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segunda-feira

As Obras de Construção do Largo Camões em Cascais



Até ao dia 10 de Junho de 1980 o actual Largo Luís de Camões, em plano coração da Vila de Cascais, era um sórdido e mal preparado parque de estacionamento a céu aberto. O equipamento, por sua vez, havia substituído com carácter provisório este espaço onde anteriormente existiam casas antigas, prolongando o eixo da Rua Regimento 19 de Infantaria, e que foram demolidas de forma a abrir o espaço e a criar uma praça para onde se pretendia fazer convergir as principais dinâmicas comerciais da velha vila piscatória. As obras em curso, promovidas pelo saudoso Dr. Carlos Rosa, que presidia à Câmara Municipal depois das eleições que foram ganhas pela Aliança Democrática, tinham em vista a definição de uma linha de modernidade que promovesse o comércio tradicional e permitisse a reafirmação de Cascais como destino de excelência no seio da recém-criada Área Metropolitana de Lisboa.



























quarta-feira

Portugal: Uma Pátria sem Povo




por João Aníbal Henriques

Num 10 de Junho marcado pelo desmaio do Presidente da República, Cavaco Silva, em se pretendia comemorar o Dia de Portugal e dos Portugueses, assistimos tristemente ao estado de vazio exemplar a que deixaram chegar Portugal.

A cerimónia comemorativa, preparada ao pormenor, foi pensada para a praça principal da cidade da Guarda na qual, em frente à extraordinária fachada da Sé, se conjugavam todas as condições cenográficas para tão importante ocasião.

Mas, estranhamente, destas cerimónias ficou arredado o público – leiam-se os Portugueses – que foram impedidos de aceder àquele espaço. Esta decisão, que nenhuma entidade oficial se dignou explicar, ficou naturalmente a dever-se ao medo da contestação popular. Afinal, no Dia de Portugal e dos Portugueses não é suposto ouvir-se a voz dos próprios…

E, com o desmaio de Cavaco a encher televisões e capas de jornais, fica reduzido ao sorriso cínico do sindicalista perverso perante a adversidade do Chefe de Estado, o estado a que conduziram Portugal.

Sem povo e sem Portugueses, este dia foi somente mais uma oportunidade para o confronto desonroso dos partidos e dos poderes que controlam Portugal, digladiando-se numa luta que coloca os seus interesses à frente dos interesses do País e gerando uma onda de insignificância que se traduz na abstenção eleitoral que todos bem conhecemos e num ódio crescente que ontem todos verificámos.

Dirão que é este o Portugal que temos. Não é verdade.

Este Portugal que encheu a comunicação social, do qual ficaram arredados os Portugueses, é um Portugal artificial, desinteressante, promíscuo, insignificante e reles. É o Portugal do rotativismo eleitoral em que vivemos e que eles teimam em continuar a chamar democracia. Um regime que não respeita os Portugueses, os seus sentimentos e as suas necessidades. Um regime fechado sobre si próprio e a sugar dia após dia, os últimos laivos de uma grandiosidade que a Pátria ainda tem mas que eles estão quase a conseguir matar.

O que ficou deste 10 de Junho?

Nada. Infelizmente para Portugal. 

terça-feira

Mensagem de S.A.R., o Senhor Dom Duarte, Duque de Bragança no 1º de Dezembro de 2012




