sexta-feira

Miguel Pinto Luz Empossado como Académico da ALA – Academia de Letras e Artes



O Engº. Miguel Pinto Luz, Vice-presidente da Câmara Municipal de Cascais, foi empossado como académico da ALA – Academia de Letras e Artes. O recém-empossado, como formação académica nas áreas da engenharia informática e da liderança, tem-se dedicado a estudar aprofundadamente as estruturas de suporte à sociedade do futuro. É essa área, aliás, que deu mote ao seu mais recente livro, no qual aborda caminhos transversais que garantam um futuro coeso e sustentável em Portugal, alicerçado no seu trabalho enquanto autarca no Concelho de Cascais. A mobilidade urbana, associada à coesão territorial é pedra angular na construção de uma sociedade mais justa e plena, oferecendo a todos os cidadãos as ferramentas necessárias para que se garanta o acesso a níveis de qualidade de vida que sejam sinónimo de felicidade.  No discurso de apresentação a Academia de Letras e Artes sublinhou a expectativa de poder contar com o contributo crítico e empreendedor de Miguel Pinto Luz para reforçar a sua capacidade de intervenção no panorama social e cultural da comunidade. Nesta cerimónia tomaram ainda posse como novos académicos da ALA o Dr. Pedro Gomes Sanches, a Drª. Júlia Nery, a Drª. Dulce Rodrigues e o Dr. Bonifácio Ricardo José.





quarta-feira

Dom Simão do Santíssimo Sacramento Pedro Cota Falcão Aranha de Sousa e Menezes – “Cascais Menino”




Foi sentida a homenagem prestada a Dom Simão Aranha, o ilustre escritor Cascalense que assinava com o pseudónimo Pedro Falcão, por ocasião da apresentação da terceira edição da sua obra-prima “Cascais Menino”. A iniciativa, promovida pela Fundação Pedro Facão & Yanrub, na pessoa da sua Presidente Mariana de Sande e Castro Campbell e pela União de Freguesias de Cascais e Estoril, na pessoa do seu Presidente Pedro Morais Soares, contou com a apresentação da vida e da obra do autor por João Aníbal Henriques. A galeria da Junta de Freguesia de Cascais, onde se partilharam as histórias e as memórias que o inesquecível Dom Simão Aranha deixou como legado aos vindouros da sua terra, não obedeceu a planos nem seguiu nenhum guião previamente definido. Cumprindo a sua vontade, vagueou sorrateiramente, como se fosse um menino, pelas aventuras que dão forma à magia de Cascais e das suas gentes. A aura de Cascais, como dizia a sua mulher Dona Ana Maria Burnay Aranha no prefácio0 da primeira edição, em 1980, assentava na capacidade única que Pedro Facão tinha para anular o curso do tempo. Acreditava ele que no palco da sua cabeça havia espaço para fazer reviver as figuras e as desventuras de todos aqueles que fizeram parte da sua infância. “Cascais Menino”, sem uma cronologia que permita considerá-lo como História, é a obra que melhor enquadra a diferença de Ser Cascalense. É leitura obrigatória para todos quantos desejem mergulhar na Alma desta terra.

O Livro pode ser adquirido na Livraria Galileu ou através do website da Fundação Pedro Falcão & Yanrub AQUI










Fotografias da União de Freguesias de Cascais e Estoril


sábado

Conceição Valdez Telles de Menezes com Timor no Coração




Domingo, dia 18 de Junho de 2022, foi um dia especial na Casa Sommer em Cascais. 25 anos depois da inauguração da exposição sobre o seu avô na saudosa Universidade Moderna, em Lisboa, Maria da Conceição Valdez Telles de Menezes apresentou publicamente o seu livro “Com Timor no Coração”. A obra, que recupera as memórias familiares da autora, cumpre o propósito principal de ultrapassar as garras inexoráveis do tempo, trazendo para o presente os feitos alcançados pelos seus antepassados e recuperar a capacidade que tiveram de honrar e respeitar as ligações profundas que criaram com Timor e com os Timorenses. Com apresentação por João Aníbal Henriques, Joaquim da Cunha Roberto e Pedro Teixeira da Mota, a cerimónia contou ainda com a inesperada intervenção de Maria Ângela Carrascalão, antiga Ministra da Justiça de Timor Lorosae, que trouxe à sala um laivo sentido de homenagem ao legado deixado naquele território pelos Portugueses. Com este fechar de ciclo, Conceição Valdez eterniza a memória dos seus ancestrais, perpectuando no tempo e ao longo das próximas gerações a imensa herança de memória que recebeu dos seus avoengos.







sexta-feira

A Ermida de Nossa Senhora da Cabeça em Évora



por João Aníbal Henriques

Existem espaços que se impõem na paisagem. Na maior parte das vezes é a vetustez magnífica da sua fachada ou a opulência da sua decoração que determinam essa capacidade de adaptar a envolvência à sua própria personalidade.

