascais que são aprovados
os primeiros estatutos do partido, alicerçando um programa de princípios que
norteará a actividade comunista durante as épocas conturbadas que depressa
chegarão. Decorrido na Casa dos Cedros, em São João do Estoril, este V
Congresso do PCP é marcado pela grande discussão sobre o problema colonial,
tendo sido a primeira vez que os congressistas Portugueses recebem as saudações
oficiais por parte dos restantes partidos comunistas do Mundo de então. Depois,
já em 3 de Janeiro de 1960, foi na Vivenda Montalvinho, em São João do Estoril,
que o histórico líder comunista se refugiou depois do grande sucesso da sua fuga
da prisão em Peniche, mostrando de forma cabal ser este o destino de excepção
que melhor lhe garantiria a segurança neste momento tão importante, inquietante
e marcante da sua vida pessoal e da vida do próprio partido nascente. Em suma,
num registo historicamente longo de respeito pelo outro e pelo pensamento de
vanguarda, Cascais foi sempre um verdadeiro bastião de liberdade, tendo a
capacidade de acolher e promover formas alternativas e vanguardistas de
pensamento. Porque este é o ADN Cascalense.
Blog sobre Portugal, os Portugueses, a sua História, e a realidade política, económica, cultural e social Nacional.
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quarta-feira
sexta-feira
Portugal Encavacado
Apesar as controvérsias, das
discórdias, das polémicas mediáticas, das diferenças de opinião e de todo o
conjunto de interesses que dão corpo a este sistema eleitoral partidarizado e
pouco democrático que temos (é preciso lembrar que os Portugueses nem sequer
são livres de escolher o(s) deputado(s) que os vai representar na Assembleia da
República e que, à laia de embuste, são obrigados a fazer uma selecção daqueles
que são escolhidos pelos partidos), existe uma conclusão óbvia, linear e
inquestionável das eleições legislativas que decorreram no passado dia 4 de
Outubro: o vencedor foi a coligação entre o PSD e o CDS.
Tiveram mais votos e ganharam as
eleições. E, por isso, deveriam ter sido indicados pelo Presidente da República
para formarem governo. Depois, com é evidente, os 230 deputados que compõem a
assembleia logo decidiriam o que fazer, e arcariam com a responsabilidade da(s)
sua(s) decisões perante Portugal e os portugueses.
Mas Cavaco Silva, uma vez mais
estragou tudo. Quando devia simplesmente ter procedido à indigitação do
vencedor das eleições para formar governo, calando-se de seguida de maneira a
garantir o normal funcionamento das instituições, proferiu um discurso absurdo
e completamente descontextualizado, com laivos de uma raiva que põe em causa a
isenção e o distanciamento que o presidente deve ter em relação às escolhas dos
portugueses.
Ao fazê-lo, Cavaco Silva
condicionou de maneira inconcebível o universo partidário e gerou um sentimento
de desconforto que põe em causa os interesses de Portugal.
Agora, que o mal está feito, há uma coisa que importa sublinhar para que ninguém no futuro se venha a esquecer: Cavaco Silva é o responsável por tudo aquilo que vier a acontecer aos Portugueses. E deve ficar na história com esse ónus. Porque a decisão foi dele.
quinta-feira
O que vale o PS?
Decorreu ontem, perante a atenção
dos media e dos muitos Portugueses que a ele assistiram, o segundo debate entre
os dois candidatos a líderes do Partido Socialista em Portugal.
Chamam-lhe primárias, num esforço
de aproximação ao modelo eleitoral americano, e teimam em transformá-las numa
espécie de circo mediático no qual importam pouco as ideias e as propostas
efectivas e na qual ganham força as tendências eleitorais dos votantes
nacionais, entendidos como potenciais eleitores no universo das eleições que se
vão alinhando no horizonte.
Cá fora, nos jornais, nas
televisões e até nos transportes públicos, cruzam-se as opiniões sobre quem “ganhou
o debate”, definindo-se um cenário à-priori
em que um dos pretensos candidatos surge nitidamente destacado e quase “condenado”
à vitória. Transversal às opiniões publicadas e aos comentários aguisados nos
jornais da noite é a unanimidade em torno da não existência de conteúdos nestes
debates. Quer um quer outro, ambos políticos calejados na lide da qual depende
a sua sobrevivência, teimam em responder de forma insatisfatória às questão que
os jornalistas lhes colocam e, quando instados a explicarem o que querem fazer,
o que planeiam fazer, ou até qual é o seu projecto, fogem habilmente às
questões e contornam os problemas de forma a não se comprometerem perante os
Portugueses. A eles só lhes interesse ganhar as eleições no PS!...