Portugueses:
Estamos a viver mais um 1º de Dezembro, o dia em que se afirmou a vontade de independência nacional e os portugueses disseram “Nós somos livres e o nosso Rei é livre”. Para nós, o 1º de Dezembro aconteceu uma vez e o 1º de Dezembro acontecerá sempre.
Mas hoje, vivemos um 1º de Dezembro diferente.
Cada vez mais portugueses enfrentam a angústia de não saber como cumprir os seus compromissos financeiros, e mesmo como irão pagar as despesas básicas das suas famílias.
A todos eles, quero manifestar a minha solidariedade.
Hoje, atingimos aquele limite em que Portugal tem uma economia em recessão e se esgotou a capacidade do Estado se financiar. Os sucessivos aumentos de impostos já não contribuem significativamente para aumentar a receita do Estado, porque as famílias e as empresas já não conseguem o suficiente para os comportar.
Hoje, tal como em 1640, mas devido à irresponsabilidade de alguns governantes da III República, a nossa política depende da vontade de estrangeiros. A população tem dado provas de grande civismo. Por isso, a todos os que se manifestam de forma cívica em favor de um Portugal mais justo e mais independente, quero manifestar o meu apoio.
Na crise presente, é justo que peçamos contas a quem nos colocou nesta situação de pré-falência e que se tentem recuperar fundos fraudulentamente desviados . Apoio os que pedem a criminalização por actos públicos de gestão danosa.
O princípio do estado de direito democrático é a base da nossa ordem pública. E esse princípio baseia-se na dignidade da pessoa humana e na afirmação de que o cidadão deve estar ao serviço do Estado e o Estado ao serviço da pessoa.
Mas, hoje, existem muitos privilegiados a beneficiar das chamadas “gorduras de Estado”. Muitos fornecimentos, contratações, parcerias público privadas e ajustes directos deveriam ser reavaliados à luz do interesse público, tal como revelado por auditorias do Tribunal de Contas.
Por isso, a todos os que exigem que o Estado respeite o direito, eu digo: a Instituição Real está convosco.
No estado democrático, os partidos políticos têm uma missão essencial a desempenhar. Mas seria útil que as pessoas de boa vontade se unam aqueles partidos que melhor defendam os seus ideais, para que melhor possam servir o País.
No entanto o exercício da cidadania não se limita à actividade partidária.
São, felizmente, muitas as Associações Cívicas que têm mobilizado as boas vontades com acções eficazes de solidariedade e caridade. São fundamentais para um futuro melhor. Deixemo-las trabalhar, em vez de perder tempo com críticas e insultos que nada ajudam a minorar o sofrimento de quem delas precisa.
Por seu lado a Causa Real e as dezenas de associações reunidas na Plataforma Activa da Sociedade Civil, criam sinergias entre milhares de pessoas dedicadas a implementar soluções para os problemas nacionais.
Quero declarar-lhes o meu pleno empenho nas causas que defendem. Não esqueço que, nas redes sociais, muitos defendem a Instituição Real. E lanço um apelo para que passem do virtual ao real, colaborando com a Causa e que mais associações e pessoas se juntem a quem trabalha no campo cívico e humanitário com eficácia e generosidade.
Uma das razões que comprometem o nosso futuro é a baixa natalidade. O Estado português não favorece fiscalmente as famílias que têm filhos, não toma medidas eficazes que ajudem as mães solteiras, não facilita a adopção de crianças.
Perante o já chamado “inverno demográfico” da falta de natalidade, para mim, que acredito no direito à vida, é difícil aceitar que o Estado, com o dinheiro dos nossos impostos, subsidie o “aborto a pedido”.
Após mais de noventa mil “vítimas legais” em Portugal nos últimos cinco anos , é altura de percebermos que a lei actual é insustentável !
“ Uma Nação que mata os seus filhos não tem futuro “ disse a Madre Teresa de Calcutá .
Peço que se lembrem que sem renovação das gerações, o Estado não conseguirá honrar os compromissos financeiros, em particular as reformas de quem descontou para a Segurança Social.
Há muitos anos que venho denunciando o nosso modelo errado de “desenvolvimento sem progresso”, sem uma visão global do futuro.
Por todo o País, tenho encontrado exemplos de pequenos e grandes empresários de sucesso, alguns reconhecidos internacionalmente.
A burocracia estatal e a lentidão da justiça têm provocado graves entraves a quem quer produzir. Temos que exigir mais ao Estado. Mais responsabilidade, mais respeito pelos governados que o sustentam, e, acima de tudo, mais dignidade.
Precisamos urgentemente de um Estado moderno e eficiente, que assegure a nossa soberania e a ordem interna, garantindo a oferta de bens públicos em sectores essenciais e a regulação e estímulo à actividade económica nos restantes, de forma a propiciar o crescimento das empresas e a oferta de emprego, Precisamos de um Estado que seja o primeiro a dar o exemplo, pagando a tempo e horas, bem como assegurando que os investimentos e gastos públicos sejam racionais.
O Estado moderno não se pode substituir ao sector privado na criação de riqueza e não pode ceder à tentação de intervir em tudo.
O Estado social moderno deve dar apoio aos mais desfavorecidos. Quanto menores forem os desperdícios, maior será a proporção da riqueza que chegará a quem precisa.
Para isso, não podemos ter uma sociedade toda subsidiada; não podemos ter um sector empresarial subsídio-dependente.
Como representante e chefe da Casa Real Portuguesa, é esta a reforma de Estado que preconizo. Um Estado que siga e imponha o direito, um Estado que apoie os mais desfavorecidos, um Estado eficaz,, um Estado que fomente o desenvolvimento, um Estado que olhe o futuro, um Estado de e para todos os portugueses.
Se as monarquias democráticas actuais existem e têm um papel fundamental é porque nelas o exemplo vem de cima.
Importa prestar atenção à clara demonstração das nossas verdadeiras capacidades que é dada pelo sucesso que os portugueses obtêm no estrangeiro !
Sem qualquer ajuda do Estado, e no cumprimento dos desígnios da Instituição Real, eu e minha mulher Isabel temo-nos deslocado a países da Europa e da Lusofonia para promover Portugal.
Foi assim no Grão–Ducado do Luxemburgo onde 25% da população activa é portuguesa.

Na Galiza, encontrei um vivo interesse pela língua portuguesa e pelas relações económicas e culturais connosco. A tão interessante e antiga fala de lá também é conhecida como “o português da Galiza”. Em Roma, tivemos ocasião de homenagear personalidades das Casas Reais europeias empenhadas em acções de solidariedade. E nos Estados Unidos convivemos novamente com a dinâmica comunidade portuguesa de Nova Jersey e Nova York.
Tive, ainda, a oportunidade de escutar do Sr. Presidente da República de Cabo Verde, palavras de encorajamento para que a CPLP possa evoluir politicamente no sentido de uma Confederação, ou de uma União, aproximando as nações irmanadas pela língua de Camões.
Encontrei a mesma disposição entre os governantes de vários países da CPLP, incluindo o Brasil.
Cada dia são mais os que perfilham a visão de que, juntos, os países de língua portuguesa podem e devem construir um destino comum que será melhor do que o que actualmente se configura em separado.
Neste 1º de Dezembro, aproxima-se a data em que celebramos o Natal. Não deixemos que esta data seja desvirtuada publicamente por apelos ao consumismo.
Façamos desta data um estímulo à nossa tradição de solidariedade e caridade, apoiando as instituições que organizadamente trabalham nesse sentido, como eu e a minha Família procuramos fazer.
Há mais de um século que a minha Família se encontra impedida de exercer a missão que desempenhou desde que Afonso Henriques foi aclamado “Rex Portugalorum“, Rei dos Portugueses.
No passado 5 de Outubro tive ocasião de me dirigir aos portugueses, celebrando a independência alcançada nesse dia de 1143, com o Tratado de Zamora.
Precisamos de regressar a esse nosso futuro. De agir como sempre soubemos fazer após os desastres do passado: regenerando Portugal mas em bases mais sólidas, aprendendo com os erros cometidos.
Apelo aos portugueses para que se unem e actuem noutro projecto, para um Portugal melhor.
Apelo aos jovens, nomeadamente os que se ausentaram, e a todos, lá como aqui, para que continuem a acreditar em Portugal.
Para essa nova etapa da História, aqui declaro que eu e a minha família estamos disponíveis e dispostos a servir Portugal nos cargos para que os portugueses nos desejarem.
Viva Portugal !

domingo

Portugal, a Europa, a CEE e… o Rei!





Na continuidade daquilo que se tem tornado num hábito cada vez mais consolidado desde há cerca de 25 anos, Portugal passou uma vez mais por uma campanha eleitoral e, consequentemente, por um dia de votos ao qual fugiram mais de 60% dos Portugueses.

Com a Europa como mote, e sobretudo com matérias no âmbito da política Europeia das quais depende directamente o País nesta época de crise internacional muito grave em discussão, foi imensamente triste o cenário pelo qual passámos.