Nas vilas e cidades históricas portuguesas, quase sempre resultantes de um vínculo de índole religiosa que foi determinante no seu nascimento e na sua consolidação no seio da comunidade humana que as habitou, são os espaços sagrados que, através do impacto que têm na construção identitária da localidade, assumem este papel de cadinho maior a partir do qual se organiza tudo o resto.



Mas não é nada disto que acontece no final da Rua Mendo Estevães, em pleno centro história da mítica Cidade de Évora. O templo, enganosamente intitulado como “ermida”, ou seja, apontando para uma origem num ermo remoto e dado principalmente à interioridade meditativa humilde e despojada, é um espaço de aspecto robusto e solidamente construído dentro do velho casco urbano.

No entanto, nem a monumentalidade da sua construção, nem também o facto de recuperar a sacralidade ancestral que já noutras eras prosperava naquele local, foram suficientes para o impor na paisagem, antes passando quase despercebido perante quem por ali deambula ao sabor dos calores tórridos das tardes estivais.



A Ermida de Nossa Senhora da Cabeça foi consagrada em 1681 e, nessa altura, conheceu um período de aparente grande pujança e prosperidade. A robustez monumental da sua galilé, reforçada por eventuais estruturas de apoio das quais subsistem vestígios nas pedras velhas que suportam o seu terraço, foi mais tarde complementada com um magnífico painel de azulejos dedicado ao Coroamento da Virgem, que complementa os painéis azulejares da autoria de António de Oliveira Bernardes que decoram o seu interior.

A inovação a Nossa Senhora da Cabeça, de origem espanhola, está profundamente arreigada na piedade popular. Como é comum neste tipo de situações, um ingénuo pastor que calcorreava os ermos da Serra Morena, na Andaluzia, terá ouvido nos desérticos montes por onde andava com o seu rebanho, o som de uma campainha que o parecia chamar. Seguindo esse ruído, entrou numa gruta situada na cabeça de um morro no fundo da qual estava uma formosíssima imagem de Nossa Senhora profusamente iluminada. Ajoelhando-se, o pastor questionou a figura sobre a razão de ser de tal milagre. E Nossa Senhora, com uma voz suave e envolvente definida pela sua geração sagrada, pediu-lhe que contasse nas redondezas a natureza deste milagre, construindo no local uma ermida em sua memória onde todos pudessem ir rezar.



Na ermida eborense, lançando sobre a envolvente duas sombras cruas, a representação do Sol e da Lua reforçam a sua significação milenar, acentuando a dicotomia entre as sombras e a luz e comprovando a sua origem ancestral. Embora não se sabia exactamente a data de fundação da ermida, e assumindo-se que a consagração já mencionada é somente um dos momentos da sua mais longa existência, pressupõe-se que a sua origem se perca na sacralidade ancestral associada aos cultos longínquos que foram professados naquele mesmo espaço.

E a apontar nesse sentido estão os vários materiais reutilizados na actual construção, comprovando que outros edifícios (ou diferentes formulações do mesmo) terão co-existido naquele lugar ao longo dos séculos.



Discreta na sua implantação urbana, a Ermida de Nossa Senhora da Cabeça é um magnífico exemplo da arquitectura sagrada de Portugal, mostrando que as principais devoções, quase todas resultados directo da evolução do pensamento e da Fé nas comunidades que as professaram, são superiores aos séculos, Às épocas e às eras, impondo-se no imaginário popular como alicerce principal da sua religiosidade.

E, se por fora parece mera capela perdida no seio da multiplicidade de tempos semelhantes que profusamente enxameiam as ruas de Évora, por dentro a qualidade da sua decoração demonstra bem que era espaço de primeira importância para as gentes do local.

segunda-feira

Nossa Senhora da Rocha em Linda-a-Pastora


por João Aníbal Henriques

Por detrás das lendas, muitas vezes escondendo sub-repticiamente os laivos maiores da identidade de um local, estão factos da História que marcam de forma efectiva o sentimento de cidadania e promovem a coesão que é determinante para que as comunidades se imponham equilibradas e saudáveis a bem de todos os que dela fazem parte integrante.

É o que acontece em Linda-a-Pastora, no Concelho de Oeiras, onde a memória colectiva define a Senhora da Rocha como plataforma potenciadora daquele agregado populacional, unido sempre em torno da loca (ou gruta) onde o sagrado e o profano se cruzam a partir de uma devoção sentida à imagem maior da Virgem Maria no seu orago associado aos mistérios da conceição.



Reza a lenda que em 1822, num mítico dia 28 de Maio, um grupo de crianças locais deambulava pelos campos junto à Ribeira do Jamor em busca de coelhos que lhes fugiam através dos matos que enchiam este local. Um dos animais, despertando a cobiça dos fedelhos, terá ousadamente entrado numa lura de difícil acesso e os rapazes, acicatados pelo desejo de o caçar, entraram atrás dele, desviando os arbustos e os silvados.