Mas o que vale o PS? O que vale
que o António Costa encoste ou que o António José Seguro se desequilibre na sua
insegurança? O que interessa saber o que é que eles pretendem fazer se chegarem
a ser governo (ou mesmo se pretendem fazer alguma coisa caso isso assim
aconteça…) ou qual é a sua opinião acerca do estado em que se encontra
Portugal? A resposta só pode ser peremptória: nada!
E nada, basicamente em linha com
o facto de nada interessar também saber se Pedro Passos Coelho se mantém
teimosamente na liderança do PSD, ou se o Portas consegue gerir a sua ambição sem
com isso tomar decisões irrevogáveis que comprometem o futuro de Portugal e dos
Portugueses. Ou sequer se a ficção se pode tornar realidade e termos um dia um
governo onde existam comunistas verdadeiros que gritem a partir de São Bento as
parangonas que lhes são ditadas pelo camarada Jerónimo, ou mesmo radicais de
esquerda que levem alguém do Bloco de Esquerda (se ainda existir nessa altura)
a um cargo com alguma espécie de poder.
Nada disso interessa nada porque
importa pouco quem vai governar Portugal. Sem capacidade de decisão
relativamente às suas fronteiras e ao seu território desde a assinatura do
Tratado de Schengen, ao seu orçamento, ao seu corpo legislativo, à sua moeda ou
sequer acerca da definição das suas políticas de saúde e/ou educação, Portugal
já não é (mesmo que os políticos dos partidos teimem em dizer o contrário) um
País soberano.
E, de forma efectiva, seja o
Costa, o Seguro, o Coelho, o Portas, o Jerónimo ou o Louçã, o certo é que a
margem de manobra de qualquer governo que venhamos a ter é muito curta e as
diferenças entre qualquer destes actores serão, efectivamente, insignificantes.
O adjectivo é mesmo esse…
insignificante. Tal como insignificante tem sido esta espécie de campanha
eleitoral dentro do PS, tal como foi a campanha eleitoral autárquica e europeia
do ano passado, e como certamente será a campanha legislativa que se aproxima.
Não interessa nada a ninguém. Nem sequer aos Portugueses.
terça-feira
Portugal Partido

Portugal atravessa um dos mais enegrecidos períodos da sua longa História. A crónica falta de produtividade, associada a interesses variados que sempre se sobrepõem aos interesses dos Portugueses, tem vindo a transformar Portugal num País sem rumo e sem futuro, hipotecando paulatinamente todos os valores e potencialidades que herdámos dos nossos avós.
Contrariamente ao que aconteceu noutras ocasiões, quando a crise impôs dificuldades aos Portugueses, desta vez nenhum dos nossos actores políticos é particularmente responsável pela situação. Todos sabemos, infelizmente, que fosse quem fosse que estivesse no governo, Portugal estaria de igual modo na situação terrível que agora é obrigado a enfrentar. E sabemos também, para desgraça dos Portugueses, que as responsabilidades pelo caos que actualmente vivemos são partilhadas transversalmente por quase todos aqueles que se movem nos corredores do poder.
Por isso, determinar quem foi incompetente e castigá-lo pelos seus actos e omissões, é exercício vão neste início de Século. Seria necessário castigar por igual todos os partidos, coligações, líderes e oposições que dirimiram argumentos e discussões ao longo dos últimos trinta anos. Todos eles, sem excepção, contribuíram para o caos actual colocando os interesses dos seus partidos à frente dos interesses de Portugal.
Hoje, quando enfrentar a crise e perspectivar o futuro é o único caminho possível para este País depauperado, debatemo-nos ainda com um problema adicional. É que os partidos que prefiguram os caminhos possíveis para o futuro imediato, continuam no seu exercício vil de jogar os jogos do poder, fundamentando e recalcitrando as suas posições com o intuito natural de conquistar as cadeiras de onde se manda em Portugal, mas continuam (todos) sem dizer aos Portugueses o que vão fazer para resolver a crise que nos afecta.