Da esquerda à direita, todos os partidos que participaram neste acto foram unânimes na completa omissão em termos de ideias, propostas e programas de intervenção na Europa. Vistas de fora, mal se notou que de eleições europeias se tratavam…

No rescaldo dos resultados, e também de forma unânime, todos os partidos reiteraram aquilo que foi a prática comum ao longo dos últimos 6 meses… a política interna… as vicissitudes no número de deputados… a extrapolação em relação àquilo que seria se estivéssemos em legislativas… etc. etc. etc. Sobre a Europa; sobre tudo aquilo de que Portugal depende relativamente a essas longínquas instâncias de Estrasburgo; sobre quais serão as posições que tomarão, as políticas que defenderão e as propostas que ali vão apresentar; nem uma só palavra… nem uma discordância… nem uma discussão.

Durante a campanha, nas acções de campanha e nas arruaças que todos os candidatos promoveram, foi também de tristeza o clima que todos vimos. O povo, ou seja, os Portugueses que os partidos agora criticam por não terem ido votar, não sabia quem eram os candidatos (nem sequer os cabeças de lista), quantos iriam eleger, o que eles pretendem fazer, o que defendem, etc. Mas mais grave ainda, este mesmo povo, obviamente por culpa dos partidos que controlam esta nossa espécie de democracia, ainda se refere à Comunidade Europeia como CEE, sigla que, diga-se de passagem, também não sabe o que significa…

Ou seja, foi uma vez mais um acto completamente inócuo e profundamente descontextualizado que, contrariamente ao que todos disseram, pouca ou nada espelha aquilo que sentem, aquilo pelo qual anseiam, e sobretudo aquilo que defendem os Portugueses.

A única informação importante e fidedigna, que deveria deixar apreensivas as instituições ditas competentes e em pânico estes partidos que temos, é a dos 62,5 % dos Portugueses que não se dignaram dirigir-se às urnas. Porque não valia a pena…

Lembro-me bem, até há sensivelmente 10 anos atrás, quando ainda estavam vivas as pessoas que nasceram na viragem do Século, que quase todas, de forma unânime, se referiam ao assassinato do Rei Dom Carlos como o momento político mais marcante das suas vidas. Um Rei que nunca ouviram falar; um Rei que defendia coisas que nada lhes diziam; um Rei que viveu envolto nas tramas e nas discórdias de um regime político que os partidos políticos de então se encarregaram de estragar; um Rei que foi morto quando elas tinham 5, 6 ou 7 anos de idade; um Rei cujo assassinato já tinha acontecido há mais de 80 anos.

Mas essa figura, distante, desconhecida e polémica representava-os. Personificava Portugal, e era o garante e a salvaguarda (mesmo que simbolicamente) dos seus valores, princípios, sonhos e anseios. Marcava-os, por isso, tudo aquilo pelo qual passava.

Hoje, quando a generalidade dos Portugueses nem sequer sabe quantos deputados europeus elegemos, e não faz a mais pequena ideia de que a comunidade já não é meramente económica mas também política, teoricamente representando-os perante o Mundo globalizado; quando a comunicação social nos invade as casas com os rostos, as palavras vãs, e as pretensões dos partidos Portugueses; quando a informação está ao alcance de uma pesquisa no Google e nos é bombardeada para dentro da sala; resta meditar…

Quem é que, verdadeiramente, nos representa? O que vai ser de Portugal?

terça-feira

Medicamentos, Genéricos, Farmácias e... Novamente Portugal





Seguindo em linha com as mais actuais recomendações políticas da generalidade dos Países da Europa, o actual Governo Português anunciou, em período de campanha eleitoral, que iria alterar a Lei de forma a que os médicos passassem a receitar indicando o princípio activo da droga que identificavam como benéfica para os seus pacientes, em detrimento do nome comercial e do laboratório produtor de determinado medicamento.

Essa medida permitiria, por um lado, que fosse o doente a escolher a marca do medicamento que iria adquirir e, por outro, garantir-lhe-ia a possibilidade de optar por aquele que apresentasse o melhor preço de venda ao público (porque a questão da qualidade não se punha).

E a razão que presidia a tudo isto não poderia ser mais linear: a indústria farmacêutica, sujeita a regras muito apertadas em termos de produção dos medicamentos, é obrigada desde há muito a fabricar os seus produtos de acordo com orientações precisas o que, como é evidente, resulta inexoravelmente no facto de todos os medicamentos (independentemente da marca ou do laboratório produtor) terem de ser exactamente iguais entre si e com a mesma qualidade.

Ou seja, medicamentos exactamente iguais, com marcas diferentes e produzidos por laboratórios distintos… mais ainda: medicamentos exactamente iguais (essa garantia é dada pelo próprio Estado através do Infarmed) vendidos a preços muito diferentes entre si…

E o doente, primeiro, último e único interessado naquele negócio, não tem a mínima possibilidade de escolher o que mais lhe convém porque, de acordo com a legislação actual, é ao médico prescritor que cabe a escolha!

Com o aparecimento dos genéricos a situação agrava-se ainda mais. Para além das disparidades de preços entre os laboratórios, surgem agora outros laboratórios (também certificados com a garantia do Infarmed) que produzem os mesmos medicamentos a preços avassaladoramente mais baixos do que aqueles que caracterizam os medicamentos tradicionais. Ou seja, para além da concorrência entre laboratórios, o doente passaria a poder optar por adquirir um medicamente exactamente igual mas genérico, sempre com a garantia de que ele tem a mesma qualidade daquele que lhe foi receitado, pagando um preço mais adequado pelo mesmo.