Para sua grande surpresa, porque rapidamente se viram envolvidos pelo negrume da escuridão, perceberam que estavam dentro de uma gruta desconhecida e que à sua volta, num registo de terror que lhes potenciava o medo, um grande conjunto de ossadas humanas os contemplava da lonjura das suas vidas ancestrais.

Incrédulos com o achado, e interpretando os ossos que viam como uma alucinação, resolveram trazer alguns para a luz do dia e levaram-nos para as suas casas contando a sua aventura aos aldeãos. Como ninguém acreditou neles, organizou-se então uma nova visita ao espaço com a presença dos adultos que viviam nesse lugar e, para grande surpresa de todos, não só confirmaram o relato das crianças como também encontraram, singelamente perdida no meio das ossadas, uma pequeníssima imagem de Nossa Senhora feita em barro, que imediatamente interpretaram como um sinal da presença divina naquele lugar especial.



Ajoelhando-se à sua frente em profunda devoção, os fiéis que encontraram a imagem da Virgem Maria deparam-se com novo mistério. Repentinamente, sem que ninguém desse conta disso, a imagem desaparece da sua vista, como se tivesse fugido deles e desaparecesse de forma inesperada. Alvoroçados, procurando perceber o que aconteceu, os devotos acabam por encontrar a imagem pousada numa oliveira situada junto à porta da velha gruta oeirense, interpretando este sinal como sendo a Providência Divina a comunicar com eles.

O sucesso desta história, com ecos insuspeitos que se estenderam até à capital, levaram o Rei Dom João VI a interessar-se pelo acontecido. Procurando controlar o fervor popular e ao mesmo tempo tentando recentrar o potencial da devoção na Sé de Lisboa, o monarca manda transferir a imagem para a capital. Temendo a sublevação popular, são enviadas tropas para acompanhar o processo mas a população, provavelmente condicionada pela presença sagrada que emanava da imagem, manteve a compostura e acompanhou o andar ao longo de todo o percurso.



Precisamente 71 anos depois da aparição da imagem, agora no mesmo dia 28 de Maio, mas do ano de 1893, conclui-se enfim a obra de construção de uma capela no local onde outrora estava a oliveira onde a imagem reapareceu. Com a presença da Rainha Dona Amélia, que promoveu uma devoção que havia marcado anteriormente os Reis Dom Miguel, Dom Pedro V e Dom Luís I, a consagração do espaço acontece com toda a pompa e circunstância marcando o regresso da singela imagem de barro a terras de Oeiras.

A devoção simbólica a Nossa Senhora da Conceição, Rainha e Padroeira de Portugal, é um dos mais importantes apoios da portugalidade. Transversal a todo o território, a todas as eras da História e a todas as classes sociais e culturais de Portugal, esta ligação perene entre os portugueses e este dogma tardio da Igreja Católica é verdadeiramente ancestral, provavelmente antecedendo historicamente o próprio nascimento real da Mãe de Jesus Cristo.

Os cultos ancestrais da portugalidade, eivados de um apelo permanente à natureza e ao mito da Deusa-Mãe adaptaram-se escatologicamente à ideia do desejado, mito que promove o apelo imaginário a um quadro de futuro que mitiga as maleitas do presente e transfere divinamente para a Mãe Primordial o ónus do acompanhamento e protecção pela qual sempre se ansiou em Portugal.



Maria, a Virgem Santíssima que alquimicamente transmuta a matéria, conjugando os sonhos da comunidade com as oportunidades que o real vai oferecendo, é devoção profundamente entranhada na Portugalidade. É ela quem determina a construção da escada que salvificamente transporta os seres viventes até ao Céu, sendo por isso mesmo a grande padroeira das causas maiores que se prendem com as angústias determinadas pela existência.

A Senhora da Conceição, que na gruta da Rocha, junto à Ribeira do Jamor, foi sempre a guardiã dos restos humanos dos muitos que por ali viveram as suas vidas ao longo dos séculos, oferece uma réstea de luz para iluminar a escuridão que esta nossa existência fugaz sempre acarreta. Do fundo da caverna, espaço privilegiado para a introspecção e para o pensamento, a Mãe Celeste prepara o neófito para o regresso à luz do Sol e à terra. Até porque é lá dentro, naquele útero primordial onde a vida se estabelece, que o espírito se prepara para o desafio enorme que representa o seu regresso à terra.



Em Linda-a-Pastora, envolvida pelo carácter idílico de um espaço onde naturalmente a água do Jamor e o verde da floresta original se conjugavam para criar um cenário úbere e pleno de fertilidade, é nesta ponte que se faz entre as crenças e a Fé da comunidade e os desafios próprios do quotidiano e da vida, que se estebelecem os laços essenciais de um espírito de cidadania participada, coerente e significante.