Será que não sabem? Será que não existem soluções efectivas para retirar Portugal deste poço sem fundo? Será que não querem? Será que têm consciência de que já não somos soberanos para decidir o nosso futuro e que, independentemente de quem vier a governar Portugal nos próximos tempos, as medidas, as decisões e o futuro dos Portugueses já estão decididas por parte dos estrangeiros nas mãos de quem entregaram o País?
Portugal está partido. Está partido e repartido entre os partidos com assento parlamentar. Partido na sua essência, na sua soberania, na sua capacidade de pensar e de decidir o futuro.
Precisamos agora, para que as futuras gerações possam deixar de estar à rasca e possam aspirar a crescer e tomar o pulso deste País excepcional, de assumir que a solução está fora do sistema partidário.
Queremos justiça, firmeza, ordem e estabilidade para Portugal. Queremos que à frente do país estejam aqueles que, arredados da política por serem incapazes de responder aos interesses dos partidos antes de salvarem Portugal, sabem o que fazer e como fazer para restaurar a nossa Nação.
Queremos estar inteiros. Sem partidos.
Contrariamente ao que aconteceu noutras ocasiões, quando a crise impôs dificuldades aos Portugueses, desta vez nenhum dos nossos actores políticos é particularmente responsável pela situação. Todos sabemos, infelizmente, que fosse quem fosse que estivesse no governo, Portugal estaria de igual modo na situação terrível que agora é obrigado a enfrentar. E sabemos também, para desgraça dos Portugueses, que as responsabilidades pelo caos que actualmente vivemos são partilhadas transversalmente por quase todos aqueles que se movem nos corredores do poder.
Por isso, determinar quem foi incompetente e castigá-lo pelos seus actos e omissões, é exercício vão neste início de Século. Seria necessário castigar por igual todos os partidos, coligações, líderes e oposições que dirimiram argumentos e discussões ao longo dos últimos trinta anos. Todos eles, sem excepção, contribuíram para o caos actual colocando os interesses dos seus partidos à frente dos interesses de Portugal.
Hoje, quando enfrentar a crise e perspectivar o futuro é o único caminho possível para este País depauperado, debatemo-nos ainda com um problema adicional. É que os partidos que prefiguram os caminhos possíveis para o futuro imediato, continuam no seu exercício vil de jogar os jogos do poder, fundamentando e recalcitrando as suas posições com o intuito natural de conquistar as cadeiras de onde se manda em Portugal, mas continuam (todos) sem dizer aos Portugueses o que vão fazer para resolver a crise que nos afecta.
Será que não sabem? Será que não existem soluções efectivas para retirar Portugal deste poço sem fundo? Será que não querem? Será que têm consciência de que já não somos soberanos para decidir o nosso futuro e que, independentemente de quem vier a governar Portugal nos próximos tempos, as medidas, as decisões e o futuro dos Portugueses já estão decididas por parte dos estrangeiros nas mãos de quem entregaram o País?
Portugal está partido. Está partido e repartido entre os partidos com assento parlamentar. Partido na sua essência, na sua soberania, na sua capacidade de pensar e de decidir o futuro.
Precisamos agora, para que as futuras gerações possam deixar de estar à rasca e possam aspirar a crescer e tomar o pulso deste País excepcional, de assumir que a solução está fora do sistema partidário.
Queremos justiça, firmeza, ordem e estabilidade para Portugal. Queremos que à frente do país estejam aqueles que, arredados da política por serem incapazes de responder aos interesses dos partidos antes de salvarem Portugal, sabem o que fazer e como fazer para restaurar a nossa Nação.
Queremos estar inteiros. Sem partidos.
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segunda-feira
Vitória de Lisboa
por: João Aníbal Henriques
Ao contrário do que muitos esperavam, foram um êxito estrondoso as eleições intercalares para a Câmara Municipal de Lisboa.
A indiferença perante o acontecimento mediático e o circo que se montou, aliado à falta de critérios, projectos, ideias sustentadas e visão real sobre o planeamento e a gestão futuros da cidade, foram a principal marca daquele que será, porventura, um dos mais importantes acontecimentos da Lisboa contemporânea.
O índice de abstenção, semelhante em termos de tendência àquele que se tem vindo a verificar paulatinamente de eleição em eleição, bateu quase todos os recordes, e os que foram votar, mostrando discernimento e capacidade de entender os muitos cenários que se poderiam colocar, escolheram faze-lo de forma minuciosa e cuidada, dando a cada um dos 12 candidatos aquilo que mereciam receber.