Mas recentemente, com o processo eleitoral na Associação Nacional de Farmácias e o anúncio do seu presidente de que as farmácias iriam, por seu mote próprio, passar a cumprir esta promessa do Governo, dando assim a possibilidade ao comum cidadão de escolher aquilo que quer, levantaram-se todos contra a decisão…

E é aqui que reside mais um enxovalho à dignidade de Portugal. Senão vejamos:

1. Aos médicos o que importa a marca do medicamento que os seus doentes vão tomar se (importa sempre sublinhar que isto acontece com a garantia do próprio Infarmed) o princípio activo que eles adquirirão na farmácia é exactamente igual àquele que eles prescreveram?... Parece óbvio que nada… a última palavra em relação a esse princípio activo, única matéria em que existe influência no processo curativo do doente, continua a ser deles, sendo deles também, como é evidente, a responsabilidade em relação a essa escolha; Não se consegue perceber a sua insatisfação perante tão importante anúncio…

2. Ao Estado, que imediatamente reagiu dando o dito pelo não dito, e obrigando as farmácias a cumprirem à risca a escolha da marca efectuada pelos médicos, menos ainda, porque medicamentos mais caros pressupõem comparticipações mais caras e estas, por seu turno, um acréscimo desse peso no erário público (sublinhe-se no dinheiro de todos nós…);

Na prática, e devido a uma razão que (pelo menos ao cidadão) não foi explicada, o Estado veio obrigar as farmácias a continuar a vender ao doente não aquilo que lhe convém, mas sim aquilo que o médico lhe prescrever…

Como temos a certeza de que as instituições que temos são sérias, honestas e de bem, zelando pela nossa saúde e pela salvaguarda dos orçamentos familiares e do erário público (não esquecer que medicamentos mais caros são sinónimo de maior comparticipação por parte do Estado), só podemos concluir que, afinal, existem diferenças qualitativas entre medicamentos genéricos e de marca!...

Não há outra explicação plausível ou possível. Não é possível aceitar que esta decisão seja tomada por outros critérios que não sejam estes e, assim sendo, é esta a única razão que pode levar o Estado a impedir-nos de escolher.

Por isso, da próxima vez que for à farmácia, das duas uma: ou me garantem que os medicamentos são todos rigorosamente produzidos e com a mesma qualidade, e me deixam comprar aquele que eu quiser; ou me impedem de fazer essa escolha e estão a assumir que existem diferenças qualitativas entre os produtos.

Agora o silêncio final que se abateu sobre o assunto é, sem sombra de dúvida, mais um péssimo enxovalho que faz a Portugal e aos Portugueses.

domingo

Heróis por Portugal





por: João Aníbal Henriques

Contrariando uma época insólita que Portugal está atravessar, na qual a tónica Nacional (ao contrário do que sempre aconteceu na História Nacional) é colocada no Ter e não, como sempre foi, no Ser, partiram esta semana para a China os atletas que vão representar o País nos Jogos Paraolímpicos.

A comitiva Portuguesa, ao contrário do que aconteceu com muitos dos participaram na comitiva dos Jogos Olímpicos, parte cheia de pretensões e com aspiração elevada em termos de resultados.

A expectativa, mais do que nos rankings mundiais, nos quais, assim mesmo, os atletas Portugueses estão genericamente bem (e muito bem) classificados, centra-se quase em exclusivo no esforço extremo, na dedicação absoluta e no brio que todos (atletas, treinadores e acompanhantes) levam consigo. O motivo para tal, uma vez mais dando lições de desportivismo aos que já chegaram, é simples de perceber: deram tudo o que podiam e estão convictos de que farão o seu melhor quando começarem a competir. E isso, no que ao desporto Nacional concerne, é por si só uma vitória expressiva e extraordinária para o País.

Tal como nos Jogos Olímpicos, nos Paraolímpicos só participam os melhores. Estar colocado a esse nível, e ter a oportunidade de ali competir, é por si só sinónimo de uma qualidade que dignifica o atleta e Portugal. Os resultados, que ainda para mais estes atletas estão habituados a alcançar, são de somenos importância face ao orgulho que Portugal sente em ter esta gente a assumir a responsabilidade e o desafio de representar a Nação.

As histórias de vida; os percalços do dia-a-dia; as vicissitudes do destino; e as dificuldades que acompanham a preparação e a competição, foram inexoravelmente maiores para estes atletas do que para a maioria de nós. E eles, contrariando o destino e as curvas inóspitas da vida, ultrapassaram-se a si próprios e conquistaram batalhas que para a generalidade dos Portugueses parecem impossíveis de alcançar.

Por outro lado, na sua vida profissional, é notório o sucesso que caracteriza a vida de quase todos. De médicos a arquitectos, passando por profissões física e intelectualmente exigentes e desgastantes, os atletas paraolímpicos Portugueses formam uma equipa de qualidade incontornável, na qual a dedicação e o esforço (no caso deles duplicado pelos problemas que enfrentam) são marca perene que consolida ainda mais as conquistas que lograram alcançar.

O terem ido a Pequim e o estarem lá; tudo aquilo que isso significa em termos de investimento pessoal de cada um deles; e a postura honrada, confiante e plena de brio com que lá estão; são motivos de sobra para o grande orgulho que Portugal sente.

Apesar de desconsiderados face aos primeiros, nos quais deviam estar integrados, os Jogos Paraolímpicos são necessariamente o supra-sumo do desporto Mundial! Porque como nos outros, estão lá os melhores, os mais esforçados, e aqueles que, com o seu trabalho e espírito superaram a condição Humana à qual todos estamos sujeitos e os obstáculos que a vida lhe trouxe.

Ao fazerem isso, assumem condição de heróis, como acontecia com os cidadãos da Grécia antiga que triunfavam nas Olimpíadas…

Merecem, por tudo isso, o apoio, o tributo e a gratidão de Portugal.


sábado

Cascais em Mudança...






por: João Aníbal Henriques

Em Cascais já nada é como dantes…

A frase, repetida de forma permanente e insistente em todos os becos e vielas da Vila, quase sempre associada à negatividade de um dia-a-dia emaranhado na crise e nas dificuldades que afectam transversalmente quase todos os sectores de actividade, tem sido apanágio permanente de Cascais ao longo dos últimos anos, deixando no ar a forma natural e automática como o devir social consegue avaliar a actuação dos organismos responsáveis pela gestão do município.

No entanto, e contrariando uma tendência que se iniciou com o princípio da década de 90 do Século XX, a frase voltou agora a Cascais com uma nova pujança e um sentido diferente…

É verdade! Em 2008, nos mesmos becos, vielas e lojinhas de bairro; por parte de comerciantes, empresários, e profissionais liberais; nos balcões dos cafés e até nos corredores inóspitos das grandes superfícies; voltou a ouvir-se de forma insistente e permanente a célebre frase: já nada é como dantes…

Mas neste ano especial, e com um Verão nem sequer muito quente; com um clima geral de crise e insatisfação de âmbito Nacional e internacional; e com um sentimento de insegurança e de impunidade que grassa de forma dramática em Portugal; em Cascais parece que tudo voltou a mudar. Há animação nas ruas; há restaurantes cheios; há exposições, debates, colóquios e cursos livres cheios de participantes; há passeios pedestres e autocarros, bicicletas, e trotinetes a encher a ciclovia; há concertos de Verão, e fogo de artifício no ar.