Nossa Senhora da Rocha foi, desde a sua origem, fenómeno de Fé. Movimentou as gentes dos arredores e foi pedra angular na criação da matriz identitária de Linda-a-Pastora e do Município de Oeiras.

quinta-feira

O Solar dos Falcões em Cascais

por João Aníbal Henriques

Marcada pelo ritmo austero da sua fachada, o Solar dos Falcões, situado no coração do núcleo urbano consolidado de Cascais, é um dos mais importantes e significantes edifícios da vila. Tendo sobrevivido ao grande terramoto de 1755, quando os danos que sofreu não impediram que tenha passado a ser utilizado como substituto da igreja paroquial que, ali mesmo ao lado, havia sido bastante danificada pelo cataclismo, é um dos mais antigos edifícios de Cascais, carregando consigo informações essenciais para compreendermos como era a vila antes das grandes transformações ocorridas a partir de 1870 quando Dom Luís I escolheu este local como estância de veraneio.

De salientar, até porque é bem demonstrativo desta importância, o papel que teve Manuel Rodrigues de Lima, o arrematando da hasta pública que vendeu esta casa e a capela anexa em 1864, na concretização desse projecto de trazer a corte para a vila. Esse seu proprietário, num acto inusitado de entrega ao bem comum, constrói no terreno do velho solar um magnífico teatro dedicado a Gil Vicente que, na magnificência do seu projecto, contrasta de forma evidente com a simplicidade chã que caracterizava Cascais naquela época. E, despertando nos seus contemporâneos a estranheza por tão grandiosa obra num espaço tão desinteressante, depressa se percebe que a mesma fazia já parte de um plano maior engendrado pelas mais importantes e influentes personalidades da vila, das quais faziam parte o dito Manuel Rodrigues de Lima mas também João de Freitas Reis e, principalmente, Joaquim António Velez Barreiros, Visconde de Nossa Senhora da Luz, que com um espírito muito empreendedor foram dotando a vila dos equipamentos necessários para que ela pudesse vir a ser escolhida pelo monarca como destino para o final das suas férias de Verão.



O Solar dos Falcões e a Capela de Nossa Senhora da Nazaré, em conjunto com o que resta do seu antigo jardim, apresentam a formulação urbanística que definiu o nascimento e crescimento do casco antigo da Vila de Cascais. A simplicidade dos volumes, contrastando de forma evidente com a riqueza da sua decoração interior, é demonstrativa da influência que teve a arquitectura popular tradicional da região saloia naquilo que foi a consolidação da vila enquanto cerne de afirmação do poder municipal.

O provável instituidor da capela e possível construtor do solar, terá sido Bernardino Falcão Pereira e sua mulher Antónia Felícia Gameiro Feyo que, algures ainda no Século XVII, assumiram este espaço como morada para a família e como jazigo privado.  Foram eles quem, depois de um processo de instalação no território municipal muito marcado ainda pela exploração dos recursos primários da vila, deram origem a uma linhagem familiar que foi determinante na recriação do Cascais da Corte cujas repercussões se sentiram até à actualidade. Pedro Falcão, o saudoso autor da mítica obra “Cascais Menino” era um dos orgulhosos descendentes destes primeiros Falcões, fazendo eco deste legado nas suas obras e nos vários momentos que determinam a sua profusa vida de cascalense.



Em termos artísticos o Solar dos Falcões possui um importante conjunto azulejar que, com data de 1729, foi pintado pelo Mestre António de Oliveira Bernardes e centra-se numa pintura figurativa de Nossa Senhora da Nazaré a ressuscitar um homem. Os símbolos marianos, que enchem a Capela-Mor, acompanham várias figuras infantis com ligação directa às litanias de Maria, compondo um quadro que complementa de forma evidente a abordagem mariana existente no vizinho Convento de Nossa Senhora da Piedade e o dogmatismo católico que caracteriza a abordagem pragmática expressa de forma visual na Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Assunção situada ali mesmo ao lado.

Em termos históricos, e para além da forma como o conjunto monumental evoluiu ao longo da sua longa existência, importa sublinhar a provável utilização desta casa para a assinatura da chamada “Convenção de Sintra”, na qual o General Francês Junot assina a sua rendição perante as tropas inglesas que na mesma altura estavam aquarteladas no edifício dos Condes da Guarda, actuais Paços do Concelho. Importante é ainda, entre 1741 e 1753, a breve ocupação do imóvel por padres da Ordem de São Francisco de Paula que pretendiam utilizar a casa para ali instalar o seu convento em Cascais, e do qual desistiram depois de se aperceberem da existência de condicionantes à posse plena da propriedade.



Estando a capela classificada desde 1978 como Imóvel de Interesse Público, e o solar como de Interesse Municipal desde 2009, o conjunto composto pelos dois monumentos faz parte integrante da matriz identitária de Cascais e recupera os valores mais importantes da génese de índole rural desta vila piscatória.