Vamos analisar um por um:
António Costa – O Vencedor…
Desde logo cantou bem alto a sua vitória… e o que é que ele ganhou? Ganhou uma câmara sem maioria, através de um plebiscito em que o apoiaram nas urnas 57.907 cidadãos de Lisboa. É fácil de perceber que correspondem a pouco mais de 10% da população e que, pela primeira vez em 33 anos, vamos ter um Presidente da Câmara eleito por 10% dos eleitores. Mas isso retira-lhe legitimidade? É óbvio que não… apesar de ter diminuído a cotação em relação ao derrotado de 2005 (Manuel maria carrilho teve 75.022 votos), António Costa foi o mais votado de todos os pobres candidatos que os lisboetas resolverem pura e simplesmente desprezar. E qual é a sua representatividade efectiva? É fácil de perceber que ronda os tais 10% de pessoas que nele votarem, e não está muito longe daquela que caracteriza o Governo e muitos dos demais órgãos de soberania…
Carmona Rodrigues – O Herói…
Contra o partido que o elegeu em 2005; contra os restantes partidos que nele encontraram o “bode espiatório” para todos os males de Lisboa que eles próprios haviam criado; contra a comunicação social e os muitos lobbies e grupos de interesse que entendiam um bom resultado seu como uma possível machadada no seu poder e capacidade de imporem soluções para a Cidade, Carmona Rodrigues conseguiu a proeza de conquistar o segundo lugar, à frente do partido que minou o seu trabalho, e com imenso apoio popular. Sem querer entrar no campo das suposições, que nos levariam a um cenário de eleições participadas e com baixa taxa de abstenção que certamente aumentariam de forma exponencial o seu resultado e (provavelmente) lhe dariam a vitória, há que sublinhar que foi, de facto, um vencedor, mostrando a Portugal e aos portugueses que vale a pena manter a isenção, a independência e o rigor que só a sua seriedade de português lhe podem garantir.
Fernando Negrão – Qual?...
Fernando Negrão e o PSD merecem poucos comentário após o descalabro que motivaram na Câmara de Lisboa. Em relação ao partido pouco há a dizer… criou a situação ao colocar os interesses da sua estrutura à frente dos interesses da Cidade, e os lisboetas penalizaram-no por isso. Talvez a única preocupação que subsiste seja a de imaginarmos o cenário que espera este partido nas legislativas de 2009… é que, apesar do seu carácter inócuo, dentro desta ditadura partidarizada em que vivemos, é a única solução que resta como alternativa a um PS escandalosamente anti-Portugal! Quanto a Negrão, a situação é ainda mais terrível. Candidatou-se a Setúbal. Perdeu quando se percebeu que nada tinha a dar à cidade e… fugiu dali, provando que tinham razão todos aqueles que criticaram a sua candidatura contra natura. Depois foi uma recambolesca passagem pelo Governo, abordando temas, assuntos e áreas que não eram as suas e que, mesmo com o seu ar simpático e competente, comprometeram ainda mais a já enfraquecida credibilidade que trazia das margens do Sado. E por fim, quando tal deveria ser a última coisa a fazer, resolveu vir para Lisboa… Lisboa? Mas porquê? Então mas o Homem não tinha garantido ainda há 2 anos que o seu coração estava em Setúbal? Não se consegue perceber…
Telmo Correia – O Outro…
Um dos inesperados protagonistas da noite foi Telmo Correia e o CDS-PP… Pugnando com rigor, disciplina, serenidade, seriedade e empenho por um projecto novo para Lisboa (digo isto acreditando verdadeiramente que se Telmo Correia fosse eleito presidente com maioria absoluta Lisboa tornar-se-ia uma das cidade de referência no contexto europeu), não percebeu uma das mais importantes e evidentes premissas da democracia em Portugal: a Direita, com os seus valores e princípios, não gera votos em quantidade suficiente para ganhar eleições. Por isso, a reboque das gananciosas pretensões ao poder do seu popular presidente de partido, acabou por deixar de lado aquele que seria (ou deveria ser) um dos principais objectivos de todo o empenhamento que colocou na candidatura: unir a direita portuguesa a partir de Lisboa. E é fácil entender que, juntando os seus votos com os de Manuel Monteiro (ainda se podiam juntar os de outros candidatos menos ortodoxos que também acreditam, pugnam e zelam por Portugal e pelos portugueses), Telmo Correia não só seria eleito, como possivelmente conseguiria, com esse facto, fomentar uma dinâmica nova que servisse de ensejo para consolidar uma Direita responsável, consciente, e… assumidamente alheada da partidarite viciosa à qual acorrentaram Portugal.