Em Junho, no Dia 13, a Procissão de Santo António voltou a encher as ruas da Vila, e em Agosto, no dia 29, foi Nossa Senhora dos Navegantes que, como há três Séculos atrás, encheu de devoção as traineiras e demais embarcações cascalenses, que se apinharam de gente que, com os andores, foi ao mar.

E por todo o lado sente-se Cascais a acordar da letargia perigosa e da crise profunda que estava a atravessar.

É claro que o fulgor da construção inusitada continua a fazer-se sentir. Durante muito anos, enquanto os projectos anteriormente aprovados não se esgotarem, continuaremos a ver aparecer os mamarrachos que enriqueceram uns e destruíram a fácies de um espaço sem igual. Também é verdade que a descaracterização ainda impera, num Concelho dicotomicamente marcado por um litoral profundamente cosmopolita e activo, e por um interior terceiro mundista onde quase tudo é de génese ilegal. Sendo também verdade que o novo hospital aguarda desde 1974 a cerimónia de inauguração.

Mas do outro lado da moeda, as bibliotecas nascem, pela primeira vez, no interior do Concelho e as escolas, juntas de freguesia e centros de saúde vão sendo alvo de acções de requalificação como nunca existiram em Cascais.

É uma mudança geracional, e serão necessárias mais duas décadas para que se concretize totalmente. Mas o lançamento das sementes está a ser feito, e Cascais vai-se alterando.

Mesmo quem não é de Cascais e se habituou a visitar a Vila ao longo dos últimos anos para participar nas acções que persistentemente continuaram a concretizar-se, percebeu neste ano a diferença. É qualquer coisa no ar que se transmite ao sorriso dos locais, um misto de alegria e satisfação que deixa antever o conforto de aqui morar. É um glamour inexplicável que os turistas sentem e que os faz apreciar o tempo que aqui vão estar. É qualquer coisa que já não se sentia há mais de 18 anos, e que agora obriga a repetir a frase…

Em Cascais, uma vez mais, nada é como dantes!

segunda-feira

Sporting, Benfica e Porto: O Futebol e o Estado Português





por: João Aníbal Henriques

Por ser considerado um jogo “de risco elevado” a Polícia de Segurança Pública destacou cerda de 590 agentes para acompanharem o jogo de futebol entre o Benfica e o Futebol Clube do Porto.

A festa, como lhe chamam os apreciadores, poderia ser estragada pela intempestivos ataques de fúria dos adeptos que, para além de colocarem em risco a sua própria segurança, ainda ameaçavam a segurança dos transeuntes, dos restantes espectadores e de todos os locais que faziam parte do percurso que as claques utilizariam até chegar ao estádio.

Esta situação, comum nos dias que correm, coloca-nos dois problemas graves que põem em causa o próprio equilíbrio social Português: em primeiro lugar, e dado tratar-se de uma competição desportiva, anulam de imediato tudo aquilo que de positivo o desporto e a competição deveriam promover. A convivência, o fair-play, a animação e a descontracção, dão lugar a autênticas batalhas campais e a sinais de selvajaria que são intoleráveis num Estado de Direito. São, por isso, intoleráveis. Em segundo lugar, e num momento em que (infelizmente) Portugal tem vindo a atravessar um período negro devido à onda de criminalidade que tem vindo a grassar, obviamente relacionada com a inexistência de meios policiais suficientes para darem conta do recado, parece absurdo que 590 agentes tenham sido destacados para darem conta da falta de civismo num jogo de futebol. E isso é, obviamente, intolerável.

Sem nada contra o futebol, que poderá ser, de forma óbvia e evidente, um entretenimento saudável para quem o apreciar, parece-nos totalmente inconcebível que o Estado permita a existência de claques organizadas em torno de valores não desportivos, e que, pela sua prática, obrigam à utilização de contigentes polícias desta envergadura para as controlar. Intolerável e inaceitável é ainda o facto de, para além de se auto-mutilarem e de, dessa maneira, destruírem a substância positiva que o futebol deveria promover, procederem da mesma forma perante o espaço público que atravessam para chegar aos estádios, o mobiliário urbano que pertence a todos os Portugueses, e os incautos concidadãos que tenham a infelicidade de com eles se cruzarem ao longo do trajecto.

Quem procede dessa forma, seja de que clube for; seja qual for a sua região de origem; Nacionalidade; tom de pele ou língua utilizada; deve ser preso. Pura e simplesmente. É para isso que, todos os meses e com aumentos exponenciais ao longo dos últimos anos, todos nós, cidadãos cumpridores, pagamos ao Estado. Para zelar pela ordem pública e pela segurança dos cidadãos.

Mas isso não se faz através da utilização de 590 agentes para acompanharem um jogo. Sobretudo se esses agentes são necessários para garantir o cumprimento das suas missões noutros espaços, áreas, regiões e actividades.

E para compreender esta lógicas e as prioridades policiais do passado fim-de-semana, só existem duas possibilidades: ou temos 590 agentes a mais nas forças de segurança Portuguesas (que não nos parece) e então vale mais despedi-los e com o dinheiro que se poupa investir noutras formas de garantir segurança; ou foram retirados a áreas onde fazem falta, e isso, mais do que qualquer outra coisa, é profundamente injusto para todos os cidadãos pagantes que ficaram impedidos de usufruir desse serviço.

Para concluir, o futebol é (tem de ser) uma festa. O futebol tem de ser fruído em segurança total e absoluta, e deverá acontecer dentro dos parâmetros da Lei.

Se assim não for, a única solução é proibi-lo. Interditar as claques que o não saibam ser; interditar os estádios que não possuam meios que permitam garantir esse princípio; extinguir os clubes que não sejam capazes de controlar as claques que conspurcam o seu nome e destroem a imagem de Portugal.