Integrada no quarteirão onde o Teatro Gil Vicente impera visualmente, dando o mote para que se perceba como evoluiu historicamente a vila desde meados do Século XIX até à actualidade, o Solar dos Falcões e a Capela de Nossa Senhora da Nazaré serão porventura as mais abrangentes peças do património cascalense.

sexta-feira

O Milagre Salgado de Nossa Senhora da Anunciada em Setúbal



por João Aníbal Henriques

Com uma História única que resulta de um conjunto extraordinário de acasos, a Cidade de Setúbal mistura as suas origens com a lenda, recriando um cenário onde o sonho e a realidade dão origem a uma palete de cores que condiciona a realidade e promove uma forma alternativa de ser, de estar e de viver a cidade.

A Igreja de Nossa Senhora da Anunciada é um exemplo paradigmático desta realidade e, traduzindo de forma muito eficaz a génese histórica de Setúbal, funciona aqui como uma espécie de máquina do tempo que nos permite regredir ao longo de muitas gerações para podermos perceber quais foram e como foram as várias eras que definiram a cidade que hoje encontramos.

Quando a freguesia da Anunciada foi criada, em pleno Século XVI, já a igreja existia e era de tal forma velha e impactante que foi imediatamente transformada em Igreja Matriz. A sua importância no casco antigo da cidade, provavelmente porque as suas origens sagradas deverão ser anteriores à própria cristianização daquele território, foi determinante na forma como urbanisticamente se construíram as casas, as ruas e se definiriam os equilíbrios sociais entre Setúbal e as suas gentes.

Em termos arquitectónicos, a Igreja de Nossa Senhora da Anunciada, com novo orago depois da reconstrução que sofreu em virtude dos estragos provocados pelo grande terramoto de 1755 e a partir daí consagrada à devoção do Sagrado Coração de Jesus, apresenta hoje traços neoclássicos, com decoração barroca, que escondem a sua origem primitiva.

Quando, ainda no Século XIII, uma imagem de Nossa Senhora apareceu a uma pobre mulher que por ali circulava, pedindo-lhe que fosse constituída uma confraria em seu nome, e que a partir dela se instalasse naquele lugar um hospital para apoiar os mais necessitados, já Setúbal possuía mais de 1000 anos de uma História pujante. Pelo mesmo desde a ocupação romana, quando naquela zona se instalaram várias fábricas de salga e conserva de peixe que era exportado para a Península Itálica.

A lenda de Nossa Senhora da Anunciada de Setúbal tem, também ela, alguma coisa de estranho. É que, ao contrário do que acontece com outras aparições congéneres, principalmente aquelas que se prendem com a alimentação das populações que morriam à fome e que geralmente se consagram a Nossa Senhora da Conceição, a história que se esconde por detrás desta lenda prende-se com o fogo e com o poder dissuasor de Nossa Senhora relativamente ao elemento destruir que ele representa.

Enquanto circulava pela praia à cata de lenha para a sua fogueira, a pobre velha que dá corpo à lenda terá trazido um feixe de madeiras que deitou imediatamente para a sua fogueira. Mas, poara seu grande espanto, um pequenbo toro de madeira dos que ela tinha apanhado junto do rio, saltava teimosamente para fora do fogo de cada vez que ela teimava em pô-lo lá dentro. E a velha alertada por tão estranho acontecimento, terá olhado com atenção para o madeiro e percebido que era uma pequeníssima imagem da Virgem Maria que dessa forma parecia comunicar com ela.

Fácil se torna perceber, desta maneira, que tal acontecimento causou alvoroço na cidade. E a imagem de Nossa Senhora, anunciada pela velha a toda a gente como milagre maior que lhe aconteceu, acabou por gerar uma devoção que rapidamente se alastrou pelas gentes de Setúbal, potenciando a criação da confraria e, mais tarde, a construção da igreja e do seu vetusto hospital.



Nas imediações desta igreja, como se de um farol se tratasse, a vida seguia o seu rumo ligada às artes do mar e à exploração do sal que era riqueza maior naquele Portugal.

O sal de Setúbal, pedra angular da criação e desenvolvimento da cidade, era assim sustento e vida que dali se espalhava por todo o império romano, num movimento porventura milagroso do qual derivava uma forma alternativa de ser e de estar.

Provavelmente por esse motivo, quando a Ordem de Santiago se instalou em Alcácer-do-Sal e em Palmela, Setúbal conheceu o seu grande impulso populacional, para ali sendo enviados os recursos que permitiam aproveitar condignamente e rentabilizar a imensa riqueza que lhe era fornecida pelo Rio Sado.

Nossa Senhora Anunciada era, enfim, o motor a partir do qual se organizavam todos os importantes pilares definidores da vida na cidade e onde os mais necessitados encontravam o amparo de que precisavam nos momentos de maior aflição.