Os restantes…
O que dizer sobre todos os outros? Possivelmente nada. Da pseudo-independente Helena Roseta (ex-PSD e ex-PS); ao comunista Rúben de Carvalho; ao inconsequente José Sá Fernandes; ao indefectível Garcia Pereira; ao cantor da Câmara Pereira; ou ao iludido Manuel Monteiro; vai um caminho curto e insidioso. Todos eles participaram no sistema e contribuíram, com o seu trabalho, para credibilizar um acto que contraria os interesses reais de Lisboa, dos lisboetas, de Portugal e dos portugueses. Os números falam por si, e se cada um deles for ver com atenção quantas foram as pessoas que se deram ao trabalho de votar em si, verão que tudo o que fizeram não merece sequer uma palavra…
Conclusão:
Apesar de tudo, de todos, de Portugal, da nossa comunidade, dos atropelos à democracia que todos dizem defender, as eleições para a Câmara de Lisboa realizaram-se. Gastou-se uma verba substancial do erário público; comprometeram-se investimentos que eram essenciais para o desenvolvimento do País; e descredibilizou-se ainda mais uma classe política ávida de poder mas vazia de projectos.
A partir de agora, com a vitória que conseguiram nestas eleições, os 62,61% de lisboetas que decidiram (e bem) não ir votar, deram todas as informações de que necessitávamos para modificar finalmente este nosso Portugal. Esperemos que, percebendo a mensagem e ao contrário do que se passou em 1974, o povo não tenha de vir à rua para devolver Portugal aos portugueses…
A indiferença perante o acontecimento mediático e o circo que se montou, aliado à falta de critérios, projectos, ideias sustentadas e visão real sobre o planeamento e a gestão futuros da cidade, foram a principal marca daquele que será, porventura, um dos mais importantes acontecimentos da Lisboa contemporânea.
O índice de abstenção, semelhante em termos de tendência àquele que se tem vindo a verificar paulatinamente de eleição em eleição, bateu quase todos os recordes, e os que foram votar, mostrando discernimento e capacidade de entender os muitos cenários que se poderiam colocar, escolheram faze-lo de forma minuciosa e cuidada, dando a cada um dos 12 candidatos aquilo que mereciam receber.
Vamos analisar um por um:
António Costa – O Vencedor…
Desde logo cantou bem alto a sua vitória… e o que é que ele ganhou? Ganhou uma câmara sem maioria, através de um plebiscito em que o apoiaram nas urnas 57.907 cidadãos de Lisboa. É fácil de perceber que correspondem a pouco mais de 10% da população e que, pela primeira vez em 33 anos, vamos ter um Presidente da Câmara eleito por 10% dos eleitores. Mas isso retira-lhe legitimidade? É óbvio que não… apesar de ter diminuído a cotação em relação ao derrotado de 2005 (Manuel maria carrilho teve 75.022 votos), António Costa foi o mais votado de todos os pobres candidatos que os lisboetas resolverem pura e simplesmente desprezar. E qual é a sua representatividade efectiva? É fácil de perceber que ronda os tais 10% de pessoas que nele votarem, e não está muito longe daquela que caracteriza o Governo e muitos dos demais órgãos de soberania…
Carmona Rodrigues – O Herói…
Contra o partido que o elegeu em 2005; contra os restantes partidos que nele encontraram o “bode espiatório” para todos os males de Lisboa que eles próprios haviam criado; contra a comunicação social e os muitos lobbies e grupos de interesse que entendiam um bom resultado seu como uma possível machadada no seu poder e capacidade de imporem soluções para a Cidade, Carmona Rodrigues conseguiu a proeza de conquistar o segundo lugar, à frente do partido que minou o seu trabalho, e com imenso apoio popular. Sem querer entrar no campo das suposições, que nos levariam a um cenário de eleições participadas e com baixa taxa de abstenção que certamente aumentariam de forma exponencial o seu resultado e (provavelmente) lhe dariam a vitória, há que sublinhar que foi, de facto, um vencedor, mostrando a Portugal e aos portugueses que vale a pena manter a isenção, a independência e o rigor que só a sua seriedade de português lhe podem garantir.