É que, conforme se vê nas notícias que permanentemente preenchem a comunicação social Nacional, o futebol é o único sector de actividade onde não falta dinheiro. E não faltando dinheiro, falta com toda a certeza vontade e coragem para pôr na ordem aquilo que em seu torno se passa.


quinta-feira

Portugal e as Nacionalidades no Cáucaso






por: João Aníbal Henriques

Num Mundo como aquele em que vivemos, marcado cada vez mais pela incerteza de cunho político-cultural, faz cada vez mais sentido conhecer, analisar e tirar lições do (mesmo assim) equilibrado e seguro Devir Histórico de Portugal.

De facto, com a crise no Cáucaso na ordem do dia, e um crescente sentimento de regresso à bipolarização entre um Ocidente e um Oriente que, ao contrário do que sucedeu durante a Guerra Fria, se caracteriza muito mais pela proximidade e pelas semelhanças do que pelas diferenças, facilmente se verifica que a segurança do dia-a-dia e o bem-estar dos cidadãos não depende nem de extremismos políticos, nem tão pouco de condições económicas. Mais do que esses factores, hoje praticamente inquestionáveis por não haver no Mundo nenhuma grande potência com posições radicais como outrora, nem vicissitudes económicas que coloquem em risco as necessidades básicas da população, é actualmente a essência cultural das comunidades que determina os antagonismos que promovem os conflitos.

O período conturbado que atravessamos, que os analistas mesmo internacionalmente qualificam como difícil e de consequências imprevisíveis, resulta assim de factores externos às necessidades de índole económico-financeira, que se transformam em motivações políticas sendo, desta forma, muito mais consequências directas do que causas para o descalabro que se instalou.

No recente episódio do reconhecimento da independência dos dois territórios georgianos, a decisão unilateral russa comunicada pelo Presidente Medvedev, trás consigo o reconhecimento de posicionamentos políticos que transcendem largamente aquilo que até este momento tem sido o status quo instituído internacionalmente. Por um lado, ao reconhecer a independência dos novos Países, a Rússia afronta directamente a Comunidade Internacional e as Nações Unidas, sabendo de antemão que daí resultará um processo de choque e de cisão que parece ser assumido e previamente planeado, de forma a que o Ocidente, mesmo que desejasse faze-lo de outra forma, se veja constrangido a agir dessa maneira; por outro, e no que ao Oriente diz respeito, a Rússia constrange os seus mais importantes parceiros (nomeadamente a cada vez mais agigantada China) a assumir posições internacionais que vão comprometer o processo de homogeneização político-cultural que o Mundo tem estado a sentir, e que foi bem visível, por exemplo, nos recentes Jogos Olímpicos de Pequim.

Por detrás de todo este imbróglio, como facilmente se compreende, estão completamente perdidas as populações da Geórgia, da Ossétia e da Abkázia, às quais, ao longo do processo mediático que tem envolvido os muitos episódios que nos têm chegado, pouca ou nenhuma importância tem sido dispensada.

Mas a principal peça do jogo está precisamente aí, perdida no meio dos muitos pretextos que foram utilizados por todas as partes para avançar com o processo e para, sem nenhum respeito pelo sofrimento das populações, pura e simplesmente utilizar aqueles territórios como cenários-fantoches onde se movem interesses e interessados de várias índole.

É que, contrariamente ao que acontece em Terras Lusas, todo o território do Cáucaso está pejado de nacionalidades… Algumas, caracterizadas por profundas e coesas raízes culturais; outras com meros laivos de cariz religioso; mas todas com a força que advém de uma situação que permite ultrapassar incólumes vicissitudes diversas e mesmo períodos longos e sombrios de hibernação.

No Cáucaso como nos Balcãs, existem Nações que transcendem os Países que a História se encarregou de formar; existem nacionalidades que extravasam os factores de índole económico e financeiro; existem comunidades que não se revêem nos seus passaportes… E quando Nacionalidades existem, por muito que pese o clamor das armas e o poderio militar, não há forma de as aniquilar.

As nacionalidades são independentes de partidos, de regimes políticos e de constrangimentos conjunturais; são factores perenes que conjugam a herança genética de comunidades, misturando a História com as histórias, o colectivo com o particular, e as necessidades e sentimentos de cada um num enorme crivo de índole global.

Não compreender esta essência, e não a utilizar para enquadrar, contextualizar e conhecer o que se passa no Mundo, é condenar as decisões que se tomam (sejam elas quais forem) ao fracasso, sabendo de antemão que, na melhor das hipóteses, se conseguirá atrasar um pouco a(s) reacção(ões) que indubitavelmente irão deflagrar.

E é neste aspecto, tecnicamente essencial para o futuro do Mundo em que vivemos, que surge Portugal. Um País com 865 anos de História, mas uma Nação consolidada em torno de milhares de anos de uma vivência comum, na qual tolerância, respeito pelas minorias, capacidade de integrar, cosmopolitismo e profunda heterodoxia, marcam de forma indelével a existência e o sustento da sua comunidade.

Numa Europa marcada pela incerteza e num Mundo marcado pelo medo, existem factores perenes que importa identificar, conhecer e potencializar, e o Nacionalismo Português, longe dos significados xenófobos e racistas que alguns mal intencionados (e pouco informados) lhe querem associar, é pedra basilar.

Assim exista vontade, capacidade e interesse de quem dizem que nos governa, para agir em conformidade e para respeitar a essência de Portugal.

terça-feira

Portugal e o Desporto





Por: João Aníbal Henriques

Foi em clima de apoteose, quase uma semana depois da onda de descalabro e de revolta que se instalou no País quando Naide Gomes perdeu a possibilidade de sair medalhada de Pequim, que a comitiva Olímpica Portuguesa chegou a Lisboa.

As declarações do Presidente do Comité Olímpico (o mesmo que dias antes havia assumido pessoalmente o completo falhanço e o abandono daquele organismo) impavam de orgulho pelos “melhores resultados de sempre alcançados em jogos olímpicos”…

De imediato, quando questionado sobre o anúncio do abandono feito em Pequim, o responsável apressa-se a dizer que é o seu enorme amor à causa que o impeliu ao anúncio irreflectido que fez. E que, para além de os resultados extraordinários alcançados o terem obrigado a repensar a decisão, eram também eles suficientes para que dali resultasse uma possível recandidatura ao cargo nas eleições que se avizinham.