Olhando para a História e para a lenda que a acompanha, fácil se torna perceber o papel determinante que o dito milagre tem na formatação identitária de Setúbal. E, também, a importância que este espaço sagrado teve, tem e terá sempre na determinação daquilo que é a identidade arreigada desta velhíssima capital do sal.

Como disse Jesus: “Vós sois o sal da terra”. E em Setúbal, este sal que é vida, foi anunciado divinamente neste local!

quinta-feira

A Igreja de Santa Maria da Graça em Setúbal



por João Aníbal Henriques

A cidade de Setúbal, com a sua origem provavelmente pré-histórica, tem uma relação directa e permanente com o Rio Sado. O alimento das suas gentes, bem como a prodigalidade dos seus engenhos, ofereciam condições extraordinárias de vida aos primeiros assentamentos humanos que escolheram este local para viver. Por esse motivo, e também porque o bem-estar geral providenciado pela abundância de recursos não trazia grandes exigências a quem ali morava, o burgo foi crescendo ao sabor das necessidades quotidianas, sem grande ensejo de uma pujança que de nada servia nem acrescentava absolutamente nada ao esforço permanente de angariação de sustento que determinava as leis da vida.

A invocação a Nossa Senhora das Graças, provavelmente de origem muito mais recente, é ela própria tradutora desta ligação milenar que determina a intercessão da Virgem Maria no dia-a-dia dos habitantes. Na sua faceta de defensora dos seus filhos humanos, a Senhora das Graças é a personificação adaptada da Imaculada Conceição de Maria, a Nossa Senhora da Conceição que é simultaneamente Protectora e Rainha de Portugal. Concebida sem pecado, a futura Mãe de Deus – e por extensão mãe divina de todos os homens – faz parte da matriz identitária da grande maioria das cidades portuguesas, carregando consigo um laivo de Fé que é transversal e que, até em última instância, justifica a independência política e o sucesso tantas vezes alcançado por Portugal.



No caso de Setúbal, em particular, a actual Igreja de Santa Maria da Graça é o resultado da reconstrução concretizada no Século XVI com traço do Arquitecto António Rodrigues. A magnanimidade do projecto, assente na força telúrica emprestada à sua fachada maneirista pelas duas enormes torres sineiras, é demonstrativa da pujança que tinha a sociedade sadina durante esse período áureo dos descobrimentos portugueses, nos quais o porto de Setúbal, bem como a linha de navegabilidade que o Sado definia e que era essencial para a ligação aos mananciais agrícolas daquela zona do Alentejo (veja-se p.e. a História da Herdade da Palma em Alcácer do Sal), acabavam por ser determinantes na capacidade de produzir e de comercializar que eram essenciais para suportar estruturalmente a estrutura dinâmica das próprias descobertas.

Digna de uma nota especial, não só pelo impacto que tem neste projecto, mas também porque simbolicamente ajuda a perceber essa situação verdadeiramente extraordinária no contexto do que foi Setúbal durante esse período virtuoso da História de Portugal, é a intervenção de Mestre José Rodrigues Ramalho na criação da Capela-Mor da igreja, em talha dourada, que em 1697 foi acrescentada ao templo original.



Nas suas origens documentalmente mais antigas, até porque provavelmente existirão pré-existências neste espaço que permitirão estender a sacralidade do lugar a mais alguns séculos, a igreja original que antecedeu estruturalmente a actual terá sido sagrada no dia de Nossa Senhora da Assunção no ano de 1245.

Em plena Idade Média, terá sido a Igreja de Santa Maria da Graça a definir o perímetro urbanístico da cidade, dela dependendo o surgimento dos primeiros bairros que estenderão a ocupação urbana até ao local onde actualmente se encontra a Praça Bocage, a Poente deste núcleo inicial.

Magnífica no seu enquadramento simbólico, e eminentemente tradutora da significação mais profunda da Cidade de Setúbal no contexto nacional, a Igreja de Santa Maria da Graça é hoje um testemunho muito importante que nos permite compreender melhor a interacção existente entre os recursos disponíveis para uma determinada comunidade humana e a consolidação da sua estruturação identitária a partir de uma concepção do sagrado que lhe define os contornos mais profundos.

As sombras impostas à sua volta pela altura determinada pelas suas torres, ainda hoje significa para os setubalenses a cobertura provida pelo manto de Nossa Senhora enquanto padroeira maior da cidade e de Portugal.  


O Edifício dos SMAS de Cascais


por João Aníbal Henriques

Actualmente devoluto, depois de em 2012 os serviços das Águas de Cascais terem mudado a sua sede para a Aldeia de Juso, o edifício dos SMAS, situado na Avenida do Ultramar, mesmo no coração da Vila de Cascais, é um dos mais interessantes exemplos da forma como a arquitectura e o urbanismo acompanharam o pujante desenvolvimento do concelho ao longo de toda a primeira metade do Século XX.