Fernando Negrão – Qual?...
Fernando Negrão e o PSD merecem poucos comentário após o descalabro que motivaram na Câmara de Lisboa. Em relação ao partido pouco há a dizer… criou a situação ao colocar os interesses da sua estrutura à frente dos interesses da Cidade, e os lisboetas penalizaram-no por isso. Talvez a única preocupação que subsiste seja a de imaginarmos o cenário que espera este partido nas legislativas de 2009… é que, apesar do seu carácter inócuo, dentro desta ditadura partidarizada em que vivemos, é a única solução que resta como alternativa a um PS escandalosamente anti-Portugal! Quanto a Negrão, a situação é ainda mais terrível. Candidatou-se a Setúbal. Perdeu quando se percebeu que nada tinha a dar à cidade e… fugiu dali, provando que tinham razão todos aqueles que criticaram a sua candidatura contra natura. Depois foi uma recambolesca passagem pelo Governo, abordando temas, assuntos e áreas que não eram as suas e que, mesmo com o seu ar simpático e competente, comprometeram ainda mais a já enfraquecida credibilidade que trazia das margens do Sado. E por fim, quando tal deveria ser a última coisa a fazer, resolveu vir para Lisboa… Lisboa? Mas porquê? Então mas o Homem não tinha garantido ainda há 2 anos que o seu coração estava em Setúbal? Não se consegue perceber…
Telmo Correia – O Outro…
Um dos inesperados protagonistas da noite foi Telmo Correia e o CDS-PP… Pugnando com rigor, disciplina, serenidade, seriedade e empenho por um projecto novo para Lisboa (digo isto acreditando verdadeiramente que se Telmo Correia fosse eleito presidente com maioria absoluta Lisboa tornar-se-ia uma das cidade de referência no contexto europeu), não percebeu uma das mais importantes e evidentes premissas da democracia em Portugal: a Direita, com os seus valores e princípios, não gera votos em quantidade suficiente para ganhar eleições. Por isso, a reboque das gananciosas pretensões ao poder do seu popular presidente de partido, acabou por deixar de lado aquele que seria (ou deveria ser) um dos principais objectivos de todo o empenhamento que colocou na candidatura: unir a direita portuguesa a partir de Lisboa. E é fácil entender que, juntando os seus votos com os de Manuel Monteiro (ainda se podiam juntar os de outros candidatos menos ortodoxos que também acreditam, pugnam e zelam por Portugal e pelos portugueses), Telmo Correia não só seria eleito, como possivelmente conseguiria, com esse facto, fomentar uma dinâmica nova que servisse de ensejo para consolidar uma Direita responsável, consciente, e… assumidamente alheada da partidarite viciosa à qual acorrentaram Portugal.
Os restantes…
O que dizer sobre todos os outros? Possivelmente nada. Da pseudo-independente Helena Roseta (ex-PSD e ex-PS); ao comunista Rúben de Carvalho; ao inconsequente José Sá Fernandes; ao indefectível Garcia Pereira; ao cantor da Câmara Pereira; ou ao iludido Manuel Monteiro; vai um caminho curto e insidioso. Todos eles participaram no sistema e contribuíram, com o seu trabalho, para credibilizar um acto que contraria os interesses reais de Lisboa, dos lisboetas, de Portugal e dos portugueses. Os números falam por si, e se cada um deles for ver com atenção quantas foram as pessoas que se deram ao trabalho de votar em si, verão que tudo o que fizeram não merece sequer uma palavra…
Conclusão:
Apesar de tudo, de todos, de Portugal, da nossa comunidade, dos atropelos à democracia que todos dizem defender, as eleições para a Câmara de Lisboa realizaram-se. Gastou-se uma verba substancial do erário público; comprometeram-se investimentos que eram essenciais para o desenvolvimento do País; e descredibilizou-se ainda mais uma classe política ávida de poder mas vazia de projectos.
A partir de agora, com a vitória que conseguiram nestas eleições, os 62,61% de lisboetas que decidiram (e bem) não ir votar, deram todas as informações de que necessitávamos para modificar finalmente este nosso Portugal. Esperemos que, percebendo a mensagem e ao contrário do que se passou em 1974, o povo não tenha de vir à rua para devolver Portugal aos portugueses…
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