As televisões e demais órgãos de comunicação social que ouviam o dito senhor, registando as palavras e a satisfação latente por tudo o que foi feito na China, nada mais conseguiram fazer do que aquilo que de facto fizeram… silêncio absoluto sobre o assunto!... e nem sequer acusaram o espanto que deveria resultar deste episódio.

Mas, se pensarmos bem, que mais haveria para dizer? Nada, como é evidente…

É que, desde o princípio, quando o desastrado Secretário de Estado adjectivou como débil a participação Portuguesa nos jogos, nos quais o Estado, ao longo dos últimos quatro anos investiu cerca de 14 milhões de Euros que pertencem a todos os Portugueses, todo o processo ficou marcado pela incoerência e pelo absurdo, não sendo possível agora sequer vacilar perante mais este episódio caricato da Portugalidade.

O desporto, na sua essência, e os Jogos Olímpicos em particular, são o apelo mais sublime a alguns dos valores que a sociedade ocidental, de essência humanista, procura implantar. O desapego aos resultados, e a tónica colocada no esforço, na determinação, na pujança, no brio, no respeito pelo próximo, e na honra em participar, deveriam ser (de forma inquestionável) as principais linhas balizadoras da participação de Portugal neste importante evento Mundial.

Portugal, como o infeliz Secretário de Estado terá pensado mas não terá conseguido dizer de forma aceitável, não pode ter a veleidade de entrar nestes eventos com o objectivo único de ganhar. De facto, e infelizmente, temos uma política educativa e desportiva miserável, marcada por um sistema onde não existem condições para que os Portugueses mais aptos possam profissionalizar-se. Temos falta de infra-estruturas, de meios humanos e técnicos, de saber e de capacidade organizativa… Não temos, por outro lado, dinheiro suficiente para transformar a participação nuns jogos destes num mega desígnio Nacional, nem tão pouco temos a possibilidade de massificar nos próximos anos (pelo menos enquanto se continuarem a fazer sentir as consequências de uma revolução de mote ainda pouco definido – e ainda temos muitos anos de sofrimento pela frente até isso acontecer…) a prática do desporto de qualidade nas nossas escolas.

Desta forma, e como a generalidade dos Portugueses não tem acesso à educação desportiva, são muito poucos aqueles que usufruem da possibilidade de serem identificados como potenciais campeões e de, com essa identificação, poderem ser alvo de um investimento estatal que dê frutos para o País.

Dependemos, por isso, única e exclusivamente da sorte (como tem acontecido amiúde ao longo da nossa História), e das capacidades extraordinárias de uns tantos que, pese embora as dificuldades inenarráveis com que se deparam no seu devir quotidiano, conseguem transcender-se e treinar, rentabilizando as enormes potencialidades que possuem e afirmando-se nas suas áreas desportivas de eleição. Felizmente para Portugal, que já se sabe que não conta, não contou nem certamente contará ao longo dos próximos anos com governantes capazes de governar, são muito e bons os exemplos de campeões que conseguiram afirmar-se dessa forma e que levaram bem longe o nome, o valor e a essência de Portugal.

A todos eles o País deve estar grato pela missão impossível que cumpriram.

Em desideratos desta monta, quando a afirmação Nacional é essencial, devemos ter a dignidade e a força de assumir os desafios e de, com o apoio inequívoco de todos, contribuir para que o brio, a responsabilidade, a perseverança, e o trabalho daqueles que vão aos jogos representar o País seja sinónimo de orgulho para Portugal.

Não precisamos de responsáveis titubeantes que prometem medalhas e negoceiam apoios financeiros com Governos poucos aptos a compreender os desígnios Nacionais; não necessitamos de desportistas que fazem o favor a Portugal de ir aos jogos pelos 1500,00 € que o Estado lhes paga por mês para se prepararem; não queremos atletas que assumem debilidades que não possuem e que colocam em costas alheias as razões dos seus desaires…

Mas necessitamos avidamente de Portugueses com orgulho de representarem Portugal, com a capacidade de assumirem quem são e o que fazem; e com vontade de chegar ao fim de cabeça erguida sabendo que deram o melhor pelo País. Nesses, nós que ficamos por cá, encontramos sempre, e independentemente do lugar que ocuparam no pódio, motivo de orgulho e de reconhecimento. Desses, no meio de uma plêiade de heróis, destacam-se uns tantos que se transcendem e ao próprio País e que trazem consigo as cobiçadas medalhas que os responsáveis tantos desejam.

Vamos ver agora o que acontecerá com o grupo de heróis que representará Portugal nos Jogos Para Olímpicos…

quinta-feira

O Estado "Débil" de Portugal...





por: João Aníbal Henriques

A menos de uma semana do início de mais uma edição dos Jogos Olímpicos, vem a público um representante do Governo Português dizer que “os jogos são uma tremenda aventura para um País débil como Portugal”.

A inóspita afirmação, que todos julgam ter sido feita com a melhor das intenções, enaltecendo o valor dos atletas Portugueses que, como se sabe, têm poucas ou nenhumas condições para prepararem a sua participação em eventos desta dimensão, representa um lapso linguístico que, para além de indesculpável do ponto de vista da responsabilidade do Estado, mostra bem a despreparação, o desentendimento e a total incapacidade que o sistema político Português possui para conhecer e compreender Portugal.

É que, apesar de “débil”, foi o Estado Português quem investiu muito dinheiro público para viabilizar esta participação Nacional; é que, por outro lado, foi o Estado Português que avalizou a qualidade dos nossos atletas, concedendo-lhes esses apoios; e das duas uma… ou esse Estado é incompetente, porque avaliou mal os atletas e, apesar das suas “debilidades” acabou por apoiar indevidamente a sua pretensão de viajar até Pequim à nossa conta; ou esse Estado é incompetente, porque tendo percebido que o nosso País é “débil” na área do desporto, mesmo assim deu-se ao luxo de gastar o dinheiro de que avidamente precisamos em Portugal só para que um grupelho de gente fosse passear ao Oriente…

Mas a verdade, e essa é inquestionável, é que todos sabemos que o desporto Português (goste-se ou não) está muito longe de poder ser considerado débil, e que os nosso atletas, na precariedade de condições que o Estado lhes oferece, têm levado bem longe o nome e a pujança de um País extraordinário que é Portugal.