A escolha do arquitecto que o projectou denota igualmente a forma intencional como a expressão urbana de Cascais foi adaptada para incorporar os valores que o Estado havia definido como essenciais para a definição do novo Portugal. Joaquim Ferreira (1911-1966), um dos mais eminentes membros das Belas Artes, defendia uma cisão programática com as perspectivas arquitectónicas vigentes, criticando a visão paradigmática da denominada “Casas Portuguesa” e assumindo-se frontalmente contrário àquilo que ele pragmaticamente chama o “Português Suave”.

E se em termos formais tudo é novo na obra de Joaquim Ferreira, em linha com o modernismo que transversalmente alterou a praxis das cidades portuguesas em meados do século passado, o edifício dos SMAS de Cascais apresenta inovações igualmente ao nível das técnicas e dos materiais utilizados, recriando um palco de linearidade futurista onde a experimentação acabou por se transformar numa espécie de escola com resultados que se espraiam até à actualidade.



O projecto original deste edifício, assente na eminente funcionalidade programática para o qual ele foi pensado, repercute a linearidade da abordagem que Joaquim Ferreira já havia intentado no projecto do carismático edifício do Cinema São José, junto à Ribeira das Vinhas, que veio substituir as instalações novecentistas da antiga fábrica de conservas de Cascais.

O anteprojecto do edifício, datado de 1961, havia sido previamente aprovado pelo Secretário de Estado das Obras Públicas e foi inaugurado, com pompa e muita circunstância, em 1965, de forma integrada no importante programa comemorativo do 600º aniversário da autonomia de Cascais. A partir dessa altura, com o alto patrocínio das mais altas entidades estatais, torna-se o símbolo funcional de um Cascais assente na visão progressista e moderna que há-de marcar o cunho do município durante mais de quarenta anos.



Depois deste edifício, quase todas as obras públicas concretizadas em Cascais seguiram este exemplo de maturação desta linha arquitectónica despojada de revivalismos, reformatando a imagem da vila e dotando-a de renovadas condições para assumir o carácter cosmopolita muito marcante que tornou possível uma onda de progresso ímpar afectando de forma positiva e linear quase todas as áreas do território municipal.

Os homens de Cascais que governaram a terra nesta época eram gente empreendedora, com uma capacidade de visão estratégica extraordinária e uma abertura de espírito sagaz que lhes permitiu alcançar um grau de sucesso nunca antes visto no concelho. E o Edifício dos SMAS, respondendo arquitectonicamente a esse desafio, serviu como comprovativo dessa situação perante a sociedade e a generalidade dos portugueses.

quarta-feira

A Igreja dos Navegantes em Cascais



por João Aníbal Henriques

Marcante na paisagem cénica de Cascais, com os seus altivos torreões a imporem-se na paisagem sobre o caso antigo da vila, a Igreja de Nossa Senhora dos Navegantes (também designada como de São Pedro Gonçalves Telmo ou de Nossa Senhora dos Prazeres) é um dos mais enigmáticos segredos de Cascais.

Nada se sabendo de certo sobre a sua origem, presume-se que a Igreja dos Navegantes tenha sido construída algures no Século XVI por iniciativa dos homens do mar de Cascais. Isto mesmo é alegado por eles quando, nessa mesma altura, através dos seus representantes legais, apelam directamente a Roma e ao Papa queixando-se dos abusos que sofriam por parte da Igreja local.



Diziam eles que as multas de que eram alvo, e que derivavam das faltas às presenças obrigatórias nas Missas e ao trabalho que faziam ao Domingo, se deviam à necessidade efectiva de angariarem o seu sustento. E que, em contrapartida, haviam construído a suas custas dois conventos, um no Estoril e outro em Cascais, um hospício e duas igrejas (a de Nossa Senhora dos Prazeres e a da Ressurreição de Cristo que caiu com o Terramoto de 1755).

Terá sido este contacto, aliás, o que motivou o Papa Paulo V a conceder a autorização para se pescar aos Domingos e nos dias santos, na perspectiva de que os lucros auferidos nessas ocasiões se destinavam exclusivamente à construção das igrejas e a consolidar o processo de canonização de Frei Pedro Gonçalves Telmo, futuro padroeiro dos pescadores de Cascais.

A única certeza que existe é que a igreja sofreu uma intervenção que visou a sua reconstrução em 1729, conforme o atesta a data dos seus painéis de azulejos, estando ainda in completa em 1755 quando o terramoto novamente lhe abalou os alicerces.



Em termos estéticos, a Igreja dos Navegantes  que agora temos,  que resultou do segundo processo reconstrutivo iniciado em finais do Século XVIII, e que só foi concluído em 1942 quando foram colocados os dois torreões, situa-se na transição entre o período maneirista e proto-barroco, apresentando como ponto de sublinhado interesse a sua rara planta oitravada que Raquel Henriques da Silva, a grande especialista nesta matéria, considera que “exemplifica o gosto de inovação formal característico daquele período”.