A menos de uma semana do início das Olimpíadas, que muitos atletas Nacionais vão enfrentar depois de anos de preparação exaustiva e investindo a própria vida na expectativa de alcançar bons resultados, vem um representante do Estado falar de um País que não existe para além das paredes sombrias da Secretaria de Estado onde o acomodaram.

Portugal é muito mais forte; muito mais sólido; muito mais estruturado; muito maior de que este secretário de estado pode imaginar.

Nos últimos 850 anos, no meio das maiores vicissitudes e de verdadeiras “debilidades” Portugal soube impor-se no Mundo. Só que não sabe disto é o Estado que, conjunturalmente, dizem que nos governa…

quarta-feira

O Dia da Raça e as Memórias de Auschwitz





por: João Aníbal Henriques

No seu discurso comemorativo do Dia de Portugal, o Presidente da República, Cavaco Silva, referiu-se à necessidade de reforçar a comemoração do “Dia da Raça”.

Essa expressão, que os partidos da esquerda mais radical imediatamente associaram à prática instituída pelo Estado Novo para reforçar o sentimento de pertença a Portugal que todos sabiam ser necessário para estruturar o esforço Nacional que o País devia fazer para ultrapassar as vicissitudes de uma Europa conjunturalmente em caos, tornou-se de imediato no fulcro de dezenas de peças jornalísticas nos diversos jornais e televisões, servindo ainda como lenha para atear as fogueiras de vários comentadores.

Num País que já pouco sabe de si próprio, e no qual (como aliás o próprio Cavaco Silva referiu ainda há pouco tempo) a História é considerada elemento retrógado que deve ser esquecida para dar lugar a abordagens de futuro, a intervenção do Presidente da República só pode ser entendida de duas maneiras:

1ª – Ele conhece a nossa História recente e utilizou a frase como forma assumida de contextualizar o caos recente em situações análogas que Portugal já atravessou, deixando pistas que permitem perceber quais são os melhores caminhos para o garante do êxito final;

2º - Ele não conhece a nossa História recente e foi somente a sua argúcia política que, tendo em consideração o estado de caos económico-político-social em que vivemos, lhe ditou o caminho mais estruturado para ultrapassar a crise.

Em qualquer dos casos, e tenha dito a frase de forma consciente ou inconsciente, é sempre meritório assistir a um Chefe de Estado que tem capacidade de distinguir a força da Alma Nacional, cadinho da energia de que a Nação necessita para prosperar noutras áreas, das vicissitudes conjunturais que afectam o País.

Portugal enquanto País, oprimido pelos bloqueios que lhe impõe uma Europa com a qual pouco tem a haver; pelas dificuldades estruturais que o caracterizam enquanto País; pelas conjunturais necessidades que a situação internacional acarreta; e pela complexidade que está inerente ao facto de o sistema político-partidário em que vivemos estar total e completamente moribundo; pouco mais pode fazer para resolver a crise convulsiva em que se encontra do que gerindo dia-a-dia os equilíbrios tecidos pelos muitos problemas com que vai tendo de lidar.

Enquanto Nação, no entanto, a força de Portugal é intocável e, como Cavaco Silva bem percebeu, incentivar esse fogo que dá alento ao País, significa alentar o povo, as instituições e a sociedade civil a reencontrar dentro de si própria formas inovadoras de se transcender e de se impor perante as vicissitudes do Mundo e da Europa.

Para que isso se torne possível, e para além do futebol (que já todos percebemos que é capaz de fazer esquecer os problemas e unir o povo em torno de algo imaterial), é fundamental que se reconstruam memórias e se conheça a História. É essencial que saibamos de onde viemos, quem somos e para onde poderemos ir. É fundamental que a consciência individual se fundamente num juízo crítico baseado nos factos e nas informações.

Essa consciência pessoa, mesclada com outras similares, forma a consciência Nacional que Portugal já mal se lembra de ter existido. Seria ela que, dando corpo às escolhas pessoais de cada um, permitiria que os actos eleitorais, as formações de listas para órgãos de soberania, a composição do parlamento, etc. fossem sinónimo de democracia (que não temos), porque ela só é possível com consciência e a consciência só é possível com base no conhecimento!...

Depois do discurso de Cavaco Silva, e por entre os muitos comentários radicais que ouvimos, houve aqueles que centralizaram em Salazar, no Estado Novo e até no Município de Santa Comba Dão as vicissitudes dos nossos males.

Diziam que o discurso do Presidente da República seria seguido do retorno ao passado; que agora só faltava a autorização para a abertura do Museu do Estado Novo; e que tudo isto tem como objectivo fazer Portugal voltar ao pré-25/04.

Olhando para trás, para uma Europa acéfala e cada vez mais perdida num crescimento híbrido que vai pondo cobro a algum alicerce identitário que possa ter existido, rapidamente percebemos que o pouco que resta se deve à memória que se foi criando.

O que seria da Europa sem as memórias das muitas guerras e atrocidades que aqui se cometeram? O que seria da Europa sem os espaços-memória de Auschwitz e dos campos de concentração nazis? O que seria do Mundo sem os dias do trabalhador, da família, da mãe e do pai, do ambiente, etc.? O que seria de nós sem conhecermos o que nos precedeu e sem termos a possibilidade de sobre essa informação erguermos o nosso espírito crítico?

Para nós, que assumidamente sabemos o mal que resultou da experiência soviética; dos projectos trabalhistas; das revoluções socialistas; das atrocidades comunistas; etc. não podemos deixar de aplaudir e de apoiar a construção, criação e promoção de museus e espaços de memória que garantam que perdura no tempo o resultado dessas experiências. Porquê? Porque foram péssimas; porque influíram negativamente nas vidas de milhões de seres humanos; e sobretudo porque não queremos que se repitam. E a única maneira de alcançar esse desiderato é mostrando o que foram.

Quando se fala (a medo) do Dia da Raça, suscitando comentários extremistas contra a ligação que essa expressão poderá trazer relativamente ao Estado Novo, isso só dá vontade de perguntar aos seus autores:

- Têm medo que se mostre por saberem que resultaram bem e que o povo perceba que nem tudo o que se disse no pós-25/04 é verdade?...