O facto de ter ficado inacabada, sem os detalhes decorativos e estéticos característicos do barroco cascalense, sublinham o seu interesse que, de acordo com a historiadora já referida, depende muito mais do jogo de luz que a sua formulação arquitectónica propicia, do que propriamente do formalismo regular que caracteriza outros monumentos idênticos desta mesma época.



O seu carácter diferenciador, provavelmente resultante da influência dos frades de Nossa Senhora da Piedade, que orientaram os homens do mar no seu projecto de erguer a igreja, transforma a Igreja dos navegantes num dos mais preciosos monumentos do Património religioso Cascalense.

 

quinta-feira

O Espigão das Ruivas e o Porto de Touro na Sacralidade Devocional de Cascais


por João Aníbal Henriques

Existem espaços que, independentemente da sua História e/ou da sua monumentalidade, apresentam uma força extraordinária no imaginário colectivo das comunidades. Normalmente, quando assim acontece, a sua História efectiva, baseada nos factos incontornáveis ditados pela documentação existente ou pelos vestígios que a arqueologia recuperou, mistura-se com os mitos que resultam do impacto que o dito espaço tem nas gerações que se vão multiplicando em seu torno.

A sacralidade destes espaços, constrói-se a partir da interpretação que se faz deles. E as comunidades que os vivem, condicionando-os às suas necessidades e ensejos, traduzem normalmente nessas abordagens os resquícios mais profundos da sua própria existência…

O mítico Espigão das Ruivas, situado no limite Ocidental do território municipal de Cascais, em local próximo do Cabo da Roca e em estricta ligação física ao Rio de Touro, que ali desagua misturando-se com o próprio Oceano, é exemplo paradigmático desta realidade, impondo-se no imaginário das populações e reformatando a sua relação com a Serra de Sintra e o com o Atlântico.



O seu envolvimento plástico e cénico, com as arribas verdejantes ao fundo e em contraste profundo com o azul do mar, mistura-se amiúde com o vento forte que condiciona o acesso e impõe respeito a quem o quer visitar. Mítico, porque inacessível ao comum dos mortais, apresenta características morfológicas especiais que adensam o mistério e promovem essa perspectiva quase irreal de um sonho inconcretizado.

As principais linhas de interpretação do Espigão das Ruivas passam pelo mais básico alinhamento das reais necessidades da vida das suas gentes com os impressivos resquícios das vivências passadas. Os rituais da fertilidade, ancestrais na sua relação com a própria sobrevivência da espécie humana, conjugam-se aqui de forma telúrica com o cruzamento entre as águas do Rio Touro. Oriundo da Serra de Sintra, mais propriamente do planalto de São Saturnino, a Poente da lendária Peninha, onde António Carvalho Monteiro, conhecido como Monteiro dos Milhões, construiu o seu eremitério sagrado sobre as penhas velhas da Senhora da Conceição, o ribeiro desce a encosta de forma livre até se cruzar neste espaço quase inacessível, com as tradições lunares das Ruivas, espécie de ninfas que aproveitam a solidão daquele espaço para por ali prosperar.

A linha de abordagem positiva, aqui consignada à figura mitológica do touro, sinónimo de força, de pujança viril e de masculinidade, junta-se à linha matriarcal e feminina que a Lua lhe dá. E desta ligação natural, simbolicamente traçando o contraste de forças aparentemente antagónicas mas complementares, resulta o movimento que origina a própria vida.



Com base neste pressuposto, e não se sabendo com exactidão qual foi a origem efectiva da velha estrutura pétrea existente no topo da rocha e com vista directa para a praia, fácil se torna perceber a interpretação linear que dele faz a comunidade. Se a isto juntarmos a longevidade desta situação, porque os vestígios que foram encontrados junto à dita estrutura datam da Idade do Ferro, natural se torna perceber que a extrapolação dos factos converge para aquilo que define as angústias maiores da sobrevivência daqueles que por ali passam.

Ano após ano: século após século; e milénio após milénio, vai-se aprofundando a convicção de que o Espigão das Ruivas é o espaço onde se encontram as respostas efectivas às nossas principais necessidades. E na perspectiva mais devocional do termo, resulta natural o processo de sacralização de um espaço que se presta a uma vivência onde a simbologia impera e que dá sentido a cada um dos detalhes que compõem a nossa existência sagrada.

No choque de contrastes quase de índole eléctrica que este espaço gera, cria-se uma janela de esperança que ajuda de sobremaneira a definir formas alternativas de existência.

E hoje, seja para um passeio deslumbrante através de uma das paisagens mais marcantes de Cascais, ou como mote para uma introspectiva análise recatadamente elaborada a partir de um qualquer anseio, a descida ao Porto de Touro, conjugado com a subida ao Espigão das Ruivas, oferece a quem a faz uma perspectiva diferente do Cascais onde vivemos.

Qualquer que seja o mote, o ensejo, a crença, a fé ou a determinação de quem o faz, este é um passeio que vale mesmo a pena!